A Estranha Vida de Carmenny Edmond
3 Clima bipolar
Notas iniciais
Carmenny Edmond
Eu acordei super disposta, com vontade de fazer novos amigos e tals.
Mentira. Eu acordei com uma cara de bicho que não come há semanas, e que estava prestes a atacar alguém. E esse alguém quase foi minha querida tia.
—Carmenny! Acorde! Hora de ir para a escola.-minha tia me acorda cantarolando.
—Caralho, tia. Tu não tem amor no coração?-eu falo, estreitando os olhos pela luz da janela.
—Claro que tenho. E é esse amor que me faz acordar à essa hora para levar minha querida e educada sobrinha para a escola.-ela fala, no final dando um sorriso fofo.
—Hum... Tá.-eu falo, tirando as cobertas com força e percebendo que está mais frio do que Netuno.-Meu deus! Nós nos mudamos para a Antártica e eu não me lembro?
—Não. Você deveria ter se lembrado do clima bipolar de Livertown antes de decidir fugir para cá, Anny.-ela fala, indo para a porta.
—Aham, claro.-eu falo, me levantando e levando as cobertas junto para o closet esquisito. De ricos.
Escolho a roupa menos bonita que encontro. Uma blusa regata preta, um blusão azul forte, um moletom verde escuro e uma calça moletom. Impressão que eu vou passar muito calor depois, mas o que vale é o presente.
Desço as escadas lentamente, porque se eu cair dali, eu morro.
—Carmenny! Vai se atrasar!-minha tia grita quase no meu ouvido.-Ah, desculpe. Não sabia que você estava descendo.
—Aposto que sabia. Eu quero café. Sem açúcar. Obrigada.-eu falo, me sentando.
—Ui. Não esqueça que eu não sou sua empregada.
—Não estou nem aí. Você tem braços para mexerem, não para apodrecerem.
—Você também, querida.-ela fala, dando um sorriso de headshot.
—Como eu disse, não estou nem aí.-eu falo, sorrindo igual a ela.
Ela se vira, me ignorando.
Fico pensando em como eu poderia ser na escola. Simpática ou eu...
Ser eu é bem melhor e fácil. Decidido.
—Aqui está seu café, senhorita.-minha tia traz o café até mim como se eu fosse uma dama. Eu rio.
—Obrigada, empregada. Vou aumentar seu salário, está educada hoje.-eu falo, fazendo um aceno com a cabeça.
—Não se acostume, Anny.-ela fala, se virando e subindo as escadas.
Deixo metade do meu café na mesa e em seguida subo as escadas. Entro no quarto procurando uma mochila e não acho.
—Tia! Cadê minha mochila?-eu pergunto gritandogrito perguntando.
—Procura, querida. Você tem tempo.-ela fala e eu olho para o relógio em cima do criado mudo. Sete e vinte, minha aula começaria às sete e meia.
—São sete e vinte!
—Procura.
Eu saio feito louca procurando minha mochila que nem sabia de que cor era. Procurei em todos os lugares possíveis, menos no quarto da minha tia.
Vou até lá ofegando e bato na porta. Minha tia abre e eu entro quase como um cachorro que usou LSD.
Acho uma mochila preta, simples. Que amei, mas perdeu um ponto por eu quase morrer procurando.
—Vou te matar, tia.-eu falo, lançando meu olhar de assassina á ela.
—De nada, Anny. Agora corra!-ela fala, eu olho para o relógio que tinha na parede do quarto e eram sete e trinta e três. Arregalo os olhos e saio correndo.
—Melhor você não estar em casa quando eu chegar!-grito, descendo as escadas.
Pego meu café pela metade e abro a porta e corro sem fechar.
Com dificuldade, tomo o café e fico em dúvida. Aquela caneca poderia ser importante, ou não? Com certeza foda-se. Joguei ela no mato e segui correndo.
Mas eu me dei conta de que não perguntei à minha tia onde era a escola.
Fudeu.
—Merda.-murmuro, olhando para os lados e vejo um garoto correndo com uma mochila.
O sigo, sem me importar se ele é da mesma escola que eu.
Ofegante, chego na frente de uma escola de cor azul escuro com vermelho. Entro recebendo olhares raivosos e curiosos de várias garotas. Pisco para elas, dando meu melhor sorriso. Elas arregalam os olhos.
Percebo uma risadinha ao meu lado, mas ignoro e sigo até algum lugar que não sei onde fica.
—Perdida?-eu garoto pergunta, atrás de mim. Pelo menos a voz é masculina.
—É tão evidente?-me viro. Ele é loiro, olhos azuis. Típico de popularzinho da escola.
—Você tá dando voltas faz tempo. A secretaria é ali.-ele aponta para uma porta escrito ''Secretaria''. Me sinto uma idiota.
—Hum...-vou até a porta. E ouço um ''De nada'' atrás de mim. Ignoro. Odeio ser educada.
Bato na porta e quem abre é uma senhora baixinha e feiosa.
—O que deseja, senhorita?
—Quero saber onde é minha sala. Meu nome é Carmenny Edmond.-eu já sabia dos esquemas de novatos.
—Deixa eu ver... Sala B, querida. No fim do corredor.-ela fala, sem olhar para minha cara. Mal educada... Na verdade não posso falar nada, eu também não sou educada.
Saio e deixo a porta aberta mesmo, foda-se. Corro até o fim do corredor.
Abro a porta e recebo vários olhares, femininos e masculinos. Dá até medo.
—Você deve ser a senhorita Carmenny Edmond. Pode se apresentar para a sala?-ele abre caminho para mim.
Olho a sala com meu olhar assassino e a maioria arregala os olhos, e a minoria dá risada, a minoria era uma garota loira com olhos verdes. Confesso que até eu pegaria ela.
—Meu nome é Carmenny Edmond, tenho dezesseis anos e vim para essa escola porque fugi de minha cidade e minha tia me acolheu.-falo, no final dando um sorriso e me dirigindo a uma cadeira vazia, ao lado da garota loira.
—Oi. Meu nome é Isabelle.-ela fala, se inclinando um pouco.-Você é bonita.
—Eu sei disso. É o que eu ouço quase toda hora...-eu falo em um tom de ironia. Ela ri.
—Carmenny e Isabelle, querem explicar a matéria?-o professor grita, olhando para nós duas, mais especificamente para Isabelle.
—Eu até explicaria, professor. Mas como você deu a opção de escolher... Não, obrigada.-eu falo, dando um sorriso no final. Escudo risadas da sala inteira, algumas debochadas, das garotas, e outras de achar graça, dos garotos e da Isabelle.
O professor me olha feio. Fico até com medo.
—Na próxima, você vai para a direção, senhorita Edmond.
Não falo nada. Se eu falasse, não ia mudar muita coisa. Minha tia só iria me colocar para lavar a louça e limpar a casa.
Fico assistindo o resto da aula em silêncio, às vezes recebendo olhares de meninas feiosas.
O sinal toca e a sala inteira sai, como se transbordasse alunos. Eu espero a sala ficar vazia.
Quando fica vazia, eu guardo meu material na mochila e saio.
—Caramba. Aí está você! Fiquei te procurando pela escola inteira.-Isabelle fala, caminhando até mim.
—Hum... Quero que saiba que não sou sua amiga e nem vou ser, ok?-eu falo, caminhando na frente dela.
—E você, querendo ou não, vai ser minha amiga.-ela fala, andando mais rápido ao meu lado.
—Então tá, vamos ver quem será a amiga primeiro.-eu falo e ela para um pouco, como se estivesse pensando. Aproveito e fujo para a porta de saída, lançando um belo foda-se à ela.
Avisto um ser humano com cabelos azuis e com uma jaqueta preta enorme ao lado de um carro preto também enorme, também conhecido como minha tia.
Corro até o carro, passando reto por ela e abrindo a porta, quer dizer, tentando abrir uma porta trancada. Ela ri.
—Não sabia que iria me buscar.
—Eu fui ver uma amiga e aproveitei para vir aqui.-ela fala, em seguida abrindo o carro.
—Hum...-abro a porta.-O que vai ser de almoço?
—Um negócio que comprei no mercado. Acho que é alguma daquelas coisas nada saudáveis congeladas, sabe?
—Sei. E é bom pra caralho.-ela ri.
Ela liga o rádio e ficamos o caminho inteiro em silêncio, ou seja, menos de três minutos em silêncio.
Desço do carro correndo e abro a porta, deixando a mesma aberta. Subo as escadas também correndo e entro em meu quarto, quase morrendo, já que sou sedentária.
Me jogo na cama e durmo, me esquecendo do almoço. Minha tia com certeza não iria deixar um pedaço pra mim.
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