A Espera
7 A Espera de um Retorno
Notas iniciais
Relembrando Capitulo 5:
– Sakura, eu já fiz isso sim. Várias vezes. Mas você não vale isso.
– Olha aqui seu idiot...
– Você não vale isso porque eu me importo com você, Sakura. – Ele apenas não queria que ela se comparasse com seus passatempos de uma noite. Ela não era um. Ao menos não como ela estava se colocando. Ele não percebeu que a verdade era muito mais profunda do que ele queria admitir. – Me importo com você o suficiente para perceber que você vale mais que isso. Não quero fazer amor com você pela primeira vez e depois sair correndo em uma missão. Quero fazer com tempo, em uma cama, durante toda a noite. Quero ouvir você gritar meu nome, quero deixar você totalmente louca. E quando tudo terminar, quero poder fazer novamente.
Ele viu a expressão dela ficar estática, assimilando o que ele dissera. Ele quebrou a distância dando-lhe um leve beijo na boca.
– Estarei de volta em dois dias, talvez menos. Quando eu voltar, podemos continuar o que paramos aqui.
Antes dela responder ele havia ido embora. Sakura já estava começando a desconfiar que ele gostava de saídas assim.
– Continua um idiota. – disse em um tom carinhoso, e com um sorriso cheio de expectativas.
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CAPÍTULO 6:
A ESPERA DE UM RETORNO
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Ao sair do hospital Sakura foi direto para o escritório da Hokage. Eram umas cinco horas da manhã e ela adoraria ter ido direto para sua cama, mas infelizmente não podia ignorar sua shishou. Além disso ela gostaria de lhe fazer um pedido.
Ao chegar na sala ela bateu na porta e esperou a permissão para poder entrar.
– Bom dia Sakura. Vejo que Kakashi deu meu recado.
– Olá Shishou, bom dia. Sim, ele passou no hospital para falar que você queria me ver hoje cedo.
– Bom. Como foi no hospital? O plantão foi tranquilo?
– Sim, não aconteceu nada fora do normal.
– Que bom. – Tsunade recostou na cadeira – Eu chamei você aqui porque depois que você saiu eu e o Kazekage decidimos dar início à missão daqui a um mês. O Kazekage havia trago um relatório de Shikamaru que eu só li após sua saída. Não vou entrar em detalhes com você sobre as informações contidas, ao menos não até... Sakura? Algum problema?
– Na..nada shishou – Sakura respondeu tentando conter o sorriso.
– Sei... bom, como ia dizendo, não vou entrar em detalhes com você sobre as informações contidas no relatório de Shikamaru até ser realmente necessário, o que eu espero que não seja. Enfim, a questão é que baseado no que ele informou reorganizamos nossa estratégia e definimos que vocês serão enviados daqui a um mês, contando a partir de ontem. O lado positivo é que poderemos traçar os planos do treinamento mais tranquilamente, que é o outro ponto que quero discutir com você.
– Claro shishou.
– A princípio quero que você faça uma lista com o que pretende ensinar durante o treinamento. Com base nisto, nós vamos traçar o cronograma, carga horaria e os médicos que irão para esta missão. Faça uma lista também das plantas que devem ser levadas para serem cultivadas em Suna.
– A listagem das plantas não vai ser muito difícil. Quando estivemos em Suna para socorrer o Kazekage da Akatsuki tive acesso às plantas medicinais que eles cultivam por lá. Será fácil relacionar as que eles não têm e as que precisamos levar.
– Ótimo. Referente à lista dos médicos que devem ir com você, escolha médicos de diferentes áreas pois eles irão lhe auxiliar no treinamento e assim faremos uma capacitação mais completa. Com base nessa lista iremos montar o plano de treinamento.
– Farei isso.
– Ótimo.
– Shishou, sobre o que será ensinado no treinamento, seria importante ter informações dos médicos de lá para fazer um levantamento das habilidades e conhecimentos de cada um, e a partir daí montar o treinamento para nivelar e aperfeiçoar suas habilidades.
– Eu também concordo, e discuti isso com o Kazekage, mas infelizmente isso não será possível. Devido ao momento que estamos passando e às ameaças que Suna enfrentou e tem enfrentado, o conselho de Suna não quer permitir que um pacote de informações dessa natureza seja exposto dessa forma. Poderia ser roubado antes de chegar aqui.
– Entendo... — respondeu Sakura pensativa. – irei fazer uma lista então com base no que vi dos médicos quando estive lá. Colocarei coisas básicas mais necessárias, e seguirei a partir daí. De qualquer forma, creio que será necessário adaptar algumas coisas quando estivermos lá.
– Sim, provavelmente isso acontecerá. Quero que você se dedique a isso a partir de agora. Irei reduzir seus turnos no hospital, e assim que concluir as listas me procure... hum, quanto tempo acha que irá precisar?
– Bom, a lista das plantas não é problema, até o final do dia terei feito o levantamento. Já a lista de quais médicos devem ir eu vou montar enquanto faço o levantamento do que deve conter no treinamento. Isso vai demorar um pouco mais pois vou precisar montar um esboço do conteúdo que vamos ensinar e relacionar os médicos a cada conteúdo. E embora conheça as habilidades de alguns médicos, vou precisar acessar os arquivos deles para ter uma precisão maior na hora de montar a lista.
– Entendo. Você tem uma semana então para fazer todo o levantamento. Não precisa trazer a lista das plantas amanhã. Deixe para trazer tudo junto e assim já teremos uma visão mais completa da situação. Vou falar com Shizune sobre seu trabalho no hospital, pensei em reduzir sua carga mas acho melhor você focar totalmente neste trabalho. A partir de agora você está de folga das suas atividades do hospital.
– Tudo bem shishou.
– Quando você me entregar o levantamento alinharemos o cronograma. Como é você quem comandará a equipe lá é muito importante que esteja envolvida em todas as etapas desta missão, irei supervisionar o que você fizer, ajudarei a montar a grade de programação, mas é você quem estará à frente disso, entendeu?
– Sim, shishou.
– Tudo bem. Vou aguardar então. Agora pode ir Sakura.
Tsunade esperou Sakura se despedir ou apenas ir embora, mas ela continuou parada lá na sua frente. Ela conhecia Sakura muito bem, a considerava uma filha, e naquele momento Sakura estava indecisa sobre se falava ou não alguma coisa. Bom, ela também sabia como lidar com Sakura.
– Desembuche logo isto que você está remoendo ai Sakura. O que quer me dizer?
– Bom... é que eu pensei se... se por acaso, assim, se só por acaso, se seria possível, mas se não for não tem problema... queria saber se... se..., bom, se...
– Se você disser mais um 'se' vou expulsar você dessa sala. Apenas diga o que quer.
Sakura respirou fundo e soltou tudo de uma vez:
– Quando entrei ontem e você estava em reunião com o Kazekage eu vim para na verdade lhe perguntar se eu poderia ter aqueles dias que você me deu quando eu me tornei Jounnin. Mas eu sei que não vai dar então deixa pra lá.
Tsunade deu um sorriso antes de falar.
– Sakura, confesso que não é o melhor momento pra isso... e você sabe disso não é?
– Sim.
– E mesmo assim pediu...
'Então foi por isso que seu rosto se iluminou quando eu disse que a missão seria daqui a um mês... interessante...' Tsunade pensou enquanto tamborilava bem devagar os dedos na mesa. Ela sabia o quanto Sakura era responsável e esforçada. Jamais pediria para ter a folga agora, próximo a uma missão importante. 'Ai tem coisa', concluiu enquanto observava sua discípula tentando disfarçar a expectativa.
– Tem algum motivo em especial para você estar me pedindo para ir agora?
– Er... na verdade... então, a missão vai demorar um ano ou mais, ou eu vou agora ou então só quando eu retornar... seria bom relaxar antes de começar essa missão.
– Mas você disse que já iria pedir quando entrou na sala ontem. Você não sabia da missão, então esse não o real motivo né?
Sakura não respondeu nada e ficou vermelha como um tomate, percebendo que foi pega na pequena mentira.
"Hum... alguma coisa esta realmente acontecendo aqui", Tsunade pensou. Sakura só será enviada para Suna daqui a um mês, tempo suficiente para montarem o plano de treinamento e prepararem os detalhes para a viagem. Embora não seja o motivo real, o argumento que ela dera era plausível, após sair em missão Sakura não teria descanso, seus dias de folga seriam raros. Além disso, sua curiosidade estava atiçada, ela queria descobrir o que estava por traz desse pedido de Sakura... então, por que não?
– Está certo Sakura, você pode ir m...
– Sério? — Sakura disse interrompendo Tsunade, não conseguido conter sua alegria e surpresa.
– Como eu ia dizendo, você pode ir mas primeiro vamos deixar tudo pronto para a missão. Vamos alinhar todos os detalhes, conversar com os médicos que irão, preparar o material que irão levar... enfim, tudo. Então se tudo estiver pronto antes da sua data de partida para Suna, você poderá tirar esses dias, mas também deverá ser em um lugar perto da aldeia.
– Obrigada shishou! Sakura poderia pular no pescoço dela naquele momento.
– Já sabe quem vai levar com você? – Tsunade perguntou sutilmente, jogando verde para tentar pegar alguma coisa. E ela pegou, ela viu Sakura congelar por pequenos microssegundos, e logo depois sua atitude tão natural se tornou uma atitude um pouco forçada.
– Hã... ninguém. Não vou levar ninguém, shishou.
– Sei...
– Bom, melhor eu ir, irei começar a lista imediatamente.
– Não acha melhor dormir primeiro? Você acabou de sair do turno do hospital... – falou Tsunade com o olhar afiado observando sua aluna que estava ficando claramente vermelha.
– Er.. foi o que eu quis dizer. Melhor eu ir... thauzinho.
Tsunade observou Sakura praticamente sair correndo da sala. Ai tinha coisa, há se tinha.
Sakura saiu do prédio hokage e foi em direção à sua casa. O dia estava amanhecendo, o sol começava a tingir as nuvens com tons de rosa e alaranjado. Àquela hora da manhã haviam poucas pessoas andando na rua, muitas ainda deveriam estar em suas casas se preparando para o dia que estava começando. Sakura estava eufórica com a resposta que Tsunade lhe dera, mas também estava cansada pelo plantão. É verdade que não houve muitos incidentes e foi uma noite tranquila, mas ela a havia passado em claro. Por isso por mais que quisesse começar a fazer o levantamento para a missão em Suna tudo que ela conseguiu foi ir direto para sua casa e cair na cama. Dormiria apenas umas duas horas e assim que acordasse começaria o trabalho duro.
Quando Sakura acordou o sol já estava brilhando alto no céu. Enquanto espreguiçava, alongando os braços ela ouviu seu estômago protestar com um ruído a ausência de comida. Com uma total preguiça para ir à cozinha fazer qualquer coisa para comer, ela tomou uma ducha rápida, vestiu uma calça jeans e uma blusa branca com o símbolo de Konoha em vermelho, pegou as chaves do apartamento e algum dinheiro e saiu para a rua, em busca de algum lugar para comer. Depois disso ela iria para sua sala no hospital e começaria a fazer o levantamento para a missão.
Ao passar em frente ao Ichiraku viu uma massa de cabelos loiros sentado em um dos bancos. Soltando um sorriso ela entrou no estabelecimento e sentou ao lado dele.
– Ei... pensei que iríamos comer ramem juntos quando você volta-se da missão.
– Sakura-chan! Naruto gritou enquanto dava um abraço em Sakura quase a derrubando do banco.
– Então, você esqueceu?
– Não, eu ia te chamar mais tarde. É que, bom, eu não resisti quando passei aqui em frente e senti o cheiro.
– Eu posso imaginar a cena. – Sakura disse com um sorriso. Ela nunca admitiria isso em voz alta mas havia sentido muita falta de Naruto.
Sakura fez seu pedido para Ayame e continuou conversando com Naruto, contando como foi seus dias na vila enquanto ele estava fora, como estavam seus amigos, enfim, colocando o papo em dia.
Quando o ramem chegou eles começaram a comer, curtindo a presença um do outro. Naruto falou como foi a missão com Shino e Choji, embora não pudesse contar todos os detalhes devido ao sigilo que foi exigido. Naruto estava no terceiro ou quarto ramem – ela tinha perdido a conta já – quando ela se despediu e o deixou com a promessa de se encontrarem depois.
Saindo do Ichiraku Sakura foi em direção ao hospital. Ela caminhava devagar enquanto seu pensamento estava longe, em um determinado ninja de cabelos prateados. Provavelmente por isso ela não se deu conta de que estavam chamando seu nome até que sentiu uma mão no ombro. Quando ela percebeu, TenTen estava na sua frente.
– Oh.. olá TenTen.
– Sakura, está tudo bem? Estou te chamando já tem um tempinho.
– Ha, desculpe por isso. Eu estava com o pensamento longe.
– Sem problemas. Só queria confirmar com você se nosso encontro está de pé, amanhã na sua casa.
– Encontro? Há sim, clube das meninas... nossa, eu havia esquecido.
– Você está mesmo com a cabeça nas nuvens hein? O que te deixou assim?
– Ha... isso? Er.. não é nada não. Trabalho demais, provavelmente.
– Sei... — TenTen olhou para ela desconfiada mas não disse nada. Ela levantaria o assunto no dia seguinte, junto com as meninas para tentar descobrir alguma coisa. Sakura estava estranha nessas últimas semanas e ela tinha certeza que não era por causa de trabalho. – E então, está de pé?
– Claro! Combinado. Vocês avisaram a Hinata?
– Sim, ela já sabe. Você precisa de ajuda com alguma coisa? Quer que levemos algo? Ino falou que você faria o almoço.
– Não, não precisa levar nada. Eu vou ao mercado mais tarde para fazer algumas compras mas está tudo sobre controle.
Tudo sobre controle? Você nem se lembrava disso. Sua Inner disse, espreguiçando-se como se tivesse acabado de acordar.
– Na verdade – Sakura complementou com um ar de desculpas — poderíamos nos encontrar mais tarde? É que eu preciso fazer algumas coisas que Tsunade-sama pediu e almoço dá um pouco de trabalho.
– Sem problemas. Nos reunimos lá pelas quatro da tarde então?
– Sim. Ótimo!
– Combinado. Vou avisar as meninas do horário e qualquer coisa você nos avisa. Agora tenho que correr, fiquei de encontrar o Neji e o Lee no campo de treinamento.
Elas se despediram e enquanto TenTen corria em direção aos campos de treinamento Sakura continuou seu caminho em direção ao hospital. Ela cumprimentou a moça que estava na recepção e foi direto para sua sala. Já sentada à mesa ela abriu uma gaveta e tirou uma folha de lá. Começaria pela lista das plantas e ervas, que era a mais fácil. Antes de começar ela fechou os olhos e respirou fundo, forçando sua mente a focar na atividade que iria começar a realizar, e não em um certo homem que estava bem longe dali.
Ela gostaria de que ele não tivesse que ter saído em uma missão naquela noite. Mas a vida de um ninja não pertencia a si mesmo, e sim a aldeia. Não era uma crítica, era apenas um fato. Então, tudo que ela podia fazer agora era seu trabalho, o melhor e mais rápido possível. Assim talvez ela tivesse aqueles dias de folga, e se ele quisesse, poderia passa-los com ele. Mas até lá, ela só poderia esperar que ele voltasse.
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Kakashi e Genma já estavam em missão a dois dias.
Com a Akatsuki e a ameaça aos Jinchurikis suas missões se tornaram em grande parte missões de infiltrações, com o objetivo de recolher o máximo possível de informações sobre ameaças. Eles haviam se infiltrado na aldeia Yumegakure em busca de informações sobre a Akatsuki. Era uma vila pequena, situada em uma floresta densa de um pequeno país perto da fronteira do país do fogo,
A aldeia não era muito grande, e como estava na fronteira do país do fogo não era estranho a presença de alguns shinobis no lugar pois muitos passavam por ali indo ou voltando de suas missões. Viajantes também eram muito comuns na aldeia. Por isso eles não tiveram muitas dificuldades em, disfarçados de civis, se infiltrarem no vilarejo e recolher informações.
Agora, era a noite do segundo dia desde que partiram de Konoha. Eles estavam parados em frente à entrada de um bar, um dos poucos que haviam no vilarejo. Era o mesmo bar que havia sido citado em uma conversa que ouviram mais cedo, e o último ponto que iriam investigar antes de voltarem para Konoha.
Eles haviam trocado de roupa, e agora trajavam roupas de civis. Kakashi – obvio – ainda mantinha sua máscara.
– Este é nosso último ponto. Comentou Genma.
– Sim. Vamos logo. Quero terminar essa missão.
– Algum motivo em especial? – Genma perguntou sorrindo inocentemente – um de olhos verdes e cabelos rosas?
– Há... engraçado. Deu pra fazer piada agora. Anda logo, vamos entrar. – Retrucou Kakashi, um pouco azedo, meio porque ultimamente cada comentário de Genma era relacionado à Sakura, e meio porque o que ele dizia era verdade.
Ao entrarem no bar Genma foi direto para o fundo à procura de uma mesa. Kakashi foi em direção ao balcão de bebidas, cumprimentou o atendente e pediu duas cervejas. Depois ele foi em direção onde Genma estava, sentando-se na mesa e passando-lhe uma das cervejas que havia pego.
De onde estavam sentados eles tinham uma visão completa do bar. Podiam ver quem entrava e saía, quem conversava com quem, quem estava sentado no balcão... nenhuma pessoa passaria desapercebida aos olhos dos dois.
– Você acha que alguém aqui está espalhando os boatos? — Perguntou Genma enquanto analisava as pessoas no bar.
– Eu não sei. Já recolhemos várias informações, mas nenhuma é realmente confiável. Talvez alguém esteja apenas espalhando coisas para poder distrair qualquer um que tentar chegar mais perto da Akatsuki. — Kakashi respondeu.
– Você acha que as informações que ouvimos são relacionadas a eles?
– Talvez. No que está pensando?
– Eu não sei... estou com a impressão de que alguém está se aproveitando de tudo isso. – Comentou Genma.
– Agindo por trás e deixando a fama e os boatos como sendo da Akatsuki? – Kakashi ponderou.
– Sim. O que você acha disso? – Perguntou Genma.
– É possível. – Kakashi concordou depois de alguns minutos. – Se analisarmos tudo que a Akatsuki já fez, algumas das informações que conseguimos não tem relação nenhuma com o jeito deles agirem... ou com seus interesses. É bem possível que você tenha razão. Mas até termos algo mais confiável não podemos descartar nada.
– Bom, de qualquer forma fizemos tudo que podíamos. Vamos ficar de ouvidos em pé para ver se pegamos mais alguma coisa aqui ou se vemos alguém suspeito, e depois voltar para Konoha.
– Sim.
Eles beberam a cerveja e continuaram observando as pessoas. O bar não estava muito cheio: algumas pessoas espalhadas nas mesas, conversando alto e rindo; umas poucas sentadas ao redor do balcão de bebidas; e dois casais dançando do outro lado. Nada suspeito ou estranho.
Pouco tempo depois Kakashi se levantou para ir até ao balcão tentar conseguir alguma informação do atendente. Ele encostou no balcão e pediu uma cerveja, e enquanto lhe serviam começou a puxar conversa com o atendente, um rapaz de 32 anos aparentemente, estatura mediana, cabelos e olhos castanhos. Enquanto tomava sua bebida ele conversou um pouco mais com o rapaz. Quando se virou com a intenção de voltar à mesa uma loira que estava sentada junto ao balcão se inclinou em sua direção e tentou puxar assunto com ele. Kakashi respondeu e continuou a conversa, mas quando viu que não teria nenhuma informação útil e a mulher já estava praticamente se esfregando nele, deu uma desculpa qualquer e virou com a intenção de voltar para a mesa.
A mulher segurou seu braço e se aproximando mais ainda dele, sussurrou em seu ouvido uma oferta que achava tentadora. Ela não era feia, muito pelo contrário, era esguia e tinha curvas muito convidativas cujo vestido azul que usava não tentava esconder. Em outra época ele teria achado a oferta muito atrativa mas pela primeira vez ele não tinha nenhum interesse ou desejo de ir para cama com aquela mulher.
Ele olhou para a mulher que estava pendurada nele, e de forma sutil mas firme a afastou dele, dispensando-a com um 'hoje não querida'. Ele percebeu sua expressão que prometia prazeres se transformar em raiva. Falou umas besteiras que ele nem prestou atenção e voltou a se sentar. Kakashi então continuou seu caminho, voltando para a mesa onde estava Genma.
– Conseguiu alguma coisa com o cara do bar?
– Nada de novo. Ele também falou que ouviu rumores aqui no bar, um ou outro cliente conversando sobre alguns atentados, mas nada além do que já sabemos. — Kakashi respondeu. – Acho que podemos terminar por aqui e ir embora.
– Sim, concordo. Pelo que estou vendo não vamos tirar nada daqui. A maioria das pessoas aqui nós já questionamos antes.
– É, também notei. Vilarejo pequeno.
– Pois é. – Disse Genma terminando sua cerveja. – Agora, o que foi aquilo ali no balcão?
– O quê? – Kakashi sabia que Genma não deixaria passar, embora por alguns segundos ele tivesse tido uma pequena esperança.
– A mulher.
– O que tem ela?
– Pensei que ela estava dando em cima de você. Ao menos, daqui parecia isso.
– Hum... – Kakashi grunhiu.
– Vou tomar isso como um sim – Genma falou achando graça de seu amigo. — E... ?
– 'E' o que Genma.
– Não vai sair com ela?
– Nós estamos em missão. E estamos indo embora, lembra?
– Desde quando isso foi problema? Ao menos dê uma desculpa convincente...
– Não estou interessado. E não é uma desculpa.
– Isso eu sei. Ultimamente você está assim.
Kakashi se levantou da mesa e começou a caminhar em direção à saída, passou pelo balcão e pagou as bebidas saindo porta afora logo em seguida. Genma o acompanhou com um sorriso no rosto. Adorava ficar cutucando Kakashi. Geralmente ele nunca deixava transparecer nada, então era muito raro ele conseguir aquela reação. Quando conseguia, não parava mais.
Ele encontrou Kakashi do lado de fora, a poucos metros da entrada do bar, esperando-o.
– Vamos? – Kakashi perguntou, já andando.
– Ei, precisa disso?
– Se você calar a boca não.
– Até parece que você não me conhece. Além disso, nunca te vi assim, tão sensível. Caído por uma mulher que não quer nem saber das outras. Fala sério, acha que vou ficar calado? Isso é um acontecimento Kakashi.
Kakashi soltou um suspiro de derrota.
– Você vai falar o caminho inteiro?
– Não... não o caminho inteiro. — Genma respondeu, já rindo ao ver a expressão de seu amigo. — Sério Kakashi, vou te deixar em paz. Mas antes, me responde: Você está mesmo gostando da Sakura?
Kakashi parou e olhou para cima, observando o céu. Genma parou um pouco atrás, esperando sua resposta. Ele estava? Ou tudo era apenas a vontade de tê-la na cama? Sakura era especial para ele, isso ele sempre soube. Por fazer parte de sua antiga equipe. Por ter sido seu professor. Ele havia se envolvido tanto com Naruto, Sasuke e Sakura. Era impossível não dizer que eram especiais, todos eles. Mas desde que tudo isso começou, desde que ouvira Genma naquele bar e começara todo aquele jogo de sedução, ele não conseguia parar de pensar nela. No sabor da sua boca, no seu corpo. A sensação que teve ao tê-la em seus braços antes de sair para aquela missão ainda estava latente em sua mente. Ele não tinha certeza se realmente gostava dela ou se tudo era apenas um desejo passageiro. Ele realmente esperava que fosse o segundo, principalmente porque não queria magoá-la. Ele não servia para ter um relacionamento. Os fantasmas ainda estavam muito vivos em sua mente. Sempre estariam.
– Kakashi?
Ele ouviu Genma o chamando e abaixando a cabeça soltou um suspiro, seus ombros caídos para frente como se algo o estivesse consumindo.
– Sinceramente... eu não sei.
Kakashi respondeu com a voz baixa, e retomou a caminhada em direção a Konoha.
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