A Espada criadora de Reis.
1 Capítulo 1
Serpenteávamos pelo leito pedregoso de um riacho, paredões de pedras de ambos os lados deixam a situação claustrofóbica, mas nada superava o temor do que nos esperava ao fim dessa caminhada, todos ali sabiam que as chances estavam contra nós.
Não precisamos avistar a entrada da caverna para sabermos que estávamos próximos, o cheiro pútrido e agourento nos encheu as narinas, fizemos a última curva e no deparamos com uma pequena cachoeira, apenas um pequeno filete de água escorrendo por sobre as pedras e ao lado fendida na rocha uma caverna com cerca de três metros de abertura.
Não foi preciso que nós atraíssemos o monstro, os últimos homens ainda se posicionavam quando a besta rugiu da escuridão saindo de repente para luz do dia, nessa hora um medo gélido se formou dentro de mim, eu sabia o que nós iriamos enfrentar, mas nada me prepararia para a visão que tive.
O demônio era sobre tudo horrendo, alcançava com facilidade dois metros e meio de altura mesmo em sua postura corcunda, sua pele parecia a de um cadáver em adiantado estado de putrefação salvo algumas regiões que eram recobertas expressamente por uma pelagem negra, suas pernas se pareciam com algum tipo de felino e na parte superior dois longos braços terminavam em mãos inumanas, negras como carvão e ornadas com garras que pareciam ser feitas de aço.
A situação parecia ruim, mas ficou muito pior quando um enxame de pequenas criaturas humanoides começou a sair de dentro da caverna, eram dezenas, centenas, milhares, todos em couro e osso e rostos bestializados.
Viramos nossos cavalos e disparamos pelo caminho de volta, o som dos cascos dos animais era completamente abafado pela avalanche de corpos que vinha em nosso encalço, ao tomarmos uma certa distância meu irmão desceu de sua montaria e sacou de sua espada, à primeira vista uma arma banal, sessenta sentimentos de aço fosco, ele a levantou a altura do peito e começou a imbuir a arma com sua magia, uma aura azulada começou a ser liberada da espada, e ele a enfincou no solo pedregoso, nesse momento a espada se dissolveu em luz e poeira e então tomou a forma de uma amazona toda feita de metal, estava completa a invocação do Autômato.
Ele rapidamente correu e pulou em sua montaria e voltamos ao galope, pouco tempo depois a horda alcançou a amazona que começou a dilacerar tudo que dela se aproximava.
Logo mais à frente chegamos ao ponto marcado, desci do meu cavalo e entreguei as rédeas para que fosse puxado, meus companheiros seguiram rumo ao acesso e eu fiquei sozinho esperando o demônio.
Assim que ele apareceu em meu campo de visão, concentrei meus pensamentos e liberei a habilidade que precisava, sobre todo o meu corpo, com ênfase em meus pés e mãos uma luz alaranjada começou a brilhar, me virei para o paredão de rochas e comecei a escalá-lo em alta velocidade, ao chegar ao topo olhei rapidamente para traz e pude ver o demônio se agachando e saltando em minha direção, eu não contava que o maldito pularia uma altura tão alta então antes mesmo que ele tocasse o solo sai correndo o mais rápido que minhas pernas conseguiam.
Por sorte do destino a criatura se desequilibrou ao tocar o solo e com isso consegui correr em direção a armadilha sem ser atacado.
O local escolhido era bastante simples, um pátio de uns cinquenta metros circundado por blocos de mármore fazendo meio que um círculo, atravessei o espaço já quase sem folego e a criatura já de pé veio reta em minha direção.
Quando ela estava no meio do círculo, guerreiros de todos os lados saíram de suas proteções e deram início ao ataque.
Me recostei em dos blocos de mármore respirando afoitamente e pude observar a terrível cena que se desenrolava, o demônio estava cercado, mas ninguém conseguia chegar o suficiente para desferir algum golpe, os poucos que tentavam eram fatalmente atacados e tinha seus corpos dilacerados.
Nesse momento um guerreiro que eu não reconheci se aproximou da besta empunhado uma espada de duas mãos que eu nunca vi igual, a lâmina era mais larga que qualquer outra, sua ponta era uma meia lua e tinha uma cor vermelha sangue que brilhava, ele se aproxima da besta manuseando a arma como se ela tivesse o peso de uma vassoura.
O demônio virou em sua direção e o atacou com suas garras, por um momento achei que o guerreiro seria retalhado, mas ele segurou o ataque com sua arma, o monstro atacou novamente e o mesmo aconteceu, e de novo e de novo, e a cada impacto uma tênue luz avermelhada era visível em volta do guerreiro como se fosse uma barreira, o demônio cada vez mais enfurecido com a situação focou todos os seus esforços para matar o guerreiro da espada vermelha, dando assim a oportunidade para os demais o atacarem pelos seus flancos.
Por pouco mais de uma hora o combate se manteve até que a Besta tombou ao chão sem vida, seu corpo todo marcado pelos nossos ataques e o chão vermelho e úmido de seu sangue e dos nossos muitos companheiros que tombaram em batalha.
E de frente para ela desacordado no chão o guerreiro que segurou seus ataques ainda tinha sua estranha espada segura a mão.
Notas finais
Esse é meu primeiro texto, demorei bastante mas finalmente estou postando, espero que gostem!
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