Notas iniciais
Olá caros leitores. Gostaria de dizer que fiz o tumblr da fic e ele já esta funcionando. my-green-fics.tumblr.com/ --- Nele contém algumas imagens do capítulo abaixo, que você pode ver antes ou depois de ler (sempre colocarei uma referência do que se trata). Caso você não encotre

“Veja só, acho que ficarão bons em você.”

Em cima da cama estavam jogados quatros vestidos seminovos e dois conjuntos de camisa e saia. Alexa olhou para Valéria, que a olhou de volta arqueando as sobrancelhas. A garota então foi até a porta e a trancou, em seguida desabotoou seu vestido surrado e velho e pegou um dos que estavam sobre a cama.

“Comprei para Darla, mas ela nem chegou a usá-los. Estão quase novos, e como você não tem mais nada, achei que era certo dar a você.”

“Obrigada.” –Alexa sorriu e se virou para abotoar os botões de trás.

“Talvez fique um pouco largo dos lados... Posso costurar mais tarde.”

“Obrigada Valéria, é muito gentil o que faz comigo. Não sei como agradecer.”

“Minha querida, devemos sempre fazer o bem sem olhar para quem estamos ajudando. E sua mãe também fez muito por mim, está na hora de retribuir.”

Alexa tentou lembrar se alguma vez tinha visto sua mãe tendo uma conversa além de fática com Valéria, porém a única vez em que sua mãe mostrava ter alguma intimidade com as pessoas era no natal; seu pai nunca permitia vizitas ou ela de sair muito.

Mas todo esse acolho deveria ser retribuído. Valéria poderia ser a pessoa mais perto, mas não era a única próxima de Alexa, alguns tios moravam ao norte e sua avó na cidade vizinha. Porém, se Valéria sentia-se na função de proteger a menina, não seria ela a discordar.

“Vamos vestir o outro. Esse azul é muito bonito, pode ficar um pouco comprido nas mangas...”

Batidas na porta a interromperam. Assim que Alexa terminou de se vestir, Valéria abriu a porta.

“Mãe, vou até cidade comprar óleo para a bicicleta, quer algo?” –Pietro perguntou.

“Com que dinheiro?” –Valéria cruzou os braços.

“Tenho alguns trocados de horas extras.”

“E vai gastá-los com óleo?”

“As correntes estão todas enferrujadas.” –Ele vez uma careta, mas logo mudou de expressão quando sua mãe concordou com a cabeça- “Obrigado, volto antes do jantar.”

Alexa observou Pietro em silêncio. Ela queria muito pedir para ir junto, mas sabia que o garoto ia negar e isso a impedia de criar coragem.

“O que foi?”

“Eu queria ir junto.” –Ela respondeu, mas logo deu as costas sabendo que seu pedido seria negado.

“Vá com ele, aproveite e fique de olho se ele não gasta com bobeiras.”

“Eu posso?”

“Claro que pode, ele não manda aqui, eu que mando e digo que pode.”

Alexa não esperou duas vezes, calçou suas botas e correu para a cozinha, onde Pietro vestia o casaco. Ele a olhou serio, mas não disse nada. Os dois saíram pela porta e mantiveram o silêncio pela rua.

“Por que está aqui?”

“Eu queria sai um pouco.” –Ela respondeu ofegante- “Quero passar na minha casa.”

“Não tem mais casa lá.” –Ele a olhou e sorriu com o canto da boca.

Mesmo ouvindo suas palavras uma pontada de esperança a motivou a continuar. Queria dar uma ultima olhada na construção e procurar por algo que não tivesse sido destruído, alguma prataria ou móvel, assim poderia vender e juntar alguma coisa para pagar seus gastos na casa.

Ao virar a esquina da rua já era possível ver a construção negra e acabada. Apenas as paredes tinham ficado no terreno, todas as plantas e flores que sua mãe plantara perto da casa havia sido destruída. Mesmo sendo aconselhada por Pietro a não entrar, Alexa caminhou até a porta e a abriu. O vazio tomava conta do espaço. Não havia mais cozinha, ou sala, estava tudo coberto de preto e fuligens. Ela andou até onde era a cozinha e procurou com os olhos pelo corpo da mãe, mas não tinha nada ali, nem na sala; haviam retirado os corpos.

“Vamos embora, não é seguro ficar aqui.” –Pietro chamou.

“É minha casa.” –Alexa respondeu, indo em direção a escada.

“Tudo pode desmoronar em cima de nós.”

Mas ela o ignorou. No segundo andar o estrago não era tão grande e o piso parecia mais firme. Ela foi em direção ao quartos dos pais, talvez na expectativa de encontrar um dos dois... Mas não havia ninguém. Olhar para aquele cômodo onde tantas vezes já vira sua mãe, se arrumando, dormindo, ou até mesmo chorando após brigar com seu pai, e agora não a ver, trouxe uma dor inesperada para Alexa.

Algumas lágrimas caíram do seu rosto e pingaram no chão, deixando pequenos círculos brancos no chão empoeirado. Ela fechou os olhos e tentou lembrar a última visão que tinha de sua mãe, dela sorridente e radiante, cantarolando enquanto plantava margaridas em frente de casa, o sol batendo no seu rosto, a brisa suave...

Um estalar de madeiras a despertou do seu devaneio pessoal. Ela se inclinou e olhou pela porta para o corredor, talvez Pietro tivesse subido e a ultima coisa que ela queria era que ele a visse chorando. Todavia não havia ninguém no corredor. Ela deixou o quarto dos pais, fechando a porta. Enquanto estava de costas para o corredor ouviu novamente os estalos; eram como passos secos na madeira.

Rapidamente se virou querendo saber quem fazia aquilo. Um vulto rápido passou ao seu lado, descendo as escadas. Um calafrio subiu pela sua nuca. Não queria mais ficar ali.

No andar de baixo, Pietro a esperava e quando a viu descendo sorriu aliviado.

“Podemos ir?”

X

“Você achou que sua casa estaria em perfeito estado e que poderia voltar a morar lá?” –Pietro perguntou.

“Achei que poderia haver algo não destruído.” –Ela deu de ombros.

Pietro riu, quase derrubando a lata de óleo.

“Sorte da casa ainda esta de pé. Mais sorte ainda do fogo não ter espalhado por toda vizinhança.”

Alexa ficou em silêncio. O segredo do incêndio morreria com ela, ninguém poderia saber o que ocorreu naquela noite.

“Eu estava pensando se você não poderia me arranjar um emprego com você.”

Pietro levantou uma sobrancelha e a olhou.

“Assim você não pagará tudo sozinho. Eu sei que não deve ser fácil ter que sustentar sua família interia...”

Ele parou no meio da calçada e a olhou serio.

“Eu nunca me queixei disso. Todos os dias eu acordo e penso que devo ajudar minha mãe e nunca reclamei um dia se quer disso.”

“Eu...”

“Você não sabe nada da minha vida, minha e de minha mãe.” –Ele deu um passo a frente e apontou para ela- “Não pensei que só porque esta morando em casa que pode opinar.”

“Não acho. Sinto muito, não farei novamente.” -Os dois ficaram se olhando por longo tempo, até que ele fungou e voltou a andar.

Em frente a casa estava parado um carro preto e dois homens de terno conversavam com Valéria. Ao ver aquilo, Pietro deu a lata para Alexa e correu até a mãe. Não era comum ver carros naquela região da cidade, então à atividade era no mínimo suspeita.

Quando Alexa se aproximou, os dois sujeitos conversavam sobre o clima enquanto Pietro discutia com a mãe dentro da casa.

“Ofereceram-me um passei pela cidade, acredita nisso?” –Valéria sorria.

“Desde quando a polícia se preocupa com isso?”

“O que está havendo?” –Alexa perguntou, ponde a lata na mesa.

“Vieram te buscar querida.”

“Quem?”

“Os responsáveis pelo orfanato, aparentemente não posso ficar com você já que não sou parente de sangue ou guardiã.”

Alexa olhou para os homens do lado de fora e depois para Pietro.

“Você não pode se tornar minha guardiã?” –Ela perguntou.

“Oh não. Isso requer muito dinheiro e burocracia.” –Valéria negou com a cabeça, espantando a ideia incomoda- “Vai ficar bem, querida. Haverá outras meninas órfãs como você, e todo o gasto serão do responsável.”