Notas iniciais
Olá leitores, espero que estejam gostando da fic, porque eu estou amando escreve-la... Estou preparando várias coisas para o futuro! Ontem mesmo encontrei minha Alexa ^--^ -> Ótimo site para dar o clima: rainymood.com

“Confesso que estou surpresa de você não ter dito nada sobre estar aqui.” –Elisa olhava para Alexa, que lavava o chão com o esfregão.

“Já estou acostumada. Em casa eu fazia quase tudo.” –Ela fez uma pausa e limpou o suor da testa- “Minha mãe ficava muito tempo no quarto e eu devia cuidar da casa.”

“Ela estava doente?”

“Eu não sei... Na verdade não me lembro da ultima vez em que a vi fazendo algo. Sempre ficava no quarto dormindo ou lendo.” –Ela deu de ombros e voltou-se para Elisa- “Mas eu não a culpo, não devia ser fácil para ela.”

Elisa concordou, mesmo não sabendo do que se tratava. Por mais que não conhecesse tanto Alexa, sentia pela garota algo forte e difícil de definir, algo como um amor familiar, mas ao mesmo tempo amigável. Sentia que devia cuidar de Alexa e também sempre estar ao seu lado, pois isso lhe fazia bem.

“Sinto falta dela.” –Alexa desviou o olhar para o chão- “Da voz dela.”

“Alexa...”

Alexa negou com a cabeça e voltou a fazer seu trabalho. Precisava se distrair para esquecer o que não queria lembrar. Enquanto ela limpava o chão, Elisa tirava o pó das grandes estantes da biblioteca. Alexa nunca achou que em um orfanato haveria uma biblioteca tão volumosa, mas a julgar pelo pó, supôs que quase nunca entravam no local.

Quando acabou, foi ajudar Elisa a arrumar os livros. A diversidade era incrível, com livros até em outras línguas, autores que ela nunca tinha ouvido falar. As duas acabaram no momento em que começou a chover, o céu ficou negro, escurecendo a biblioteca, a chuva grossa batia no vidro da janela fazendo estalos.

“Precisamos voltar.” -Disse Elisa para Alexa, mas esta foi andando até a janela, a ignorando- “O que foi?” –Perguntou Elisa.

Alexa olhou para o vidro que refletia sua imagem. Não era possível ver nada para fora dali, estava tudo coberto pela neblina e chuva. Não havia mais nada no mundo.

“Bonito não?” –Elisa se juntou a ela- “Eu gosto da chuva.”

“As vezes ela me assusta.”

Elisa a olhou.

“É só água caindo do céu.” –Ela riu- “Não há o que ter medo.”

“É barulhenta e tudo fica escuro e molhado...”

“Meu pai dizia que era Deus chorando pelos pecados da humanidade, mas eu nunca vi como algo ruim, talvez suas lágrimas limpassem as coisas ruins.”

Alexa sentou no chão, de costas para a janela, Elisa sentou no seu lado segundos depois. As duas ficaram olhando para a biblioteca que era iluminada apenas nos pontos onde as velas estavam acesas, deixando o resto estava escuro e os moveis com penumbras.

“Quando eu era pequena, minha mãe contava-me histórias, ela dizia que eram histórias da época da minha avó. Quando havia tempos de escuridão. Ela contava que na floresta habitavam criaturas da sombra que de tempos iam para a cidade... Todos deviam deixar uma oferenda para elas do lado de fora, assim não faziam mal. Marcavam suas portas com um sinal, um V com um traço no meio, para as criaturas saberem que ali havia a oferenda. Nessas noites, a Lua não aparecia no céu, os pássaros se recolhiam cedo, as crianças eram proibidas de ficarem acordadas...”

“Como eles sabiam quando elas iriam pra cidade?” –Elisa perguntou.

Alexa deu de ombros.

“Eles apenas sabiam. Eles sentiam que era a hora. Numa noite, nessa noite especial, uma família não tinha o que oferecer. Ficaram desesperados. A mãe foi esconder os filhos mais novos debaixo da cama, o pai foi atrás do seu machado, o filho mais velho foi implorar para os vizinhos alguma coisa, mas ninguém o recebeu, todos estavam se preparando para a chegada.

Essa família tinha uma filha, que não sabia o que fazer. Ela tentou ajudar a mãe, mas esta não precisava de ajuda, tentou ajudar o pai, mas ele negou, tentou ir atrás do irmão, mas este estava longe. Então ela esperou na cozinha.

Quando o sino da torre começou a soar, todos souberam que era a hora. As casas foram fechando suas janelas, as pessoas foram entrando e trancando a porta, todos se escondiam e aguardavam os convidados. Mas naquela casa não havia oferenda, não havia nada.

Tudo ficou escuro. Todos aguardavam ansiosos para o que iria acontecer. Quando as criaturas chegaram, se alimentaram das oferendas e foram embora, como sempre faziam. A família ficou surpresa que nada tinha lhes acontecido. Comemoraram.

No dia seguinte, a família acordou. Todos estavam bem e felizes por estarem bem... Porém, a filha se sentia estranha... Não comia, não bebia, não sorria e não falava mais nada. Levaram-na ao curandeiro, mas este não tinha o que fazer, levaram-na ao padre, mas este não tinha o que fazer também.

É culpa das criaturas! Acusou o pai. E ele estava certo. As criaturas da sombra vinham até a cidade e usufruíam das oferendas, e naquela noite, naquela casa, as criaturas levaram a alma da garota.”

Alexa terminou de contar a história e olhou para Elisa, que estava pálida.

“É só uma história Elisa.” –Alexa sorriu.

“Foi assustador.” –Elisa abraçou os joelhos e olhou para a amiga.

“É só uma história.”