A Escolha de Sophia

11 Auto-extermínio


Notas iniciais
A palavra do dia é alvidra.

Naquela noite, fui embora antes que o show acabasse, sem dar resposta. Evitei-o desde então.

Continuei conversando esporadicamente com Dan. Parecia tão sincero sobre redimir-se.

Pouco depois, baixei a guarda. Estava cansada, vulnerável, e Daniel, na ausência de Jasmine, era o melhor ouvinte que tinha. Quando me beijou, deixei-me levar.

Não contei para ninguém, mas alguém provavelmente viu.

Henry brigou comigo, zangadíssimo. Nada inesperado, já que Henry alvidra todos que me apaixono seres horríveis. Alan mandou-me mensagem pedindo explicação.

Ignorei todos, exausta, confusa.

Uma semana depois, minha mãe veio conversar, num tom macio de ‘tem algo errado’.

Alan cometera suicídio.

Notas finais
Esse capítulo, e o capítulo seguinte, possuem duas one-shots que detalham melhor os acontecimentos. Devo postá-las no Nyah ainda hoje. Deixo os links no próximo capítulo. Alan tinha sérios problemas psiquiátricos que se recusava a tratar. Afundava tudo em álcool, drogas, sexo, auto-flagelação. Comportamentos destrutivos no geral. Ele tinha em Sophia uma espécie de âncora, uma certeza, algo do tipo 'ela sempre vai estar lá porque ela me ama'. Sophia não causou o suicídio dele, mas a realização de que ele não tinha mais essa âncora foi a gota d'água em muitos problemas acumulados. Especialmente depois de ele ter finalmente decidido dar uma chance a ela. Razões de auto-extermínio: "comete-se o ato suicida por amor, ódio, heroísmo, altruísmo, solidão, falta de identidade na multidão, excesso de sofrimento, tédio existencial, problemas psicológicos, depressão e influência de ordem social. Suicida-se desde tempos imemoriais." (PESSINI L., 2006)