— Mitchell trabalhava no hospital em que você nasceu. Apenas para poder aplicar o Drozium nas crianças. Foi aplicado em vinte e seis recém nascidos. Todos morreram.

— Ou não...

— (risos) Exatamente Lucy, ou não... Era impossível para a gente pensar que você estava viva. Mas não encontramos nada que comprovasse que você estava morta. Aí fomos atrás para saber melhor.

— E... – Mitchell chegou na hora em que eu perguntaria sobre o porque de tudo. E também sobre meu pai.

— Me desculpem, ouvi um pouco da conversa e não pude deixar de te contar algumas coisas também. — Claro.

— O propósito do Drozium se desse certo, seria um dia, todas as pessoas terem essa mesma substância no corpo, sendo muito menos vulnerável a várias doenças. Mas só você sobreviveu, então provavelmente é você que tem algo diferente, algo que o Drozium se instale e não danifique seu organismo. Entende?

— Sim, isso foi a primeira coisa que fez sentido até agora (risos). – Estava com medo de dizer algo que fosse cômico pra mim e sem graça para eles.

— Mas o que tem de tão sigiloso nisso? Eu entendo, mas o governo deveria ajudar. – Perguntei mostrando totalmente meu interesse.

— Passou longe, o governo primeiramente não pode fazer as coisas escondidos, mesmo fazendo. Até porque muitas pessoas morrem com isso. A questão é que se o governo descobrir, eles vão pega-la para eles, vão estudar você, assim como nós, mas eles não ajudaram a população com isso, e nós queremos ajudar.

— Ok, eu entendi. Mas, e meu pai? Posso ajudá-lo? Duncan me disse que poderia. – questionei esperando o sim que me deixaria extremamente feliz.

— Confesso que usamos algumas estratégias para trazê-la até aqui. Mas calma, existe um jeito. Mas é como eu disse agora pouco, o Drozium pode matá-lo se ele não resistir igual a você, ainda mais doente, como ele.

— A menos que Lucy tenha herdado isso dele, geneticamente. – Disse Mark. — Sim.

— Vocês... Juram que vão fazer o possível para curá-lo?

— Claro Lucy, claro que sim. Agora descanse um pouco, Ok?

Mitchell e Mark saem do quarto, enfim, tempo para pensar.

Eu estava compreendendo praticamente tudo, e a minha maior questão era fazer o possível para curar o meu pai. Uma vez por semana ele faz seus tratamentos dos tumores no hospital, mas os médicos dizem que só se agrava cada vez mais e o risco de infecção generalizada é grande.

Sei que é uma situação difícil, mas se não conseguir, vou ter um remorso por pelo menos não ter tentado.

Já era quase noite, estava sozinha naquele quarto, depois de Mitchell e Mark, ninguém entrou. Precisava falar com alguém sobre quando iria embora, não poderia ficar muito tempo, ainda não sei como meu pai me deixou vir assim. Estranho.

Saí do quarto e vi algumas pessoas no corredor, um homem que me viu saiu rápido em frente. Vou atrás devagar, parecia ter ido chamar alguém. Perto dele havia uma mulher com um celular na mão que me olhou alguns instantes e depois voltou a fixar os olhos no celular.

Duncan aparece vindo em direção a mim.

— Está precisando de alguma coisa? – Perguntou Duncan que estava aparentemente ocupado naquele momento.

— Tá ocupado?

— Mais ou menos, você pode vir comigo se quiser. – Disse com um sorriso de canto, me senti importante. — Vamos andando Lucy.

— Eu só queria fazer umas perguntas...

— Tudo bem, é que estamos em reunião, você pode assistir, já que é tudo sobre... Você ( risos ) — Ok. — Aí depois conversamos.

Chegamos em uma sala, não era grande, igual a maioria das salas. Havia umas 7 pessoas, sem contar com Mitchell e Mark.

— Oi Lucy. — Oi.

— Essa é a Lucy, estávamos falando nela e ela apareceu não é? (risos) – Mitchell fez uma apresentação minha rápida a todos os outros engravatados que estavam ali. Todos me cumprimentaram sem muita demora.

Mitchell que estava na ponta da mesa, prosseguiu com o que estava falando.

— Estamos agora, estudando as coisas por fora da ciência. O governo não pode saber de nenhuma se quer pista. A segurança foi aumentada, e não está a vista lá fora. Estamos também corrigindo e melhorando as passagens pra cá.

— Como está o financeiro da fábrica?

— Está tudo certo, não está precisando de nada no momento, James. Só acho que temos que cuidar mais dos gerentes da fábrica, mas isso é uma discussão pra outro dia com o Robert, que não foi convocado hoje.

— Na questão do trabalho principal, vamos estudar mais a Lucy. Tudo bem Lucy, não vai ser nada demais (risos)... Por conclusões óbvias, o Drozium é muito forte e só sobreviveu em um organismo dos 26 pacientes. Penso que a Lucy tem uma genética compatível com o Drozium.

— Como pretende aplicar o Drozium sem riscos, tem alguma idéia? –Perguntou um outro homem, ao fundo.

— É uma pergunta bem direta e difícil, já que nem começamos a estudar, mas, sempre temos planos. Temos que fazer misturas primeiramente. Diminuir a força do Drozium e colocar o sangue dela junto. Estudamos isso e vemos como funciona. Modificar o Drozium pode não ser tão fácil mas da pra tentar e pode até funcionar, mas não tão bem quanto está funcionando na Lucy... A outra solução é retirar células diretamente da genética. Isso é muito mais difícil, muito mais complicado, mas se conseguirmos... Está pronto.

— Acha que consegue retirar genética dela? – Perguntou Mark, e eu já estava assustada.

— Talvez. Como eu disse, modificar o Drozium seria muito mais demorado, coisa até de anos, exige muito trabalho. Mas se retirarmos a genética, não há mais o que fazer, vai estar pronto e é só aplicar. Além de podermos modificar a genética e melhorar.

— Isso se a causa do Drozium ter dado certo nela for realmente a genética. – Falou Duncan que estava ao meu lado.

— Tenho certeza disso, pelo que eu vi no sangue é a única explicação. Alguém tem mais alguma pergunta?

O silêncio foi tomado, o que fez a reunião que já estava no fim terminar. Um a um foi saindo da sala. Mitchell também.

— Lucy, você queria conversar, vamos lá fora? – Duncan disse suave, mas não sabia onde era, “ lá fora “.

— Lá fora? Onde? – Perguntei desorientada.

— Fora da fábrica, aqui em cima. — Ah ta, é que nesse tempo que fiquei aqui, me fez esquecer que existe um ar livre (risos).

Subimos aquela escada caracol e lá em cima, Duncan coloca a senha, igualmente na entrada... 4500 14 180 016...

Então a porta se abre para o lado, uma parede falsa, saindo do “laboratório” estamos no estoque da empresa de estofados que, achava que era fachada mas ela funcionava mesmo. O disfarce ficava bem mais real assim, né?

A fábrica estava fechada então, não havia mais ninguém trabalhando naquele momento. Bem, mais ou menos, eu via alguns guardas nos cantos do local e em umas passarelas no alto do barracão, mas os trabalhadores do pesado não estavam mais. Acho que eles nem saibam o que acontece lá em baixo, ou se, sabem que existe lá em baixo.

Como já estava fechado, fomos até uma porta pequena de saída, que fica ao lado do portão principal que dá acesso a fábrica.

Duncan abre a porta.

— Enfim ar livre. – Disse botando todo ar pra fora e respirando fundo. Haviam guardas mais a frente, dentro de uma salinha. Onde controlavam a entrada de carros e caminhões. Para os lados, não vi ninguém.

— Na correria todos nós esquecemos de trazer você aqui fora, desculpa. — Tudo bem.

— Vamos dar a volta, atrás da fábrica tem umas árvores e alguns bancos. – Disse Duncan mais humorado do que geralmente é.

— Quanto tempo podemos ficar?

— Não muito tempo. Não podemos arriscar. –

— Ok.

Até chegar lá, fui tomada pelo silêncio.

Sentamos em um banco de madeira, em baixo das árvores que balançavam com vento no começo da noite. Era muito agradável.

— Aqui é um local até romântico, muito agradável considerando tudo. – A parte do romântico foi mais uma besteira que eu disse.

— Sério? É legal, na verdade, os caras que trabalham na fábrica almoçam as marmitas aqui (risos). Quebrei sua parte do romântico.

— (risos) Mais ou menos... Então, Duncan, voltarei amanhã a Toronto, né?

— É você quem decide, Mitchell fará o que precisa a tempo de você viajar amanhã. Se quiser mesmo ir, eu te aviso o horário amanhã, quando a passagem já estiver comprada. Ok? – Duncan estava falando diferente, mais educado, mais gentil. Acho que antes, estava muito estressado com o trabalho ou algo do tipo.

— Certo, pretendo ir amanhã mesmo. Meu pai me deixou vir de um jeito tão fácil, eu até agora não consegui entender. Meu pai confiou na minha responsabilidade mesmo, ou, ficou maluco (risos). — Normal, uma simples viagem com uma boa desculpa.

— Haha, não sei se é assim não Duncan. Mas meu pai sempre me deixou ir viajar com pais de amigos meus, porém, uma viagem sozinha assim, eu achei estranho... Ele também é tudo o que eu tenho, e, não consigo mais ficar muito tempo longe dele, queria muito curá-lo, mas sei que vai ser praticamente impossível.

— Calma Lucy, vai dar tudo certo, mas precisamos de tempo pra conseguir fazer as coisas conforme o novo planejamento. Vamos tentar atender seu pedido e ajudar seu pai, mas primeiro temos que trabalhar intensamente para deixar o Drozium pronto para ser injetado. Salvar vidas, curar e prevenir.

— Duncan... Não é perigoso o governo ou sei lá quem invadir minha casa procurando por mim? Ainda mais com meu pai sozinho...

— Lucy, pode ser perigoso mas contamos que ninguém saiba de você. Não demos pistas pra nada.

— Mas não poderiam por exemplo, fazer uma escolta na casa sem ele saber?

— (risos) Não é bem assim que funciona, mas eu entendo sua preocupação. Vamos entrar, já está na hora.

— Tudo bem, vamos.

Senti que Duncan ficou meio tenso quando perguntei sobre meu pai, não entendi. Mas assim como estava ansiosa para conhecer esse lugar, estou ansiosa para voltar para casa.

No outro dia...

— Lucy, Lucy... — O quê?

— Seu vôo é daqui uma hora e meia. – Disse Duncan na porta do quarto, estava dormindo.

— Por que não me acordou antes? — Me desculpa, acabamos de comprar a passagem. Não demora.

Como já estava devidamente atrasada, me arrumei rápido, parte das minhas coisas já estavam prontas. Logo saí do quarto com a mala, Duncan não estava lá, então não sabia se esperava ali mesmo ou no saguão. Ou até mesmo ir atrás dele.

Fiquei ali por um tempo, até Duncan aparecer bem lá na frente, no começo do corredor. Duncan faz um sinal pra mim, e vou até ele.

Depois de sair do laboratório e da fábrica, já do lado de fora, percebo alguns detalhes diferentes, como ontem estava noite não consegui prestar bem a atenção.

Havia um carro nos esperando, um diferente do que nos trouxe do aeroporto pra cá, mas esse também era luxuoso e preto.

No aeroporto, prestes a entrar no avião, percebo que Duncan não embarcará, como não tinha percebido isso antes?

— Por que você não vai?

— Não posso, tenho muitas coisas pra fazer, mas dois homens que já embarcaram vão estar atrás de você. Ah, já vai pensando na próxima desculpa, caso precise voltar. (risos)

— Ok, e, por que não me avisou que dois homens vão me acompanhar? – Perguntei falando mais baixo e perto dele. ­— Desculpa, esqueço certas coisas que não sou acostumado a comunicar.

Depois de um abraço de despedida, embarco no avião para Toronto. Vejo nas poltronas de trás os tais seguranças, que nada pareciam seguranças, eram fortes, mas usavam normais para obviamente disfarçar.

Ouvindo música a viagem inteira, o tempo passou rápido. Duncan, pela empresa, me deu uma grana para usar quando chegasse em Toronto.

Logo que entrei no aeroporto, peguei meu celular para ligar e pedir um táxi. Nesse momento, aqueles dois homens que estavam atrás de mim no avião chegam perto.

— Lucy, você vai com a gente, ok? – Falou o rapaz que estava com uma camisa azul escura, que por sinal, não era nenhum pouco feio. — Meu nome é Andrew e ele é Benny.

— Certo, eu já estava quase chamando um táxi. Prazer, Lucy, apesar de vocês já me conhecerem. Vão ficar aqui em Toronto mesmo?

— Aham. – Só ouvi a voz de Andrew, só ele me respondia, como se fosse o principal dos dois. Mas, eu era a principal para falar a verdade, isso era bom.

30 minutos de carro do aeroporto até chegar em casa, e bem perto, falo alto no carro.

— Até que enfim, parece que faz um ano que saí de casa, mas foi só dois dias, quase dois dias.

— Ok Lucy, vai ficar tudo bem aí né? – disse Andrew. — Espero que fique.

— Até mais Lucy, podemos aparecer qualquer hora por aqui. – falou o caladão. — Ah, ok... Ah... Desculpa.

— Benny.

— Isso, desculpa, me esqueci. Então, até mais.

O carro sai, e estava realmente em frente minha casa. Quanta agonia. Vou andando ansiosa e em alguns metros... Casa.

— Até que enfim... Cheguei. Estava com saudade Pai.

Estava gritando, mas ainda não tinha visto meu pai...

— Papai? ... Ta aí?

Começo a andar rápida e afobada pelos cômodos, mas ele parecia não estar em casa. E depois do que estava acontecendo comigo, só se passavam coisas ruins na minha cabeça.

Ele não saía de casa sozinho, só comigo, e era só para ir ao hospital.

— PAI, CADÊ VOCÊ?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.