A Escolha É Sua
11 Broken
Notas iniciais
Os sonhos de Regina tinham se tornado mais frequentes com a quebra da maldição e isso estava a enlouquecendo. Ela tinha feito de tudo para separar Henry de Emma, feito de tudo para mandar a loira impertinente para fora da cidade e nada parecia funcionar. David estava nervoso com ela por não querer assumir seu relacionamento publicamente e por não contar a ele o que estava deixando-a tão inquieta. Mas como ela iria contar? Dizer que tudo o que Henry dizia era real? Como todos se sentiriam quando recuperassem suas memórias e lembrassem que o príncipe encantado estava dormindo com a rainha má? Isso definitivamente não acabaria bem.
Ela já tinha o afastado uma vez e não deu certo, a mesma sabia que se fizesse isso, enquanto a maldição não fora quebrada seria uma batalha inútil. Para piorar sua situação, três dias antes Henry tinha acordado no meio da noite e visto ela e David juntos. A memória voltava na sua mente perfeitamente como se estivesse no aqui, agora.
– FLASHBACK ON –
– Bom eu já estou indo. — Disse David.
– Tudo bem. Está ficando tarde já.
Sem notar a presença do meu filho que surgiu no topo da escada eu me inclinei para frente e David me beijou intensamente. Mesmo que nós estávamos nos vendo sempre que dava, a hora que tínhamos que nos separar era sempre selado com um beijo intenso para que ficasse na memória. Ao menos eu pensava desse jeito.
Quando seus lábios macios deixaram o meu, pude lhe olha nos olhos. Ele estava olhando fixamente para algo atrás de mim. Acompanhei seu olhar e vi meu filho. Ele estava boquiaberto com os olhos arregalados em horror.
A primeira coisa que pensei foi em perguntar o que ele estava fazendo fora da cama. Sem nem ao menos pensar no que ele havia visto, as palavras escorregaram da minha boca sem pensar.
– Henry, o que faz acordado a essa hora?
Ele me olhou com uma expressão incrédula.
– Sério? Eu ouvi vozes e desci para ver o que estava acontecendo e... Eu não acredito.
Foi ai que me dei conta. Ele sabia sobre a maldição e com certeza que David era seu avô. Henry vivia tentando reunir David e Mary Margareth, mas eu não poderia culpa-lo. Ele praticamente estava no escuro.
– Henry...- Pedi gentilmente, mas obviamente eu estava esperando pela sua explosão.
– Como você pode? Você realmente é a Rainha Má! Eu não quero ser seu filho. Como você pode estar com ela? Você deveria estar com Mary Margareth.
Ele estava gritando, eu estava paralisada. Meu coração estava como vidro e a cada palavra que ele dizia era como um martelo batendo e meu coração se quebrando em milhões de pedaços.
– Henry... Ela é sua mãe. Respeite ela. Pelo menos na minha frente.
Droga David... Não piore a situação. Eu pensava. As palavras não saiam da minha boca. Era como se eu fosse muda e tivesse um nó enorme na minha garganta.
– O que? Como você pode defende-la? Ela não ama ninguém e não passa de uma egoísta.
Aquelas palavras enfureceram David e eu não estava capacitada de parar aquilo. Meu Deus, eu tinha que fazer alguma coisa.
– Acho que a única pessoa egoísta é você! Sua mãe cuidou de você por dez anos e você ainda tem a coragem de trata-la assim? E ainda a trocar por uma mulher que deu você?
Lagrimas escorreram pelo rosto de Henry e aquilo foi o suficiente. Tudo bem que Emma tinha dado Henry para adoção, mas ele não podia jogar isso na cara de um garoto de apenas dez anos.
– David já chega! Vai embora! — Gritei. – Agora!
– Regina... — Ele chamou suavemente.
– Eu sei que a minha mãe me deu, mas ela pelo menos me quer agora. E eu sei que ela me ama de verdade. — Disse Henry soluçando, nós dois paramos e olhamos para ele e naquele momento ele concluiu algo que me surpreendeu.
– Teve um filho com ele? — Ele sussurrou.
– Henry... — Tentei.
– Não. Não pode... Eu vou embora! Não quero olhar pra vocês! – Antes que eu pudesse segura-lo ele correu em direção a porta. Me dirigi para correr atrás dele, mas David me segurou.
– O que você pensa que está fazendo? — Gritei indignada.
– De um tempo para ele. — Ele disse suavemente.
– VOCÊ ENLOUQUECEU? SÃO EXATAMENTE ONZE HORAS DA NOITE E MEU FILHO ESTA NA RUA DESCALÇO E DE PIJAMA E EU NÃO TENHO IDÉIA DO QUE ELE VAI FAZER! OU VOCÊ ME SOLTA AGORA OU VOCÊ SERÁ O PRÓXIMO A SAIR CORRENDO DAQUI! — Eu devo ter realmente gritado muito alto, pois ele me soltou e o mesmo saiu pela porta andando e desaparecendo. Eu não poderia me dar ao luxo de pensar em David agora, tinha que encontrar meu filho e traze-lo para a casa sã e salvo.
– FLASHBACK OFF –
Por fim achei ele no local onde ficava o antigo castelinho que ele usava para se esconder e ver Emma. O convenci a voltar para a casa, mas ele não me disse uma palavra. Nos três dias que se seguiram ele não tinha falado comigo e eventualmente me evitando. O pior era ele não me olhar nos olhos. David tinha me dito “Fiquei chateado não por você ter gritado naquela noite, mas sim por não nos assumir e confiar em mim e me dizer o que tanto te afligi. Henry não precisava ter descoberto daquela maneira.” Tive que admitir que eu estava com medo. Sim, a temível Evil Queen estava apavorada.
Tudo desmoronava ao meu redor. Fiz uma torta de maçã para Emma e Henry comeu. Pensei que tinha perdido meu filho, mas de repente... Era isso, a maldição.
Estava quebrada.
– Não importa o que te digam, eu amo mesmo você...
E com essas palavras à beira de lágrimas consegui deixar o hospital. Seria a minha morte.
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