A Era dos Tronos
14 Truque de Mestre
Notas iniciais
Daenerys desperta confusa e tonta, os olhos ardendo por terem perdido o costume com o brilho solar, levando algum tempo para conseguir se localizar.
— Majestade — Chamou Tyrion se curvando perante a Targaryen, que não entende nada do que está acontecendo.
— Por que... por que estamos no navio? — Indagou ao reparar no chão de madeira e o barulho de água nos arredores.
— Estamos indo para King's Landing, foi uma sugestão do seu novo amigo. Ele disse que vocês dois tiveram experiências suficientemente desagradáveis para decidirem que seria melhor atacar King's Landing — Explica o Lannister decididamente receoso.
— Que amigo? — Questiona a jovem Targaryen sem lembrar-se direito dos acontecimentos anteriores.
— Eu — Grita o Doutor pulando do convés para a proa em um piscar de olhos na companhia de Rose e Clara, que aos poucos a rainha-dragão se recorda.
— Você — Chama Daenerys apontando para Oswin, que toma a frente corajosamente para abraçar a rainha — Eu lembro de você.
— Se lembrará de tudo em instantes, majestade — Afirma a jovem estralando os dedos nos ouvidos da rainha, que se seguem uma série de imagens mostrando a morte de Jon e Arya, a batalha sangrenta nas Ilhas de Ferro e o momento que o Doutor finalmente apareceu para tirá-la dali e trazê-la de volta ao lar.
— Doutor, você se diz salvador, incapaz de matar, mas se não tivesse demorado tanto poderíamos ter impedido tantas mortes — Bradou a rainha revoltada encarando o senhor do tempo com desprezo.
— Nenhum de nós poderia impedir o que aconteceu. Aquele mundo teve seu destino selado e nós influenciamos, o que resultou naquele fim, agora você está em seu legítimo mundo e pode seguir em frente com sua jornada. Não irei mais opinar nas suas decisões — Ele olha de Tyrion para Varys — Quem sabe só um pouquinho.
— Quase me esqueci — Afirma Daenerys se virando para Verme Cinza — Se esses mundos são tão parecidos, significa que você ainda pode me trair com lorde Baelish — Deduziu a Targaryen olhando para Varys com repugnância — Verme Cinza, pode cortar a garganta dele.
— Majestade, por favor. Precisa de mim, a guerra ainda está longe de terminar — Argumenta o conselheiro desesperado enquanto Verme Cinza perambula a roda com uma adaga á mão.
— Sem você aposto que será mais rápido — Ela encara Verme Cinza, e no instante seguinte o sujeito está morto. Varys cai na madeira úmida com a garganta exposta e jorrando sangue em suas vestes e no chão, tentando em seus últimos suspiros implorar a ajuda de Tyrion antes de terminar morto.
— Acho que já atingi minha cota de mortes pelo resto da vida — Comentou o Doutor passando a mão no próprio pescoço.
— Algo a dizer, Tyrion? — Indagou Daenerys com frieza, observando cada mudança minuciosa na expressão do anão, que se mantém íngreme apesar do momento tenso.
— Tenho sim. Qual plano a senhora tem em mente quando atacarmos King's Landing? Minha irmã deve ter previsto o ataque ou mesmo que não tenha previsto, ela verá uma imensidão repleta de navios à distância, o que significa que precisamos de algum tipo de vantagem. Se lutarmos na água seremos derrotados sem chance de resistência. Precisamos de uma estratégia à altura.
— Podemos montar um cerco à King's Landing — Sugeriu a rainha dragão se acalmando — Quando ver que não pode manter a si mesma e ao reino, ela terá de ceder ao nosso domínio.
— Não conseguiremos manter o cerco por mais de duas semanas — Comenta Tyrion encarando o reino, a
que ficava mais próximo a cada instante — É o tempo que os soldados Lannisters em Castlerey Rock levarão para se prepararem e posteriormente chegarem a King's Landing em auxílio à coroa. Dessa forma, precisaremos ser mais espertos para conseguir alguma coisa que não seja matar todos em King's Landing.
— Concordo com o pequeno — Afirmou o Doutor se colocando entre Daenerys e seus aliados — Você não veio aqui matar inocentes, veio tomar seu reino de volta.
— Eu sei — Daenerys olha para Tyrion com desconfiança — Mas vocês precisam ter em mente que Cercei não é idiota. Ela não vai ficar trancada naquele castelo por duas semanas esperando os reforços chegarem.
— Eu sei disso melhor que todos vocês — Afirmou Tyrion olhando para os irmãos Greyjoy mais atrás da roda — No entanto, ela ficará trancada naquele castelo e vai deixar que os outros façam por ela. Nossa vantagem será pressioná-la, fazendo uma demonstração de força. Uma hora ela estará tão cercada que tudo o que poderá fazer é ceder.
— O que acham disso? — Pergunta a rainha dragão aos seus novos aliados.
— Acho que pode funcionar — Declara Theon olhando de Daenerys para Tyrion — Desde que seja bem planejado.
— Tudo que precisamos é alguns Imaculados, meia dúzia de Dothrakis e logo toda King's Landing verá os Lannisters sendo massacrados pelas nossas forças. Ninguém mais vai acreditar em Cercei e suas mentiras.
— Espero que funcione, ou terei de usar meus filhos — Subitamente, um dragão de três cabeças pula no colo de Daenerys, esbanjando toda a sua beleza e robustez aos presentes.
— Iarcleryn, como foi que veio parar aqui? — O doutor toma a frente do grupo com um sorriso de confissão.
— Iarcleryn precisa existir. Ele é a conexão entre os três mundos, aquele que você se perdeu, este onde nasceu e o mundo de onde eu vim, até por conta disso elr tem três cabeças. Esse é o dragão mais poderoso que já existiu, superando até mesmo os altos dragões de Valíria. Ele precisa continuar aqui, pelo menos até derrotarmos a Escuridão.
— Foi graças a esse dragão que acreditamos no que ele disse — Afirmou Yara sentando-se sobre uma tábua.
— Então meu filho teve sua utilidade. Espero que a batalha não demore a ser ganha.
— Não será, majestade. Eu, junto ao Doutor iremos supervisionar e comandar os soldados pelos portões de King's Landing. Nossos arqueiros podem facilmente derrubar as defesas sobre o muro da cidade, o que facilitará muito as coisas para nós.
— Não quero meu conselheiro no campo de batalha.
— Não vou participar diretente, apenas garantir que as coisas não sairão do controle. Confie em mim assim como eu confio na senhora — Pede o pequeno Lannister se ajoelhando perante a rainha.
— Doutor, promete que vai cuidar de Tyrion e trazê-lo de volta inteiro? — O Doutor engole em seco, encarando Rose com profundo remorso, o que perturba Daenerys por certo tempo.
— Prometo.
— Qualquer coisa eu estarei com eles, majestade — Avisou Verme Cinza arrumando sua adaga e espada antes de se colocar ao lado de Tyrion e do Doutor.
— Fico agradecida.
Tyrion, Doutor e Verme Cinza lideram um pelotão de soldados por estreitos entre árvores até alcançarem a entrada da cidade. Como esperado, centenas de arqueiros se preparam para atacar os invasores, mas Verme Cinza dá o comando e arqueiros escondidos entre os galhos atiram habilidosamente nos arqueiros de King's Landing, acertando mais da metade dos ditos soldados nas duas primeiras remessas de flechas. Assim, o pelotão de soldados passa despercebido para focar sua atenção onde devia, nos portões. Eles detonam a entrada com o apoio de uma alavanca presa a um tronco e logo atravessam o pátio principal, uma área estreita onde centenas de soldados Lannisters estavam de prontidão, aguardando o eminente ataque do adversário.
— Mantenham a formação, cerquem o inimigo, lembrem-se por quem e pelo que estão lutando — Esbraveja Tyrion para os Imaculados, que logo tomam a frente do pelotão para atacar os soldados Lannisters. Atrás deles vem duzentos Dothrakis, cheios de fúria e selvageria, pulando sobre seus aliados visando conseguir um pouco de emoção para si. Tyrion e Doutor observam espantados a resistência dos soldados Lannusters ao mesmo tempo que dividem a sensação de repugnância que ambos tem pela guerra, que no caso era inevitável. A batalha parece ganha conforme a quantidade de Lannisters vai diminuindo, até que o Doutor fica estupefato com algo que ele não conseguia acreditar.
— Tyrion, um soldado acabou de se levantar pela terceira vez do chão.
— Eu estou percebendo essa merda. Tem cinco ou seis que levantaram do chão mais de uma vez e normalmente são os que levaram mais tempo para morrer — Os dois observam com mais cuidado e percebem que o número de soldados que apoiavam a rainha Targaryen diminuía depressa, sendo abatidos não por soldados Lannisters, mas por criaturas escuras de olhos flamejantes, que cortavam sem clemência as armaduras e músculos dos oponentes com armas que Tyrion jamais tinha visto. Lâminas brilhantes, quase feixes de chicote, arrancavam cabeças e faziam sangue escorrer por toda parte. Em alguns minutos, as criaturas vestidas com armaduras Lannister haviam dizimado completamente o pelotão de Tyrion, sem deixar restar ninguém, exceto por Verme Cinza e mais alguns, que se reagrupam com a dupla para ir embora dali. Eles chegam nos portões, berram e balançam os braços pedindo que os arqueiros abandonassem seus postos e a maioria o faz, exceto alguns que decidem servir de cobertura para a fuga dos companheiros. Não demora para que os dois encontrem um esconderijo propício no interior de uma caverna, sendo seguidos de perto por Verme Cinza.
— O que aconteceu ali? — Questionou o líder dos Imaculados confuso.
— Tenho uma boa ideia do que tenha acontecido — Afirmou o Doutor engolindo em seco ao se lembrar do confronto que tivera antes de trazer Daenerys de volta — Um inimigo meu, intitulado de Mestre, ele serviu a rainha Cercei no mundo que estive com Daenerys. Tenho certeza que é o responsável por essas criaturas.
— Sabe quem são eles, Doutor? — Pergunta Tyrion repleto de desespero.
— São coisas que eu pensava estarem extintas. Seres provenientes do planeta Haryseph, chamados de Glormerphs. Eram famosos por uma necessidade natural de caçar e matar. Eles literalmente precisam disso. Eles se curam de qualquer ferimento, mas se passam um dia sem chegar perto da morte, ironicamente eles acabam morrendo, por este motivo eles tinham o costume de machucar uns aos outros na metade do dia, assegurando sua sobrevivência. Não é difícil imaginar como foram extintos. Na verdade foi uma questão de impedi-los de se matar por um ciclo solar.
— E quem fez isso, Doutor? Quem matou essas coisas no passado? — Indagou Tyrion querendo respostas rápidas.
— Minha espécie — Responde o Doutor sem rodeios.
— E eles podem repetir isso?
— Não, estão todos mortos.
— Precisamos vencer esses Glormetis ou seja lá o que forem — Afirma o pequeno Lannister pensativo — Se não tiver outro jeito, terei de ir ter minha irmã e irmão.
— Não pode fazer isso, Tyrion.
— Por que não? — O Doutor suspira pressionado, recordando a terrível cena que testemunhara dias antes.
— Ela vai matar você — Revelou o senhor do tempo com seriedade.
— Talvez a Cercei que você conheceu fizesse isso, mas essa não. O orgulho dela é grande demais para ter coragem de me matar. Ela tem a vontade, mas tocar em mim é muito impuro, seria um pecado para ela.
— Não posso falhar com Daenerys outra vez — Suplicou o Doutor segurando Tyrion pelo braço.
— Podemos fazer o seguinte, se ela não estiver disposta a cooperar, nós fugimos na sua máquina estranha. Caso contrário, ficaremos até dar um jeito nessa situação.
— Eu posso fazer isso, mas o que acontece se ela te matar antes?
— Você está aqui para impedir isso. Confio em você, senhor do tempo, por mais arrogante qu esse nome possa soar.
— Eu odeio esse nome desde pequeno, pode acreditar — O Doutor olha para os soldados restantes enquanto pensa em uma estratégia — Faremos como você diz e vocês ficarão aqui para liderar um novo pelotão sob a possibilidade de falharmos. Nós explicamos tudo para Daenerys e em seguida iremos direto para o castelo de Cercei — O Doutor respira fundo e se vira para o canto mais escuro da caverna — Um estralo, três palmas e um assobio — Assim que conclui a ordem, a TARDIS surge à frente do Doutor, o que deixa todos tão admirados quanto confusos.
— Você é um deus? — Pergunta Verme Cinza se prostrando — Se for, pedimos que nos deixe servi-lo.
— Estou longe de ser deus, Verme Cinza. Sou apenas um doido com uma caixa azul. Agora venha Tyrion, veremos se esse plano funcionará desta vez.
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