A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
22 Mamãe Lolo
O sol da tarde de domingo incidia sobre a piscina da mansão Lâfrer Jones, transformando a água em um espelho turquesa. Era uma cena raramente vista naquela casa: momentos de lazer genuíno. Richard e Elara estavam acomodados em espreguiçadeiras sob um ombrelone, observando com sorrisos contidos a interação na água.
Derick estava submerso até a cintura, segurando James, agora com quase três anos, nos braços. O menino ria alto, batendo as mãozinhas na água, espalhando gotas que brilhavam como diamantes. Derick, cujas feições haviam relaxado significativamente nos últimos meses graças ao convívio no jardim recuperado, sorria de volta para o filho. A rigidez corporativa dera lugar, momentaneamente, à leveza da paternidade.
Eloise surgiu na borda da piscina. Ela usava um maiô preto elegante e óculos escuros. Ao vê-la, os olhos de James brilharam ainda mais.
— Lolo! — gritou o menino, estendendo os bracinhos em sua direção.
Eloise sorriu, tirou os óculos e mergulhou graciosamente na água fresca. Ela emergiu a poucos metros de Derick e James, passando a mão pelo cabelo molhado. O olhar de Derick a seguiu, uma mistura complexa de admiração e a velha guarda que ele tentava manter.
Ela nadou até eles. James, ansioso, tentou se soltar dos braços do pai para ir para os dela. Eloise o pegou, suspendendo-o no ar por um momento antes de abraçá-lo.
Foi então que o silêncio da tarde foi quebrado por duas palavras que paralisaram o tempo na mansão.
James encostou a cabecinha molhada no ombro de Eloise, suspirou contente e disse, com a voz clara e doce da infância:
— Amo você, Mamãe Lolo.
O som das conversas na borda da piscina cessou instantaneamente. Richard baixou o jornal que lia, olhando para a cena com os olhos arregalados. Elara levou a mão à boca, o coração disparado, sentindo o peso daquela declaração espontânea.
Derick, que estava a centímetros deles, estacou. O sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por um choque profundo. "Mamãe Lolo". A criança, sem entender as complexidades da árvore genealógica ou o passado doloroso, dera a Eloise o título que Suzana renegada e que a própria Eloise, em segredo, desejara com todas as forças.
Eloise sentiu um nó na garganta. O abraço em James ficou mais apertado. Ela olhou para Derick, cujos olhos estavam fixos nela, vazios de fúria corporativa, mas cheios de uma angústia antiga. O segredo que eles tentavam sufocar com a distância e o profissionalismo acabava de ser batizado pela inocência de uma criança. Naquele momento, no meio da piscina, cercados pelos olhares surpresos dos pais, eles souberam que o perfume do passado nunca evaporara de fato.
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