A Escolhida - DraMione
1 Prólogo
Notas iniciais
Era um dia especial para Draco. Ele havia acabado de se formar na faculdade e decidiu fazer uma surpresa para sua noiva. Eles estavam juntos há cinco anos. Conheceram-se no primeiro dia de aula, no refeitório da universidade. Os longos cabelos ondulados da loira e seu jeito de mulher fatal deixaram Draco fascinado desde o primeiro momento.
Draco estava radiante. Ele queria compartilhar esse momento com ela. Então, ele passou em uma floricultura, comprou o buquê mais bonito e passou em uma joalheria para comprar as alianças de casamento. Ele corria pelas calçadas da Avenida Paulista até o pequeno escritório de seu sogro, onde ela estagiava por meio período. Teve momentos em que precisou parar no caminho para conseguir respirar. Apesar de estar em boa forma física, às vezes o ar lhe faltava. Assim que chegou ao seu destino, sorriu passando a mão pelos cabelos castanhos desgrenhados, tirou um pequeno lenço do bolso de sua calça jeans e secou o suor que escorria por sua testa. Ele escondeu a pequena caixinha preta de veludo no bolso de sua jaqueta num gesto sutil, ajeitou o buquê de violetas e suspirou fundo.
— Primeiro andar, por favor – ele disse ofegante ao homem dentro do elevador.
Assim que as portas se abriram, Draco caminhou até a recepção e foi atendido por Pâmela, a secretária de seu sogro.
— Senhor Draco! – a moça exclamou com olhos arregalados.
— Oi, Pam. A Pansy está? – ele perguntou animado dando um belo sorriso para a ruiva.
— Desculpe, Senhor Draco . A Dona Pansy está com um cliente – disse sem graça. Ela sabia que Draco não era bem vindo naquele momento.
— Vou esperá-la aqui – ele se sentou no confortável sofá preto a sua frente.
Após quase uma hora de espera, Alexandre pediu encarecidamente para que ela mencionasse sobre sua presença. Pâmela foi extremamente descuidada. Ela interfonou para sua chefe deixando o viva voz ligado.
— Doutora Parkinson, o Doutor Dra... – as palavras da bela moça foram interrompidas por gemidos e risos do outro lado da linha. Draco a olhou com fúria e levantou do sofá no mesmo instante e irrompeu na sala de Pansy. O que ele viu naquele momento, fez seu coração parar e sangrar até a última gota.
— Mas o que significa isso? – ele gritou ao vê-la sentada no colo de Júlio, seu desafeto da época em que estavam no primeiro ano da faculdade. Seu amante estava literalmente enterrado nela. Sua saia cinza chumbo, na altura dos quadris e uma minúscula calcinha preta em volta de seu tornozelo esquerdo. Sua camisa branca de botões jogada em cima da imensa mesa de madeira envernizada e seu sutiã em cima do livro de código penal. Quando ela percebeu que estava sendo observada por seu noivo, não se envergonhou. Deu-lhe seu melhor sorriso e disse:
— Poderia ter esperado lá fora, querido.
Draco, abismado com sua tamanha cara de pau, jogou o buquê caríssimo que havia comprado para ela no chão e pisoteou várias vezes vociferando palavras sujas e praguejando toda sua existência. Ele olhou com nojo e fúria para Júlio, que sorria triunfante e, com lágrimas nos olhos e orgulho ferido, apenas sussurrou:
— Espero que seja muito feliz com essa cadela.
Pansy saiu lentamente de cima de seu amante, ajeitou sua saia e colocou sua calcinha. Aproximou-se de Draco e sussurrou em seu ouvido:
— O que eu queria de você Draco, eu já consegui. Você foi algo que eu precisava conquistar para chegar onde estou hoje. Preciso te agradecer por ser tão influente – ela sorriu e se afastou deixando Alexandre perplexo.
— Sua vadia – ele gritou.
— Não sou uma vadia. Apenas estava comemorando – ela disse pegando um envelope pardo em cima da mesa. — Graças ao seu pedido, eu agora sou a advogada do governador e irei ganhar prestígio e uma fortuna considerável – ela olhou para ele com repulsa.
— Era por isso que estava comigo? Por dinheiro e interesses?
— E por que mais seria, docinho? Você é chato, sem graça, pegajoso, romântico demais... Acho que o dinheiro é sua única qualidade – ela diz partindo de vez seu coração.
— Eu iria casar com você, Pansy. Como pode ser tão falsa? Tão mesquinha e egoísta?
— Casar? Comigo? Oras, Draco... Não me faça rir – ela diz gargalhando enquanto Júlio fazia o mesmo em silêncio.
— Cinco anos, Pansy. E você me diz que estava fingindo todo esse tempo? – ele sussurrou derrotado.
— É. Mas até que foi fácil. Júlio desempenhou bem o papel de amante. Agora cai fora. Eu iria terminar nosso relacionamento de outra forma. Mas foi melhor assim. Pelo menos não terei que aguentar você no meu pé pedindo pra voltar. E antes que você cogite essa ideia, eu e Júlio vamos nos casar no mês que vem. Então... sem chances pra você – ela diz de forma natural.
— Escute bem uma coisa Pansy. Eu vou dedicar a minha vida a destruir tudo o que vier a conseguir. Não vou deixar que seja feliz um minuto sequer da sua maldita vida desgraçada. E quando você estiver totalmente arruinada, vou pisar em você, cuspir em você e terei o prazer em ouvi-la suplicar por misericórdia – ele disse entredentes. — Quanto a você, seu filho da puta... Não quero que chegue perto de mim, da minha família ou de qualquer pessoa que eu conheça. Serei a pedra no seu sapato, o seu pior pesadelo. O seu e de toda sua família maldita – concluiu com fúria e jogou a caixinha de veludo com os anéis em cima do pequeno aparador. A partir daquele momento, Draco transformou em algo que ele mesmo abominava. Um ser arrogante, frio, insensível e cheio de ódio. No coração, apenas carregava as imagens de uma traição amarga. Ele começou a sair com várias mulheres, mas ele não as achava dignas dele, as tratava como objeto e as usava para seu belo prazer. Ele jurou naquele dia, com seu coração estraçalhado, que jamais se deixaria enganar. Que jamais, amaria novamente.
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