A Era dos Tronos

18 O Sábio e Mindinho


Notas iniciais
Entramos na fase final da fic e um perigoso adversário ameaça destruir a paz que Daenerys está trazendo!!!

Um soldado Lannister caminha por uma longa plataforma de madeira, trocando as velas em seus respectivos candelabros para que não apagassem. Posteriormente, ele urina na quina de um corredor e se senta em um banco deixado especialmente para seu uso. E que uso. Os dias definhavam com novas histórias a respeito dos Targaryens, a retomada de Winterfell pelos irmãos Stark e seus bastardos e uma rainha morta no sul que fez seus súditos praticamente idolatrarem sua nova rainha. O que ele havia feito todo esse tempo? Passando seus turnos vigiando o mar que dá acesso a Castlerey Rock, urinando em cantos e trocando velas enquanto a guerra tinha seus altos e baixos sem que ninguém pudesse dizer ao certo quem sairia vencedor. No entanto, a chegada da nova rainha sinalizava a vinda de uma nova era para todos em Westeros, o aue significava que a ação permaneceria longe dele. Agora havia um Lorde e uma Lady no reino e por mais odiados que fossem, tinha se tornado inegável que os dois faziam um bom trabalho juntos, o que é inacreditável quando se sabe de quem se está comentando. Uma Stark e um Lannister, uma dupla improvável tomando as rédeas de Castlerey Rock com o inverno cada vez mais perto, o que era um azar para o momento. A guerra exauriu os recursos de todos os reinos com a sútil exceção de Castlerey Rock, pois apesar de ter sido valioso para a família Lannister em King's Landing, logo os irmãos terminaram se esquecendo de cuidar do castelo de sua família, e ter um Lannister se importando outra vez com as próprias terras ao invés de almejar Westeros enche qualquer soldado de estusiasmo, principalmente no que diz respeito a patrulhar uma plataforma cujas águas garantem acesso ao reino, por mais que há muito tempo ninguém tivesse ousado atravessar a defesa dos Lannisters, até aquela noite. O soldado vigia o mar sonolento, com os braços cruzados e bocejando a todo momento quando, de repente, uma centena de tochas são acesas e gritos trovejam em sua direção antes de labaredas estraçalharem as edificações.

O soldado percorre a longa plataforma até atingir uma ampla torre, onde acende uma chama que se via ao longe das torres de vigilância centrais do castelo, para que seus guardas soubessem o que estava acontecendo. Imediatamente, os soldados se alinham enquanto um superior trata de chamar um mensageiro, que corre para despertar o Lorde e a Lady de Castlerey Rock à medida que todos se preparam para a guerra.

— Lorde Tyrion, um ataque se desenrola nas entradas de Castlerey Rock — Avisou o mensageiro ofegando.

— Por terra ou pelo mar? — Questionou o pequeno Lannister tratando de pensar de imediato em estratégias que poderia montar, até ter de repensá-las assim que recebeu a resposta de seu subordinado.
— Pelos dois, Milorde.

Daenerys observa atentamente suas tropas. Por todos os lados, soldados dos sete reinos se alinhavam prontos para a nova guerra que teria início. Uma guerra no norte na qual ninguém tinha a menor ideis de como iriam atravessar toda Westeros em menos de uma semana que, segundo o Doutor, era o tempo que restava para os Vagantes brancos alcançarem a Muralha. Ela se dirige até os aposentos do senhor do tempo, então Clara abre a porta agitada, chamando intimamente a rainha para que entrasse no cômodo.

— O que está acontecendo aqui? — Questionou a jovem Targaryen ao reparar uma série de fios que se entrelaçavam por todos os cantos e conectavam as duas máquinas do tempo.

— Esse é o plano, majestade — Afirmou o Doutor explicando toda a conexão de fios que nada significavam para ela.

— Eu não entendi nada Doutor, mas tem certeza de que isso poderá levar todos os soldados daqui para o norte da Muralha? — O senhor do tempo encarou a rainha decepcionado.

— Pensei ter explicado direito, mas sim, levará todos os seus homens ao Norte da Muralha — Esclareceu de vez, tomando uma chave inglesa das mãos de Rose para mexer em algumas engrenagens acopladas externamente.

— Alguns guerreiros não se sentem à vontade por ir à guerra sem suas montarias — Esclareceu a rainha se aproximando do senhor do tempo, que levanta a cabeça para prestar atenção e termina dando de cara com os seios da jovem Targaryen.

— Diga aos cavaleiros que — Ele desvia o olhar envergonhado para Rose — Se levarem seus cavalos, eles morrerão com o choque térmico repentino. Vocês terão quase uma semana para se adaptarem e ainda estarão agasalhados durante a viagem, enquanto os cavalos estarão completamente desprotegidos.

— Alguma previsão de quanto tempo levará para seu transporte ficar pronto? — Indagou Daenerys toda agitada.

— Já está pronto. Avise seus homens para se prepararem que logo estaremos todos ao Norte da Muralha — Daenerys desce o palácio para fazer um pronunciamento a suas tropas quando um mensageiro aparece com um pergaminho trazido por um corvo.

— Majestade, os Greyjoy foram encurralados durante a retomada das Ilhas de Ferro — A rainha fica perplexa dianta da notícia, então encara os presentes e chama Jon e sua irmã de canto.

— Ouviram o que ele disse. Temos mais inimigos por aí e eles podem vir a King's Landing trazendo mais guerra ao povo. Precisamos de apoio imediato para derrotar esses canalhas onde estiverem.

— Temos quase vinte mil homens — Observou Arya apontando para as tropas — Fora a Patrulha da noite que já está na Muralha, além dos selvagens que Jon enviou a alguns meses, acho que temos homens suficientes para ao menos conter os Vagantes Brancos fora de Westeros. Se enviar dois mil homens para as Ilhas de Ferro, será uma ajuda propícia e uma falta que não será não sentida na batalha — Jon sorriu cheio de orgulho antes de concordar com um meneio.

— Dois mil homens é um número razoável, mas Arya está certa. A Patrulha da noite conhece bem aqueles territórios, assim como eu, então não será difícil montar estratégias eficazes de contenção. Com tudo o que temos, além dos dragões e dos senhores do tempo, acredito que temos chances — Daenerys repara na expressão pouco confiante de Jon, mas prefere não comentar, optando por realizar um novo pronunciamento aos soldados e assim enviá-los rumo as Ilhas de Ferro enquanto o restante se realinha para aguardar a chegada do Doutor e do Mestre. Não demorou muito para que Clara e Rose saíssem de dentro do palácio apressadas, com a loura pronta para a guerra.

— Majestade — Chamou Clara empolgada — Logo mais o Doutor virá até nós.

— Obrigada, Clara. Espero que tudo fique bem — Repentinamente, um portal brilhante surge, emanando uma luz capaz de cegar qualquer um antes que as duas máquinas do tempo surgissem e pousassem no chão, abrindo um tipo de tecido cujas bordas se esticam por meio de meio entrelaçados, espalhando raios pelas duas máquinas enquanto seus pilotos saem delas para avisá-los.

— Corram em fila reta para dentro do portal, do outro lado vocês encontrarão a Muralha — De fato, do outro lado do imenso tecido todos viam a Muralha e na borda finos flocos de neve saíam do tecido para encontrar o chão. Sentindo o frio escapar dali, muitos soldadoa fogem amedrontados, enquanto outros simplesmente ficam paralisados, o que força Daenerys e Jon a tomar a frente.

— O homem que criou esse meio de transporte se chama Doutor, cavaleiros. É o homem que mais confio nesse mundo além de meu conselheiro e meu braço direito — Ela encara Jon com otimismo e determinação.

— Enfrentaremos um perigo desconhecido e para tal teremos de usar esse meio desconhecido para encontrá-lo antes que ele nos encontre — Proclamou Snow desembainhando a espada e atravessando o longo tecido acelerando mais a cada instante. Todos ficam apreensivos, até que Jon ressurge ofegante e estupefato, com o corpo coberto de neve antes de encarar o exército com seriedade. Tomando impulso, mais e mais soldados atravessam o portal para a Muralha, enquanto Rose se põe ao lado da rainha para que pudessem atravessar juntas, com Daenerys munida de seus quatro dragões.

Lorde Baelish observa de longe suas tropas montando um cerco a Castlerey Rock, seus soldados do Vale impedindo qualquer carroça ou cavalaria de entrar na cidade enquanto uma tropa cerca os mares. O herdeiro do Vale se aproxima admirado com a estratégia de seu tio, por mais que não entendesse direito.

— O que fazemos parados aqui, tio? Temos a chance de atacar, seria prudente atacar agora.

— Seria prudente atacar se meu objetivo fosse meramente destruir essas terras. No entanto, grandes tesouros são mantidos lá dentro, é por isso que não atacamos. Ainda — Revelou Little Finger suspirando triunfante.

— Terminamos nosso cerco, Milorde — Avisou um general se aproximando — Ninguém entra nem sai de Castlerey Rock seja por terra ou pela água.

— Excelente general Mahus — Peter encara seu sobrinho com uma expressão disciplinar — Agora é uma questão de tempo até o Lorde de Castlerey vir negociar sua rendição. Ele não é um tolo, tenho certeza que tomará uma atitude sensata.

— E se não tomar, tio?

— Então eu irei persuadi-lo- Declarou Baelish com frieza.

— Quer dizer destruí-lo?

— Você aprende rápido — Afirmou o Lorde com orgulho sem muita evidência. A noite cai e as tropas preparam seu jantar, apetitosos javalis e quilos de grãos secos enquanto seu líder convoca uma reunião com seus generais, dispondo em uma mesa improvisada o mapa da região e nele a estratégia montada pelos mesmos.

— Este é o plano, senhores. Garantam que essas partes mais expostas e frágeis dos castelos sejam alvo de nossas catapultas pela manhã.

— Achei que fôssemos esperar, Milorde — Declarou um general mais velho.

— E já esperamos. Nosso tempo é escasso. Cada dia a menos é um tempo a mais para o anão recorrer a King's Landing e devemos impedir ao máximo que isso aconteça. A menos que prefira ver seus homens queimando quando a garota Targaryen chegar com seus dragões.

— De forma alguma.

— Então ordene que os homens estejam preparados até o amanhecer. Quando o dia de amanhã chegar ao fim, quero Castlerey Rock nas mãos da casa Baelish — Bandeiras azuis revelavam um brasão dourado, no qual havia uma mão com um dedo médio pequeno, segurando um relevo semelhante a uma rocha são erguidas. Tochas são acesas e centenas de compartimentos de madeira são carregados de um lado para o outro do campo, com muitos deles sendo imediatamente atingidos por flechas disparadas do alto das muralhas de Castlerey Rock. As flechas destroem algumas das tábuas e atravessam partes desprotegidas de armaduras, como pescoços, articulações e mesmo cabeças. Olhos são penetrados e sangue escorre dos moribundos, infestando os campos com um odor profundo e enjoativo. Baelish observa o desenrolar da batalha noturna sem ter seu ego ameaçado, mas por precaução corre para ajudar no avanço.

— Montem três fileiras de cada lado mais vulnerável das torres. Eles não poderão atingir todas as linhas. Terão de concentrar seus ataques se quiserem algum progresso — O general corre para avisar os soldados enquanto Peter alcança seus arqueiros — Mirem seu alvo não muito longe das fileiras que serão montadas. Em breve eles irão ceder — Seguindo as ordens de seu Lorde, os arqueiros posicionam-se próximo às fileiras de soldados que se preparavam para montar as catapultas, e o resultado não poderia ser diferente. Logo, grande parte dos arqueiros nas torres são abatidos e Baelish percebe isso ao notar que a quantidade de flechas disparadas diminuíra bruscamente. Sua vitória não iria demorar.

Tyrion se reuniu com seus generais e outros comandantes gerais do reino e aguardou a chegada de Sansa, que tentou não demonstrar seu receio ao entrar.

— Baelish quer nos deixar sem opções — Afirmou um general pançudo repleto de preocupação.

— E ele conseguiu — Concluiu um segundo secando o suor em sua testa — Aposto como vai mirar suas catapultas nas partes mais vulneráveis.

— Me lembrem de tirar essas vulnerabilidades — Pediu Tyrion tenso.

— Podemos ser vulneráveis em alguns pontos mas ainda somos o maior exército de Westeros — Afirmou Sansa retraída — Eu sei como funcionam as tropas do Vale, podemos vencer essa guerra nos portões.

— Admiramos a sabedoria da Milady — Exclamou o Lannister se levantando — No entanto, não precisamos enfrentar Little Finger, não da forma convencional.

— O que está insinuando, pequeno? — Questionou um general jovem repleto de revolta.

— Olha como fala com seu Lorde — Observou um general apoiador de Tyrion se inclinando sobre a mesa — Qual seria seu plano, Milorde?

— Daenerys quer mudar as coisas e eu compartilho de sua visão. Se quero me mostrar como seu aliado, preciso que todos vejam seu modo de agir — Exclamou o Lannister decidido.

Soldados se amontoam nas entradas, bem como nos corredores que dão acesso à cidade, então o portão central é aberto e Tyrion sai em uma montaria menor acompanhado por uma dúzia de cavaleiros experientes, bem como Sansa, que está tão rígida quanto seu amigo. À medida que se aproximam, alguns soldados do Vale encaram Tyrion antes de dar gargalhadas animadas e cheias de força, zombando do pequeno até o limite de suas vozes.

— Lorde Tyrion, sabia que era um homem sensato.

— Nós dois somos, Lorde Baelish.

— O que quer, Baelish? — Perguntou Sansa atrapalhando a conversa dos homens à frente de seus respectivos reinos.

— Quero garantir que a justiça seja feita. Não podemos permitir que o sucessor de Castlerey Rock seja alguém que matou sua própria família.

— Como se você fosse capaz de fazer diferente — Um clima de tensão se instala ao redor, com alguns soldados olhando entusiasmados para a jovem Stark.

— Perdoe os modos de Lady Sansa, Lorde Baelish. Estou disposto a negociar — Revelou Tyrion descendo do pônei para se aproximar de Peter e estender-lhe a mão como sinal de trégua. Little Finger, no entanto, retira sua espada da bainha e a mira em direção ao nariz do anão — É isso? O Lorde do Vale vai atacar um homem desarmado que tem metade do seu tamanho quando ele pede paz?

— Ninguém pede paz na guerra.

— Afinal o homem que pede paz nunca é aquele que começa a guerra — Exclamou Tyrion com seriedade, gerando muitos comentários intrigados entre os soldados do Vale, que também soltam risadas de Little Finger ridicularizando a atitude de apontar uma espada para alguém como Tyrion.

— Já chega disso, ordene que seus homens abaixem as armas e nos entreguem Castlerey Rock.

— Voce quer destruir a paz que foi conquistada com tanta dificuldade, Lorde Baelish, então nossas tropas vão sangrar inutilmente pelo campo enquanto o mundo segue seu rumo, não mudará nada.

— Eu não tenho o que perder — Afirmou Little Finger com arrogância.

— Mas seus homens tem, então me mate logo e entregue uma desgraça às suas tropas enquanto mais gente inocente sofre sem necessidade — Ele se volta para os soldados do Vale — Podem estar do lado desse homem, mas Daenerys Targaryen propõe um novo tipo de sociedade. Não precisamos existir em uma perpétua guerra, podemos ajudar uns aos outros para melhorar todos os reinos ao invés de apenas um reino crescer — Os soldados se encararam, mas Baelish fez pouco caso, avançando em peso contra Tyrion, que cai espalhando sangue para os lados. O Lorde parte para sua ofensiva final, mas um jovem soldado acerta Baelish pelas costas, cortando sua barriga, antes de ir em socorro do anão, enquanto Peter cai agonizante no chão, com seu estômago vazando pelas roupas. Quando Tyrion é socorrido, seu rosto está cortado de uma ponta a outra, mas ele ignora isso ao ver um dragão de Daenerys sobrevoar Castlerey Rock e cuspir fogo nas embarcações que cercavam a costa.

Notas finais
Tyrion conseguiu derrotar Baelish de maneira que a menor quantidade de sangue fosse derramado, mas Daenerys vem em seu auxílio com uma ofensiva amedrontadora? O que esperar de Tyrion ao ver tal atitude?