A Espada da Coragem

2 Capítulo 2 - A Ilha


– Como assim o motor da lancha parou Edu? A lancha é nova.

– Eu sei Ju, mas foi o piloto que disse que ele parou. E só me disse isso.

–E agora, o que vamos fazer? – perguntou Felipe

–Podíamos ligar para alguém. Mas o sinal é fraco aqui. – falou Bruno olhando o sinal do celular – E se mandarmos um sinal de SOS?

–Ele já tentou, mas estamos muito longe, e não tem nenhuma embarcação por perto. – disse Eduardo.

Assim eles ficaram ali, parados no mar. Tinham suprimentos para dois dias, mas precisavam voltar rápido, antes que alguma coisa acontecesse. Por mais que estivessem achando a situação ruim, ela ficou pior após terem que passar aquela noite ali. No dia seguinte, porém, todos começaram a pressionar Hélio, que só respondia que não sabia o que tinha acontecido, que ele só tem o papel de pilotar, e não de consertar.

–Hélio, por favor, o que foi que aconteceu com essa lancha? A lancha é nova, não iria parar assim de repente. Papai vai ficar uma fera quando ver que isso aconteceu.

–Ele deve estar preocupado, isso sim Cris. – falou Bruno

E realmente estavam. Após passarem mais de 24 horas fora, os pais deles notificaram a delegacia mais próxima de onde estavam. A marinha foi avisada para iniciarem buscas pela lancha desaparecida. Sem sucesso, retornaram ainda naquele dia. No terceiro dia após terem saído, uma coisa estranha aconteceu.

–Edu, olha só aquilo.

–O que Ricardo?

–Aquela ilha ali. Ontem de noite não tinha nada. E agora de manhã ela tá ali.

–Ricardo, acho que nós que estávamos muito afastados e a lancha andou. O mar foi levando até chegarmos aqui.

–Acho melhor irmos até ela – disse Hélio – precisamos de alimentos, e os nossos estão acabando. Se continuar assim, acho que amanhã de manhã não teremos mais o que comer.

–Hélio, e se realmente tiver alguém nos procurando? Precisamos ficar aqui esperando.

– Mas Edu, ele tem razão, e se a comida acabar?

– Tem certeza Ju? Eu não sei. Poderíamos ficar aqui e esperar. Com certeza papai já mandou vir nos procurar.

– Estamos em sete, Edu. Podem ir quatro até a ilha e os outros três ficam aqui caso nos achem.

– Cris, se descer um, tem que descer todos. Eu sou o responsável por vocês e não quero que nada aconteça.

– Hélio, eu acho que não tem necessidade; mas se todos estão de acordo é melhor descermos. – argumentou Edu.

Todos consentiram, e desceram na água mesmo. O Hélio jogou ao mar a pequena âncora da lancha. Estavam a mais ou menos trinta metros da praia, mas a água estava rasa, no máximo chegando aos ombros de Cris. Logo que chegaram na margem da praia de areia branca, quente e macia, perceberam que não havia árvores frutíferas, mas apenas algumas bem altas e retorcidas.

–Vamos logo gente, vamos voltar o mais rápido possível para a lancha. Lá estaremos mais seguros que nessa ilha que nem conhecemos direito. – Falou Bruno com um tom preocupante.

–Essa ilha não tem comida. Nem uma árvore de fruta sequer. Devíamos voltar mesmo como o Bruno falou. – Disse Eduardo.

Neste momento, uma ave passou a poucos metros deles, voando em direção a um pequeno monte que eles perceberam pela primeira vez que estava ali.

–Ei, vejam! – Falou Cris – Onde tem pássaro, tem ninho. E onde tem ninho, tem ovos! Será que podemos ir atrás desse pássaro?

–Eu é que não vou comer ovos de um animal qualquer. Eca!

–Deixa de frescura Ju! – Falou Felipe com rispidez – Você prefere ficar com fome?

–Vamos lá gente! – Chamou Hélio, sem ouvir a conversa que se seguia atrás.

–Você quer mesmo nos levar pra dentro dessa ilha? – Perguntou Bruno meio desconfiado à Hélio.

–Claro. Ou você prefere ficar aí sozinho?

Durante uma exaustiva hora, todos caminharam lentamente em direção a montanha, imaginando que conseguiriam alcançar alguma ave. Mas a realidade foi pior; a montanha era bastante alta para quem estava cansado de caminhar. Todos concordaram em descansar um pouco antes de prosseguirem e subir aquela montanha.

–Vamos lá gente, só deve ter no máximo uns trezentos metros de altura. Já andamos muito mais que isso.

–É Bruno, mas andar é diferente de subir, e eu já estou muito cansada!

–Deixa de reclamar tanto Jú! É melhor você ficar aqui enquanto nós subimos! – Respondeu Bruno com um olhar de reprovação para ela.

Hélio parecia preocupado. Olhava a todo instante para seu relógio, consultando a hora. Eduardo percebeu a inquietação dele e resolveu perguntar:

–Hélio, tem alguma coisa acontecendo? Você parece tão perturbado.

–É que precisamos achar a entrada Eduardo, senão ficaremos presos aqui durante mais quatro anos, e não podemos mais esperar esse tempo todo.

–Do que você está falando Hélio? Não vamos ficar presos aqui, temos a lancha lembra?

–Não vai dar tempo Edu. São onze e vinte da manhã, e só temos mais quarenta minutos para estarmos no local exato.

–Hélio, você fala como se fosse acontecer algo muito sério se não estivermos onde você quer.

–Edu, preciso te contar uma coisa. Eu fui ...

–Gente! – Gritou Cris antes que Hélio pudesse concluir sua frase. – O Ricardo achou uma passagem secreta quando estávamos contornando a montanha. Venham ver, rápido!

–Eles encontraram! – Disse Hélio para si mesmo.

–O que eles encontraram Hélio?

–Venham ver, e você saberá!

Os sete estavam de frente para um portal de pedra, talhado na montanha. Parecia feito por mãos humanas, mas acima do portal tinha uma frase escrita em letras irreconhecíveis.

–É aqui! É aqui! – Falava Hélio, com um sorriso muito bonito no rosto. – Achamos! Obrigado Ricardo. Venham, vamos entrar!

–Espera aí Hélio! – Interrompeu Bruno – Você quer que nós entremos aí nessa caverna que nem conhecemos! E se alguma coisa acontecer com algum de nós? Você vai fazer o que para nos proteger, heim?

–Calma Bruno, confie em mim. Eu sei o que estou fazendo. Vamos.

–Não sei não. Acho que não é seguro Hélio.

–É seguro sim Júlia. Por favor, confiem em mim.

Com um pouco de receio e desconfiança, todos entraram junto com o Hélio. Menos de dez metros a frente porém, quando todos estavam dentro e seguindo-o, o grande portal de pedra fechou-se, deixando todos presos.

–Essa não! – Exclamou Cris.

–Estamos presos Hélio; e agora? – Falou temeroso Felipe.

–Viu o que você fez! – Já gritava Bruno – Nos trancou aqui!

–Calma Bruno, assim não vamos a lugar algum! – Respondeu Eduardo.

–Me desculpem. Mas preciso tirar vocês daqui. Venham comigo, eu tenho um meio de sair desta caverna. – Falou Hélio, mostrando arrependimento.

Seguiram todos ainda por mais dez minutos, até que se depararam com um dilema. Havia dois caminhos a frente; um para a direita e outro para a esquerda. Sem que ninguém notasse, Hélio puxou do bolso traseiro da calça um objeto pequeno e redondo, que lembrava bastante uma bússola. Abriu o objeto e uma pequena seta de luz indicou para prosseguirem pelo caminho da direita.

–Por aqui! – Falou Hélio mostrando a indicação da seta.

–Acho que deveríamos ir pelo da esquerda, Hélio. – Disse Ricardo.

–Eu disse direita! – Hélio falou tão rispidamente que Ricardo ficou um pouco mais acuado.

–Calma Hélio, ele apenas deu sua opinião. Não precisava gritar.

–T-tem razão Eduardo. Me perdoe Ricardo, eu não queria gritar. É que estou um pouco nervoso pois está quase na hora e temos que chegar depressa.

–Está quase na hora? Mas na hora de que? – Perguntou Júlia.

Hélio percebeu que havia falado mais que devia, e por isso iria responder qualquer coisa, mas foi interrompido por Cris.

–Olhem aquela luzinha em forma de seta! – Falou Cris, e saiu correndo atrás da luz. Todos foram atrás dela.

–Cris, volta aqui! Você pode se machucar! – Gritou Felipe sem sucesso, pois a irmã mais nova já estava a beira de um grande e longo precipício. A seta atravessou o precipício através de uma pequena ponte de madeira que ligava um lado ao outro com o auxílio de estacas pregadas no chão, e amarradas em cada tábua que compunha a perigosa ponte velha e desgastada. Cris porém foi atrás da luzinha, que não contentou-se em apensa ficar no meio da ponte, como a atravessou completamente, fazendo assim a menina ir também ao outro lado. Todos foram atrás dela, e atravessaram até chegarem nela.

–Cris, ficou louca? – Perguntou Júlia com rispidez.

– Você poderia ter caído daqui de cima! – Falou Ricardo.

–Vamos voltar gente, com cuidado. – Disse Bruno.

A seta, que esteve apontando para frente o tempo todo, agora indicou o caminho de baixo agora. Hélio compreendeu que o que procurava estava embaixo.

–Esperem! – Disse Hélio antes que alguém pusesse o primeiro pé na ponte. – Temos que descer.

–Ficou louco também Hélio? – Falou Bruno, parecendo incrédulo com aquilo que ouvira. – Não temos como descer. Você quer nos matar não é?

E dizendo isso, todos o seguiram rumo ao lado em que estavam anteriormente.

–Por favor, não vão! – Pediu Hélio indo em direção a eles, mas nada parecia mudar a decisão de que achavam que ele estava louco. Entretanto ele olhou para seu relógio. Eram onze e cinquenta e nove da manhã, e faltavam apenas 5 segundos para o meio-dia. Quatro. Três. Dois. Um.

Um clarão enorme encheu de luz o vão que antes era escuro. O chão e a ponte começaram a tremer, e abaixo da ponte, um grande e transparente mar começou a surgir. A ponte e todos começaram a serem sugados para baixo. O lado da ponte em que estava a saída rompeu-se, e apenas o lado em que Hélio estava continuou fincado no chão, com a ajuda das cordas e das estacas. O que antes era uma ponte, agora virara uma escada. Todos queriam subir por ela, mas Hélio prontamente puxou um canivete e começou a cortar as cordas. Em um instante, uma se foi, e agora sete pessoas estava sendo sustentadas por uma corda frágil.

–Hélio, por favor, não faça isso! – Gritou Eduardo.

–Me desculpem, mas preciso! – Falou Hélio – Espero que quando chegarmos lá vocês me entendam!

E cortou a corda. Todos caíram no mar, mas parecia que não se molhavam. Um clarão maior ainda encandeou a vista de todos. De repente, tudo parou, e os sete estavam em uma praia de areia amarelada, quente e áspera. Hélio levantou-se sorrindo, ainda tirando areia do corpo, e olhando para todos disse:

–Pessoal; bem vindos à Primeiro Mundo!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.