A Estrela e o Vira-lata
1 Resiliência
O céu parecia cinza na Soul Society. Muitos corpos jogados ao chão, manchas de sangue desenhadas disformemente em várias direções e escombros espalhados por toda a parte. Diante desse cenário, a Seireitei se organizava em grupos com o intuito de resgatar os sobreviventes e realizar os primeiros reparos de reconstrução do local. Finalmente, fora decretado o fim da guerra contra os Quincies, que ficou conhecida como a Grande Guerra.
Os Treze Esquadrões perderam vários de seus soldados, incluindo alguns de alta patente. O 13º esquadrão perdeu seu adorável capitão Juushirou Ukitake. Dessa forma, a então tenente Rukia Kuchiki teve que assumir imediatamente a liderança de seus soldados para montar grupos de apoio tático para, então, enviá-los como auxílio.
***
— Soto, Jou, Yan, Matsuda e Ken, vocês irão ajudar no resgate dos sobreviventes. Dêem o seu melhor! — Ela dizia essas palavras num tom melancólico, talvez pela grande perda que tivera, mas encarava os homens com um olhar que passava confiança.
O grupo respondia em coro com um "Entendido!" e saíam dali em movimentos rápidos.
— Kiyone e Sentaro, eu peço que auxiliem os tenentes dos outros esquadrões no que for possível. Eu... — Rukia baixava a cabeça de leve, essa ultima frase tendo soado mais baixa do que as anteriores — Eu ficarei aqui para colher as informações que forem chegando para apresentá-las na próxima reunião emergencial dos Capitães, prevista pra acontecer amanhã pela manhã. Por favor, me procurem para o que for preciso.
— Entendido, Kuchiki-san! — Eles responderam em coro, e Kiyone logo complementava em um tom tristonho, porém terno — Eu aposto que o capitão Ukitake ficaria muito feliz em saber que nossa próxima líder provavelmente será você. Tenho certeza que será brilhante!
— O que está falando, sua cabeçuda?! Eu que acho que a Kuchiki vai ser uma ótima capitã! Não tire as palavras da minha boca. — Ele dizia isso com um olhar de fuzilamento para Kiyone, mas não soava explosivo como das outras vezes.
— Quieto, seu idiota. Vamos!
Os dois saíam dali com uma reverência para Rukia, curvando-se levemente, deixando, em seguida, a tenente, ou melhor, a capitã interina sozinha no lugar que alocava seu esquadrão.
Uma tempestade de pensamentos passavam naquele momento pela cabeça da pequena shinigami. Dúvidas, preocupações, inseguranças e incertezas emanavam de sua mente. "Capitão Ukitake... Será que sou digna de representá-lo? Ou melhor, de subtituí-lo? Eu... não sei o que fazer. Por favor, esteja olhando por mim de onde estiver". Ela encontrava-se naquele momento de olhos cerrados e mãos unidas, caminhando lentamente até a janela. Abria então os olhos e observava aquela desagradável paisagem. "Obrigada, Capitão. Nós vencemos.".
Alguns minutos depois, ouvia-se passos em direção ao local que Rukia estava. A figura masculina parava na entrada do alojamento, e encarava Rukia. Sentindo aquela presença que lhe era bastante familiar, a shinigami rapidamenta abria os olhos e virava-se.
— Renji? — Encarava o grande garoto ruivo que estava parado à sua frente. Ele encontrava-se enfaixado em várias partes do corpo, assim como ela, resultado dos inúmeros ferimentos que tiveram naquela guerra.
— Será que posso entrar? — Ele dizia isso com a mão atrás da nuca. Já que ela não lhe convidara pra entrar, ele mesmo perguntou se podia.
— Bobo, você já entrou. — Observava ele entrar no local um pouco cabisbaixo e com um olhar de preocupação.
— Você está bem? Não te vi mais desde ontem. Estava aqui o tempo todo?
— Estava. Eu não posso assumir minha posição de tenente, por isso enviei Kiyone e Sentaro pra auxiliar você e os outros tenentes. Preciso ficar aqui por então, Já que... — Ela voltava a baixar a cabeça novamente, hesitando em falar as próximas palavras, que foram interrompidas antes que pudessem sair.
— Eu sei, não precisa se preocupar com isso. Já está tudo encaminhado. Além do mais — Ele cruzava os braços e cerrava os olhos, dando um suspiro e um sorriso de canto de boca — o capitão Kuchiki tem sorte em ter um tenente eficiente que já adiantou bastante coisa e desafogou o trabalhos dos demais tenentes. — Ele voltava a abrir os olhos na esperança que Rukia reajisse ao comentário, mesmo que fosse para contrariá-lo, mas ela permaneceu na posição que estava.
— Entendi. — Ela demorou alguns segundos, mas comentou em seguida — Continue a dar seu melhor, meu irmão não merece ter um peso-morto como tenente. — Recompondo-se, ela colocava as mãos na cintura e encarava-o sorrindo discretamente.
— Eu sou mais eficiente do que você imagina. — Renji não reajiu ao comentario da maneira selvagem que costumava reagir às provocações de Rukia, pois de seu interior ainda emanava preocupação. — Ei, você ainda não me respondeu. Você está bem?
— Eu estou inteira, né? Estou sim, e esses ferimentos logo irão curar-se. E você, trate de se recuperar também, está horrível. — Rukia dizia isso o encarando de maneira séria, mas abria um discreto e meigo sorriso, parecendo estar aliviada ao ver que Renji estava ali à sua frente, e bem. Naquele momento, um terrível pensamento passou pela sua cabeça, de que ele poderia não estar ali também, e que ela poderia tê-lo perdido. Ela deu um súbito suspiro de alívio, e então disse baixinho, quase sussurrando. — Que bom que está bem, Renji.
— Boba, eu que digo isso. — Ele dizia no mesmo tom que ela, abrindo um sorriso mais largo que o da garota, coçando a cabeça e corando discretamente.
— Com licença! Tenente Abarai, o capitão Kuchiki pede sua presença no nosso esquadrão. Olá, Kuchiki-san. — um jovem garoto moreno aparecia na entrada, cumprimentando Rukia. Ele tinha algumas tatuagens semelhantes as de Renji.

— Ah, sim. Já estou indo. Obrigada, Rikichi. — Ele sentia que algo o tinha interrompido, mas em seguida vira-se pra Rukia e se despede — Rukia, se precisar de algo, sabe onde me procurar. Não espere eu vir até aqui sempre. Cuide-se. — Dizendo isso, ele saía logo atrás de Rikichi, deixando Rukia novamente sozinha ali.
Fale com o autor