A Escolha
8 Capítulo 8
Notas iniciais
– Você se inscreveu no Torneio, Hugo? – perguntava a ruiva, enquanto andava pelos corredores da escola.
– Ah, não, ainda não. Mas acho que vou. – respondeu ele. – E você? Vai se inscrever?
– Eu não sei. Talvez. – Lilly havia pensado bastante nesse assunto, mas ainda não chegara a uma conclusão.
– E por que a dúvida? – perguntou, um pouco surpreso, afinal, Lilly sempre gostara de desafios e, principalmente, de mostrar suas habilidades. Ela não fazia por mal, ele sabia, mas, sempre que era possível, Lilly arranjava um jeito de revelar seu potencial. Talvez fosse um modo que a garota encontrava de receber um pouco de atenção, uma vez que Lilly nunca se mostrou o centro das atenções, era sempre a segunda em tudo. Por exemplo: ela era considerada a mais inteligente da família, depois de Rose, é claro. A garota mais marota, depois de Roxy. A mais amorosa, depois de Victorie. E assim por diante. Ele não a julgava por tentar ser, pelo menos uma vez, a primeira em alguma coisa. E ele viu no Torneio Tribruxo a oportunidade perfeita para ela, mas ela estava ali, ainda pensando na possibilidade. : — Eu acho que você deveria participar.
– Eu não sei – algumas pessoas já haviam dito isso a Lilly, mas algo a incomodava e ela sabia que se ela quisesse compartilhar isso o momento seria esse, com Hugo. – Não é algo fácil, Hugo, exige muito de nós. Não é algo com que eu acho que possa lidar.
– Sabe o que eu acho? – ele a puxou para que ela ficasse de frente para ele, e a olhou nos olhos. – Que se tem alguém aqui capaz de ganhar esse torneio, esse alguém é você, Lilly. Eu tenho certeza.
Ela riu, envergonhada. Ele a soltou e voltaram a andar normalmente, mas antes ele fez uma observação, como se para confirmar o que ela tinha dito: — Se o James e o Fred ainda estivessem aqui, eles com certeza fariam apostas para ver quem seria o vencedor. Eu, é claro, apostaria em você.
Ela rolou os olhos, mas não pôde negar que aquilo a incentivou bastante, entretanto, ainda estava um pouco temerosa. Deu de ombros, afastando esses pensamentos.
Eles seguiram em silêncio, cada um absorto em seus próprios pensamentos.
– Hugo? – ela chamou, após algum tempo.
– O que foi?
– É que... – ela começou – Nada, esquece.
Ele parou abruptamente: — Ah, não. Começou, agora termina.
– Eu só queria saber por que você ficou daquele jeito, quando me viu com o Lorcan ontem.
Ele corou, mas não de vergonha, e sim de raiva. Só a simples lembrança o fazia cerrar os punhos.
– Ele não é bom o bastante para você, Lilly. Sabe disse mais do que eu.
– Ele pode mudar. Ele prometeu. – disse em sua defesa.
– Ah, sim. E ele vai cumprir – o sarcasmo era facilmente percebível em sua voz, e isso incomodou Lilly – Do mesmo jeito que mudou em todas as outras vezes. Sinceramente, não se cansa de ser feita de idiota Lilly? – não havia mais sarcasmo em sua voz.
Um súbito de raiva subiu por Lilly. Durante muito tempo ela alimentara esperanças de que Lorcan mudasse, e Hugo sempre a apoiava. Por que fazia isso agora? Ela o deu as costas e saiu. Não permitiria que ninguém dissesse que ela estava sendo feita de idiota, nem mesmo Hugo.
Ele segurou o braço fino e delicado dela: — Desculpe-me – murmurou rapidamente. – Eu não deveria ter dito isso. É que me incomoda ver o modo como ele a faz sofrer, mas – ele deu de ombros, porém muito forçadamente. – se quiser ficar com ele mesmo assim, tudo bem. – o tom de repugnância na vez dele a fizeram perceber que essas últimas palavras não haviam sido verdadeiras. Mas Lilly fingiu não perceber.
– Tudo bem.
_____X______
Lilly descia da torre de astronomia, tinha acabado de enviar uma carta para seu irmão, James, respondendo à seu convite. O inverno se aproximava, Lilly percebeu, um pouco tarde demais, ao sair do salão tinha visto o sol brilhando e por isso supôs que estaria um clima agradável, decidiu, então não pegar a capa.
Uma péssima ideia, acabara de descobrir, pois, apesar do sol, um vento gelado soprava. Principalmente na Torre de astronomia, abraçou seu próprio corpo em uma tentativa de se esquentar. Ainda não tinha respondido a carta de seu pai, e não achava que seria necessário.
Lilly se sobressaltou ao escutar sons de passos, Lucy subia as escadas. Ela iria aproveitar e fazer o que lhe fora ordenado, pedir desculpas a Lucy, mas não voltaria a ser amiga dela. De forma alguma. Mas antes que pudesse dar mais alguns passos escutou a voz de Lorcan. De inicio, ela não consegui distinguir o que ele falava mas logo os sons passaram a fazer algum sentido:
– Tem que parar de fazer isso, Lucy. – falou rispidamente — Eu já lhe disse: eu não quero nada, absolutamente nada, com você. Eu gosto da Lilly. Você sabe disso, então pare de ficar me seguindo aonde quer que eu vá. Está ficando muito irritante.
– Mas, aquele beijo, no salão... – ela começou, e Lilly pôde notar uma mistura de desespero e irritação em sua voz.
– Aquele beijo – ele cuspiu as palavras – Foi um erro, um grande erro. Foi coisa do momento, sei lá. Mas, a única pessoa que eu quero é a Lilly. L-i-l-l-y. E eu vou tê-la. Ela vai voltar pra mim, portanto, arruma outro pra encher o saco, e não me atrapalhe.
Dizendo isso ele deu as costas e se afastou de Lucy, indo em direção à escola novamente. Lucy, entretanto, ficou mais alguns segundos e Lilly pôde a ouvir cuspindo as palavras com desdenho: – Lilly – ela bufou – Vamos ver se você realmente a terá.
Ela se foi, seguindo uma direção paralela a dele. E deixando uma Lilly confusa, ainda no topo das escadas. As palavras de Lorcan despertaram nela alguma coisa que há muito não sentia. Ele realmente gostava dela, percebeu, e lutaria por ela. Lorcan havia rejeitado Lucy por Lilly. Isso, pensou Lilly, era algo que ela não podia ignorar.
____X____
– Você se inscreveu no torneio, Lilly? – novamente Lilly escutava essa pergunta, a resposta, entretanto, mudara. Hugo a havia feito antes, e a ruiva o respondera com um não. Mas, depois de ouvir a conversa de Lucy e Lorcan, ela ficara sentada na Torre, pensando enquanto fitava o céu. Primeiramente, no que havia escutado, mas logo seus pensamentos se divagaram para outros assuntos. À medida que o céu mudava de seu azul natural para o laranja poente, as opiniões da garota iam se modificando. Quando se deu conta, já estava descendo as escadas em direção ao cálice do fogo, para pôr seu nome. Qual o problema?, pensara a garota, outras pessoas já o haviam vencido e Lilly, certamente, poderia. Isso, se seu nome fosse escolhido, uma vez que a chance era muito pequena.
Seria difícil, ela sabia, teria de se empenhar e de se esforçar muito caso viesse a participar, mas valeria a pena. Pela primeira vez na vida, seria algo que ela conseguiria sozinha, a vitória viria do seu talento e não do seu sobrenome. Ela receberia glória, não por ser filha do Harry Potter, por ser sobrinha de Ronald Weasley ou de Hermione Granger, nem por ser irmã de James e Albus Potter, seria por ela. Seria por algo que ela fez, que ela conquistou. Pensar nisso a encorajou. Ela estava decidida a participar do torneio. Portanto, quando respondeu à Ellie, saiu um sonoro e confiante sim de sua boca.
Ao que parecia, muitos setimanistas haviam se inscrito. Quase todos. Ela, Alice, Louis, Lysander e Ellie seguiram conversando sobre isso enquanto desciam para jantarem no salão. Ao chegarem lá, perceberam que não eram os únicos a terem o Torneio como assunto principal. A tensão e a ansiedade eram papável, todos estavam aflitos para saberem quem seria o escolhido para participar e hoje o resultado seria dado.
Lysander seguiu para sua mesa enquanto o resto sentou-se à mesa da Grifinória e começaram a comer. Lilly procurava por Hugo, mas não o encontrava. Ela avistou, entretanto, Lorcan que abriu um imenso sorriso quando os seus olhares se encontraram, mas ela logo desviou.
–Tô atrasado? Perdi alguma coisa? – perguntava Hugo ansiosamente enquanto sentava-se ao lado de Lilly.
–Não, não perdeu nada. – respondeu Lilly – Mas onde você estava?
–Detenção. – ele bufou, mas Lilly e os outros deram risinhos – Ah, e sabe o pior? Ted me colocou em detenção, ou seja, ainda hoje mesmo mamãe e papai ficam sabendo! Ele é meu primo, poxa, não pode me colocar em detenção.
– Aqui ele é professor, Hugo. É claro que ele pode te colocar em detenção.
– É, mas quando o tio Gui me pedia pra ficar de olho nele e na Victoire, ele sabia ser legal comigo!
Eles riram: — Mas o que foi que você fez pra ele te colocar em detenção? – perguntou Ellie.
– Nada de mais, eu só estava conversando durante a aula dele. Eu usei o abaffiato, mas ele descobriu... E isso piorou a situação.
Lilly pretendia responder mas nessa hora a diretora McGonagall começou o discurso. Ela, e provavelmente a maioria dos alunos, nem prestou atenção no que ela estava dizendo. Mas quando ela se virou pra o cálice e apontou a varinha, parecia que todos tinham prendido a respiração.
– Da Escola de Magia e Bruxaria Beauxbatons, Aimée Sallie.
Uma garota veela levantou-se e foi em direção à mesa dos professores, enquanto era saudada por professores e alunos. McGonagall apontou novamente a varinha e leu o papel.
– Da Durmstrang, Ivan Rachmaninov.
Mais uma vez, a cena se repetiu só que dessa vez, os aplausos das meninas foram mais fortes. Lilly, Alice e Ellie teriam dado mais atenção a ele se não fosse pelo nervosismo que as consumia.
– E por último, da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts...
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