Aos Impérios

São os Homens que compõem as épocas

Ou a época compõe os Homens?

Lá se vão os grandes na poeira do tempo,

Dos tijolos e de Impérios

Vários viveram e poucos navegaram

E a quem respeitou,em sua terra,

Tais Colossos?

Quem pode ver os Césares do Alto?

Os mesmos que vêem o povo abaixo

Aqueles a quem,alto-pendão,tomam por nome

Viver,viver e jamais imperar

Ou imperar,lembrar e jamais viver

Quais homens poderiam escolher?

B-Aqueles a quem o tempo teme

Não aqueles que temem o tempo

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Caro leitor,depois do poeminha acima,de própria autoria,devemos dar prosseguimento a História.Deixamos o Bem-Amado Imperador Sérvio III dormindo placidamente em seu leito e seu Comandante Pretoriano em uma Blitz.Vamos dar um pequeno salto de Moscou e vamos desfrutar de uma noite em Paris.

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Arredores de Paris-12 de Janeiro de 2617-Moscou:23:39-Paris:21:39

Sente,caro Leitor,a brisa de primavera em Paris?Estamos observando um avião militar classe Borondina a cerca de 12 mil pés,olhamos em seu interior e vemos um grupo de militares,o Autor,com pequeno conhecimento de insígnias militares,identifica vários oficiais de alta-patente,paramos e ouvimos.

-Os alvos,cognominados como Y,B e Z,devem ser abatidos.Sem prisioneiros.As equipes Alfa,Bravo e Charlie devem saltar de paraquedas em 10 minutos.Ordens Imperiais.O protocolo de segredo V deve e vai ser adotado,consistindo em pena capital a desobedecimento das diretrizes.Entendido?-fala um Oficial alto,loiro,com as divisas de Major-General e o Escudo Pretoriano gravado no peito

O Autor,com sua onipotência,acelera o tempo e nos vemos,caro leitor,num magnífico jardim em estilo greco-romano,ao olharmos para cima vemos o referido avião se afastando e cerca de duas dúzias de paraquedas negros.Os soldados atingem o chão,agrupam-se em torno da casa.Ouvimos um estrondo e vemos a belíssima porta de mogno trabalhada a ouro se transformar em mínimos fragmentos,entramos com os soldados e nos vemos em uma sala,há tiros,um homem,civil,cai no chão atingido por uma chuva de projéteis.Há gritos no andar de cima,vemos um soldado cair,a cabeça atingida por um bastão,outro homem cai.Andamos e vemos uma mulher oferecendo a rendição,reconheço-a como Y,o Major saca sua Lüger e dispara,à queima-roupa.

Deixamos de lado a cena de massacre e vamos andar pela noite de Paris,mon cher?Andamos e,em um boulevard,sentamos em um agradabilíssimo café.Um casal está em plena corte na mesa ao lado,sente l'amour no ar?Ao fundo estão dois homens,não idosos,mas maduros,discutindo.

-Quem garante que o Imperador não está ordenando uma Blitz,Pedro?Ele não seria o primeiro a fazer isto.

-Acalme-se,se,e quando,os Planos do Primeiro Cidadão derem certo,teremos glória,teremos honra,poder e dinheiro.Não tema,temos apenas de esperar o Velho morrer de causas naturais e o Império se curvará a nós.Venhamos e convenhamos,o velho Junot não é um mestre em delicadeza,assim que forçamos ele a massacrar o povo das regiões rebeldes,a opinião pública estará ao nosso lado.

— E as Blitz,Pedro?

-Nenhum Imperador desde Claúdio II ordena uma limpeza para seu sucessor.O Velho Sérvio tem coração mole,não fará nada.

-E as Colônias?Irão se Rebelar?

-Não as Militares,o mil vezes maldito Magno as administra com punho de aço e elas lhe são fanaticamente leais.Mas contamos com 10 das 12 científicas.

-E cientistas sabem brandir armas por acaso?

-Muito melhor...eles sabem criar armas.

Mon cher,sinto lhe expor às torpezas do mundo da política,voltemos a Moscou,non?

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Moscou-13 de janeiro de 2617-00:31

Vemos o Imperador se levantar ao toque do holofone,seus velhos ossos não mais agüentam tamanho esforço.Ele amarra o roupão e atende.Magno nos aparece,coberto de sangue e com uma das lentes da Máscara de Gás quebrada.

-Majestade,B e Y eliminados.

-E Z?

-Opôs ferrenha resistência,possuía um esquadrão de táticas pessoal.Perdemos 20 homens,sendo 8 oficiais.Infelizmente ele evadiu-se.Desligo.

"Maldito"-Pensa o Imperador-"Justamente uma das peças-chave de tal conspiração evade-se.Com tamanho confronto vão correr boatos,jornalistas irão investigar,haverá descontentamento e revolta.Não irei reprimir a punho de aço.Talvez Junot consiga administrar a Crise,após a minha morte"

Pouco mais abaixo está o Príncipe Imperial Otto Schonnestam,se recuperando da tentativa de assassinato.Ouçamos o diálogo dele com o Capitão dos Guardas.

— Absurdo!Como vocês deixam alguém me atacar!

-O Senhor deixou ordens explícitas para não ser incomodado,Alteza!

-Tem razão,desculpe-me.Mea Culpa.Não foi sábio isto.

Bem senhores,o Príncipe,apesar de aspirar ao Império e a Tirania,jamais foi imbecil.Após o Capitão sair e o corpo ser removido ele sentou-se e pensou:

"Essa atentado,com certeza,foi o primeiro de muitos,mas quem,além de Junot,me quereria morto?Com certeza sabe da Rebelião,mas isto não seria de seu feitio,ele ainda possui aquele senso de honra antiquado dos militares,mas também é um homem que acredita na força,não no bem e mal,mas somente na força e fraqueza.Talvez,mas não posso responder,ainda,a este atentado,não na Terra e com certeza não no Palácio Imperial"

Um mar de lama,não,caro Leitor?Desçamos ao Gabinete do General.Encontramos ele a dormitar na poltrona.A moça árabe está de volta,ele acorda sobressaltado.

-Mon General,ordenaram uma Blitz.

-Mesmo que eu não fosse o Herdeiro do Império,mesmo que eu não fosse General Marechal de Campo,você poderia pelo menos esperar até o amanhecer para me avisar!-respondeu o General,visivelmente irritado,atirando a xícara vazia na direção da espiã.

Facilmente ela desvia.

-Calma,General,Calma.Não é somente isto,algo em relação a Magno não está correto.Ele está cumulando muito poder através de Decretos Imperiais Extraordinários,sabe que ele não é um Líder,ele foi talhado pelos deuses,e pelo Imperador,como um seguidor,não um Líder.Algo estranho também está acontecendo com o Exército Pretoriano.

-Hunf,isto não é esperado?Se o General age estranhamente,as Tropas o acompanham.Espere...e se ele estiver tramando com o Real Fedelho?Sérvio não seria o primeiro imperador da História destronado por sua guarda*

O General levanta-se e pega um velho exemplar de Suetônio,atira-o a espiã e diz:

-Leia,é instrutivo.Mais alguma informação?

-Somente de Faiscante,parece que algumas divisões da Frota Espacial Imperial estão agindo estranhamente,se agrupando em volta das Colônias Militares.

-Isto é novidade.Sabe se algum dos Almirantes Espaciais é Legalista?Pedro talvez?

-Conspirador.Nossa melhor chance são os pretorianos,eles possuem frota própria.

-Isso se Magno não se rebelar.Pois bem,mande um agente a ele,convença-o mais não tente o corromper,isso seria demais para ele.Nos antigos comandantes talvez houvesse possibilidade,mais não numa era como esta.

Entremos no Hiperespaço e vamos conhecer as estrelas?

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Colônia Delta-Sistema de Alfa Centauri-13 de Janeiro de 2617-Hora de Moscou:14:00

Tudo como dantes,não?Vemos uma Colônia científica,vemos as Torres da indispensável usina de fusão nuclear,vemos o espaçoporto e vemos os incontáveis laboratórios.Vista seu jaleco,amigo Leitor,e vamos passear.Vemos cientistas por onde olharmos.Avistamos um coreto em um jardim tropical,sentamos e esperamos.Alguns cientistas discutem calmamente questões que desafiariam qualquer mero mortal,mas um trio parece estar mais próximo de nós.Vamos lá?

-A produção dos mísseis interplanetários de 1,5 gigaton está dentro do cronograma.Com esta classe de armamento o Império está em nossas mãos.

-Mas alguém sequer cogita usar esta classe de mísseis?Não sabemos o efeito de 1,5 gigaton em uma atmosfera como a terrestre.Lembram da Tsar Bomba* da aulas de ciência militar?Ela tinha 53 megatons e teve um raio de ação de 40 km.

-Não importa o meio,meu caro,o fim justifica-o.

-Seremos então,reis de cinzas?

— Pessoalmente,não creio que o Primeiro Cidadão sequer cogite os armar,seria quase suicídio.

Maligno não,caro Leitor?Vista seu guarda pó,sua barba postiça e vamos nos fingir de velhos sábios historiadores,ou prefere esmolar às estátuas?

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Dizem que o auge do Império foi no governo do Imperador Cláudio I,cognominado O Romano,neste período o Império venceu a corrida espacial e conquistou as Terras Contestadas,uma vasta extensão de terras que ida do Irã até Pequim e que depois da Derrocada Chinesa,ficou em estado de Anarquia e abandono.Foi ele quem transferiu a capital de Berlim a Moscou e que construiu o Palácio Imperial Moscovita.Recebeu esta cognominação pelo hábito que tinha de transferir os monumentos e obras de arte das Áreas conquistadas para Moscou,por isto as praças hoje estão lotadas de obeliscos e estátuas e nossos museus tão cheios,depois dele,meu caro somente podridão.Nesse mesmo período,os antigos EUA e o Bloco Latino cessaram sua guerra fria,tendo ocorrido a unificação após o Tratado de Montevidéu e os restos da Ditadura Autocrática Chinesa se reorganizaram sob o nome de União Asiática,com menor que o antigo estado mas com grande força ainda.

Voltemos ao Império,depois de Cláudio I veio Sérvio II,cujo governo,em função de sua idade e de Cláudio ter morrido sem filhos,durou menos de dois anos completos.Em seguida veio Óton II,filho de Sérvio II.Ele foi considerado um bom governante,à sua maneira,até que seus vícios superaram suas virtudes e foi morto pelos populares enquanto visitava a amante,ocorreu então Cláudio II,o Ano dos Cinco Imperadores e Sérvio III.

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Removamos nossas barbas.Voltemos a Moscou

Moscou-13 de janeiro de 2617-16:12

Vemos o Imperador no palanque da Praça Vermelha,ouça-o discursando ao povo,que voz,que retórica,que potência.Ele desce,vemos que está sem proteção,sem colete,sem escudo.Ouçamos alguns comentários do povo:

-Ouviu que ele está morrendo?

-O que será de nós?

— Acha que a sucessão será pacifica?

-Duvido,o herdeiro é Junot

-E o Príncipe Imperial?

-Ele é quem deve assumir!

-Abaixo Junot!-Ouvimos alguém gritar

Inicia-se o tumulto,há sangue nas calçadas,casas queimam.Ouve a melodia dos gritos,caro Leitor?Ouve os vândalos destruindo casas e violando as mulheres?Vê,sente,a Fúria?Ouve a canção da Guerra?Vê o vulto da Morte?

Entramos no gabinete de Junot,o Imperador está lá.

-Junot,quero estado de sítio em todo o Império.Lei marcial em cada rua e tropas em cada esquina.

-Majestade,com todo respeito,isso irá somente piorar a situação

-Meu velho,triste e cabeça-dura Junot-diz o Imperador,quase rindo-Não percebe?Pelo bem do Império é melhor que sobre alguma sujeira sobre meu nome que seu Reinado começar com massacres.Você se tornaria,aos olhos do povo,um Tirano.E sabe que,aos olhos da massa,o Tiranicídio não constitui-se crime.Você é muito novo para lembrar do Ano dos Cinco Imperadores.Se não fosse pela mão firme do Estado Maior que me conduziu ao poder, o Império teria virado pó e minha pessoa sofrido uma prematura morte.Eu era o último membro da dinastia Schonnestam,meu significado ia ser apenas simbólico,mas o povo me amou,Junot.Lembre-se,o povo gosta do que quer e não do que precisa.

-Quem acha que é o autor disto?

-Meu filho,A América,A União Asiática,não há meios de saber,pelo menos,não diretamente.Cumpra minhas ordens,Junot.

O Imperador teleporta-se para seu quarto,lá holofona para Magno.

-Magno,meu velho amigo,como está o plano de contenção?

-Encaminhado,Majestade.

-Deixe as Tropas mobilizadas,temo que não passe desta noite.

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Moscou-13 de janeiro de 2617-23:48

Vemos Junot,subitamente,deixar seu quarto de dormir e subir pelas escadas de Mármore-de-Carrara em direção aos aposentos reais.Ele adentra pelo Imperial Vestíbulo e emerge no Quarto Real.

Posso afirmar que Cláudio I pretendia demonstrar que tinha um grande Domínio não por seu olhar,mas por seu Quarto.Vemos um cômodo gigantesco com uma majestosa cama no centro,lustres de cristal baccarat brilham sobre nossas cabeças,o piso de mármore é decorado com incrustações de ouro e jóias,mas nada supera a cama,um gargantuesco móvel com dossel trabalhado a ródio,platina e ouro,decorado com motivos históricos e míticos,olhamos para cima e vemos um afresco belíssimo de Cronos devorando seus filhos.

"Que mau gosto"-pensou Junot,o General sempre apreciou o requintado mas jamais a opulência,jamais o espírito da decadência

-Chamou-me,Majestade?

-Sim,Junot,estou a morrer

-Como sabes,Alteza?Chamaste um médico?

-Meu velho Junot,quando se tem a minha idade já se conhece a morte,não passamos,em suma,de velhos amigos.

-Vou chamar um médico!Vossa alteza não pode morrer,não agora!

-Seria tudo tão diferente se pudéssemos escolher quando morrer,não Junot?Mas,meu velho amigo,a vida é apenas um jogo,levemente divertido.O fato positivo é que vencendo ou perdendo,morre-se.

-Mas Imperador,qual suas últimas ordens?

-Até em meu leito de morte tú és o mesmo.Foi por isto que te adotei,tú és o filho que desejava.Cuida do Império,cuida da Espécie e cuida de....meu filho.Se existirem deuses peço somente duas coisas:Paz ao Império e Sabedoria a você.Adeus,Majestade.

O General cambaleia,chora,cai.Vemos ele sofrer,mas ele levanta-se.Sente todo o encargo do poder que lhe foi transmitido,sente o poder e o orgulho feroz dos Césares.Teme sim,é humano,nunca quis o Império,teve origem modesta,pai militar,mãe morta nos seus dois anos,seu pai o destinou desde cedo às Academias Imperiais de Moscou e Odessa,aprendeu pintura,literatura,música,ciência exatas,humanas e militares,quando de seus dezesseis anos,a data de escolha,preferiu a carreira militar,se destacou na repressão da Revolta Grega,tendo salvo a vida do Imperador durante a Batalha da Ática e tendo surgido uma amizade,quase "uma alma dividida em dois corpos",intensa,terminou a guerra como Coronel e atingido as patentes superiores pour lé mérite próprio,sonhou casar,ter filhos,aposentar-se com uma casinha em Odessa.Mas um militar cumpre seu dever.

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Moscou-14 de janeiro de 2617-12:00

Sobre a cidade pesa o luto,mas um Império necessita de seu Imperador.A coroação prepara-se ao mesmo tempo em que dedicam-se a Sérvio III as mais altas honras póstumas no panteão imperial.Causa Mortis:Colapso Cardíaco em virtude da idade.estresse e tratamento quimioterápico.Entremos no Panteão,outra das exorbitantes obras de Cláudio I,vemos um magnífico afresco representando Zeus dividindo a hegemonia dos mundos e obras-primas de arte nas paredes,vemos uma pequena urna com os ossos de Napoleão,outra com Churchill,uma terceira com Gorbatchev.É um ambiente imponente,o alto teto e a baixa iluminação nos desperta um sentimento de supersticiosa reverência.

Entramos em uma sala lateral,lá está uma estátua de Sócrates,uma de Aristóteles e uma de Tomás de Aquino,há menos urnas aqui.O afresco representa Prometeu dando o fogo ao Homem.Nos adiantamos e verificamos de quem são as urnas.Vemos grandes nomes aqui:Bohr,Einstein,Nietzsche,Curie,Pasteur.Andamos até a nave central do panteão,lá,vestido nos trajes imperiais,vemos o corpo de Sérvio III recebendo as últimas homenagens de seus súditos.Foi um belo homem em sua juventude,seus cabelos conservam pouco do tom de negro de sua ascendência ibérica,possuiu uma magnífica barba que,após a morte,lhe concede dignidade.

Vemos dignitários das nações aqui,aqui o etíope,mais ali o brasileiro,na saída o chinês.A guarda de honra se aproxima,coloca o esquife nos ombros e o leva para a cremação.

Junot está aqui,envergando a faixa de Herdeiro Imperial,ele começa um discurso,ouvimos um tiro,há sangue e uma bela faixa azul no chão.

Notas finais
*1-Calígula foi morto por sua guarda Pretoriana em conluio com o Senado
*2-Maior ogiva nuclear já detonada-URSS
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.