Notas iniciais
Presumo que não deva ter ninguém lendo isso conforme eu posto MAS eu queria ter postado esse capítulo ontem (quinta), porém eu acabei ficando bem mal de uma cirurgia que fiz na quarta e fiquei preso numa cama com dor.

Maria Hazenflug caminha, com Johannes, até a parte da escadaria onde havia uma lanterna.

— Vamos para o Sonho? — ele pergunta.

— Acho que é uma boa nos abastecermos — Responde Maria. — E, bem, perdoe-me perguntar mas… O que você estava fazendo com a Lamia?

Johannes demora alguns segundos para responder, fazendo Maria inclinar a cabeça para um lado, curiosa.

— Ela foi me mostrar a saída desta caverna. A que leva para a Vila Edda. Perguntou o que faríamos — ele explica.

— Complicado — resmunga Maria, coçando a parte de trás da orelha.

— Você precisa voltar. Precisa pegar sua recompensa com a senhora Victoria — ele fala, andando em círculos. — Lamia comentou que existe um porto para Vila Edda mas… Não sei o quão eficiente é de verdade fugimos por lá.

— Pyrrha estaria a salvo. Você também — Maria pontua.

— Mas ainda tem você — Retruca Johannes.

— Eu dou meu jeito de voltar. — Ela ri.

O caçador bufa, andando cada vez em círculos mais amplos, para preocupação de Maria. Ela teme que ele acabe caindo da escadaria por causa disso. Também está preocupada, mas não quer pensar nisso agora. Sequer sabe quando poderia pensar nisso.

— Acha que a Igreja viria atrás da gente tão rápido depois de voltarmos com a Pyrrha? — Maria cruza os braços, tentando olhar para Johannes.

— Não temos como saber — ele responde. — E pra onde iríamos?

— Pegamos a recompensa com Victoria, a cura para meu irmão. E então podemos ir juntos para minha cidade natal. O que me diz? — Um largo sorriso surge no rosto de Maria.

Johannes continua resmungando para si mesmo, em baixo tom, enquanto anda em círculos. Maria suspira.

— Vamos logo para o Sonho — ela diz e aciona a lanterna.

Assim que chega no Sonho do Caçador, Maria sente algo estranho. Não sabe se é algo no ar que está diferente, algum odor talvez. Não sabe se é em si mesma, algum desconforto. Se as cores estão mais ou menos saturadas. Se algo está diferente. Talvez a lua esteja maior.

A Boneca está sentada próxima a escada que leva à oficina. Parece estar dormindo, de cabeça baixa e sem se mover. Assim que se aproximam dela, ela ergue a cabeça, vagarosamente, e esboça um pequeno sorriso.

— Olá, caçadores. Que bom revê-los — diz a Boneca. — Gehrman os espera.

Os dois caçadores caminham pelas curtas escadas que levam até a oficina dentro do Sonho. Como sempre, Gehrman está calmamente repousando em sua cadeira de rodas.

— Que bom vê-los, caçadores — diz o velho caçador.

Johannes move a cabeça, em um cumprimento silencioso.

— Aconteceu algo, Gehrman? — Maria indaga, colocando a mão na cintura. — A Boneca disse que queria nos ver.

— Ah sim, sim. De fato, eu queria — ele diz. — Vocês estão na Vila Edda, não é?

Johannes inclina a cabeça para o lado. Eles não tinham contado para ele? As roupas de Gehrman estão, como sempre, com vários rasgos. Gastas. As roupas de um caçador que certamente viu várias e várias caçadas. E aqui reside ele, separado da realidade, em sua cadeira de rodas. Sem um dos pés. Fraco. Os olhos de Gehrman acabam se ocultando um pouco devido ao seu chapéu.

— Bem, sim — Maria responde. — Estamos praticamente nela já, por assim dizer.

Gehrman assente com a cabeça. Sua boca parece tremer um pouco, como se em nervosismo.

— Ah… Sim. Peço perdão. — As palavras de Gehrman são dolorosamente lentas. — Eu estive lendo os livros daqui. Em busca do que você, Maria, procura.

Os olhos de Maria ganham um pouco de brilho, e ela dá um passo na direção dele.

— Encontrou algo para a cura do irmão dela? — Johannes pergunta.

Gehrman balbuceia um pouco, demorando para falar.

— Bem, sim, ela… Digo, eu… — Ele leva a mão até sua testa, confuso.

— Está tudo bem, senhor Gehrman? — Maria indaga.

— Ah, sim, sim — ele responde, com um riso na voz. — Apenas me distrai um pouco. Peço perdão por isso.

Gehrman tira de dentro do casaco um pequeno caderno, um diário. Igual outros que existem ali, de diversos caçadores que passaram por aquele lugar.

— Isso é de um caçador que já passou por aqui. Há um bom tempo, presumo. Ele era um estrangeiro, sabe? Não muito diferente de você, senhorita Hazenflug. Veio estudar a praga que afligia esta terra. Um médico forçado a adentrar a caçada. — Ele solta um riso. — A curiosidade pode ser um inimigo, não acham?

Gehrman desatina a rir um pouco mais, acabando por tossir. Os dois caçadores dão um passo à frente, mas o cadeirante ergue a mão.

— Estou bem. Eu estou bem, peço perdão — ele fala. — Devo ter pegado algum resfriado. Ou é só meu corpo fraco dando seus sinais. De todo modo, eis o livro, Maria.

Ele estendo o diário para a caçadora, que pega e olha para a capa. Marrom, sem detalhes ou nome. Ela abre e folheia um pouco as páginas e vê que existe um marcador em uma determinada parte.

— Eu marquei onde a parte importante fica. Ele listou cuidadosamente os itens e ingredientes necessários e também sua preparação — Gehrman conta, com um sorriso. — Um dos ingredientes é o sangue de uma fera pura e antiga.

— É, você comentou sobre isso um tempo atrás — Maria indaga, erguendo a sobrancelha e mudando o pé de apoio do direito para o esquerdo. — Afinal, que história é essa de “fera antiga e pura”?

— Deixe-me lhe contar uma história, sim? — Gehrman se endireita em sua cadeira. — Uma história sobre Yharnam e sobre a Vila Edda.

Johannes muda toda sua postura, quase como uma criança se preparando para ouvir uma história antes de ir dormir.

— Vocês sabem o que deu base para a Igreja da Cura, sabem? A grande ascensão de Yharnam. Tudo com base em grupo de acadêmicos de Byrgenwerth que foram investigar as catacumbas que existem debaixo de Yharnam. E eles acharam algo lá. Algo que agora reside na Vila Edda. — A boca de Gehrman se contorce em desgosto.

Johannes sabe sobre essa história. De como, o que acharam lá nas catacumbas, foi a base para o início da Igreja da Cura e da ministração de sangue como cura. Não sabe o que acharam, mas sempre presumiu que foi algum tipo de conhecimento perdido.

— E então — Gehrman prossegue, parando para balbuciar um pouco, até que parece recuperar certa clareza. — E então eles criaram alguma nova forma de perversão usando o sangue, sangue antigo. Invés de temê-lo, aqueles tolos decidiram usar como um produto. Como um veículo! Sangue, violência, a loucura de uma caçada perpétua em um grito para as estrelas.

Gehrman olha para Johannes, trêmulo, e o Executor engole em seco.

— Sei as incertezas que sente em relação à Igreja e lhe digo uma coisa, Johannes — Gehrman diz. — Lhe digo, a culpa da maldita praga perpetuar é da Igreja. Por terem pactuado com o que existe na Vila Edda. Está aqui. Vocês podem acabar com isso.

Gehrman tosse e Maria caminha até ele, tirando um cantil de água de suas coisas e oferecendo ao homem. Ele recusa.

— Estou bem — ele resmunga, ainda com a voz tomada pelo pigarro da tosse. — Eu apenas… Bem, eu…

Maria franze o cenho. Nunca viu ele assim, alterado. É preocupante. Gehrman limpa a garganta e respira fundo, parecendo recuperar parte de si mesmo.

— Eu estou bem, confiem em mim. Apenas vão. Vocês têm muito o que fazer ainda — ele fala. — Não há muito o que se fazer por aqui, afinal. Vão e matem cada uma daquelas malditas feras naquela Vila. Matem aquele maldito assassino, aquele

Uma lágrima escorre do rosto do homem na cadeira de rodas. Sua boca começa a tremer. Johannes arqueia as sobrancelhas e Maria sente um nó se formar em seu peito. Johannes quer saber por curiosidade. Maria por preocupação. Gehrman sacode sutilmente a cabeça, levando a mão até seu rosto. Ele dá um fraco riso.

— O que estou dizendo? Por favor, me perdoem — o caçador pede.

Johannes olha para Maria e oferece sua mão para ela.

— Vamos?

Maria hesita em segurar a mão do amigo, querendo perguntar do que Gehrman está falando e porque ele está agindo tão estranho. Se Johannes, de todas as pessoas, está sugerindo para deixar aquilo para lá, Maria sente que talvez seja o melhor a se fazer mesmo. Assim que dão as costas para Gehrman e começam a dar passos rumo a saída da oficina, eles ouvem:

— Ah, Maria, uma última coisa. Como estou esquecido. — Ele ri. — Um dos itens para o tal medicamento se trata de folhas de uma flor lunar. Isso não é algo que você poderia achar facilmente.

— Então como posso consegui-la, velho? — Maria indaga, com um sorriso cansado nos lábios.

Ele ri e tira algo de um bolso de seu casaco, ele o joga para Maria, catapultando-o de sua mão com seu dedão.

— Traga-me um frasco cheio com o sangue da fera antiga e lhe dou essas flores — ele diz.

— Certo — responde a caçadora, confusa. Ela olha para o frasco e o guarda no bolso.

Enquanto isso, descendo as escadas da oficina, Johannes está de frente para a Boneca. Ele fez uma pergunta para ela, mas até agora ela não respondeu. “Quem é Flora” foi a pergunta. O rosto da Boneca não se alterou. Ainda em um sorriso pequeno e aqueles olhos estáticos o encarando. Sua sobrancelha treme e Johannes percebe, por entre os trapos em seus olhos, que sua mão sutilmente se move. Aponta para cima. Johannes ergue a cabeça e vê o corpo celeste que observa aquele lugar, o Sonho. A lua. A lua os observa.

— Mas… Mas como assim? — Johannes resmunga.

— Ainda aqui, Jojo? — Maria indaga, erguendo a voz.

Johannes se assusta, e força um riso, olhando para a amiga. Apesar de confuso, eles seguem para a saída do Sonho, se despedindo da Boneca, por hora. E Johannes, mais uma vez, está preso em seus pensamentos, e toda a ida até a lápide que os levaria de volta para a caverna parece que se estende indefinidamente. Já não sabe o quão certo foi matar Euthymos, contudo, não existe volta para isso. E sente seu coração se amargar por isso. A situação seria melhor se tivessem Euthymos ao lado deles? E o que faria em relação a Igreja? Ele voltaria para Yharnam? Ele não sabe o que fazer. Se foge com Maria e Pyrrha através do porto. Se luta contra as feras. As feras! O motivo de estar na caçada. De ser um Executor.

A memória de pisar na borboleta grita em sua mente. Matar as feras na Vila Edda é pisar numa borboleta caída? Eles são maus, afinal. Tudo o que fizeram para Lamia e o que querem fazer com Pyrrha. Contudo, já não se sente bem sendo um Executor — um membro da Igreja da Cura. Sente vontade de investigar cada ponta solta disso, mas ao mesmo tempo sente medo. Medo de ver do que ele era membro até então. E se nem a Igreja que antes acreditava e nem mais os mandamentos de um Executor o servem… Quem ele é? O que lhe sobra?

— Ei, Jojo. — A voz de Maria puxa Johannes para o agora. — Tá tudo bem?

— Apenas me perdi em pensamentos — ele resmunga, os dois já de volta na caverna.

— Ah, agora conta uma novidade — Maria responde, risonha.

Johannes suspira um riso. Antes que pudesse responder a colega, um cheiro entra em contato com o olfato do caçador. Sutil, leve, mas inebriante. Sangue. Ele dá um passo à frente, descendo um degrau da escadaria. Ele respira fundo e olha para a entrada da caverna. A entrada pela qual eles usaram. Alguém passa pelo arco de pedra, adentrando o lugar: Victoria Shelley. Ela está jogando para cima um frasco de sangue repetidamente. Maria, que também vê isso, é tomada de surpresa, sem entender o motivo dela estar ali. Victoria para, erguendo o olhar para a escadaria, para os dois caçadores, acenando exageradamente um dos braços.

— Oe! — ela grita, levando a outra mão ao lado da boca, como se isso amplificasse sua voz.

Johannes olha para Shelley com desconfiança. Sem saber se ela continua “amigável” ou parte da Igreja da Cura que Gehrman falou. Ela volta a caminhar na direção da escadaria e Johannes volta o olhar para Maria, perguntando silenciosamente o que fariam. Em resposta, Maria começa a descer a escada, em passos firmes. Johannes continua se atentando em seus sentidos. Algo não está certo.

— Como é bom te ver inteira, senhorita Hazenflug. — Victoria abre os braços. — Agora me pergunto, onde está a senhorita Perrault?

— Ela está descansando — Johannes responde.

Maria morde de leve seu próprio lábio. A voz de Johannes está um pouco trêmula. Ele está nervoso. Victoria leva a mão ao peito e dá um suspiro.

— Isso é um alívio. A segurança dela, afinal, é a prioridade — ela fala, segurando sua bengala à frente do corpo, com ambas as mãos.

Victoria não está com roupas muito diferentes da última vez que a viram, a roupa da Igreja, o chapéu escuro. E possui aquele bastão, aquela arma de truque casualmente sendo usada como uma simples bengala. Possui um pouco de sangue. Maria fica dois degraus acima de Victoria. Desconfia dela desde que a conheceu. E não entende por que ela está aqui. Logo quando eles “falharam” em ser mortos para as bestas e Pyrrha capturada.

— Por sorte nos encontramos aqui, hein? — Victoria fala. — Mas, afinal, por que não usaram a estrada convencional para a Vila Edda? É um grande desvio este que fizeram. Um bastante perigoso, devo dizer.

Victoria então leva o olhar pela caverna, seus olhos eventualmente encarando o corpo morto de Euthymos.

— Isso me soa perigoso. — Ela aponta com sua bengala prateada para o cadáver. — Pyrrha não está ferida, está?

Maria nega com a cabeça.

— Pyrrha está sã e salva, senhorita Shelley. Além do mais, presumo que no caminho para cá testemunhou o quanto a estrada convencional estava lotada de feras. E mesmo nós não poderíamos assegurar a segurança dela enquanto abríamos caminho entre tantas feras.

Os lábios de Victoria tremem em um sorriso, com suas sobrancelhas erguendo sutilmente.

— Entendo — ela diz. — No entanto, não é o trabalho de um caçador caçar as feras?

— Sim, de fato. Mas a segurança de Pyrrha é prioridade, não a caçada — Maria responde, sem hesitar, com um sorriso no rosto.

Victoria junta as mãos, em uma alegre palma.

— Excelente resposta! — Ela boceja, levando uma mão para cobrir a boca. — Peço perdão, é que já está anoitecendo. E o caminho para cá é tortuoso, devo dizer.

Enquanto as duas conversam, Johannes se mantém tenso e procurando por algo. Sente algo estranho. Victoria teria vindo sozinha até aqui? E então ouve um barulho. Talvez alguém ajeitando sua postura, o barulho da água. Existem outros ali, escondidos, fora da gruta. Johannes dá um passo para frente, tomado pelo frenesi da descoberta.

— Jo, está tudo bem? — Maria indaga, ao se virar para trás e ver a expressão no rosto do amigo.

— Senhora Shelley. — Ele dá mais um passo. — Por que quem veio contigo não adentrou na caverna?

— Senhorita — ela o corrige. — Sinceramente Johannes, que falta de modos.

— Não fuja da pergunta — ele retruca.

— Céus, você não é um Executor, afinal? Somos ambos da Igreja! — Victoria pontua, olhando para trás, conferindo se os imbecis com ela estão tão visíveis assim. — Seus sentidos são dignos de um caçador veterano.

— Creio não ser mais um Executor, Victoria — ele responde. — Tampouco membro da Igreja, por hora. Sou apenas um caçador.

Os três homens que acompanhavam Victoria em Yharnam surgem, em passos lentos e pesados. Victoria por sua vez suspira, tristemente, e tira uma longa e curva adaga de seu cinto, prateada e muito bem polida. Ela reluz com a luz do lugar.

— Certo, a escolta de Pyrrha Perrault foi realocada para mim, sob ordens da Igreja — ela discursa. — Ainda serão recompensados, lógicos. Vamos abrir caminho até a Vila Edda juntos.

Johannes cerra o punho, dando um passo à frente. Sente que isso é uma armadilha. Sabe que é.

— Vamos ter que recusar a ajuda de vocês. — Maria responde. — Pyrrha está segura conosco.

Os homens com Victoria ameaçam avançar, mas são impedidos pelo simples ato de levantar a mão da mulher. Johannes dá outro passo, chegando até a colega. Ele coloca a mão no ombro dela, levantando a outra mão para o grupo da Igreja, pedindo por um momento. Maria olha confusa para Johannes, não sabendo o que ele está tramando.

— Maria — Johannes sussurra. — Comece a subir calmamente e então comece a correr, pegue Pyrrha e peça para Lamia ajudar a abrir o caminho para a Vila. Vão para o porto. Fujam.

A caçadora fica um pouco pálida com o que ele pede. Maria respira fundo enquanto Johannes se vira para Victoria.

— Peço perdão por isso. Maria traga Pyrrha aqui, sim? — o caçador diz, enquanto Maria começa a subir as escadas.

Victoria sorri, inclinando a cabeça para o lado, para ver Maria subir a escadaria. Um dos homens com Victoria dá um passo à frente.

— Vamos com ela, não confio naquela caçadora — ele vocifera.

O bastão de Victoria atinge seu joelho com força, fazendo ele quase cair.

— Abra a boca apenas quando eu solicitar por isso, sim?

— Perdoe-me, senhorita Shelley.

Maria então começa a correr, primeiro devagar, e então finalmente em velocidade total.

— Aquilo foi meio suspeito — ela resmunga, e então olha para seu subalterno. — O que acha?

O homem, que ainda sente dor no local atingido, resmunga:

— Bem, eu acho que estão tramando algo, digníssima Victoria.

— O que me diz, Johannes? — Victoria indaga, ainda sorrindo.

Ele solta um riso, curto, e tira a roda de suas costas, puxando-a pela alça.

— Não sei. Vai saber, né?

Victoria baixa o olhar, batendo seu bastão contra a água, vendo seu reflexo ficando turvo.

— Imaginei. Que pena — ela resmunga. — Para cima dele. Capturem a garota.

Johannes dá um passo para trás, ajeitando sua arma para atacar os três sujeitos. Aquilo não seria difícil. Dois deles possuem apenas bastões de madeiras, meras bengalas, cajados no máximo. Um deles possui uma lanterna, cheia de olhos, e Johannes presume que aquilo é algo para ele tomar cuidado. Ainda assim, nada difícil. Nada preocupante.

E então começam a entrar na caverna, mais de pessoas parecidas com esses guarda costas de Victoria. Sujeitos tão altos quanto Johannes, com peles pálidas e roupas escuras. São vários. No mínimo vinte. Alguns com esses cajados de madeira, alguns com bastões iguais ao de Victoria — armas de truque. Alguns possuem foices, que parecem brilhar com algum tipo de encanto. Por fim, entram dois que possuem dois troncos de madeiras, que brilham com um sutil brilho vermelho.

Johannes sente seu corpo hesitar vendo tantos inimigos. Não sabe se consegue vencer tantos. Suas mãos tremem. Ele fecha os olhos. Segura a alça de sua arma com mais firmeza. Respira fundo e o ar sai de sua boca pesadamente, com seu corpo se enchendo de determinação. Precisa evitar que cheguem até Pyrrha e Maria.

— Um caçador deve caçar, não é? — ele diz para si mesmo.