A Era dos Tronos

5 Perdidos na tempestade


Notas iniciais
Doutor e Rose saíram de King's Landing para por um fim à Guerra dos Tronos e salvar quantos universos precisarem, o que virá a seguir?

Cercei está sentada em um banco no meio dos jardins do palácio observando entediada as flores e plantas ao redor, se perguntando o que fazia ali. Ela ajusta o vestido antes de seu meistre aparecer acompanhado de um homem que ela nunca vira antes.
— Bom dia, majestade — Cumprimenta o meistre beijando a mão da rainha — Este é um colega que, como eu, também terminou expulso da cidadela, embora seja um dos homens mais incríveis e sábios que já conheci. Acredito que será de grande valia para a senhora — A rainha cumprimenta o homem desconhecido com um aceno de cabeça.
— Ouvi falar que a rainha precisa de novos conselheiros — Falou o homem indo direto ao ponto, passando a mão no pouco cabelo que tinha para ajeitar seu visual.
— Não mais — Esclarece Cercei intrigada quanto ao homem que está à sua frente — Não pretendo sair confiando em um monte de palavras vazias que ao se aproximar fedem a merda.
— Por isso mantenho um equilíbrio eficaz entre a fala e a ação, vossa majestade deve imaginar como tal tarefa deva ser árdua o suficiente para consumir um milênio inteiro da vida de um pobre homem como eu — Cercei olha para o Meistre, que balança a cabeça positivamente, então ela move o olhar para o homem à sua frente.
— Ainda há uma vaga no pequeno conselho. Se estiver interessado, sugiro que me ajude por aqui mesmo. Meu outro conselheiro é um tanto quanto peculiar e determinado demais, o que o levou para longe. Preciso de alguém que esteja em King's Landing cumprindo suas funções e me ajudando a resolver os problemas que acumulamos.
— Se refere aos vossos inimigos, imagino.
— De fato. Há muitos desertores espalhados pelos sete reinos, e pretendo acabar com cada um deles. Estaria disposto a me ajudar?
— Sem sombra de dúvidas, majestade.
— Excelente. Sem necessidade de cerimônias, apenas transfira seus pertences para o dormitório vago no andar inferior do castelo, senhor?
— Na cidadela me chamavam apenas de Mestre.
— Gosto da sua fibra, Mestre. Espero que se mostre útil no decorrer dessa guerra, principalmete quando nossos inimigos revelarem suas faces.

Jaime observa os mares pálido e desconcertado. Não tinha função certa desde seu retorno à King's Landing. A guerra iria bater na porta e ele se via muito próximo de um destino que já conhecia. Um homem que ele não conhece desce as escadarias que dão acesso aquele local, então se aproxima com uma expressão amigável.
— Sir Jaime? — Pergunta o sujeito olhando para sua mão de ouro.
— Sou eu. Quem é você?
— Pode me chamar de Mestre, sou o novo conselheiro da rainha.
— Então vai se juntar ao Doutor para tentar acabar com essa loucura que se arrasta há anos? — Questiona Jaime descrente.
— Pretendo, mas preciso de ajuda das tropas, o que acredito poder falar pedir ao senhor.
— Entendo, não será problema. Só precisa me dizer o que devo fazer.
— Primeiro gostaria de ser escoltado por alguns de seus homens para um lugar remoto fora de King's Landing. Não fica muito longe, acredito que quatro dias de viagem.
— Estarão à sua disposição — Afirma Jaime saindo das pedras para subir as escadarias de volta ao castelo.
— Preciso também de algumas informações sobre um pertence desse Doutor. Me disseram que ele mantém no castelo, mas apenas o sir tem acesso a esse objeto — Jaime parou de andar para encarar o sujeito por algum tempo.
— Tenho, mas qual seria o seu interesse nesse objeto?
— Pretendo ajudar o Doutor em seu objetivo, mas isso se concretizará somente se eu tiver acesso a esse objeto em específico — Jaime torna a subir a escada.
— Sinto muito, meistre ou mestre, seja lá o que for. Recebi ordens expressas e sou a guarda da rainha, não quebrarei meu juramento novamente. Se quiser aquele objeto vai ter de furtá-lo — Jaime deixa o Mestre sozinho com seus pensamentos enquanto caminha de volta ao castelo recordando o dia em que guardara o estranho objeto do Doutor que ninguém tinha ideia do que era, exceto uma mesa muito grande com aparência de porta construída por um carpinteiro insano.

O Doutor e Rose continuam a cavalgar naquela manhã ensolarada pouco atrás dos soldados Lannisters, até ela resolver parar e pegar o cantil para umedecer os lábios.
— Não podemos parar — Avisa o Doutor com uma sede tão visível quanto a de Rose.
— Fale por você, estou morrendo de sede.
— Não podemos parar se quisermos acabar com esta guerra o quanto antes — Um soldado Lannister se aproxima escutando a conversa.
— Longe de estar duvidando da vossa palavra, doutor, mas como realmente o senhor pretende acabar com esta guerra?
— Abusando da diplomacia que tem sido minha especialidade há muito tempo — Outro soldado se aproxima rindo da declaração do Doutor — Eu disse algo errado?
— Honestamente doutor, não acredito que seja uma opção com muita validez vendo a situação que nosso país se encontra. Fora que faz parte do nosso modo de vida.
— Entendo, mas acredite, sir...
— Anselm.
— Sir Anselm Lannister, não são o primeiro povo com uma cultura ordinâria que encontrei em minha viagens. Todas as vezes que encontrei gente assim eles terminaram cedendo à pressão que eu coloquei sobre eles, e não irei falhar com vocês de Westeros.
— Se conseguir unir em definitivo todas as casas de Westeros, doutor, não terei dúvidas de que será mais digno do que qualquer leão sulista.
— Não diga tão perjúria — Observa outro soldado indignado com o comentário.
— Estou dizendo a verdade. A pouga dignidade que restou à nossa casa morreu com a rainha. Agora nos resta morrer um a um em nome dos Lannister até que todos os inimigos da coroa estejam mortos ou não haja mais Lannisters para defender a causa.
— Vocês enxergam apenas dois caminhos, meus caros, mas se conseguirem me levar e a minha amiga em segurança para o norte, terão a chance de expandir seus horizontes.
— Então sua esperança se encontra no norte, doutor?
— Não exatamente. O norte é apenas o começo da jornada.
— Se chegarmos vivos onde precisamos, duvido que a rainha viverá por muito tempo — Comentou Rose sem pensar, o que fez o Doutor encará-la inconformado.
— Como é? Por acaso pretendem desertar Vossa majestade? — Questiona outro soldado erguendo a espada para Rose.
— Não é nada disso gente — Começa o Doutor empurrando Rose para longe — Na verdade minha amiga não é muito fã da rainha, mas isso é um meto detalhe em nossa jornada, certo? — Todos os soldados erguem suas espadas se aproximando aos poucos do Doutor e de Rose enquanto os dois tentam encontrar uma rota de fuga sem desmontar de seus cavalos.
— Podemos conversar como gente civilizada só uma vez? — Pergunta o Doutor irado pulando do cavalo. De repente, uma sombra emerge dos arbustos e começa a esfaquear os soldados Lannisters um de cada vez até restarem apenas dois. Os soldados remanescentes tentam atacar o gatuno ao mesmo tempo, mas tudo que conseguem é assinar a própria sentença e sofrer uma humilhação maior ainda já que, além de defender os golpes de ambos, o atacante aproveita suas poucas oportunidades para perfurar os adversários em pontos não protegidos da armadura, mérito de sua espada fina. Assim que os dois Lannisters caem de joelhos já derrotados, seu oponente tira o capuz e revela sua face, sorrindo satisfeita para os guerreiros derrotados.
— Sempre quis ver um Lannister ajoelhado na minha frente, agora tenho dois — Ela encara o Doutor e Rose — Sabem porque eu sempre quis ver um Lannister de joelhos perante mim? — Os dois balançam a cabeça negativamente cheios de espanto — Para que eu pudesse fazer isso — Em um golpe rápido de adaga, a jovem corta os pescoços dos soldados Lannisters, deixando o sangue escorrer dos cortes em direção às folhas secas no chão.
— Obrigada pela ajuda — Declara Rose se aproximando da jovem, não fosse o Doutor segurá-la pelo braço.
— Não precisam agradecer, eu vou matá-los também — Avisa a jovem sacando a espada outra vez.
— Não se dê ao trabalho — Falou o Doutor se afastando da jovem — Não precisa nos matar, afinal não somos Lannisters.
— Mas estão com a rainha, não estão?
— De certa forma estamos — Concorda o Doutor derrotado, até ver a jovem erguendo a espada fina contra ele — Mas não pode nos matar por isso.
— Porque não? — Rose empurra o Doutor para o lado.
— A rainha obrigou-o a servi-la enquanto estivesse em King's Landing, ela me prendeu para conseguir isso e deixou meu amigo sem escolha. Ninguém nunca te deixou sem opção? — A jovrm abaixa a espada e a enfia de volta na bainha antes de olhar de Rose para o Doutor e a seguir para as vestes dos dois.
— Vocês não são de Westeros, são?
— Na verdade não senhorita — O Doutor espera a garota se apresentar.
— Arya Stark e vocês?
— Eu sou o Doutor e esta ao meu lado é uma impostora alternativa chamada Rose Tyler.
— Não conheço sua casa, lady Tyler.
— Não sou lady — Explica Rose sorrindo para Arya — Mas não vou reclamar se insistir com isso.
— Então a rainha obrigou os dois a servi-la, mas o que fazem tão longe de King's Landing? Acho isso um tanto controverso.
— Eu jurei que iria por fim a essa guerra e é o que vim fazer no norte, se esses cavaleiros não tivessem nos acompanhado — Ele observa a espada de Arya — Por mais que eu deprecie violência de toda a natureza, admito que sua aparição foi nossa salvação.
— Nesse caso não tem de que.
— Para onde está indo, lady Stark?
— Na verdade eu também não sou uma lady, embora provavelmente me torne uma quando reencontrar minha família, se é que algum deles está vivo. Vou para o sul matar Cercei Lannister, pretendem me impedir?
— De forma alguma, lady Stark — Declara o Doutor matutando seriamente em sua cabeça — No entanto, tenho uma proposta mais interessante para sua pessoa. Essa guerra inútil vem tirando a vida de milhares de pessoas há anos, poderia ser nossa proteção durante nossa busca.
— Quando terminarmos, você irá conosco pars King's Landing e estará infiltrada no castelo da rainha. Sua missão será bastante simplificada — O Doutor encara Rose em tom de censura, pois sua indignação era clara — É o que ela quer. Não vamos nos meter nos assuntos pessoais da garota.
— Não sou uma garota — Protestou Arya revoltada.
— Certo, da moça — Corrige Rose olhando para a jovem Stark com a expressão cansada.
— Que seja — Decide o Doutor dando-se por vencido antes de montar em seu cavalo — Lady Stark, junte-se a nós e terá sua almejada vingança — Disse o Doutor nada satisfeito com o que saía de sua boca.
— Pode me chamar de Arya mesmo.
— Certo, Arya, você tem um cavalo? — Pergunta o Doutor controlando sua montaria.
— Está escondido não muito longe.
— Espera aí — Exclama Rose percebendo um detalhe da situação — Você estava nos seguindo todo esse tempo.
— Desde que atravessaram o Pequeno Rio — Revela Arya indo na direção de seu cavalo.
— Essa garota me assusta — Confessa Rose subindo em seu cavalo com certa apreensão.
— Assim como você quando nos conhecemos — Observa o Doutor com tom de conciliação.
Tyrion passa o esfregão no chão volta e meia secando o suor da testa com suas vestes rasgadas, cortesia dos seus novos companheiros, os piratas de Dhorn. Eles podiam não admitir, mas isso estava tão claro para Tyrion que ele não precisava perguntar. Sem amigos, base ou família para confiar, sua última esperança era encontrar Jaime e conseguir subornar os piratas de alguma maneira — Sim, ele sabia muito bem que corria o risco de ser executado assim que entrasse em Castlerey Rock, mas também sabia o quanto seria arriscado seguir para o norte, ainda mais tão longe do continente — Pensando nisso, ele chama um marujo de canto para uma breve conversa.
— O que quer, baixinho?
— Dá um tempo Jief, somos colegas há algum tempo já — Os dois se encaram em profundo silêncio por um breve momento.
— Pode ser, o que você quer?
— Onde exatamente seus colegas descomprometidos com a coroa pretendem atracar com este navio?
— Algum lugar próximo da travessia para o sul. Vamos nos encontrar com alguns mercadores e em seguida partiremos rumo ao seu castelo, lorde Tyrion, se é que você é um lorde de fato.
— Saberá que eu sou um lorde assim que seus bolsos estiverem tão cheios que mal poderá andar com seu ouro — O pirata sorri encantado com a possibilidade — O que me lembra de uma antiga curiosidade que jamais tive a chance de sanar por meio de alguém do seu ramo.
— E qual seria?
— Por que vocês guardam seus tesouros em baús? — O pirata ri em tom de zombaria antes de voltar a passar um pano no chão.
— Essa é muito fácil, pequeno Lannister. Para não guardarmos todos os nossos pertences em nossos bolsos a ponto de mal conseguirmos andar — Tyrion para de esfregar cheio de indignação.
— Nunca imagina que piratas fossem tão misteriosos.
— Só os que não confiam em ninguém.
— Então vejo que vamos nos dar muito bem, meu caro — Tyrion olha para o chão antes de tomsr coragem de perguntar — Se importa de arrumar algo para beber?
— Não temos água.
— Eu não pedi água — Os dois se encaram com seriedade antes de começarem a rir com diversão. O Lannister observa o horizonte imaginando quais seriam suas próximas artimanhas enquanto mais ao norte, um pequeno batalhão se preparava para continuar a caçada ao anão.

Notas finais
Nossos heróis encontraram-se com Arya, mas qual será seu papel ness trama? Será que Tyrion chegará em Castlerey Rock antes que seus perseguidores o encontrem? Não percam...