A Era dos Tronos
7 O lobo encurrala o leão
Notas iniciais
Clara se apresenta perante Daenerys, que está acompanhada de Varys e Little Finger, além de uma dúzia de soldados. Todos a encaram com estranhamento, exceto a própria Targaryen, que sorri com bondade para a jovem.
— O que deseja, criada? — Questiona Little Finger se aproximando da jovem com uma expressão de desgosto e talvez um desejo despertando.
— Olhe como fala, lord Baelish. Ela não está sob sua proteção para que fale com ela como bem entender, fora que mesmo se estivesse, você jurou lealdade a mim, portanto deve viver da maneira que eu achar mais apropriada — Baelish acena com a cabeça mostrando estar de acordo.
— Como quiser, majestade.
— Majestade — Chama Clara se prostrando — Gostaria de me dirigir à sua pessoa em particular.
— Você fala com a rainha Daenerys aqui, senhorita Oswin — Daenerys se levanta e caminha até Clara sem olhar para o conselheiro ou para o aliado.
— Saiam os dois. Os soldados também — Assim que eles o fazem, Daenerys e Clara se entreolham instantes antes de se abraçarem — O que aconteceu, Clara?
— Minha rainha, vim lhe informar de uma conversa estranha que presenciei entre seu conselheiro Varys e seu aliado Lord Baelish — Começou Oswin em tom sério.
— Como assim?
— Os dois estavam escondidos e pareciam se conhecer há muito mais tempo do que demonstram. Ambos falavam de um plano e de tomar os próximos passos.
— Entendo — Daenerys se afasta um pouco de Clara para pensar, o que deixa a jovem apreensiva — Pode voltar aos seus afazeres e obrigada por vir me informar do que houve. Se estiver certa e eles tentarem qualquer coisa, estarei preparada. Eles não seriam tolos de me atacar em minha própria fortaleza — Clara se afasta de Daenerys um pouco receosa quando parou um instante para encarar a rainha.
— Não sei majestade, eles me parecem bem audaciosos.
Tyrion desembarca na costa com os piratas, descarregando algumas caixas antes do grupo se reunir e decidir que levaria o conteúdo todo em uma única viagem. Assim, Tyrion carrega alguns objetos menores enquanto outros carregam os grandes barris e baús trazidos de Braavos. No meio do percurso, o mais novo dos filhos de Tywin Lannister se aproxima de Jief e o cumprimenta.
— Diga que essa caminhada está no fim, mal aguentei meio ano no mar, quanto mais uma caminhada longa dessas depois de semanas confinado numa cela sem comida ou bebida.
— E sem mulheres.
— Isso também — Confessa o Lannister dando um sorriso torto.
— Os mercadores não se escondem longe daqui, apenas o bastante para ter uma posição estratégica. São muitas árvores ao redor do lugar onde ficam, demoraria muito e atrapalha se alguém tentar atacá-los com um exército.
— E porque levamos tantas coisas? — Jief sorri com malícia antes de soltar seu barril por um momento e esticar as costas antes de voltar a carregar o peso.
— São moeda de troca para conseguirmos aquilo que requisitamos — Esclarece Jief limpando o suor da própria testa.
— Então vocês roubaram essas coisas para conseguir o que querem e poder roubar mais, é isso? — Pergunta Tyrion confuso.
— A grosso modo é isso, mas digamos que é nosso modo de viver. Não questionamos vocês de Westeros que se matam de século em século por causa de terra e nomes vagos.
— A palavra correta é título — Declara o Lannister sorrindo com entusiasmo para o colega de viagem.
— Títulos que vão trazer o que, exatamente? Honra? Dever cumprido e o poder de mandar qualquer lord que não tolera para a puta que lhe pariu e comer as putas casadas com os outros nobres que outrora não poderia comer, quando na verdade não conseguia isso simplesmente porque não tinha coragem de sair do seu buraco escuro e dar em cima da vadia.
— Na verdade esses títulos servem para manter o nome de uma família rico, próspero e respeitado acima de qualquer questionamento. Cortesias são louváveis e uma casa erguida na montanha que achar melhor — Tyrion acha graça no que acabara de dizer, soltando sua carga por um breve momento.
— O que foi?
— Engraçado, nunca achei que me pareceria tanto com meu pai. Acabei de falar igual a ele — O pirata dá risada bem alto antes de seguir à frente — Nunca se viu parecido com seu pai?
— Não conheci meus pais, pequeno. Os dois se refugiaram em uma zona esquecida de Valoair, nunca consegui ir procurá-los.
— E tem vontade? — Pergunta o Lannister apertando o passo ao ajeitar as mangas.
— De encontrá-los? Claro. Na outra vida, quem sabe — Um vulto passa por dois piratas à frente de Jief, em seguida ambos caem no chão antes da sombra atingir-lhe o braço com habilidade. Jief cai no chão espantado enquanto seu barril rola pelo solo abrindo caminho pelos demais piratas.
— Pois não irá tardar para que isso aconteça — Afirmou a atacante desferindo um golpe de espada derradeiro que rasgou a garganta de Jief, deixando nada além de seu sangue como marca da passagem dela pelo local. Os demais piratas tentam atacar a assassina, mas ela usa suas habilidades para matar mais três piratas, deixando-os receosos de atacar, optando por fugir dali antes que ela os alcançasse. A jovem sorri em tom de deboche, então guarda a espada na bainha e, não fosse a presença de Tyrion, também teria guardado a adaga. Ao invés disso, ela escosta a adaga no pescoço do Lannister, que sua frio enquanto a jovem aproxima seu rosto do dele para observar suas feições.
— Arya — Grita um homem de terno e gravata borboleta se aproximando cheio de indignação — Não falei para ser mais razoável com os coitados?
— E eu fui — Afirma Arya sorrindo com diversão — Dei uma morte bem razoável, sendo que poderia ter cortado alguma parte deles apenas para vê-los agonizar horas a fio. Se isso não for razoável, Doutor, me ensine o significado dessa palavra.
— Acho que o que foi feito está feito e devemos seguir em frente — Afirma uma loira que está ao lado do Doutor, olhando feio para Tyrion.
— Concordo com a Lady Tyler, devemos seguir em frente assim que eu acabar com este aqui — Afirma Arya voltando o olhar para Tyrion com frieza.
— Eu estou aqui, Lady Stark. Enquanto eu estiver aqui não matará mais ninguém. Além do mais, se por acaso se sente ameaçada por ele, sugiro que volte para a escola onde aprendeu essa esgrima — Comenta o Doutor sentando-se na frente de Tyrion para conseguir olhar em seus olhos.
— Você é uma Stark — Afirma Tyrion desviando o olhar levemente do Doutor para Arya com um espanto e preocupação inferiores ao que qualquer um de seus raptores esperavam — Filha de Ned Stark. Seu pai era um bom homem, sinto muito pelo que aquele infeliz do Joffrey te fez.
— Quem é você? — Pergunta Arya espantada com a declaração.
— Sou Tyrion da casa Lannister, filho de Tywin Lannister — Revela Tyrion sentindo um forte aperto no coração.
— Eu irei matá-lo pelo que os Lannisters fizeram à minha família e mandarei sua cabeça para sua irmã, a rainha — Tyrion cai na risada sem conseguir se controlar.
— Vá, faça, estará fazendo um favor a ela.
— O que quer dizer com isso? — Pergunta o Doutor interessando-se pelo assunto abruptamente.
— Minha irmã sempre me quis morto, é dos desejos dela me ver morto desde pequena. Ela quase conseguiu isso um tempo atrás quando estava em King's Landing.
— O que fazia em King's Landing? — Questiona o Doutor intrigado.
— Fui servir como conselheiro do rei, mas tramaram contra mim e se um amigo não tivesse salvo minha vida no último instante eu estaria morto hoje em dia.
— Particularmente, sou conselheiro da rainha e devo admitir que é complicado — Afirma o Doutor erguendo sua mão em direção a Tyrion sorrindo amistosamente.
— Você parece ser o tipo de homem que conseguiria tapear Cercei, se é que isso é possível.
— Prazer, pode me chamar de Doutor — Declara o Senhor do tempo, então Tyrion empurra a adaga para longe dele com uma das mãos e cumprimenta o Doutor com a outra.
— Tyrion Lannister.
— Certo, você disse que era conselheiro, tramaram contra você e foi ajudado, mas como veio parar no norte? — Questiona o Doutor se levantando um pouco confuso.
— Simples. Me juntei a Daenerys Targaryen, a rainha dragão para invadir e dominar Westeros assim como fez seu ancestral Aegon Targeryen, e tudo ia muito bem não fosse um encontro inesperado, um salvamento e algumas palavras bobas. O lugar errado e a hora errada nos trouxeram até aqui. Queríamos matar o tio dos Greyjoy, mas no fim ambos morreram.
— Fala dos irmãos Greyjoy — Declarou Arya em um misto de surpresa e tristeza.
— O que foi Arya? — Perguntou Rose se aproximando da garota.
— Ele cresceu na nossa família. Theon Greyjoy — Arya tira a espada da bainha — Você e sua rainha dragão o mataram.
— Não foi isso — Interpôs Tyrion sem saber o que fazer.
— Então explique essa história direito, senhor Lannister, porque nossa amiga Stark está com uma fúria danada por você e seus irmãos Lannister.
— Como está Jaime?
— Se sobreviver a isto te conto — Explica o Doutor um pouco apreensivo.
— Que seja. Varys, é o nome do homem que mandou me prenderem depois de visitarmos a maldita caverna. Encontramos uma embarcação pirata onde uma mulher havia sofrido todo tipo de violação. A fúria de Daenerys caiu sobre os piratas sem misericórdia e, como recompensa pelo que ela havia feito à mulher, a Bruxa Vermelha jurou que faria de Daenerys a grande rainha de Westeros, mas que para isso ocorrer, teríamos de ir a uma maldita ilha abandonada. Varys foi na frente. Depois do que houve, mandou prender a Bruxa Vermelha e os Greyjoy, enquanto eu tentei argumentar contra as tais medidas, condenando a mim mesmo. Daenerys não sabia se ficaria contra mim ou a meu favor, parecia confusa de uma maneira que nunca vi. Em um instante era uma mulher cruel e incapaz de perdoar, no outro parecia uma jovem amável e de bom coração e índole incontestável. Sei que pode parecer loucura, mas também sei que tudo mudou rápido demais para que eu pudesse tomar uma medida.
— O que eu sei, Tyrion Lannister — Começa o Doutor encarando o anão — É que há grandes chances de estarem falando da Brasa Ascendente, o que nesse caso conduz nosso caminho para lá. Um lugar que só podemos alcançar se chegarmos inteiros nas Ilhas de Sal.
— Eu não entendi uma coisa — Declara Rose se aproximando de Tyrion com cautela — Se você estava preso, como veio parar aqui no meio desses piratas?
— Eu poderia contar-lhes esta história, mas acontece que vocês vão voltar para onde eu fui preso, e isso eu não quero de jeito nenhum.
— Nós todos iremos para as Ilhas de Sal — Afirmou o Doutor segurando Tyrion pelo braço — Primeiro porque quando eu descobrir o que aconteceu com sua rainha tudo voltará ao normal e segundo, nós vamos terminar com essa guerra.
— Está louco, Doutor?
— Eu disse a mesma coisa e agora estou aqui — Revelou a jovem Stark sentando-se para limpar suas armas.
— Mas não posso voltar lá — Reafirma Tyrion revoltado.
— Nossa jovem Arya vai proteger você, Tyrion, assim como tem nos protegido esses dias.
— Pois bem. A fortaleza foi atacada por um exército liderado por Jon Snow e minha mulher Sansa Stark para tomar as Ilhas de Sal.
— Por isso ainda estava no norte — Afirma Arya erguendo a espada — Quando soube que meus irmãos estavam rumando para o lar dos Greyjoy com todos os Lords do norte atrás deles, imaginei que devesse encontrá-los antes de matar a Cercei.
— Por mim pode matar, embora eu saiba que isso não mudará muita coisa em Westeros — Conclui Tyeion desapontado com o que ele mesmo disse — O que vai mudar Westeros se tornou uma questão curiosa, principalmente se levarmos em conta que seus irmãos devem estar mortos.
— Como assim?
— A Rainha dragão não é chamada desse jeito à toa. Ela tem três dragões enormes que usou na batalha. Se eles não estiverem mortos devem ser prisioneiros de Daenerys.
— Você disse que Sansa é sua mulher. O que quer dizer com isso? — Questiona Arya perturbada com a questão.
— Essa é outra longa história.
— E pelo visto você gosta de falar tanto quanto o nosso Doutor — Afirma Rose se encostando no alienígena com carinho — Um ótimo diplomata. Tenho certeza que saberá lidar com sua rainha. Venha com a gente até a Brasa Ascendente e vamos mudar o destino de Westeros — Os três se encaram por um instante que se prolongou durante uma eternidade, antes que saíssem sincronizados para seguirem juntos rumo às Ilhas de Sal.
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