A Escolha É Sua! Essa Foi A Minha! Romance Lesbico
5 Capitulo 5
Notas iniciais
Amy
Olhar aquela foto me trazia tão boas lembranças que eu ficaria olhando ela por horas e horas sem me cansar, aquela foto de três anos atrás tinha a imagem de mim, Juliet e Henry ou Henrique como preferirem, estávamos de frente pro mar de costas pra câmera, aquele foi um dia que eu nunca vou me esquecer, jamais. Coloco o porta retrato no lugar que acho que fica mais adequado e pego um quadro com um desenho meu e da minha ruiva, fico pensando onde posso pendura-lo e o coloco na parede onde fica a cama junto a outros dois quadros. Fui arrumando o quarto aos poucos e quando finalmente terminei já era meio tarde, desci pra cozinha para encontrar Juliet que havia ficado de arrumar a parte de baixo da casa.
–Conseguiu terminar tudo, more?
–Sim, está com fome? — ela perguntou.- Porque se estiver eu estou fazendo algo pra gente comer.
–Claro, nunca imaginaria que se mudar daria tanto trabalho- falo me sentando no balcão.
–Nem eu, não quero desempacotar caixas tão cedo- ela respondeu ficando na minha frente.- Mas pensando bem, eu viveria isso tudo de novo só pra sentir a sensação de liberdade e felicidade de novo- ela sorriu e me deu um selinho.
–E o melhor vem amanhã, no nosso aniversário de três anos de namoro- fiz sinal pra que ela sentasse no balcão comigo.
–Você acha que eu não sei? Acho que pensei que nunca iria tão longe num namoro, principalmente com uma garota, com uma mulher.
–Eu sei disso- coloquei uma mecha do seu cabelo pra trás e peguei no seu queixo puxando o rosto dela pra mais perto do meu.- Nem eu imaginava isso, principalmente pra uma garota como eu patricinha e mimada.
Ela sorrio e em seguida falou:
–Você não é mais assim, você mudou e eu prefiro do jeito que você é hoje.
Ela mordeu meu lábio inferior e depois me beijou, um beijo com intensidade, direcionei minhas mãos para sua cintura e as dela foram para o meu pescoço. Ela sentou no meu colo, eu estava prestes a tirar a camiseta dela quando sentimos um cheiro de queimado.
–Merda o macarrão!- ela foi para o fogão e desligou o mesmo.- Legal, nossa comida já era.
–Vamos pra uma opção bem melhor que macarrão, que tal pedir uma pizza- abracei ela por trás apoiando minha cabeça no seu ombro.
Ela deu um longo suspiro.
–Só hoje e eu quero portuguesa- ela disse se virando.
–Mas...- ela me interrompeu.
–Sem mas, foi você quem me fez queimar o macarrão- ela pega o celular e disca o número da pizzaria.
Depois de pedirmos a pizza, limpamos o macarrão queimado da panela. Quando ela chegou subimos para o quarto e comemos a pizza assistindo um filme qualquer na tv. Juliet dormiu no meio do filme, tirei o copo vazio de sua mão e a cobri, deixei toda a louça na cozinha e depois subi de novo.
Deitei na cama e abracei minha princesa, sussurrei no ouvido dela:
–Eu te amo.
–Amor, eu também te amo- ela segurou a minha mão.
No meio da noite podia sentir Juliet se mexendo muito na cama, quando ela acordou assustada e chorando.
–Meu amor, o que foi?
–Eu....eu...eu vi ele de novo...eu vi ele de novo Amy....ele estava lá, ele me matou- ela falou se jogando nos meus braços.
–Quem te matou?
–Eu não sei quem ele é.
–Vem deita aqui, vamos dormir- depois de muito tempo fazendo cafuné pra ela dormir, ela finalmente caiu no sono.
No dia seguinte decidimos que cada uma iria sozinha comprar o presente de três anos de namoro, depois nos encontraríamos em casa. Levantei cedo e me arrumei, tomei café e deixei o da Juli pronto. Peguei um táxi até o centro da cidade, aproveitei o transito e liguei para confirmar a reserva no restaurante de um amigo que havia feito semanas antes de nos mudarmos.
–Alô? Thomas?
–Sim.
–Só quero confirmar a reserva.
–Está tudo certo Amy, pode ficar tranquila.
–Como posso ficar tranquila sabendo que vão fazer três anos que estou com minha namorada? Tudo tem que sair perfeito.
Quando termino de falar vejo o taxista me olhar feio, eu apenas lhe dou um sorriso e continuo a conversa:
–Mesmo que tudo de errado ela vai continuar com você, e a você sabe muito bem disso.
–Eu sei, só que vai ser uma coisa muito especial, não quero que nada de errado
Juliet
Estava sentindo que alguma coisa de ruim poderia acontecer, da mesma forma que senti quando tudo aquilo aconteceu, achei melhor não ignorar tanto dessa vez afinal era meu aniversário de três anos de namoro, nada poderia dar errado. Desci de manhã já sabendo que Amy havia saído, tomei o café da manhã que ela tinha deixado pra mim e fui para o banho. Decidi que faria uma carta para deixar junto ao presente. Após terminar a carta fiquei esperando o táxi que havia chamado, quando ele chegou entrei super animada e falei o lugar pra ele. Ele nem ligando muito pra minha animação continuou a dirigir, o único problema é que ele estava acima da velocidade, a sensação ruim voltou com muita força, pedi pra ele desacelerar um pouco só que ele não me deu ouvidos. Passou por três sinais vermelhos, quando ele ia passar pelo quarto sinal vermelho sinto uma dor muito forte. Quando olho pra frente eu vejo o taxista desmaiado com a cabeça no volante, tento me mexer só que é uma tentativa falha, não conseguia falar, meus olhos começaram a pesar e eu desmaiei.
Amy
Estava saindo da loja de alianças mais famosa da cidade quando recebo uma ligação:
–Alô, quem fala?- pergunto.
–Aqui é do Hospital Lenner, a paciente Juliet acabou de dar alta- uma voz masculina falou do outro lado da linha.
–Já estou indo- saí dali o mais rápido possível e peguei um táxi.
Quando cheguei me informei onde ela estava e me sentei para esperar noticias como a mulher da recepção me pediu. Liguei para o Henrique para avisar oque havia acontecido. Depois de trinta minutos ele chegou, quando me viu veio na minha direção e me deu um abraço.
–Vai ficar tudo bem- ele disse me confortando.
–Não sei oque vai acontecer se eu perde-la- derramei as lágrimas que estava segurando desde que cheguei.
Depois de longas horas ali o médico veio nos dar alguma noticia sobre o estado dela.
–Responsáveis pela paciente?- ele perguntou olhando pra nós, já que éramos as únicas pessoas ali.
Assentimos com a cabeça.
–Ela está em coma, e provavelmente não ira sobreviver.
Aquilo pra mim foi como um facada no peito, cai no chão chorando como nunca havia chorado antes, Henrique me ajudou a levantar e agradeceu ao médico que saiu logo em seguida. Ele me colou sentada em uma das cadeiras que havia ali, coloquei a minha cabeça em seu ombro e ele fez carinho na minha cabeça.
–Fica calma, vai dar tudo certo, ela é forte- ele deu um sorriso fraco e beijou o topo da minha cabeça.
–E se não der? Vou perder a mulher que eu amo pra sempre? Por favor, me diga que isso é apenas um pesadelo- chorei mais ainda.
Após me darem um calmante Henry me deixou em casa, eu estava simplesmente acabada, não consigo me imaginar sem ela, está indo tudo tão bem.
Me deitei na cama sentindo o cheiro do seu perfume, aquilo fez com que eu derramasse mais uma lágrima, estávamos tão felizes juntas, pela primeira vez havia encontrado o amor verdadeiro e o perdi. Isso estava realmente acontecendo não era como se eu pudesse acordar e ver que tudo aquilo foi só um pesadelo. Não conseguia dormir então me levantei e comecei a andar pela casa, sentei no sofá e liguei a tv, coloquei em um canal de desenho qualquer e comecei a assistir. Um tempo depois levantei para beber um como de suco e comer alguma coisa, quando vi uma carta em cima do balcão “De: Juliet Para: o amor da minha vida( e não é o chocolate)” dei um leve sorriso e comecei a ler a carta:
"Não sou boa com palavras, na verdade nunca fui, só que eu vou tentar por você. Nesses últimos três anos descobri oque é o amor, tem sempre uma cena ou outra que parece de filme só que: isso não é um filme, sabe qual é o bom disso? Um filme pode durar até 3 horas, só que ele nunca vai durar até o final de nossas vidas. Não lembro uma única vez de você não ter falo um "eu te amo" todos os dias, eu sabia que amava, não estava enganada, você mostrava isso em cada sorriso que dava para mim. Eu não me imagino sem esse sorriso.
A cada dia que fico com você penso oque seria de mim sem você, muito clichê? É, eu sei, só que tem uns que valem tanto a pena que você faria tudo por eles. Eu percebi que não precisava de muita coisa pra te fazer sorrir, seu sorriso é tão contagiante. Poderia ficar olhando você sorrir por horas com esse seu jeito meigo de ser. Quero que saiba que mesmo não estando por perto vou dar um jeito de limpar suas lágrimas quando chorar.
Não quero partir sem conseguir dizer adeus, sim, estou falando de morte. Não importa oque aconteça, sempre vou estar do seu lado, também quero que me prometa que vai ser feliz com qualquer outra pessoa se eu for. Não gosto de falar sobre isso, só que é preciso, não quero que seja infeliz por minha causa. Te amo demais para deixar isso acontecer. Por tanto me prometa que será feliz sem mim.
Acho que vou terminar por aqui, não sei e não tenho mais oque dizer. Só saiba que eu te amo e que nada vai mudar isso"
Comecei a chorar novamente e deixei escapar um “Eu prometo” da minha boca, me deitei no sofá e abracei a carta. Acabei adormecendo.
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