A Esposa Perfeita

45 O Verdadeiro Lado Bom da Vida


Notas iniciais
Minhas leitoras...Chegamos ao fim. E eu confesso que estou escrevendo estas notas com um aperto enorme no coração. ❤️ Foram 45 capítulos. Milhares de palavras. Muitos surtos. Muitas lágrimas. Muitas risadas. Muitas madrugadas olhando para a tela do celular pensando: "meu Deus, o que eu vou fazer com esses dois agora?" E, de alguma forma, nós chegamos aqui. Ao último capítulo de A Esposa Perfeita. Quando comecei essa história, ela era apenas uma ideia divertida sobre um contrato de casamento. Mas em algum momento ela deixou de ser apenas uma fanfic sobre um contrato. Ela virou uma história sobre família. Sobre perdão. Sobre segundas chances. Sobre luto. Sobre redenção. Sobre o amor que escolhemos construir todos os dias e principalmente sobre encontrar o lado bom da vida mesmo depois das maiores tempestades. Eu jamais vou esquecer a jornada que vivemos juntas. Jamais vou esquecer cada comentário. Cada teoria. Cada surto coletivo. Cada vez que vocês me fizeram rir ou chorar lendo as reações e principalmente jamais vou esquecer que vocês colocaram A Esposa Perfeita em PRIMEIRO LUGAR no evento "Missão: A Mentira Perfeita". Ainda parece surreal escrever isso, vocês transformaram essa história em algo muito maior do que eu poderia imaginar. Então antes mesmo de começarmos este último capítulo... Obrigada. De verdade. Agora venham comigo pela última vez. Porque Edward e Bella ainda têm uma última surpresa guardada. ❤️

💍 A ESPOSA PERFEITA

Capítulo 45 — O Verdadeiro Lado Bom da Vida

POV — Edward Cullen

Seis anos depois…

O som do oceano Pacífico quebrando contra as rochas de La Push sempre teria o poder de me desarmar, mas naquela tarde de primavera, o barulho do mar era apenas o pano de fundo para a sinfonia caótica e perfeita que preenchia a minha vida.

A casa de vidro e madeira rústica projetava-se sobre a falésia exatamente como eu havia arquitetado na minha mente há mais de seis anos, na manhã em que acordei daquele desmaio. Mas a realidade... ah, a realidade era infinitamente superior a qualquer projeção ou sonho premonitório.

Olhei em direção à encosta do rio Quileute, bem onde as águas doces encontravam o mar. Sentado em uma cadeira de praia, segurando uma vara de pescar com a paciência que só um velho xerife de Forks aposentado tinha, estava Charlie Swan. Ao seu lado, ajeitando as iscas e rindo de alguma piada interna, estava Sue Clearwater. O coração do meu sogro estava forte, curado a tempo pelo protocolo que meu cartão Black cobrira no passado. Mas o foco de Charlie não estava nos peixes.

— Ei, Anthony! Carl! Devagar com essa linha! — a voz de Charlie ecoou, firme e protetora.

Meus filhos gêmeos de três anos, Anthony e Carl, corriam descalços pela areia molhada. Eles eram dois "mini Edwards" de cabelos acobreados desalinhados e olhos verdes brilhantes, vestindo casacos de moletom idênticos. Carl tentava puxar o balde de iscas enquanto Anthony pulava ao redor do avô, imitando o barulho das gaivotas. O cálculo patrimonial da minha mente havia falhado no sonho, mas na vida real, aqueles dois meninos eram a maior riqueza que o Cullen Group jamais conseguiria produzir.

Mais perto do gramado da casa, Esme e Carlisle sentavam-se em um imenso tapete estendido sob o sol. Eles paparicavam a pequena Lily, a filha de Rosalie e Emmett, que exibia os cachos loiros da mãe e a energia incontrolável do pai. Ao lado deles, Charlotte, a nossa primogênita de cinco anos, que nesta realidade nascera forte, saudável e no tempo certo, montava um castelo de blocos de madeira com uma delicácia que me fazia engolir em seco de tanta admiração.

De repente, um vulto passou correndo pelo tapete, derrubando metade do castelo de Charlotte.

— Josh! Volte aqui, rapazinho! — Carlisle riu alto, levantando-se com a agilidade de um jovem para correr atrás do garoto de seis anos.

Josh era o filho mais velho de Alice e Jasper. Tinha os olhos azuis do pai e a energia elétrica da mãe. Olhei para a varanda e vi Jasper sentado em uma cadeira de balanço de vime, vestindo um suéter leve. Não havia nenhuma sombra de loucura ou ganância em suas feições. O homem que no meu delírio fora um vilão, aqui era o meu sócio, dividindo a presidência do Cullen Group com total equilíbrio e paz de espírito. Ele sorria, raspando uma maçã com uma colherzinha de prata para dar na boca da pequena Chloe, a bebê de um ano que Alice carregava serenamente no colo, enquanto dava ordens teatrais para o marido não deixar a menina sujar o vestido. A prevenção salvara o meu melhor amigo de infância. O tabuleiro do destino fora vencido.

O som de um motor potente subindo a rampa de cascalho interrompeu os meus pensamentos. Uma SUV executiva estacionou e dela desceu Renée, deslumbrante em um conjunto de alfaiataria claro. Mas ela não estava com o Dr. Harrison, o destino nesta linha do tempo havia reservado para ela um voo ainda mais alto. Quem desceu do lado do motorista, ajeitando os óculos de sol com a postura imponente da política, foi o Senador Dwyer, seu atual marido.

Assim que os pés de Renée tocaram o gramado, Bella saiu de dentro de casa trazendo uma bandeja de limonada. No passado, eu havia insistido para que Bella fizesse as pazes com a mãe, mostrando a ela que o perdão era o único caminho para a cura completa. Ao ver a mãe, Bella abriu um sorriso genuíno, caminhando até ela para um abraço caloroso. Ver as duas em paz era a última peça do quebra-cabeça que faltava.

Senti duas mãos macias envolverem a minha cintura por trás. Inspirei o aroma inconfundível de morango e calmaria. Bella colou o corpo ao meu, repousando a bochecha contra as minhas costas.

Girei no abraço, envolvendo-a instantaneamente. Bella olhou para cima, os olhos castanhos brilhando com a luz dourada do fim de tarde de La Push. Aos vinte e oito anos, ela era a visão mais perfeita que o universo já havia criado.

— No que o meu engenheiro de projetos tanto pensa? — ela perguntou com aquela voz doce que curava qualquer estresse corporativo.

— Penso que o meu sonho foi uma piada perto disso aqui — confessei, colando a minha testa na dela, os meus dedos se perdendo nos seus cabelos castanhos. — Olhe para esse jardim, Bella. Olhe para os nossos filhos, para a nossa família salva, inteira... Eu amo você mais do que a própria vida. Não existe um amor igual ao nosso no mundo. Em nenhuma linha do tempo, em nenhum universo alternativo.

— Eu também te amo, Edward — ela sussurrou, os lábios roçando nos meus antes de me dar um beijo calmo, profundo e cheio da certeza de que éramos eternos. — Você mudou o meu destino naquela manhã no hospital. E eu agradeço todos os dias pela sua loucura contagiante.

Ela se afastou com um sorriso misterioso, limpando as mãos no vestido floral e batendo palmas para chamar a atenção de todos no gramado.

— Pessoal! Todo mundo aqui na varanda, agora! — Bella gritou, a voz firme de quem comandava aquele clã. — Vamos fazer a nossa foto oficial de família de final de ano! Sem desculpas!

Houve uma reclamação geral e divertida. Emmett largou a lata de cerveja e veio correndo, pegando Lily nos braços e puxando Rosalie pela cintura. Alice entregou Chloe para Jasper e correu para arrumar os cabelos diante do reflexo do vidro. Charlie e Sue subiram a rampa trazendo os gêmeos pelas mãos, enquanto Carlisle e Esme se posicionavam bem no centro.

Bella caminhou até o canto da varanda, onde um tripé sustentava a sua câmera fotográfica profissional — a fotografia agora não era apenas um hobby, era a sua grande paixão e carreira. Ela ajustou o temporizador para dez segundos e correu para se encaixar ao meu lado, passando o braço pela minha cintura.

Click. O primeiro flash disparou.

— Ah, não! Não valeu! — Alice gritou lá de trás, apontando o dedo. — O Emmett se mexeu de propósito para fazer chifrinho na Rosalie!

— Mentira! Eu só estava ajeitando a Lily! — Emmett trovejou, gargalhando alto enquanto Rosalie dava um tapa estalado no braço dele.

— Vamos de novo, todo mundo quieto! — Bella riu, correndo até a câmera mais uma vez. Ela apertou o botão, o visor começou a piscar a contagem regressiva e ela voltou correndo para o meu lado, colando o corpo ao meu.

Cinco segundos... Quatro... Três...

Na fração de segundo em que a lente da câmera começou a focar e a luz do flash principal ameaçou disparar para registrar a imagem da dinastia Cullen-Swan unida, Bella se inclinou ligeiramente para a frente e gritou a plenos pulmões:

— TÔ GRÁVIDA DE NOVO!

FLASH!

O clarão branco da câmera iluminou a varanda de La Push no exato milésimo de segundo em que o caos absoluto se instalou.

Eu travei, os olhos verdes arregalados em um choque que misturava pavor e uma felicidade violenta; Emmett abriu a boca em um "O" perfeito, deixando a cerveja quase cair; Rosalie olhou para a barriga de Bella como se estivesse calculando o estoque de fraldas; Charlie engasgou com a própria saliva e deu um passo em falso; e Alice soltou um grito agudo que provavelmente assustou as gaivotas no oceano.

O temporizador parou. A foto estava salva na memória digital do aparelho, registrando para a eternidade as caras mais bizarras, hilárias e genuínas da alta sociedade de Seattle.

Bella olhou para o meu rosto paralisado, levou as mãos à boca e soltou a gargalhada mais gostosa, alta e cristalina de toda a sua vida, jogando-se nos meus braços enquanto a família inteira começava a gritar e a correr na nossa direção.

O projeto de futuro nunca estaria totalmente completo. E aquela era, definitivamente, a melhor parte de estar vivo.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!