A Escolhida.
6 Capitulo 6 - A minha quase perfeita fuga.
Notas iniciais
O dia estava chuvoso, Zoe tinha cerca de 8 anos e estava na casa dos pais. A menina vai a sala e vê seus pais gritando um com o outro como nunca. Annabeth está vermelha e Percy quase chora. Parece uma disputa de volume de voz. Zoe capta algumas palavras e até frases como : “ Não culpe a criança “ “ Você deveria ter se prevenido direito” “ Se os deuses a matarem ou fizerem qualquer coisa eu te mato.”
Nesse momento Zoe vira o rosto e vê uma mulher parecidíssima com sua mãe, um pouco mais velha. Ela sorri para criança e a entrega um ursinho. Zoe sorri de volta e segue a mulher até o quarto. Lá a mais velha se senta na cadeira próxima a cama e diz:
– Não deveria escutar a briga dos seus pais. – Sua voz lhe confortava. Era suave e delicada. – Eles te amam muito.
– Por que eles estão brigando? – Zoe senta no colo da moça e encaro o chão. Ainda agarrada ao ursinho que acaba de ganhar ela se reencosta na mulher e flecha os olhos.
Eu não sabia se estava sonhando ou relembrando o passado. Seja o que for agora não era hora de pensar nisso. Muita coisa havia acontecido e eu? Eu tinha dormindo por quanto tempo?
Devagar abro os olhos. Há muita luz no cômodo e preciso piscar vezes seguidas. Reparo que estou sentada em algo grande e macio, um tecido fino cobre minhas pernas. Finalmente consigo enxergar a sala. Estou na enfermaria, provavelmente.
Havia uma mesa de madeira branca no canto esquerdo do quarto com alguns aparelhos e flores. No outro lado um armário de vidro com vários remédios. Uma Janela enorme por onde a claridade. O lugar era branco meio esverdiado. O cheiro era de nostalgia pura. Vou passar a mão no cabelo e reparo que estou cheia de curativos na cara e minha mão esta com um tubinho por onde recebo o soro. E trocaram minha roupa. Quem? Como? Onde?
Mais uma vez a dor de cabeça me invade, muito forte. Olho para porta e vejo pessoas entrando. Uma delas é Thalia que trocara de roupa. (como ela estava ) Ela sorriu em me ver. Ao lado dela estava um homem de cabelos grisalhos, corpo um pouco envergado e uma expressão de cansaço. Ele segurava uma prancheta e usava jaleco, um médico. Thalia vez menção para que ele parasse de falar e ele o vez.
– Acordou dorminhoca! – Disse a madrinha que parecia bem melhor agora. – Pensamos que entraria em coma.
– Coma? – Aquela palavra despertou medo em mim. – Quantos dias fiquei desacordada?
– Uns dois dias. – Disse ela casualmente. O homem saiu nos deixando a sós. Que alívio devo dizer. – Seus pais vieram te visitar. Estão lá fora a manhã inteira, esperando você acordar.
– Não os devia ter chamado. – Eu volto a me reencostar na cama. – Eles vão surtar ao me verem.
– Isso eu devo concordar. – Thalia se senta na beira da cama. Seu cabelo está solto, o mesmo esta recaído em seus ombros dando um charme de adolescente roqueira. – Mas você se sente bem?
– Sim, mais ou menos. – Eu a encaro. – E Gabriela? – Digo sem pensar. Mas não é mesmo? E minha amiga | protetora filha de Afrodite? Como ela estava?
– Ela está bem. Repousando para acabar de se recuperar dos ferimentos mais chatos. – Thalia olha a bolsa e tira o celular.
– Celular? – É aquele papo de novo.
– Zeus permitiu que eu usasse um, ainda mais com você ai, crescendo e tal. – Ela ri enquanto meche no celular. – E ele esta protegido, queridinha.
– Posso ter um? – Sempre quis ter um telefone, mas nunca pude. E agora? Será que vou poder? Não custa tentar. Thalia me olha e ri.
Ficamos ali rindo. Coisas que nunca pensaria em fazer com uma menina, ficar atoa e conversar sobre o que vier a cabeça. Mas se bem que com Thalia era mais uma conversa entre velha e nova. É. Nesse momento meus pais entram. Eles me enchem de abraços e beijos e eu te amo.
– Você está bem? – Pergunta minha mãe. – Thalia? – Mas minha madrinha só ri e faz que sim com a cabeça.
– Mãe! Pai! – Digo fazendo ele se calarem. – Poupem me de seus afetos agora, eu quero saber como vão as coisas e quando irei sair daqui. – Sim, eu sou chata e arrogante e, principalmente, vou direto ao ponto. Annabeth e Percy se entreolham e então olham para Thalia, depois para mim. Uma troca de olhares muito suspeita. Por fim meu pai começa a dizer.
– O acampamento foi submetido a uma espécie de quarentena. Os campistas foram transferidos para o Acampamento Jupiter de acordo com Quíron. Um lugar onde eles ficaram seguros. – Ele olha minha mãe. – Dionísio decidiu que o acampamento devesse ficar em observação, para evitar entrada de monstros. Talvez demore um pouco até eles conseguirem...
– Pera! – Interrompo. – Estão me dizendo que Sr. D e Quíron resolveram fechar o acampamento para prevenir mais ataques de monstros? — Olho para o chão com a minha visão embaçada. – Tudo isso por minha causa? – Sussurro um pouco alto.
– Querida não foi por sua causa. – Disse Ann. – E sim pelo terrível acidente.
– Que aconteceu por minha causa. – Levo as mãos ao rosto e choro. Tudo isso por minha causa. – Por favor me deixem sozinha.
– Zoe... – Thalia começa a dizer algo mas a atrapalho.
– Me deixem sozinha. – Grito bem alto. Eles saem, de cabeça baixa.
Tudo está confuso. Por que iriam atrás de mim? Só por eu ser uma das poucas crianças da segunda geração? Nesse momento por coincidência do destino me lembro do que o menino de olhos vermelhos dissera :” Ela tem poderes ” Era isso? Poderes?
Sim, eu tenho muitos, bem fortes devo mencionar. Mas sempre que os uso fico com tremedeiras ou faço um pequeno terremoto. Porém nada de especial, levanto e controlo a água de vez em quando ou até bolo alguma estratégia em minutos. Será que eu tenho mais poderes que imagino? Ou que esses são mais fortes?
Graças aos meus hormônios adolescentes uma súbita tristeza e culpa me invadem. Minha mente gira em um turbilhão de coisas novamente. Pensamentos triste como a morte do garoto, o acampamento em uma espécie de quarentena e minha amiga Gabriela. Sério Zeus? Como não modificou os semideuses para podermos controlar as emoções? Choro novamente. Chega de sofrimento, por favor! Suplico a minha consciência. Tudo é minha culpa. Primeiro acabei com o amor entre meus pais, depois com a vida de um inocente e quase matei Gabriela, por fim o acampamento. Que diabo de menina eu sou?
Não farei ninguém sofrer nunca mais, pensei enquanto me levantava. Procurei minhas roupas e quando as encontrei, vesti. Deveria escapar e sumir do mapa. Pela porta não, meus pais poderiam estar no corredor e se me virem já era o plano. A janela, pensei. Demorei para abrir mas quando consegui um vento frio se chocou contra meu corpo. Olhei para baixo, por sorte estava alguns metros de distancia do chão. Passos ecoaram no corredor. Era agora ou nunca. Subi nela e pulei.
A queda foi rápida e dolorosa, meus músculos ainda se recuperavam da surra que levei ao enfrentar a Empousa no Anfiteatro. O dia estava bonito, o céu azul e pessoas andavam pela rua. Sorte minha estarem ocupadas demais com suas vidas para cuidar da minha. Me levante e comecei a caminhar sem rumo. Segui reto pela calçada do hospital e depois virei a esquerda, depois a direita. Tudo parecia tranqüilo até que cheguei perto de um beco. Lá uma senhora tinha caído de sua cadeira de rodas e pedia ajuda. Bem, fui ajuda é claro.
– Aqui. – Disse oferecendo lhe a mão. Ela sorriu, um sorriso exageradamente maluco. De repente sua cara começou a ficar rocha e ela disse ainda na voz da velhinha.
– Filha de dois semideuses. – Ela agora apertava meu pulso enquanto assumia sua verdadeira forma. A chutei na cabeça várias vezes até não alcançar mais. Depois ela me soltou do nada. Então comecei a correr para longe do beco. Mas da rua eu escutei.
– Vamos brincar de pique pega. – Nessa hora eu me virei para traz e o monstro corria a traz de mim. Pensei o que os humanos estariam enxergando já que abriam espaço enquanto ela passava. Bem, corro o mais rápido que posso dobrando para direita ou para esquerda e desviando das pessoas. Estava movimentado demais, as pessoas começaram a me encarar. Sem escolha entrei em uma ruazinha estreita.
Cai mas me levantei na hora H. A senhora de cadeira de rodas, atualmente um monstro enorme, chegara ao meu encalço e eu não tinha uma arma de bronze celestial. Pego um cano e bato na cabeça dela, sem efeito. Depois ameaço ir em cima dela mas corro para o outro lado do beco. Assim que saio atravesso a rua correndo e quase sou atropelada. Mas pelo menos a despistei. Ainda corro.
Depois de alguns minutos diminuo a velocidade e olho para trás e me choco com alguém e caio com tudo no chão. Caio de costas e me contorço de dor. Depois abro os olhos e vejo com quem esbarrei. E, graças aos deuses, era o menino que me derrubara no acampamento e ajudara a carregar Gabriela.
– Você? – Grito me levantando num pulo. – O que faz aqui? Me seguindo? – Em vez de responder ele geme de dor, devo ter dado uma pancada muito forte. O ajudo a levantar e recolher suas compras, que por acidente tinham se espalhado na calçada. – Desculpe me.
– Que nada, eu estou acostumados a esbarrar e ser derrubado por semideusas. – Diz ele ironicamente com um sorriso lindo. Se controla. Depois ele responde: — Eu moro por aqui, voltei depois que o acampamento meio que fecho eu voltei. – Fico vermelha mais uma vez. – O que ouve?
Nesse momento escuto buzinas e freadas e me lembro do monstro. Ao apreensiva e digo : — Estou sendo perseguida por um monstro que nunca vi antes. – Olho para o fim da calçada e consigo perceber a movimentação estranha das pessoas então o puxo – Preciso de um lugar pra ficar. – Digo enquanto corro.
Corremos alguns metros até a casa dele, um pequeno apartamento em uma rua pouco movimentada. Para minha surpresa ele tem várias trancas na porta para reforçar a proteção.
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