Notas iniciais
Espero que gostem: my-green-fics.tumblr.com/

O jantar acontecia na sala de refeições, um grande salão com uma mesa longa cercada de cadeiras. As garotas iam entrando e escolhendo seus lugares, as cadeiras das pontas eram reservadas para a Sr. Margô e Selna. Alexa olhou em volta procurando por Elisa, mas esta não se encontrava no salão, então seus olhos caíram sobre a última cadeira na ponta, onde uma garota lia sozinha. Alexa se aproximou e puxou a cadeira ao lado, sentando em silêncio.

A garota lia um livro desconhecido por Alexa (não que essa conhecesse muitos livros), com uma mão livre brincava com a ponta do cabelo. Alexa se inclinou na mesa e tentou olhar disfarçadamente sobre o ombro na tentativa de ver o rosto da garota. A garota por sua vez, ao perceber Alexa, abaixou o livro e sorriu.

“Olá, você deve ser a garota nova.”

“Sim.” –Alexa respondeu se arrumando na cadeira.

“Bem vinda... Se é que alguém pode ser bem vinda em um orfanato.” –Ela fechou o livro e estendeu a mão- “Prazer, Megara, mas meus amigos me chamam de Meg.”

“Alexa.”

“Todas sentadas, a refeição será servida!” –Exclamou uma mulher que aparentava ser a cozinheira.

Os murmúrios no salão foram diminuindo até ficar completo silêncio. A comida foi servida de uma a uma; a mulher que gritará na porta entrou com um carrinho de três andares, em cada garota servia dois pratos e um copo com suco. Quando chegou a vez de Alexa, sua barriga estava roncando. Em um prato havia alguns legumes, uma carne assada e pão de milho, no outro um pedaço de bolo e no copo suco de maça.

Ela teve que esperar todos estarem servidos para poder comer, e quando pode não esperou duas vezes. No canto do olho ela podia ver Meg rindo, mas tinha certeza que agiria do mesmo jeito se passasse tanto tempo sem comer.

“De onde você é?” –Meg perguntou virando-se para ela.

“Daqui mesmo, mas não morava na cidade.”

“Eu sou do sul. Estou aqui há alguns anos já. Minha mãe não quis mais cuidar de mim e dos meus irmãos.”

“Onde eles estão?”

“Continuam no sul, trouxeram-me pra cá quando eu fugi do meu antigo orfanato. Mas este não será diferente.” –Ela sorriu.

Alexa olhou para o seu prato e voltou a comer.

“Não tenha medo, não sou má influência. Só não gosto de ficar presa nos lugares.”

“Então por que estava sozinha?” –Alexa a olhou.

Meg desviou o olhar e deu de ombros.

“Pergunte isso a elas.”

X

Depois do jantar, todas as garotas deviam ir a seus dormitórios. Alexa ficou esperando por Meg, mas depois descobriu que ela não estava na sua Ala. Quando chegou ao quarto, Elisa já estava lá.

“Onde você estava?” –Ela perguntou ao ver Alexa entrando- “Guardei um lugar para você, mas não te encontrei.”

“Eu também não vi.” –Alexa foi até ela e sentou na cama a em frente a sua- “Mas conheci um garota, Meg.”

“Ah sim, Meg.” –Elisa assentiu- “Bem, da próxima vez nos encontramos no corredor, assim comemos juntas.”

Alexa sorriu. Em toda sua vida ela só teve uma amiga, porém ela se mudou para outra cidade quando tinham seis anos, desde então, sua única companhia era sua mãe. E como Alexa estudava em casa e sempre estava ocupada com suas obrigações, não tinha tempo de fazer novos amigos. Agora, vendo Elisa se preocupando com ela, a fez sentir que não estava sozinha.

“Bem, eu arrumei sua cama ali” –Ela apontou para a cama de Alexa, do outro lado- “Mas acho que não há problema em você dormir nesta.”

“Acho que não.” –Alexa sorriu se levantou para trocar de roupa.

“Depois que Selna conferir os dormitórios você vem para cá.” –Disse Elisa, pegando a escova no criado mudo e começando a pentear seu cabelos longos e loiros.

“Ótima ideia.”

Alexa pegou seu pijama dentro do guarda-roupa e foi até o biombo se trocar. Ela tirou toda sua roupa e a deixou dobrada sobre o banquinho, depois vestiu sua camisola branca e soltou a trança que havia feito.

“Quantos anos você tem Alexa?”

“Quinze, mas logo farei dezesseis. E você?”

“Dezesseis.”

“Até quantos anos podemos ficar aqui?” –Alexa saiu de trás do biombo e foi arrumar suas coisas.

“Eu não sei, as garotas sempre são levadas.”

Alexa olhou para Elisa, que penteava seu cabelo despreocupada.

“Elisa, quem leva as garotas?” –Alexa sentou na sua cama e olhou para ela.

“Eu já disse, a mulher sem rosto.” –Elisa sorriu.

“Mas quem é essa mulher?”

“Eu não sei, nunca a vimos. Apenas vemos a garota sendo levada por uma mulher de preto. Algumas juram que já viram seu rosto, é pálido com os olhos brancos. Mas é bobagem.”

Alexa abraçou os joelhos e olhou em volta. Toda aquela história era muito estranha para ela.

“E por que ela leva as garotas?”

“Alexa, eu não sei! Ninguém sabe. Mas acredite: qualquer oportunidade que você tiver se sair daqui... É valida.” –Elisa pôs a mão em cima da dela- “Não fique com medo, são histórias bobas.”

“Eu não tenho medo.” –Alexa pegou a escova e passou os dedos sobre as cerdas macias. Aquela textura a fez lembrar-se de sua mão.

“Vire, vou arrumar seu cabelo.”

Ela ficou de costas para Elisa e de frente para as grandes janelas, mas estas estavam com as cortinas fechadas, deixando o quarto iluminado apenas pelas luminárias.

“Meu irmão mais velho adorava pentear meu cabelos, eu nunca entendi o porquê, mas agora sei.”

“Onde eles estão?” –Alexa perguntou.

Por um momento houve um silêncio, Alexa começou a se arrepender de ter perguntado, mas então Elisa respondeu.

“Mark está morando do outro lado da cidade e o pequeno Dan eu não sei. Separamos-nos quando eu vim para cá. Acho que ele está com a minha tia, mas não é certeza.”

“O que houve com seus pais?”

Elisa não respondeu.

“Os meus morreram em um acidente.” –Alexa decidiu falar- “A casa pegou fogo, só eu consegui sair.”

“Sinto muito.”

Alexa olhou para suas mãos, parecia que dizendo alto o que havia acontecido se tornava culpada pelo acidente. Mesmo Elisa não a conhecendo e acreditando na sua versão, ela decidiu nunca mais repetir aquilo.

“Isso faz muito tempo?”

Ela negou com a cabeça.

“Há uma semana.”

“Sinto muito Alexa.” –A mão de Elisa pousou no seu ombro, dando conforto- “Melhor pararmos com isso. Ficar falando de coisas desse tipo...”

Alexa se virou para ela e percebeu que seus olhos estavam vermelhos.

“Veja só como ficou.” –Elisa se virou e tirou da gaveta um espelho de mão.

Alexa olhou o penteado que a nova amiga havia feito. Como tinha um longo cabelo, havia muito para se fazer. Elisa fizera duas tranças na lateral que se encontravam em cima da cabeça, como uma tiara, o resto do cabelo estava levemente ondulado com algumas trancinhas escondidas.

“Obrigada, ficou lindo.”

“Uma pena que vamos dormir, mas amanha posso fazer de novo, e podemos colocar algumas flores e laços rosa...”

Enquanto Elisa ia falando, Alexa voltou a se olhar no espelho, se sentia muito bonita com o novo penteado. Afastou um pouco o espelho para aumentar o campo de visão. Quando fez isso, pegou grande parte do quarto atrás dela.

Naquele momento ela percebeu uma sombra, no canto do espelho, refletida na janela, porém não era apenas uma sobra, mas um vulto em forma de gente. A forma parecia estar do lado de fora pelo jeito que a imagem ficava embaçada, porém ao perceber os olhos de Alexa, começou a se mexer, estendendo os braços como se quisesse tocar na garota.

Em um movimento rápido, Alexa jogou o espelho no chão e se virou para trás, mas não havia nada ali.

“O que foi?” –Elisa perguntou ao ser interrompida.

Alexa não respondeu, levantou da cama e correu até a janela aberta. Ela puxou a cortina mostrando a janela e a noite fechada. Porém ao olhar para o vidro, Alexa só viu seu reflexo embaçado.

Notas finais
Poderia ficar escrevendo o dia todo....!