Notas iniciais
Obrigada aqueles que estão acompanhando a fic e curtindo... ^--^

O vento fresco soava, trazendo com ele a neblina rasteira e o inverno para Marenot. Alexa já se sentia melhor e não queria mais ficar na cama, na sua casa ela era encarregada de quase tudo, cozinhar, limpar, arrumar, já era acostumada a fazer as coisas. Então, quando Valéria começou a preparar o jantar ela logo se dispôs a ajudar.

“Você pode estender as roupas no varal, secarão logo com esse vento.”

No fundo da casa, em um pequeno quintal, ficavam os varais feitos de corda. Mary e Barth brincavam de caçar insetos no tronco de uma árvore que já estiver viva. Com Alexa apareceu eles nem notaram, mas quando esta começou a pendurar as roupas os dois gritaram com o susto de sua presença.

“Não me viram chegando?” –Alexa perguntou rindo.

Os dois ficaram de cara feia e voltaram a se ocupar com os insetos.

“Não vão encontrar insetos ai, a árvore está morta, precisam de uma árvore viva.”

“Como sabe disso?” –Um dos dois perguntou.

Alexa deu de ombros e sorriu.

“Coisas vivas não ficam em coisas mortas.”

Os gêmeos se entreolharam e olharam para a árvore. Percebendo que a garota estava certa, também porque até aquele momento não tiveram sucesso, largaram os gravetos e foram até ela.

“Como sabe disso?” –Mary perguntou.

“Eu apenas sei.”

Alexa terminou de prender a ultima peça de roupa, pegou o cesto de palha e olhou para os dois.

“Ela deve ser uma bruxa.” –Barth sussurrou no ouvido da irmã.

“O que disse?” –Alexa perguntou.

Os dois riram e saíram correndo para dentro da casa. Alexa acompanhou com os olhos as crianças até perdê-los de vista. Ela então suspirou e entrou na casa, indo para a cozinha.

“Pronto.” –Disse pondo o cesto no chão- “Só precisamos ficar atentos com a chuva.”

“Muito obrigada querida.”

“Está fazendo sopa?”

“Ensopado sim, Pietro adora.” –Ela fez uma pausa e jogou alguns temperos na panela- “Talvez levante seu humor.”

“O que houve?”

“Bobagens.”

Alexa viu alguns nabos sobre a pia e decidiu cortá-los para Valéria.

“Eu agradeço muito por me acolher.”

“Não precisa agradecer, sei que sua mãe faria o mesmo por mim.” –Ela limpou o suor que escorria pela testa, causado pelo vapor quente que saia da panela- “Lembro-me como se fosse ontem... Ela com aquele barrigão andando para lá e pra cá, nunca estava quieta. Eu dizia: Esse bebe vai nascer andando. Ótima pessoa.”

Os olhos de Valéria viajaram no tempo, e quando voltou para o momento, uma lágrima escorreu no canto direito.

“Que tragédia meu Deus.” –Ela limpou a lágrima e voltou a mexer o caldo- “Mas chega de falar disso. Arrume a mesa para mim, sim querida.”

Alexa assentiu e obedeceu a ordem. Os pratos ficavam no armário em cima da pia, ela pegou cinco e mais os talheres. Distribuiu a louça pela mesa e quando o caldo estava pronto, foi para a mesa também. As seis em ponto, Pietro chegou em casa, os outros membros foram se arrumando enquanto ele ia se lavar. Antes de sentar, Valéria arrumou o prato que estava na ponta, trazendo para a cadeira ao lado.

No jantar, Valéria serviu todos os pratos e por ultimo o dela e antes de comer agradeceu pela refeição que estavam tendo.

“Como foi hoje querido?”

“Como qualquer outro dia, cansativo.” –Pietro respondeu.

“Que bom.” –Ela forçou um sorriso.

“A sopa está muito boa.” –Alexa elogiou.

“Obrigada, o segredo é a pimen...”

“É claro que está, é de graça.” –Resmungou Pietro.

“Pietro!” –Sua mãe chamou atenção. Todos da mesa ficaram quietos e com os olharem voltados para o garoto.

“Estou errado?” –Ele encarou Alexa- “Ela vem para nossa casa, come nossa comida, dorme na nossa cama! E o que ganhamos com isso?”

“Isso não é modos de tratar a visita.”

“Visita? Então ela vai embora?”

Valéria hesitou em responder, mas desistiu.

“Se minha presença lhe incomoda, eu partirei amanha.”

“É, incomoda sim.”

“Basta Pietro! Isso não são modos.”

“Modos? Olhe para ela” –Ele levantou e apontou para a garota a sua frente- “Seus pais morreram e come como se nada tivesse acontecido!”

“Chega!” –Valéria gritou batendo os punhos na mesa.

“Ela é bruxa!” –Mary exclamou.

“Basta! Todos calados!”

Todos pararam e olharam para Alexa, que encarava seu prato cabisbaixa. Pietro sentou e olhou para a mãe, que estava vermelha de raiva.

“Alexa é da nossa família agora, deixe-a em paz.” –Ela respirou fundo- “Que bobagem é essa Mary, onde aprendeu a chamar as pessoas de bruxa?”

Mary olhou para Barth, que olhou para Pietro.

“Pietro contou a história da bruxa que comia criancinhas.” –Ele apontou.

“Por que contou histórias para seu irmão?”

Pietro suspirou e empurrou o prato, levantando-se em seguida.

“Volte para a mesa, vamos terminar nosso jantar.”

“Não estou com fome.”

“Pietro!” –Valeria chamou, mas foi ignorada. Ela então se levantou e recolheu os pratos para lavar.

Suas mãos tremiam e seu rosto estava vermelho, mas ela abaixou a cabeça e começou a lavar a louça da janta. Alexa terminou de retirar as outras louças e foi ajudar com a bagunça.

“Valéria, eu sinto muito.” –Ela sussurrou.

“Não sinta.” –Ela limpou os olhos- “Sou uma péssima mãe, não consigo ensinar meus filhos bom comportamento.”

“Não diga isso. Ele só está cansado.”

“Eu me referia às crianças.” –Valéria a olhou.

Alexa percebeu naquele momento que, por mais que brigasse com seu filho, ela concordava com o que ele dizia, e não estava errada. Ela seria um peso a mais, uma boca a mais e a ultima coisa que ela queria ser naquele momento era um incomodo para alguém.

“Eu vou procurar um emprego amanha, assim ajudarei com as despesas.”

“Sim, é o certo.”

“Precisa de mim?”

Valéria respondeu com o silêncio.

“Boa noite.”

No quarto, Alexa sentou na cama e olhou pela janela. A vista dava para a rua e o comércio da cidade, sentiu falta da sua janela que mostrava as montanhas e floresta; seu passatempo preferido era ficar horas olhando a paisagem. Sentiu falta também da sua cama, das suas roupas e da boneca de pano feita pela sua mãe.

Tentou se lembrar do incêndio e de como tudo começou, porém era apenas um borrão em sua mente, suas únicas lembranças daquela noite eram do fogo queimando sua pele e de achar que iria morrer. Se ao menos tivesse pegado suas coisas antes... Riu com a idiotice que havia pensado, estava tudo destruído, não estava?

Notas finais
Estou pensando em criar um tumblr para a fic, onde postarei fotos, músicas e cenários relacionados. Digam-me o que acham da ideia, eu ficarei muito grata.