A Esperança Dos Renegados

23 CAPÍTULO I: Glórias a deusa da guerra!


Notas iniciais
só pra constar, esse capitulo originalmente seria junto com o anterior, mas ficou um pouquinho longo, então resolvi separar rsrs

Al-Naum, mantendo-se calmo e sereno, se limitou a fazer um gesto com a mão, ordenando a seus homens o baixar de armas, o que lhe fora prontamente obedecido. Após isto, ele falou ao segurança que iniciou a reação: — “Irmão, nosso convidado veio até nós armado não mais do que com uma espada. É desonroso lhe apontar uma arma de fogo. Chamem os Gurkhas.” Diante da ordem de seu líder, na primeira galeria, de frente para o púlpito, um dos homens encapuzados abriu um sorriso funesto e bateu um sino que estava próximo a ele. O som do sino reverbera pelo salão, e seu soar chega a uma sala que ficava em uma das laterais do salão principal (um misto de dormitório, vestiário e sala de descanso, com beliches, armários, cadeiras e sofás). Ali quatro homens pareciam descansar, usavam vestes justas com uma coloração em tons de marrom e verde, e peças protetoras, feitas de um grosso polímero, lhes cobrindo o tórax, antebraços e canelas, além de estranhos capacetes justos que pareciam alongar verticalmente suas cabeças, em suas faces se percebiam tatuagens e piercings, que lhes prestavam uma aparecem estarrecedora. Ao ouvir o sino, os homens se agitam, gritam uns para o outros, se incentivando mutuamente, enquanto apanham facas kukri, as quais se disponham uma ao lado de cada leito do dormitório (demonstrando que cada um tinha a sua própria). Eles as desembainham e saem veloz e freneticamente pelo corredor que ligava o quarto onde estavam ao salão principal. Eles corriam empunhando suas armas de lâmina recurvada por sobre a cabeça, como que as exibindo, e gritavam de forma aterradora enquanto corriam: — “Jai mahakali, ayo gurkhali!”

Chegando ao salão principal, eles, de imediato, se lançam contra Malachie. O Cavaleiro desembainha a sua espada, porém, o ataque dos gurkhas é tão rápido que o atingem antes dele se pôr em posição de combate, lhe acertando com chutes e golpes de suas lâminas. Ele é empurrado para trás, se desequilibrando, ao ponto de quase cair ao chão, por diversas vezes. Os ataques seguem em um ritmo frenético, sendo que os quatro hábeis guerreiros se alternavam em ataques, fazendo com que estes atingissem o Cavaleiro de todas as direções, com uma sincronia extraordinária. Eles intercalavam os ataques com gritos e acrobacias, uma forma de distrair o adversário e dificultar que ele prevesse o próximo ataque. Al-Naum, sentado, mantendo-se com uma fria serenidade, apenas observava atentamente a cena que ocorria a sua frente. Seus olhos perspicazes rapidamente perceberam Malachie sendo atingido por golpes letais por diversas vezes, tendo-os, porém, totalmente amenizados por suas grossas vestes.

Aos poucos, o Cavaleiro foi se adaptando ao estilo de luta de seus adversários, e logo começou a conseguir broquear com sua espada diversos golpes, ainda que isto não lhe impedia de continuar sendo atingido. Como de costume, tais golpes não lhe infligiam qualquer dano e o faziam, no máximo, dar alguns passos para trás. Um dos gurkhas lhe atacou frontalmente, ante o que Malachie usou sua espada para rechaçá-lo para o lado e, em sequência, lhe acertar o rosto com o pomo da espada, jogando para trás. Neste instante, outro dos gurkhas tenta atacá-lo por trás, porém o Cavaleiro usa de um contra ataque, e, girando o corpo para a direita, consegue atravessar o abdômen do guerreiro com sua lâmina, ferindo-o seriamente. Tal feito enfurece os demais, fazendo com que outro avançasse ao ataque, desferindo um violento chute no peito de Malachie, girando o corpo rapidamente no ar e emendando um segundo chute com a outra perna que lhe acerta o rosto, empurrando o Cavaleiro para trás, até bater com as costas no púlpito. O gurkha insiste no ataque, desta vez avançando com sua kukri. Malachie se esquiva rapidamente para o lado, o atacante acaba atingindo a lateral do púlpito e a lâmina fica presa. Em um reflexo, o Cavaleiro ataca, decepando o braço do homem com um ataque vertical ascendente, e depois lhe desfere um segundo golpe vertical, desta vez descendente, acertando-o em cheio e matando-o. Os dois gurkhas restantes atacam juntos com suas kukris. Porém, usando a longa lâmina de sua espada, Malachie consegue broquear o ataque duplo e abrir a guarda de ambos guerreiros. Imediatamente ele emenda um novo ataque, com o qual mata mais um dos gurkhas. O último insiste em um último ataque, mas o Cavaleiro novamente lhe broqueia e revida, eliminando-o também.

Novamente, ouve-se o coro de armas sendo engatilhadas por todo o salão, embora alguns dos homens deixassem escapar um “não pode ser”, ou outra expressão de espanto. Malachie demostrava a todos que se sentia seguro para aceitar seus ataques, e contra-atacar. Porém a tensão do momento é quebrada, quanto se ouve no salão algumas palmas solitárias e lentamente ritmadas. Al-Naum aplaudia, porém sem demonstrar qualquer admiração pelo o que acabara de ver.

— “Interessante”, o líder do EROS começa a dizer ao Cavaleiro, que o encarava friamente, “sabe creio que temos algo em comum. Acredito e ensino a meus homens que a vitória vem através de duas variáveis: preparo e equipamento. Creio que se treinarmos até estarmos preparados para enfrentar qualquer situação e estivermos bem equiparmos, a vitória é praticamente certa, e ao que vejo, você segue o mesmo pensamento... Usando armas de corte, nossos gurkhas são de longe os melhores, eu mesmo não ousaria enfrentá-los, mas você derrotou a quatro deles... É claro que está equipado para isso, não é mesmo? Agora o que chama a atenção é que blindagens são bem difíceis de se encontrar por aqui, mesmo meus homens melhor equipados mal tem acesso ao mais simples colete de kevlar, mas você parece ter superado e muito esta dificuldade...”

Em um tom irônico, Malachie lhe responde, enquanto tornava a embainhar sua espada: — “De fato, para mim e meus irmãos, kevlar é uma tecnologia por deveras obsoleta... mas isto não lhe importa, e não creio que vamos começar a conversar sobre blindagens agora...” Al-Naum abre um discreto sorriso, ao que lhe diz, como se mudasse de assunto: “Você disse que havia sido enviado em uma missão por seu senhor e que nada o impediria de cumpri-la, se incomodaria de me dizer qual missão seria esta?”

— “Há algum tempo nossa fortaleça fora invadida por Ladrões, e estes cometeram a insolência de saquear-nos, agora estou atrás da única deles que conseguiu escapar, para mostrar a ela e a todos o que acontece com aqueles que ousam insultar nossa irmandade.”, o Cavaleiro responde seriamente. Al-Naum, demonstra pensar um pouco, e acaba por responder: — “Também tenho meus problemas com o clã dos Ladrões, e o inimigo de meus inimigos são como meus amigos, não é... Escute, Cavaleiro, ordenarei a meus homens que não se ponham em seu caminho para que você cumpra sua missão, mas gostaria de lhe pedir também que, caso os encontre, não os provoque, pois sabe como é, são homens, e se estressam fácil... E se você começar a matar meus homens, mesmo não querendo, terei que dar um jeito de detê-lo... Admito que seria uma tarefa difícil e custosa, mas você deve saber que não importa o quão boa uma blindagem seja, uma hora ela acaba falhando... E também deve saber que tenho armas, homens e munição mais que suficientes para ver quanto tempo seria preciso para isto.”

— “Creio que temos um acordo, general...”, o Cavaleiro responde com um certo tom de sarcasmo, ao que Al-Naum sorri e apenas completa: — “Que bom que chegamos a um...” Malachie se despede e se retira, andando arrogantemente, sob o olhar de todos no local.

Após a saída do Cavaleiro, Al-Naum chama um de seus homens: — “Tainã!”, rapidamente um homem negro e com bom porte físico sai do meio de seus companheiro e comparece diante de seu líder, ele possuía um rosto de formado quadrado, cabelo curto, raspado nas laterais, ele poderia ser descrita como tendo “cara de mal encarado”, e usava um brinco no septo do nariz. Após o homem se apresentar à sua frente, Al-Naum lhe diz: — “Sei que a tempos você tem buscado uma forma de mostrar seu valor para mim, creio que agora terá a sua oportunidade. Forme uma equipe, escolha quem quiser, os melhores, mas escolha poucos, faça uma equipe pequena para evitar chamar a atenção. Quero que você descubra quem roubou esses Cavaleiros, o que foi roubado e onde está. E me traga. Eu quero seja lá o que for em minhas mãos e, então, se os Cavaleiros o quiserem de volta, terão que negociar...” Tainã, não conseguindo disfarçar um sorriso de satisfação, simplesmente responde: “Considere feito, ó grande Al-Naum!”