A Escolhida

10 Capítulo 10


Notas iniciais
-> my-green-fics.tumblr.com —> Esta semana eu viajarei, mas estou programando no site alguns capítulos para que vocês, amados leitores, não fiquem sem. —> Queria dizer também que estou amando muito escrever essa fic, e espero que vocês estejam gostando também! Podem me chamar de louca, mas estou até pensando em uma segunda temporada...

“É como uma tradição aqui, todo final de mês.” –Meg comentou enquanto batia os ovos.

Ela e Alexa estavam na cozinha preparando torta de maças para as meninas do orfanato. Meg explicara que todo final de mês, Margô lhe cedia à cozinha para ela cozinha. Meg adorava cozinhar, conhecia várias receitas e não se importava em gastar sua tarde no fogão. Alexa, por sua vez, não queria ficar sozinha, então foi ajudar a nova amiga.

Dês da partida de Elisa e do encontro no sábado, ela e Meg ficavam mais próximas. Meg não tinha amigas no orfanato e não se importou nem um pouco com a nova companhia. Na verdade, já considerava a garota como uma irmã, lhe contando tudo quando precisava desabafar ou apenas reclamar da vida; o que ela fazia muito.

Por que Meg, ao contrário de Elisa, odiava o orfanato e qualquer coisa relacionada a ele, suas regras, as pessoas, Margô. Sempre dizia que na primeira oportunidade que tivesse fugiria daquele lugar sem deixar um bilhete. Alexa não dizia nada; ela entendia que ficar presa em um lugar era ruim, mas fora dali, era um novo mundo, um mundo que ela ainda não estava preparada.

“O segredo são as maças. Elas devem ficar bem finas e descansar no açúcar.” –Meg explicava todos os detalhes para uma boa torta, e Alexa apenas assentia e obedecia suas ordens.

“Quem te ensinou a cozinhar?”

Meg limpou a mão de farinha no avental e arrumou uma mecha de cabelo que lhe caia sobre o rosto.

“Minha avó. Quando eu era menor, eu a via mexer na cozinha e acho que fui aprendendo visualmente.” –Ela pegou a massa já pronta e foi ajustando dentro da forma- “Ela sempre dizia que uma mulher conquista o homem pelo estomago.” –Ela sorriu.

“Minha mãe não sabia cozinhar.” –Alexa comentou.

“Não?” –Meg a olhou- “Seu pai deveria ser muito triste.”

“Minha mãe sabia fazer várias coisas, ela não se dava o trabalho de agradar meu pai. Ela dizia que era livre.”

“E ele dizia o que?”

“Ele não dizia nada. Ele sabia que não podia obriga-la a fazer as coisas.”

“Que estranho.” –Quando terminou de formar a torta, a pôs no forno com as outras- “Você sente falta deles?”

Alexa negou com a cabeça.

“Esta foi a última.” –Disse Meg batendo as mãos, ela sentou no banquinho de madeira e olhou para Alexa- “Você se sente sozinha?”

Alexa puxou outro banquinho de madeira para perto de Meg e sentou-se.

“Não mais.” –Ela sorriu.

“Sabe Alexa...” –Meg fez uma pausa e olhou para suas mãos- “Joseph me pediu em casamento.”

Alexa sorriu feliz pela amiga, mas Meg não parecia tão feliz assim.

“Ele quer ficar comigo, disse que quer passar o resto da vida ao meu lado.” –Sua voz estava baixa e meio rouca- “Mas veja” –Ela mostrou a mão- “Não posso nem usar uma aliança.”

Uma lágrima escorreu do seu olho direito e pintou no seu avental sujo de farinha. Alexa pôs a mão no seu joelho e sorriu, tentando acalmar a amiga.

“Eu estou presa aqui, Alexa.” –Ela limpou o nariz, que escorria- “Estou presa nesse lugar.”

“Você não está presa.”

“Não posso ficar com a pessoa que amo. E...” –Ela suspirou- “Eu o amo tanto Alexa. Sinto que perto dele serei a mulher mais feliz do mundo.”

Alexa não disse nada, não sabia o que dizer.

“Eu preciso ir embora. Não posso ficar mais aqui.”

“Acha que é a escolha certa?”

“Não sei.” –Meg negou com a cabeça, outra lágrima- “Eu não sei o que fazer.”

Meg começou a chorar em silêncio. As lágrimas caiam dos seus olhos, mas sua expressão continuava neutra, olhando para Alexa. Esta se levantou e abraçou a amiga, que deitou a cabeça no seu ombro.

“Se você sente que é a coisa certa.” –Alexa sussurrou.

“É a coisa mais certa que farei na minha vida.”

X

Quando as tortas ficaram prontas, Meg e Alexa as serviram para as garotas. Naquele tempo, as duas esqueceram o que havia acontecido na cozinha, comeram e se divertiram na mesa como se nada tivesse ocorrido. Aquele assunto morrerá lá.

Depois da refeição, Alexa foi para a aula de leitura. Uma professora de fora ia até o orfanato ensinar escrita e leitura as meninas. Ela sempre trazia vários livros e distribuía em cada carteira. Todas deviam fazer a leitura em silêncio e ora ou outra a professora escolhia uma garota para ler um parágrafo. Depois de ler, as meninas deviam escolher algumas passagens do capítulo e reescrevê-los em folhos especiais.

Quando a aula acabou, Alexa foi até seu quarto se preparar para o banho. Por ser algo coletivo, ela esperava ter o mínimo de garotas no banheiro para poder usar. Ela não se demorava muito, então não tinha problema com o tempo, mas abominava a ideia de que a qualquer momento alguma garota poderia vê-la nua acidentalmente.

Era noite quando Alexa chegou ao seu quarto. Ela já se acostumara ao ver vazio e silencioso. Ela arrumou suas coisas para o dia seguinte e se preparou pra deitar. Já na cama, em baixo dos cobertores, ela ficou olhando para o teto e lembrando-se dos momentos com Elisa.

“Você é uma garota especial Alexa.”

“Por que mãe?”

“Veja como você é inteligente, esperta. Tenho orgulho de ter te gerado e trazido a este mundo.”

“Eu também tenho orgulho de ser sua filha.”

“Você é uma garota especial Alexa.”

“Você é uma garota especial Alexa.”

“Você é uma garota especial Alexa. Tenho orgulho de ter te gerado e trazido a este mundo.”

“Quando você crescer, será tão especial, perfeita!”

“Veja como você é inteligente, esperta.”

Sua mãe lhe beija-lhe a testa e sai do quarto, apagando a luz.

“Mãe?” – Alexa chamou na escuridão, mas não houve resposta- “Mãe!”

“Aproximem-se!”

Alexa olhava a cena de cima, como se voasse. Era uma clareira na floresta, algumas tochas iluminavam o lugar. Uma mulher encapuzada estava parada no centro de um circulo feito de pó branco. Dentro do circulo havia também um V com um traço no meio. A mulher gritava para os céu palavras que Alexa não sabia identificar.

“Aproximem-se!”-Ela estendeu os braços, convidativa.

Do meio da escuridão, duas outras mulheres saíram puxando um corpo pelo braço. Elas o arrastam até o centro do circulo, onde a mulher de preto estava, e o jogam no chão.

“Hoje, nesta lua sangrenta, a alesul!”

As duas outras mulheres gritaram e urraram para o ar. A mulher de preto tira o capuz, revelando seu rosto sem face. Ela não tinha sobrancelhas nem olhos, no lugar apenas a pele pálida. Sua boca era rocha e seus dentes amarelados e pontudos. Com a mão direita ela segurava uma adaga, com a esquerda, puxou a capa que cobria o corpo a sua frente, revelando o ser para as outras mulheres.

O corpo nu e pálido estava de costas para todas, caído no chão. As duas mulheres imediatamente foram até o corpo e o ergueram, deixando-o ajoelhado de frente para a mulher da adaga. Não era apenas um corpo, mas sim uma mulher. Os cabelos longos cobriam o rosto, encobrindo sua identidade. Porém, era possível ver um movimento sutil no seio esquerdo, marcando os batimentos cardíacos.

“Que o sacrifício seja feito! Que o sangue alesul banhe esta terra! Que sirva de oferenda ao ser que nela habita! Que nutra suas entranhas! Que alimente sua inanição! Que purifique seus desejos! Nesta noite, eu ofereço está alma como oferenda ao Inominado! Que receba este sangue virgem!”

Com um movimento rápido, a adaga corta a garganta. O sangue quente e puro começa a escorrer da cavidade, manchando todo o corpo pálido e banhando o a terra de vermelho. Uma onda sonora de gritos e urros enche o local. O fogo das tochas começa a arder mais forte.

“Está feito!” –A mulher sem rosto grita- “Oh Inominado! Que suas estranhas recebam este sangue! Beba deste sangue que lhe ofereço!”

Notas finais
O que vocês estão achando da fic?? Falem comigo, amo feedback!