A Esposa Perfeita

16 Quando o Amor Sangra


Notas iniciais
Oieee fantasminhas...Como vocês estão? Se você achou que o capítulo anterior já tinha sido pesado… talvez seja melhor se preparar, porque hoje não é sobre palavras bonitas, vestidos ou promessas. Hoje é sobre consequência...sobre até onde alguém vai… quando mexem com quem ele ama e eu quero saber de você antes de começar, você acha que o Edward fez certo? Esse capítulo marca uma virada importante na história. A partir daqui, não existe mais meio-termo, ou você luta… ou você perde tudo. Ah, e não esquece: 📅 estamos em maratona de capítulos de 04 a 16 de maio, então se prepara porque vem MUITA coisa intensa por aí 🔥 E se você está acompanhando e gostando, comenta aqui embaixo, isso ajuda MUITO a fic crescer dentro do evento “A Mentira Perfeita” 🤍

Capítulo 16

O apartamento de Jasper Hale em Seattle era a personificação da ordem e do prestígio. Paredes em tons de ardósia, móveis de design minimalista e uma vista panorâmica que capturava as luzes frias da cidade. No entanto, quando ele cruzou a soleira da porta naquela noite, o silêncio que o recebeu não era o de um santuário, mas o de uma tumba. Não havia o som suave de uma playlist de jazz, nem a luz amarelada do abajur que Alice sempre deixava acesa para recebê-lo.

Ele caminhou pelo corredor, cada passo ecoando como um veredito contra o assoalho de madeira nobre. Quando entrou no quarto principal, a visão o atingiu com a força de um impacto físico. A cama estava arrumada com uma perfeição clínica, os lençóis esticados de forma que nenhum vinco pudesse sugerir que alguém um dia dormira ali. E, sobre o mármore frio da mesa de cabeceira, a aliança de ouro repousava solitária. O metal reluzia sob a luz da lua, um círculo perfeito de promessas quebradas. Jasper não a tocou; ele sabia que, se o fizesse, a frieza do ouro queimaria sua pele mais do que qualquer insulto. Ele acreditara que o poder era o único idioma que os Cullen entendiam, mas o silêncio de Alice estava gritando uma verdade que ele se recusara a ouvir.

Enquanto isso, em Forks, a mansão de Esme havia se transformado em um refúgio de resistência feminina. A manhã nasceu envolta em uma neblina densa, mas dentro da cozinha, o calor era quase palpável. A bancada de ilha estava tomada por uma profusão de "curativos para a alma": potes de sorvete de pistache, caixas de chocolates belgas, bolos ainda mornos e garrafas de vinho que Esme, em um ato raro de rebeldia silenciosa, permitira que Rosalie abrisse logo cedo.

— Eu trouxe tudo o que o protocolo exige para uma mulher que acaba de recuperar sua dignidade — declarou Rosalie, retirando mais uma sacola de uma delicatessen famosa, mantendo o tom irônico para esconder a preocupação genuína que sentia pela cunhada.

Alice estava encolhida em uma das cadeiras de palha, os pés descalços cruzados sob o corpo, vestindo um moletom de Edward que parecia grande demais para sua estrutura delicada. Bella aproximou-se com passos suaves, colocando uma xícara de café fumegante diante dela.

— Você não precisa sustentar essa máscara, Alice... — sussurrou Bella, colocando a mão sobre o ombro da amiga. — Se quiser gritar ou quebrar alguma coisa, estamos aqui.

Alice deu um pequeno sorriso, mas seus olhos, geralmente cheios de visões e luz, estavam opacos.

— Eu não estou fingindo, Bella. Eu só sinto que, pela primeira vez em anos, eu finalmente consigo ver o Jasper sem o filtro do que eu queria que ele fosse. — Ela suspirou, o vapor do café aquecendo seu rosto pálido. — Eu não estou quebrada. Só estou... recalibrando.

Esme, que preparava panquecas com uma calma terapêutica, virou-se para as três com um olhar de determinação.

— Hoje é o dia das garotas Cullen. E aqui dentro, ninguém sofre sozinha e ninguém é julgada por querer um pouco de açúcar e vinho para passar o dia.

O contraste na Cullen Corporation, horas depois, era violento. Edward entrou na sede da empresa não como o CEO diplomático, mas como uma força da natureza em rota de colisão. Ele não parou para cumprimentar as secretárias nem consultou a agenda. Seus passos eram pesados, o maxilar tão travado que parecia prestes a quebrar. Ele sabia exatamente onde Jasper estaria: na sala de reuniões do conselho, provavelmente revisando os "sucessos" de sua emboscada na noite anterior.

Jasper estava lá, recostado em sua cadeira de couro, com a mesma calma predatória de sempre.

— Edward. Você parece... tenso. Os jornais estão amando as fotos do noivado, se serve de consolo.

— Você ultrapassou todos os limites éticos e humanos que nos mantinham no mesmo lado, Jasper — disse Edward, a voz baixa, perigosa, como o rosnado de um animal antes do bote.

— Eu apenas trouxe a verdade à tona. Estratégia, cunhado querido. Algo que você costumava admirar — respondeu Jasper, desdenhoso.

Edward não deu tempo para uma tréplica. Ele avançou com a rapidez de um raio, agarrando Jasper pelo colarinho e desferindo o primeiro soco. O som do impacto foi seco, um estalo de osso contra osso que ecoou pela sala acústica. Jasper caiu contra a mesa de vidro, derrubando tablets e documentos, mas Edward não parou. Ele o puxou novamente, o ódio por cada lágrima de Bella e cada olhar de dor de Alice canalizado em seus punhos.

— Isso é pela Alice! — gritou Edward, desferindo um golpe que abriu o supercílio de Jasper. — E isso... é pela Isabella!

O sangue espirrou na camisa branca de Edward, mas ele não sentia dor, apenas uma necessidade visceral de destruir o homem que havia usado a vulnerabilidade de sua família como arma de marketing. Jasper tentou revidar, mas a fúria de Edward era incontrolável. Foi necessário que Emmett entrasse na sala e o puxasse com toda a sua força bruta para impedir o pior.

— JÁ CHEGA, EDWARD! — berrou Emmett, segurando o irmão por trás. — Você vai acabar matando ele e indo para a cadeia, e isso é exatamente o que ele quer!

Edward se soltou, ofegante, limpando o sangue do canto da boca. Jasper estava caído, limpando o rosto machucado, mas ostentava um sorriso doentio.

— Você perdeu o controle, Edward... — murmurou Jasper. — Agora o conselho verá quem é o verdadeiro instável.

— E você perdeu a única coisa que ainda te tornava humano, Jasper — retrucou Edward, a voz vibrando de desprezo. — Você não tem mais família. Você só tem esse escritório frio.

O Jeep de Emmett cortava a estrada rumo à casa de Esme em uma velocidade proibida. Edward estava no banco do carona, segurando uma compressa de gelo contra a mão inchada, o olhar perdido na floresta que passava como um borrão verde.

— Bella não pode te ver assim, cara — comentou Emmett, preocupado. — Vamos para a casa dos seus pais, vai ser melhor do que ficar sozinho remoendo isso.

Quando eles abriram a porta da mansão, o cenário era o oposto do que Edward imaginara. Havia música baixa, o cheiro de doces e as três mulheres sentadas em um círculo de cobertas no chão da sala. Mas o clima mudou no instante em que Bella levantou o olhar e viu o estado dele.

— Edward! — Bella levantou-se num salto, seu rosto empalidecendo ao ver o corte no lábio, o supercílio aberto e as manchas de sangue na camisa. Ela correu até ele, as mãos trêmulas tocando seu rosto com uma delicadeza que doía. — O que você fez? Meu Deus, você está todo machucado...

— Não é nada, Bella... eu só... — Edward tentou minimizar, mas a dor nas costelas, onde Jasper conseguira atingi-lo, o fez perder o fôlego por um segundo.

— Senta agora — ordenou Bella, com uma autoridade que não admitia réplicas. Ela o guiou até o sofá, enquanto Esme já trazia a caixa de primeiros socorros.

Alice aproximou-se lentamente, observando o irmão com um misto de tristeza e reconhecimento. Edward olhou para a irmãzinha, seus olhos suavizando-se instantaneamente apesar da dor física.

— Ele nunca mais vai encostar em você, Alice. Ou na Bella. Ninguém machuca a minha mulher e, principalmente, ninguém quebra o coração da minha irmãzinha e sai impune — disse Edward, a voz carregada de uma proteção feroz.

Alice, com os olhos marejados, jogou-se nos braços dele.

— Eu amo você, irmãozão... você é o meu herói — sussurrou ela, apertando-o com força.

Edward soltou um gemido abafado de dor, o corpo tencionando quando a pressão de Alice atingiu suas costelas machucadas.

— Argh... Alice, com cuidado... — ele murmurou, tentando sorrir apesar da pontada aguda.

— Edward! Suas costelas! — Bella exclamou, afastando Alice gentilmente e começando a levantar a camisa dele para examinar o estrago. Havia um hematoma arroxeado já se formando na lateral de seu tronco.

Esme suspirou, limpando o corte no supercílio do filho com antisséptico.

— O Carlisle vai ficar uma fera quando chegar em casa e vir que o CEO da empresa resolveu resolver as coisas como um lutador de rua. Você sabe que ele preza pela diplomacia.

— Às vezes a diplomacia não é suficiente para lidar com ratos, mãe — respondeu Edward, olhando para Bella, que limpava o sangue de sua mão com uma concentração absoluta.

Naquele momento, enquanto Bella cuidava de seus ferimentos com mãos firmes e amorosas, e Alice segurava sua outra mão, Edward percebeu que a guerra de Jasper havia falhado. Ele tentara dividir os Cullen, mas apenas criara um exército unido pelo sangue e pelo afeto. O contrato de Bella Swan já não era mais sobre dinheiro; era sobre a família que eles estavam dispostos a defender com a própria vida. A trégua terminara. A guerra, agora, era total.

O silêncio que se seguiu à constatação de Esme foi denso, preenchido apenas pelo som rítmico do algodão de Bella batendo contra a pele de Edward e o crepitar baixo da lareira ao fundo. Bella trabalhava com uma precisão silenciosa, seus dedos pequenos contrastando com a pele marcada e os nós dos dedos esfolados de Edward. Ela não disse uma palavra enquanto aplicava o antisséptico, mas a forma como seus lábios estavam pressionados em uma linha fina e como seus olhos brilhavam com uma mistura de fúria e angústia dizia mais do que qualquer sermão. Para Edward, aquela proximidade era o único remédio capaz de aplacar a adrenalina que ainda corria em suas veias; sentir o toque cuidadoso dela era o que o trazia de volta para a realidade, para longe da escuridão que o consumira na sala de reuniões.

— Você não deveria ter feito isso — sussurrou Bella, finalmente quebrando o silêncio, sua voz tremendo minimamente enquanto ela fixava o olhar no corte acima do supercílio dele. — Jasper é perigoso, Edward. Ele joga com a mente, e você deu a ele exatamente o que ele queria: uma prova de que você perdeu o controle. Agora ele tem fotos, ele tem hematomas, ele tem uma narrativa de vítima para apresentar ao conselho.

Edward segurou o pulso de Bella, interrompendo o movimento de sua mão, obrigando-a a olhar diretamente para ele. O verde de seus olhos estava escuro, profundo, carregado de uma convicção que o gelo não conseguia resfriar.

— Eu não me importo com o conselho, Bella. E muito menos me importo com a narrativa dele. — A voz dele saiu baixa e vibrante, reverberando no peito onde as costelas protestavam a cada respiração. — Eu passei a vida inteira jogando conforme as regras, sendo o herdeiro perfeito, o estrategista frio. Mas quando vi o que ele fez com você ontem à noite, e o que ele fez com o coração da Alice... as regras deixaram de existir. Eu faria de novo. Eu quebraria cada osso daquelas mãos se isso significasse que ele nunca mais ousaria tocar em uma ferida sua.

Bella sentiu uma lágrima solitária escapar e rolar pelo seu rosto, caindo sobre a mão de Edward. Ela não era mais a garota que aceitava os golpes da vida em silêncio; ela era a mulher que estava vendo o homem mais poderoso que já conhecera se desfazer em fúria apenas para defendê-la.

— Eu sei... eu sei que faria — ela murmurou, voltando a cuidar do ferimento com uma ternura renovada. — Mas eu não quero que você se destrua para me salvar. Eu já perdi muita coisa, Edward. Eu não posso perder você para uma cela ou para um escândalo que tire tudo o que você construiu.

Do outro lado da sala, Rosalie observava a cena com os braços cruzados, encostada na mesa de jantar. Ela trocou um olhar significativo com Emmett, que ainda parecia pronto para intervir se Edward tentasse se levantar.

— O problema agora não é só o Jasper — comentou Rosalie, sua voz cortando o clima íntimo com a praticidade de uma lâmina. — É a Renée, ela não vai embora só porque o show de ontem acabou. Se conheço o tipo de pessoa que o Jasper atrai, ela vai usar esse incidente para se aproximar ainda mais. Ela vai tentar ser a "mãe preocupada" diante da imprensa se souber que o noivo da filha se envolveu em uma briga de bar dentro da própria empresa.

Alice, que ainda estava sentada ao lado de Edward, limpou o rosto e levantou a cabeça com uma nova determinação. A fragilidade de minutos atrás estava sendo substituída pela astúcia característica dos Cullen.

— Ela não vai ter essa chance — afirmou Alice, sua voz tornando-se firme. — Jasper acha que me conhece, mas ele esqueceu que eu aprendi a antecipar os movimentos dele muito antes de nos casarmos. Se ele quer uma guerra de imagem, ele terá uma. Mas primeiro, precisamos cuidar do Edward. Se o papai chegar e encontrar essa cena de massacre, a primeira coisa que ele vai fazer é suspender o Edward da presidência para "preservar a saúde mental" dele.

Esme suspirou, guardando o frasco de pomada e olhando para o filho com uma mistura de amor e severidade.

— Sua irmã está certa, Edward. Suba, tome um banho quente e tente descansar. Bella, querida, por favor, garanta que ele não tente ligar para nenhum advogado ou conselheiro nas próximas horas. O mundo pode esperar até amanhã.

Edward assentiu lentamente, sentindo o cansaço finalmente vencer a raiva. Ele se levantou com dificuldade, a mão pressionando a costela machucada, e Bella prontamente se colocou sob o braço dele, servindo de apoio. Enquanto subiam as escadas da mansão, o silêncio entre eles não era mais de tensão, mas de uma cumplicidade inquebrável. No corredor mal iluminado, antes de entrarem no quarto, Edward parou e a puxou para um abraço cuidadoso, enterrando o rosto no pescoço dela, inspirando o perfume de lavanda que sempre o acalmava.

— Obrigado — ele sussurrou contra a pele dela. — Por não ter fugido quando o sangue apareceu.

Bella o apertou com suavidade, evitando as costelas, mas mantendo-o perto o suficiente para sentir o batimento cardíaco dele contra o seu.

— Eu não vou a lugar nenhum, Edward. Nem por causa do Jasper, nem por causa da Renée. — Ela se afastou um pouco, olhando-o nos olhos com uma promessa que selava o destino de ambos. — Nós começamos isso como um contrato, mas agora é a minha vida e eu protejo o que é meu.

Naquela noite, sob o céu carregado de Forks, a trégua foi oficialmente enterrada. Edward Cullen não era mais apenas o CEO em busca de estabilidade; ele era um homem em guerra. E Bella Swan não era mais a peça no tabuleiro; ela era a rainha, pronta para sacrificar qualquer coisa para garantir que o rei não caísse. A manhã traria o escândalo, as manchetes e as investidas de Jasper, mas ali, no silêncio do quarto, eles eram apenas dois sobreviventes preparando-se para o embate final.

Notas finais
E foi assim com sangue, dor e escolhas sem volta…que a guerra começou de verdade. Não é mais sobre contrato ou sobre aparência, agora é sobre proteção, família… e até onde alguém está disposto a ir por amor. Mas me diz, você ficou orgulhosa(o) do Edward… ou preocupada(o) ? Ou você faria o mesmo no lugar dele? Quero MUITO saber o que você sentiu lendo esse capítulo, sério, comenta aqui 💬 E se puder: ✨ compartilha a fic ✨ indica para outras pessoas ✨ ajuda a gente a crescer no evento “A Mentira Perfeita” Vocês não têm ideia do quanto isso faz diferença 🤍 E segura o coração…porque se isso aqui já foi intenso…os próximos capítulos vão elevar tudo a outro nível. 🚨🔥💣