A Esposa Perfeita
40 O Lado Bom da Vida
Notas iniciais
💍 A ESPOSA PERFEITA
Capítulo 40 — O Lado Bom da Vida
Dois anos depois…
O sol do início da tarde de primavera filtrava-se de forma dourada e cinematográfica pelas copas das imensas árvores que cercavam a propriedade dos Cullen. Quem passasse pelas estradas bucólicas da região metropolitana de Seattle saberia que ali estava acontecendo um evento inesquecível. O tema não poderia ser outro: O Jardim Mágico de Charlotte.
A decoração, digna das mais exclusivas revistas de alta sociedade, transformara os vastos gramados em um conto de fadas real. Arcos de glicínias e rosas brancas flutuavam sob o efeito de fios invisíveis; pequenas luzes de LED cintilavam entre os arbustos como fadas aprisionadas no tempo, e uma orquestra de cordas tocava uma versão suave e instrumental de Bennie and the Jets, preenchendo o ar com uma atmosfera de pura leveza e sofisticação.
Edward Cullen estava de pé perto da varanda principal, vestindo um terno de linho claro, sem gravata. O olhar dele, no entanto, não estava na opulência da festa. Estava fixo na grama.
Lá estava Charlotte. Aos dois anos, a menina que nascera sob o som de uma tempestade e em meio ao caos de um galpão era a definição viva de um milagre. Seus cabelos castanhos caíam em cachinhos perfeitos ao redor de um rosto de bochechas coradas, e seus olhos verdes , idênticos aos do pai, brilhavam de curiosidade. Ela corria desajeitada pelo gramado com seu vestido de pregas lilás, tentando alcançar uma bolha de sabão.
Logo atrás dela, segurando um vestidinho rosa idêntico e rindo alto, corria a pequena Lily McCartney. Como Rosalie estivera grávida na mesma época que Bella, e Charlotte acabara nascendo prematura de sete meses, as duas primas de consideração tinham praticamente a mesma idade física agora. Lily, com os traços marcantes e os cabelos loiros herdados da mãe, tropeçou na grama e caiu sentada, soltando uma gargalhada gostosa.
— Cuidado, minhas princesas! — a voz trovejante de Emmett McCartney ecoou pelo jardim.
O melhor amigo de Edward aproximou-se com passos largos. Emmett exalava a postura de um verdadeiro homem de negócios, mas sem perder um milímetro de sua alegria contagiante. Dois anos após assumir a presidência da Swan Atlantic, ele havia revolucionado o mercado de energia e tecnologia, consolidando a fusão das empresas com uma liderança honesta e magnética. Mas ali, no jardim, ele era apenas o pai e o padrinho babão. Emmett abaixou-se e pegou Lily no colo, jogando-a para o alto sob os protestos teatrais e apaixonados de Rosalie, que se aproximava deslumbrante em um vestido floral, entregando uma taça de champanhe ao marido.
— Você vai acabar estragando o penteado da menina, Emmett! — Rosalie ralhou, embora o sorriso em seus lábios e o brilho de adoração em seus olhos dissessem o oposto.
Edward riu da dinâmica do amigo, sentindo uma mão macia e quente pousar em sua cintura. Ele nem precisou olhar para saber quem era. Envolveu os ombros de Bella com o braço, trazendo-a para perto e depositando um beijo demorado em sua têmpora.
Bella Swan Cullen estava radiante. Não havia mais nenhuma marca física ou emocional daquela noite de horror. Seus olhos castanhos transmitiam a paz de uma mulher que encontrara seu porto seguro. O casamento que começara sob a frieza de cláusulas contratuais e conveniências de duas grandes famílias transformara-se no amor mais profundo, genuíno e indestrutível que o mundo já vira.
— Elas estão crescendo rápido demais — Bella sussurrou, encostando a cabeça no peito de Edward enquanto observavam as duas meninas tentarem pegar os doces da mesa decorada.
— Nós vencemos, meu amor — Edward respondeu baixo, a voz embargada pela emoção sempre que olhava para a vida que construíram juntos. — Olhe para isso tudo.
Mais adiante, perto do lago artificial da propriedade, uma risada familiar atraiu a atenção dos convidados.
Renée Dywer estava radiante, vestindo um elegante vestido Ralph Lauren. Ao seu lado, segurando sua mão com uma cumplicidade madura e afetuosa, estava o Dr. Richard Harrison. O advogado da família não era mais apenas o homem dos contratos; ele encontrara em Renée um romance tardio, calmo e cheio de companheirismo. Harrison a olhava com uma admiração profunda, dividindo com ela os planos de uma viagem de férias para a Costa Amalfitana no próximo mês.
Mas a maior surpresa dos últimos dois anos fora a aliança improvável que se formara na vida de Renée.
Sue Clearwaer, que mantinha suas raízes ligadas à memória de Forks e ao legado de Charlie, subia a alameda de braços dados com Renée. As duas haviam se tornado melhores amigas, unidas pelo amor incondicional à pequena Charlotte.
— Eu já avisei à Bella que no próximo final de semana a Charlie vai ficar comigo — Renée dizia, gesticulando com a mão livre. — Vou levá-la para ver o balé em Nova York.
— Nem pense nisso, Renée! — Sue rebateu, rindo e ajeitando os óculos de sol. — Sábado é o meu dia de levá-la para pescar no lago de Forks, do jeito que o Charlie adoraria. Você não vai mimar a menina sozinha!
Harrison e Carlisle, que vinham logo atrás, riram da disputa saudável. Esme se aproximou do pequeno "fã clube de Charlie Swan Cullen" trazendo uma câmera fotográfica profissional pendurada no pescoço, registrando cada passo, cada sorriso e cada bocejo de Charlotte, completamente rendida à neta.
De repente, um murmúrio animado correu entre os convidados perto da entrada principal do jardim.
Bella e Edward viraram-se simultaneamente e viram a silhueta miúda e inconfundível de Alice cruzar os arcos de flores. Ela havia se mudado para a Europa dois anos atrás para se curar e focar em sua grande paixão: o design de moda de alta costura em Paris. Alice parecia uma pintura francesa viva, exalando uma autoconfiança e uma leveza que haviam sido roubadas dela no passado.
Mas ela não estava sozinha.
Ao seu lado, com a mão espalmada de forma protetora em suas costas, caminhava um homem impressionante. Alto, de traços aristocráticos marcantes, cabelos escuros perfeitamente alinhados e um olhar magnético que emanava charme e segurança. Felix Volturi, um jovem e brilhante investidor de arte europeu que Alice conhecera em um café na Cidade Luz, caminhava ao lado dela com o porte de quem sabia exatamente o tesouro que tinha nas mãos.
Ao ver a família, Alice abriu o sorriso mais iluminado de sua vida. Ela correu pelo gramado, deixando os saltos de lado, e jogou-se primeiro nos braços de Bella e depois nos de Edward.
— Eu não perderia o aniversário da minha princesinha por nada neste mundo! — Alice exclamou, as lágrimas de felicidade brilhando em seus olhos pretos. Ela virou-se, trazendo Felix para o círculo familiar. — Pessoal, este é o Felix.
— É uma honra absoluta conhecer finalmente a família de quem a Alice tanto fala com tanto orgulho — Felix disse, sua voz um barítono aveludado, cumprimentando Edward com um aperto de mão firme e beijando a mão de Bella com uma elegância natural.
Edward olhou para a irmã de consideração e viu que o coração de Alice estava, finalmente, curado. O fantasma de Jasper, que agora vivia seus dias esquecido, interditado e confinado às paredes brancas de uma clínica psiquiátrica de alta segurança, fora completamente apagado. A luz havia retornado para a vida dela.
No fim da tarde, quando a orquestra começou a tocar uma melodia suave e os convidados se reuniram ao redor da imensa mesa do bolo para cantar o parabéns, Edward pegou Charlotte no colo. A menina apoiava a cabecinha no ombro do pai, segurando um balão lilás, enquanto Bella se mantinha colada ao lado deles.
À frente deles, a família estava completa. Emmett com Lily nos ombros e Rosalie ao seu lado, Alice rindo de alguma piada que Felix sussurrara em seu ouvido, Renée e Sue dividindo o mesmo prato de doces enquanto Harrison sorria, Esme e Carlisle registrando o momento.
Edward olhou para Bella através das luzes mágicas do jardim. O sol estava se pondo, pintando o céu de Seattle com tons de rosa, laranja e dourado, como uma tela de cinema perfeita.
— Você lembra do dia em que assinamos aquele contrato escritório? — Edward sussurrou no ouvido dela, enquanto os convidados começavam a aplaudir.
Bella sorriu, os olhos brilhando com o reflexo das luzes. Ela estendeu a mão, tocando o rosto de Edward e, depois, acariciando os cachinhos de Charlotte.
— Aquele contrato era sobre a esposa perfeita...Foi terrível...— Bella respondeu, a voz carregada de um sentimento puro e avassalador. — Mas o que nós construímos aqui... isso sim é o lado bom da vida, é perfeito. Isso é para sempre.
Edward inclinou-se e selou os lábios de Bella em um beijo calmo, profundo e cheio de promessas cumpridas. O contrato de aparências havia morrido. O que restara no lugar era um império indestrutível, feito de amor, sangue, cura e recomeços.
Eles estavam, finalmente, em casa.
Seis meses depois…
Se a propriedade dos Cullen em Seattle era a definição da opulência e do agito social, o refúgio que Edward construíra para eles de frente para o mar de La Push era a personificação do santuário.
A casa era uma obra-prima da arquitetura contemporânea e orgânica: imensas paredes de vidro duplo que iam do chão ao teto, sustentadas por vigas de madeira rústica e ferro escuro, projetando-se sobre a falésia de pedras. Dali de dentro, o cenário era puramente cinematográfico. O oceano Pacífico, imenso e indomável, quebrava suas ondas cinzentas e espumantes contra as rochas lá embaixo, enquanto o som do mar funcionava como uma canção de ninar constante.
Era um fim de tarde nublado e frio, típico do litoral de Washington. No centro da sala de estar, a lareira de pedra estava acessa, estalando e lançando labaredas quentes que contrastavam com o vento forte que uivava do lado de fora. Deitada sobre um imenso tapete felpudo diante do fogo, a pequena Charlotte, agora com dois anos e meio, balbuciava palavrinhas desconexas enquanto tentava empilhar blocos de madeira coloridos.
Edward estava de pé perto do vidro, segurando uma caneca de café fumegante. Ele vestia um suéter de tricô grosso e calça escura, com o semblante tomado por uma paz que só aquele lugar conseguia lhe proporcionar.
Bella aproximou-se em silêncio. Ela vinha da cozinha, vestindo um casaco macio e trazendo um sorriso misterioso e sutil nos lábios. Ela deslizou as mãos por trás da cintura de Edward, colando o corpo ao dele e repousando a bochecha contra as costas largas do marido.
— No que você está pensando? — Bella perguntou macio, sentindo o perfume dele misturado ao cheiro da lenha queimada.
Edward girou o corpo no abraço, envolvendo-a instantaneamente. Ele pousou a caneca na mesa de centro e olhou nos olhos castanhos da esposa, puxando-a para mais perto da fresta de luz da janela.
— Estou pensando no nosso projeto de futuro — Edward respondeu, com a voz baixa e aveludada, acariciando os cabelos dela. — Olho para essa casa, para o mar, para a nossa filha ali no tapete... e parece que o que antes era só uma projeção distante no papel finalmente se completou. Nós temos tudo, Bella. O projeto está quase concluído...
Bella soltou uma risada contida, uma vibração leve que mexeu com o peito de Edward. Ela deu um passo para trás, quebrando o abraço por um segundo, e levou as duas mãos até os bolsos do casaco de lã. Suas bochechas ganharam um tom rosado adorável.
— Quase completo, é? — ela repetiu, arqueando uma sobrancelha com um brilho divertido no olhar. — Bom, acho que o nosso engenheiro de projetos vai ter que revisar a planta estrutural da família. Porque o nosso projeto de futuro acabou de ganhar uma expansão...
Edward franziu a testa, sem entender por um milésimo de segundo.
— Expansão? O que você quer dizer com...
Antes que ele terminasse a frase, Bella retirou as mãos do bolso e estendeu um pequeno objeto de plástico branco na direção dele. Era um teste de gravidez digital. Na minúscula tela de cristal líquido, a palavra brilhava com nitidez absoluta: GRÁVIDA +4.
Edward congelou. Seus olhos verdes alternaram entre o teste e o rosto sorridente de Bella umas três vezes. O ar sumiu de seus pulmões por um instante, e o homem de negócios mais cobiçado do setor de energia de Seattle parecia um adolescente em choque. Um sorriso imenso e abobalhado começou a rasgar suas feições.
— Bella... você... nós... — ele gaguejou, deixando o teste cair no sofá enquanto pegava a cintura dela e a tirava do chão, girando-a no ar. — Outro bebê! Meu Deus, a Charlotte vai ganhar um irmãozinho!
Ele a colocou no chão de volta, cobrindo o rosto dela de beijos, rindo alto de pura felicidade. Edward então se ajoelhou no tapete, ficando na altura do ventre de Bella, tocando o tecido do casaco com uma reverência sagrada. Ele olhou para cima, brincalhão, resgatando uma antiga promessa.
— Mas não ache que o projeto acabou, Sra. Cullen — Edward provocou, com um semicírculo de ironia charmosa nos lábios. — Se a minha memória corporativa não falha, eu fui muito claro nas negociações originais: no mínimo cinco filhos. A Charlotte já está aqui, esse bebê está a caminho... então ainda faltam três para fecharmos a meta da empresa.
Bella soltou uma gargalhada gostosa, aquela que Edward mais amava ouvir. Ela se inclinou, colocou as mãos nos ombros dele e olhou-o com uma cumplicidade deliciosamente vitoriosa.
— Pois é aí que o seu cálculo patrimonial errou, Sr. Cullen — Bella disparou, os olhos brilhando de diversão pura. — Não faltam três. Faltam apenas dois.
Edward piscou, confuso de joelhos.
— Dois? Como assim? A matemática não bate...
— Bate sim, Edward — Bella sussurrou, abrindo o sorriso mais radiante de toda a sua vida. — Eu fui ao consultório ontem antes de virmos para cá, fiz o primeiro ultrassom e a medica foi bem clara dizendo que estou grávida de gêmeos...
O silêncio que se instalou na sala de La Push foi absoluto, quebrado apenas pelo estalar de uma brasa na lareira.
Edward parou de sorrir. Seus olhos arregalaram-se de uma forma quase cômica. Suas pupilas dilataram. Ele olhou para a barriga de Bella, depois para o rosto dela, e processou as palavras: Gêmeos. Três crianças de fralda na casa ao mesmo tempo.
— Gê... gêmeos? — a voz de Edward saiu um oitavo acima, num fio de som.
— Gêmeos, meu amor. Dois mini Edwards correndo pela casa...— Bella confirmou, segurando o riso.
A cor simplesmente drenou do rosto aristocrático de Edward Cullen. Ele deu um suspiro curto, suas pálpebras pesaram e, sem emitir mais nenhum som, seus joelhos cederam. O corpo do grande magnata tombou suavemente para o lado, desabando de costas, inteiramente desmaiado sobre o tapete felpudo da sala, ao lado dos blocos de madeira de Charlotte.
Charlotte parou de brincar com os blocos, olhou para o pai estirado no chão com os olhos fechados e soltou uma gargalhada miúda. Bella cobriu a boca com as duas mãos, sentando-se no chão ao lado do marido desfalecido, rindo até as lágrimas rolarem por seu rosto.
Do lado de fora, as ondas de La Push continuavam a quebrar contra as pedras, mas ali dentro, o verdadeiro império dos Cullen, caótico, barulhento, fértil e transbordando de vida, estava apenas começando...
FIM?
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