A Escolhida

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Olá leitores! Vocês estão me deixando muito no vácuo ultimamente... Falem comigo! ~ Só queria pegar esse espaço para dizer que a fic está caminhando para o fim. Preparados?

Alexa comia seu pedaço de pão na soleira da porta enquanto assistia atentamente Orphélia. Ela havia voltado da floresta com um coelho branco abatido. Alexa não vira muitos coelhos brancos andando por ai, muito menos brancos. Ficou se perguntando onde ela havia achado aquele e até onde teria procurado.

Orphélia colocou o animal morto em cima de um toco de madeira, foi para dentro da casa e voltou com um tipo de faca, talvez uma adaga de cabo de couro, e mais três potes de porcelana. Ela nunca tinha usado aqueles, sempre dava para Alexa objetos de madeira feitos à mão. Depois de arrumar os três potes um do lado do outro, ela fez um pequeno corte com a adaga na garganta do animal, que deu seu ultimo suspiro. Alexa se arrepiou. O animal ainda estava vivo.

Delicadamente, ela encheu até a metade dos potes de porcelana com o sangue fresco e viscoso do animal. Quando acabou, fez um buraco na terra, em frente a casa, e enterrou o corpo do coelho não mais branco.

“O que vai fazer com isso?” –Alexa se levantou e a seguiu.

Orphélia deu a volta pela casa, colocando um pote na janela, outro na parte de trás da casa e o ultimo no meio dos galhos da árvore seca, onde Alexa havia posto seu vestido para secar.

“É uma pequena retribuição aos espíritos da floresta.”

Alexa olhou para o pote nos galhos que tendia a se desequilibrar e cair, mas que ficara imóvel.

“Espíritos da floresta?”

“Sim. Eles me protegem e protegem a você também.” –Orphélia caminhou de volta a casa- “Deve sempre agradecê-los pela proteção.”

“Como sabe que há espíritos?”

Orphélia espocou o que seria um sorriso, se não fosse pela sua penumbra seria de sempre.

“Alguma vez foi atacada ou se sentiu mal aqui?”

Alexa negou com a cabeça. Era sua resposta.

As duas entraram na casa escura e fria. Alexa sentou na sua cama e ficou olhando Orphélia arrumar suas coisas.

“Partiremos amanha cedo para o Mercado.” –Orphélia comentou- “Esteja preparada.”

“O que é o Mercado?”

“É o que o próprio nome diz.” –A mulher se virou para ela, segurava uma vela que deixava as sombras do seu rosto assustadoras- “Compraremos o que precisamos para seu ritual.” –Ela se sentou na frente de Alexa e pôs a vela no chão.

Um frio subiu por sua espinha, ela não gostava de ouvir aquela palavra, pois odiava se lembrar de que teria de passar por isso. Havia ainda muitas perguntas que gostaria de fazer, porém, acreditava que tudo seria respondido com o tempo.

“Quando você estava na cidade” –Sua voz era calma e baixa- “Você ia para a igreja?”

Alexa balançou a cabeça.

“O meu pai gostava de me levar, mas minha mão preferia ficar em casa. Com o tempo, ele começou a ir sozinho.”

Seus vizinhos sempre julgavam mal Alexa e sua mãe por não irem à missa nos domingos. Alexa não entendia o porquê. Ela não acreditava em Deus, pelo menos não no deus que a igreja a forçava a acreditar. Gostava de pensar que havia sim alguém olhando por ela e suas ações, assim como havia para cada pessoal em especial, e não um único só por todos.

“Para o seu ritual, eu preciso ter certeza que seu corpo estará vazio de qualquer crença ou fé. Você deve estar livre por dentro para estar livre por fora.” –Orphélia pediu para ela se ajoelhar a sua frente e respirar fundo- “Quando acontecer, o seu corpo será apenas seu, apenas você terá o controle sobre ele. Você decidirá se permite ou não a entrada.”

“E seu eu não permitir?”

“Então você estará sozinha.” –Orphélia se levantou e foi até a sua mesa e voltou algumas coisas na mão. Ela arrumou os objetos em volta da vela e voltou a se ajoelhar- “Negar tal vizita é negar as forças. Sem elas, você estará sozinha no mundo, sem nada para se apoiar, sem forças para prosseguir.”

Perto da luz, Alexa conseguiu ver melhor o que havia em sua frente. No chão, os objetos estavam dispostos formando um circulo: uma pena branca estava na frente de Alexa, apesar do vendo que entrava pelo vão da porta e o ar de sua respiração, ela não me movia. Ao lado da pena, uma pedra com um tom esverdeado ou azulado, ela não soube distinguir. Em seguida um ramo de raiz ou algo felpudo, poderia ser cabelo também. Em frente à Orphélia estava um amuleto parecido com uma moeda, mas com um furo no meio. E por último, um potinho de barro com algumas pétalas rosadas dentro.

“Feche seus olhos e respire fundo.”

Alexa obedeceu. Ela ouvia o vento soprando do lado de fora, os galhos e folhas das árvores balançando. Também ouviu o barulho de algo queimando na vela e depois um aroma adocicado subiu no ar.

“Continue respirando.” –Sua voz era calma e serena- “Quero que se imagine no meio da floresta. Não há ninguém por perto... mas você não está sozinha.”

Alexa começou a imaginar. No começo, as imagens eram empacadas e confusas, porém com o tempo foram ficando nítidas.

Ela estava no meio da floresta assim como Orphélia dissera. Estava anoitecendo, não estava nem escuro nem claro. Um crepúsculo. Ela estava nua, mas não sentia frio. Uma voz chamava o seu nome no fundo de sua mente, dizia palavras fortes e com ritmo, como uma música. A noite caiu, ela ainda conseguia enxergar a floresta, não estava escuro. Saindo pelas árvores, sombras começaram a dançar em volta dela. Eram vultos, fumaça preta, penumbras... Chamavam seu nome.

Alexa abriu os olhos. Orphélia a encarava com os olhos cerrados.

“É assim que será?” –Ela perguntou. Sua voz saiu rouca.

“Sim.” –Ela assentiu- “Eles viram até você, te convidarão a dançar e a unir-se a eles.”

“E depois?”

Orphélia deu de ombros.

Alexa olhou para a chama da vela que queimava o pavio.

“Orphélia. Por que você está fazendo isso? Por que está me ajudando?”

“É meu dever.”

“E se eu não quiser isso? Não quiser sua ajuda, não quiser permitir.”

“Sem a minha ajuda, elas virão até você do mesmo jeito e será pior.”

“Pior?” –Alexa olhou para ela.

Naquele momento, Orphélia gritou o pior som que Alexa já tinha escutado, uma mistura dos piores sons do mundo. Ela se levantou rapidamente e pulou para cima de Alexa. Seus olhos estavam arregalados e seus dentes ficaram pontudos. Ela empurrou seus ombros para trás, fazendo-a afundar no chão como água, caindo na escuridão profunda.

“Será pior.” –Disse Orphélia.

Elas haviam voltado para a casa que estava do mesmo jeito que antes.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.