A Estrangeira

24 Capítulo 23. Voltando para casa


Notas iniciais
Olá amores, último capítulo antes do epílogo D: Espero que gostem. No final tem recadinho, leiam!

Capítulo 23. Voltando para casa

POV Charlie

Eu sabia que doeria ficar longe de minha filha, mas não imaginei que seria tanto. Eu sentia falta dos seus curiosos e gentis olhos, os pequenos sorrisos e os abraços tímidos. Minha Bells, minha sininho. Perdi tanto tempo em uma vingança sem sentido para então quando finalmente consigo achá-la, conquistar a sua confiança e seu carinho, ela é levada de mim. E o pior era que eu não pude impedir.

– Charlie tente se acalmar, logo eles estarão de volta. — pediu Emmett colocando uma mão sobre o meu ombro e me forçando a sentar-me na poltrona da sala.

Soltei o ar com uma bufada. Sim eles logo chegariam. Bella mandou sua carta há alguns dias dizendo que conseguiram se livrar do Volturi e em breve estariam em casa. Ela não deu grandes detalhes, disse apenas que precisariam ficar alguns dias em Volterra para arrumar os documentos necessários e assim que tudo estivesse pronto estariam de volta.

Quando Bella e Edward se juntaram aos Volturi eu fiquei completamente desolado assim como Esme e Carlisle, porém o patriarca dos Cullen conseguia manter-se em pé enquanto eu e sua esposa chorávamos como duas crianças. Acabei me juntada a família Cullen e nós nos ajudávamos a aguentar a saudades.

Aproveitei para me adaptar a dieta vegetariana. Não era fácil, muitas vezes acabei por falhar, mas eu continuaria tentando. Nunca mais queria ver o olhar horrorizado de Bella ao olhar meus olhos vermelhos.

– Será que são eles? — a pergunta em tom baixo de Rosálie me tirou de meus devaneios e logo eu prestava atenção ao som a minha volta.

Vinha do sul há alguns quilômetros de nossa casa. Eram passos... Uma corrida... Dois... Não eram humanos, porém os corações estavam agitados.

Não contive o sorriso que espalhou-se pelo meu rosto e em poucos segundos eu estava no grande quintal da casa aguardando ansiosamente aquela aproximação. Ao meu lado todos os Cullen com exceção da pequena Alice que dormia após almoçar.

Se eu tivesse coração ele estaria a ponto de sair pela minha garganta assim que os avistei saindo da floresta. Estavam de mãos dadas, mas assim que nos viram soltaram-se e eu senti o pequeno corpo de minha filha chocando-se contra o meu. Suas pernas enlaçaram minha cintura e seus braços meu pescoço. As lágrimas logo encharcaram a gola da minha camiseta. Meus soluços secos faziam-me pular e apertar ainda mais Bella contra mim.

– Ah minha menina! Como senti sua falta! — usei sua língua materna para fazê-la entender que ela estava em casa, junto de seu pai, junto de todas as memórias de sua mãe e junto de sua nova família.

Quando finalmente a emoção do reencontro deixou de afetar a produção de lágrimas e soluços, Bella soltou-se de mim e eu a coloquei no chão para observá-la de perto.

Meus olhos arregalaram e eu peguei seu rosto entre minhas mãos. O choque impediu-me de dizer qualquer coisa. Havia uma cicatriz em seu rosto perceptível até mesmo para olhos humanos. O que fizeram com a minha menina?!

Bella fechou seus olhos lentamente e tentou balançar seu rosto em negação. Entendi o recado. Ela não queria falar sobre o assunto e certamente nunca falaria. Imediatamente lembrei-me de um dia do mês passado quando a pequena Alice acordou gritando e chorando em desespero pedindo pelo irmão e por Bella. Algo horrível havia acontecido e Alice havia previsto.

Senti o delicado toque dos dedos de Bella em meu rosto e só então notei seu olhar carinhoso.

– Seus olhos estão dourados. — murmurou fascinada.

– É uma dieta interessante. — sorri soltando seu rosto.

Bella retribuiu o sorriso e se jogou novamente contra mim, desta vez enterrando seu rosto em meu peito e enlaçando a minha cintura.

– Senti sua falta papai. — abracei-a prometendo a mim mesmo que nunca mais ninguém iria machucá-la.

– Vamos para dentro, vocês devem estar famintos. — Rosálie tinha um largo sorriso observando Edward abraçado aos seus pais.

Ele os largou para ir abraçar a tia e então ser quase esmagado pelo tio. Sorri com a felicidade absoluta e sem desgrudar de minha filha seguimos para dentro de casa.

Esme só desgrudou de Edward para correr até a cozinha e voltar um minuto depois com duas bandejas cheias de guloseimas para os recém-chegados. Os dois atacaram sem cerimônia toda a comida fazendo-me trocar um olhar preocupado com Carlisle.

– Hey! Vão com calma, até parece que estão sem comer há meses! — Emmett brincou, porém os dois deram de ombros.

– E estamos, pelo menos em relação a comida boa. — esclareceu minha filha. — Eles até tinham comida humana, mas a maioria estava estragada ou velha demais. Nos alimentávamos mais de sangue do que qualquer outra coisa.

Mordi minha língua para não soltar um rosnado irritado. Os Volturi eram abusados demais. Porém algo ainda me intriga desde o dia que li a carta de Bella avisando que ela e o namorado estavam voltado. Como Aro os libertou. Edward tem um dom incrível para que ele simplesmente os deixasse ir.

– Ele não pretendia deixar. — respondeu os meus pensamentos.

Ergui uma sobrancelha em sua direção. Meu genro sorriu torto.

– Desculpe, força do hábito. Terei que me acostumar a desligar meus poderes dentro de casa já que no castelo Volturi eu mantinha ligado a todo o momento. — assenti concordando com sua prudência.

– Então... Como escaparam?

– Não escapamos papai, como eu disse ao senhor pela carta, Aro nos libertou por livre e espontânea...

– Pressão. — completou Edward sorrindo largamente.

Bella ficou vermelha e revirou seus olhos nos deixando curiosos.

– Digamos que Bella descobriu seu poder. — explicou Edward.

Arregalei meus olhos.

– Mas isso não chamou ainda mais a atenção de Aro?

– Ah! Claro que chamou! Por um momento Aro parecia uma garotinha ganhando a primeira Barbie. — sorriu meu genro, em seus olhos uma sombra surgiu e eu me perguntei se eu realmente queria saber toda a história. — Até Bella começar a esmagar seus órgãos.

Minha boca abriu-se e fechou-se ensaiando alguma fala, porém eu simplesmente não conseguia pensar em nada para dizer.

Minha filha encolheu-se no sofá e bufou para o namorado.

– Não foi legal contar desse jeito.

– Desculpe querida... O fato é que Bella possui um escudo poderosíssimo, tanto mental quanto físico. Descobrimos por acaso e escondemos a informação de todos até que ela tivesse pleno controle de seus poderes. Então conseguimos nossa liberação.

Havia muito mais naquela história... Algo que explicaria a cicatriz no lindo rosto de Bella. Porém eu sabia que nenhum dos dois abriria a boca para contar detalhes. Talvez fosse melhor assim.

Antes que qualquer comentário fosse feito Alice desceu as escadas correndo e se jogou no colo do irmão.

– Edinho! Bellinha! — se estiou puxando Bella para abraçá-la também.

– Como você cresceu Alice! — exclamou Edward.

Ela sorriu largamente e abraçou o irmão com força.

– Doeu muito? — perguntou em um sussurro.

Por alguns segundos os rostos de Edward e Bella empalideceram.

– Não tanto quanto pareceu fadinha... Tire isso da sua cabeça ok?

– Uhum... — ela afastou-se e assentiu ávidamente então seu rostinho tornou-se confusa. — Onde está meu sentinela?

– Ele não quis vir conosco Alice... — respondeu minha filha. — Mas não fique triste... Sua visão vai concretizar, você só precisa ter um pouquinho de paciência.

Alice amuou-se e deitou no peito do irmão.

– Qual o problema? — perguntei sem entender a reação da pequenina.

– Alice teve uma visão de que Jasper se unirá a nossa família. — explicou Edward. — Mas acho que o futuro que ela viu foi de alguns anos à frente.

A notícia realmente me surpreendeu. Não era a toa que Aro tinha tanto interesse nos Cullen.

– Então? Qual é a história da vez nessa cidade? — inquiriu meu genro.

Carlisle assumiu a conversa.

– Bem... Eu, minha esposa e seu irmão. — apontou para Esme e depois para mim. — Nos mudamos para uma cidade mais tranquila para que Charlie se recuperasse de uma doença.

Bella arregalou seus olhos.

– Tínhamos que explicar de alguma forma a reclusão dele em casa já que Charlie ainda está se acostumando com a nova dieta.

– Tio Emm e tia Rose?

– São os recém-casados que buscam tranquilidade para curtir a nova vida juntos. Emmett se juntou a brigada de incêndio da cidade enquanto Rose conseguiu um emprego em uma borracharia como mecânica. — sorriu Esme.

– Mas eu não gosto nada dessa história da minha ursinha usando aquele macacão sexy para qualquer marmanjo ver. — reclamou Emmett apertando sua esposa entre seus braços.

Ela revirou os olhos.

– Sexy Emm?! Pelo amor de Deus! Eu pareço um homem com aquela coisa larga e aquele boné sujo. Quem tem que se controlar sou eu com as vadias que ficam inventando incêndios em suas casas para que você vá salvá-las!

Emmett bufou e iria retrucar, mas foi cortado pelo olhar de Rosálie. Ri os observando, eram um casal divertido.

– Bem... Então acho que teremos que nos acrescentar nessa história. Eu imagino que Alice seja filha de vocês. — disse Edward afagando os cabelos de sua irmã que dormia tranquilamente em seu peito. — Porém, sinto muito mamãe, mas acho que dessa vez não poderei ser seu filho. Não biológico. Se não nessa cidade pequena a fofoca será grande demais por primos serem namorados e ainda morarem na mesma casa.

– Podemos dizer que eu me casei com Carl logo após sua esposa falecer e deixá-lo com um filho pequeno para cuidar. Então acabei por criá-lo como meu, assim ninguém vai estranhar você me chamar de mamãe, vão até achar fofo da sua parte.

– Quanto a Charlie e Bella podemos dizer que eles viviam distantes e não tínhamos tanta convivência até Charlie ficar doente e precisar de ajuda para o tratamento. Para que as crianças não sofressem nós as mandamos para a casa da vovó Cullen que cuidou de vocês dois até que pudessem voltar. Alice não foi junto, pois é muito pequena para ficar longe dos pais. — completo Carlisle.

– Acho que será convincente. — concordei.

– Será novidade o relacionamento de vocês dois tanto para nós quanto para a cidade inteira. — piscou Esme.

Os dois sorriam assentindo. Discutimos mais alguns detalhes sobre como faríamos isso. Já estávamos nessa cidade a quase três meses, precisávamos de pelo menos mais um para colocar na cabeça dos moradores que nossos filhos estavam prestes a chegar e ainda combinar o teatrinho com os adultos se surpreendendo pelo relacionamento entre nossos filhos. Seria divertido.

[...]

Sorri observando minha filha se lambuzando com a enorme taça de sorvete. Ela até poderia ser uma mulher adulta e casada, mas aos meus olhos sempre seria uma menininha. Ela e Edward casaram-se alguns meses depois de chegarem a cidade. Fizemos uma cerimônia simples apenas para a família e alguns amigos distantes. Tudo ocorreu bem de modo que nenhum humano ficou sabendo, eles apenas tinham uma imensa curiosidade pelo lindo anel de ouro enfeitado com uma pedra de diamante que Bella carregava em seu anelar.

Estávamos no verão e o calor era quase insuportável para os humanos. As nuvens que cobriam o céu pareciam deixar a cidade ainda mais abafada. Para minha filha também era incomodo então quando Edward teve que ir a casa de um colega para fazer um trabalho ela me arrastou para a cidade para que eu lhe pagasse um sorvete.

Eu amava quando ela reivindicava meus deveres de pai.

– Papai, posso lhe perguntar uma coisa? — perguntou em sua língua materna.

Sorri. Era uma coisa nossa nos comunicar em português, apesar de que Edward insistiu para que ela continuasse praticando, pois não queria que ela perdesse seu lindo sotaque.

– Diga querida.

– Você não se sente sozinho?

– Eu tenho você querida... E também acabei criando um grande carinho pelos Cullen.

– Não digo nesse sentido... O que eu quero dizer é... Você não sente falta de uma companheira?

Seu rosto enrugou em preocupação e eu sorri pelo seu carinho.

– Só porque é uma mulher casada não significa que todos devem ter um companheiro para ser feliz.

– Só quero vê-lo feliz.

– Eu sei. — sorri. — Mas não preciso de uma mulher ao meu lado para ser feliz. Sou feliz assim.

Ela por fim assentiu e colocou uma grande colherada de sorvete na boca. Ainda de boca cheia falou.

– Só para constar eu não me importo se você arranjar uma namorada.

Gargalhei.

– Fico feliz por ter o seu aval.

Após alguns minutos resolvemos voltar para casa. A nossa casa, com a nossa família. De um jeito muito estranho meu futuro se direcionava a um caminho feliz e totalmente diferente daquilo que um dia cheguei a imaginar. Falo sério quando digo que sou feliz sem uma companheira, não acredito que a felicidade dependa exclusivamente de uma pessoa. Quando me apaixonei por René meu mundo parecia em combustão, era tamanha paixão que meu peito parecia querer explodir. Quando ela se foi meu sofrimento cegou-me completamente e eu mesmo acabei destruindo minha vida. Não acho que eu esteja pronto para me apaixonar novamente, a verdade é que ainda penso em René. Agora não dói mais. Agora a saudade é suave, as lembranças me fazem sorrir e eu rezo lhe agradecendo todos os dias por ter me dado uma filha tão maravilhosa. Bella é a luz que pacifica meu coração e junto com a família que ela trouxe-me eu me sinto plenamente feliz. E sei que continuarei assim, basta eu prezar minha amizade com os Cullen e ver minha filha com aquele lindo sorriso no rosto.

Notas finais
O epílogo se passará um pouco mais no futuro, naquela visão da Alice ;) Postarei no dia 15/12/2013 ao vivo no face (https://www.facebook.com/groups/479210868793110/), neste mesmo dia após o termino de A Estrangeira já iniciarei a postagem de A Lenda da Lua - A Origem, será muito importante a presença de todos por lá. Beijos e até dia 15 ;)