A Era Perdida

2 Capítulo 1- A professora


Notas iniciais
Olá meus exploradores lindos ♥ ♥ Fico tão feliz pelos exploradores que comentaram no ultimo capítulo, Doctor Aquarius, cacau260809, Rêvemort, Jhé Lyma, Giovanne Augusto. Obrigado a todo mundo que está acompanhando e favoritou a fic, esperando vocês vierem falar comigo, dizer o que estão achando da fic :3 Beijos e lembrem de seguir comentando para entrar na lista dos exploradores de ouro ♥

5 anos depois.

A professora Martha estava chegando ao fim do quadro com suas anotações. Com seu livro de química avançada em mãos, o qual copiava, e seus óculos de leitura a frente de seus olhos esverdeados, tirando a maior parte do charme deles, assim como toda sua indumentária. A longa saia godê marrom que usava quase não combinava com a simples blusa social branca que usava e o feio casaquinho verde que usava sob o jaleco branco de professora.

Ela não era uma mulher feia, havia atributos típicos de uma mulher bonita, cabelos loiros encaracolados que ela sempre mantinha presos em um coque, olhos bonitos e curiosos, face redonda como um coração, sempre usando as joias simples, porém caras de sua falecida mãe.

Mas a cima de tudo, Martha não se importava com sua aparência, mas sim com seu trabalho, o qual ela levava muito a sério e significava o mundo para ela.

Nas fileiras do auditório somente homens faziam sua matéria e todos desesperados para anotar o que Martha estava escrevendo, a matéria dela era uma das mais complicadas e ela era uma professora firme, tanto que no momento que parou de escrever, ela soltou o giz e colocou o livro sobre a mesa de madeira.

Batendo a poeira de suas mãos ela lançou um olhar pelos alunos copiando.

— Muito bem, cavalheiros, com isso começamos os nossos estudos de química orgânica desse período — apontou para o quadro negro de 3 metros completamente escrito — Alguma pergunta?

Ela olhou várias mãos se levantarem, mas escolheu somente um rapaz que sentava na primeira fileira, e apontou em sua direção, permitindo-o falar.

— Senhorita Lewis, vamos conseguir terminar tudo isso até as provas? Elas são em dois meses — disse de forma preocupada.

Martha caminhou até sua mesa, sentando-se na ponta dela.

— Eu vou conseguir terminar de passar, se vocês vão conseguir terminar de aprender vai aluno para aluno, isso não é da minha conta — falou normalmente — É o que dizem, entrar em Oxford é fácil, sobreviver a química avançada nem tanto. Se não conseguirem é sempre possível mudar de curso.

Alguns alunos se entre olharam nervosamente e a professora simplesmente pegou seu livro em mão novamente, procurando uma página em especifico. Uma leve batida na porta atraiu a atenção da classe, mas os alunos somente olharam na direção da porta e logo abaixaram suas cabeças, copiando o que tinha no quadro, agradecendo que a professora foi atender a mesma e esqueceu o giz para trás.

O salto do sapato de Martha fez um som característico de encontro ao chão de madeira da sala, ela colocou uma mão no bolso do jaleco e a outra ela girou a maçaneta da porta, se deparando com o secretário do prédio de ciências naturais. O homem alto e esguio em seu suéter feio, olhou a professora de forma animada, fazendo Martha erguer uma sobrancelha confusa.

— Pois não? Estou em aula agora.

— Sim, perdão professora Lewis, mas é que seu pai está em Oxford agora — falou chocando a mulher — Na universidade, nesse exato momento, apresentando um projeto de pesquisa.

Martha colocou ambas mãos nos bolsos do jaleco, deixando seu olhar decair até o chão de madeira, refletido perplexa o que havia acabado de ouvir. Ela por fim piscou, levando uma mão aos seus óculos, o retirando do rosto, forçando-se a pensar claramente, passando por suas emoções.

— Dez anos sem pisar em Oxford e ele nem uma carta me manda dizendo que está vindo — disse em tom baixo, quase inaudível.

O secretário franziu o cenho.

— O que disse professora?

Ela levantou seu olhar, olhando para o homem.

— Qual auditório ele está? — indagou retirando seu jaleco.

— O principal do prédio de ciências naturais.

Martha levantou o jaleco e seus óculos para que o secretario segurasse e assim ele fez por reflexo, olhando a mulher de forma supressa. Em um estranho ato vaidoso ela levou as mãos ao cabelo, abaixando os fios rebeldes do topo.

— Dispense meus alunos dessa aula...e das demais de hoje — falou surpreendendo a si mesma — Irei passar o dia junto ao meu pai.

O secretario abriu a boca para retrucar, mas a professora o ignorou, caminhando a passos largos pelo corredor de salas de aula.

Por trás da firme face, ela tinha medo, talvez não medo exatamente, preocupação, preocupação. Ela não via seu pai desde antes da guerra, desde a morte de sua mãe, ela não sabia como seriam as coisas agora, como seriam as coisas entre eles. O que dez anos na África podiam fazer a alguém? Ela não sabia responder.

E outra dúvida surgia em sua mente, que projeto era esse, que ele precisava pedir financiamento da universidade? O que era isso que o poderoso professor Lewis não podia conseguir com um de seus amigos? Tudo isso estava levando Martha a loucura e assim ela chegou ao auditório.

Após hesitar um instante a porta, ela girou a maçaneta, adentrando o lugar escuro, com luzes dando destaque ao palco, onde uma figura familiar apresentava seus projetos de forma entusiasmada. A distância não permitia ela ver os detalhes de sua face com clareza e assim, de forma hipnotizada, ela caminhou pelo corredor de doutores e professores, todos membros do conselho de ciências naturais, todos homens de alto escalão, todos julgando as palavras de seu pai.

— E isso cavalheiros é só... — a voz do professor morrei com a visão de sua filha.

Ela caminhou lentamente, atraindo cada vez mais a atenção do professor Lewis, até que ela chegou no fim do corredor. Eles se entre olharam até que o professor piscou e desviou seu olhar.

— É só uma parte da pesquisa do professor Dumbar que consegui resgatar, somente uma parte confinada em um pequeno diário, tenho certeza que essa expedição trará muito mais contribuições para as ciências naturais e prestígio a nossa universidade.

Martha se sentou em um lugar vago na primeira fileira, observando o professor falar.

— Mas o que nos dá a certeza de que essa expedição levará a algum lugar, professor Lewis? O que nos diz que o que está escrito nesse diário é verdade? Que o professor Dumbar não enlouqueceu vivendo anos com povos inferiores da África? — falou um dos membros do conselho.

Martha deixou seus olhos observarem o crânio de dinossauro sobre a mesa, o animal pré-histórico empalhado sobre o chão e no quadro negro um desenho de um platô e anotações de longitude a latitude as quais ela leu e viu que dava na floresta amazônica, no Brasil. Rapidamente ela raciocinou enquanto o conselho discutia com seu pai, que ele estava a fazer uma expedição para um lugar onde criaturas pré-históricas viviam.

Parecia loucura, uma verdadeira insanidade, porém, ela pensou, era seu pai, o professor Lewis, se ele estava falando aquilo, devia de ser verdade. Ele era um homem da ciência a cima de tudo. E assim ela se deixou ficar maravilhada, um mundo pré histórico, intocável, que loucura maravilhosa aquilo devia de ser.

— E por que a universidade deveria patrocinar essa loucura? — a voz de um dos membros da sociedade ecoou alto, firme, quase raivosa.

— Não quero o dinheiro da universidade, tenho meu próprio patrocinador — falou o professor — Quero o aval da universidade de que estou fazendo uma expedição cientifica e que o que eu descobrir fique atrelado ao meu nome como uma descoberta cientifica. Montarei minha própria equipe e comprarei meus próprios instrumentos, só preciso do reconhecimento.

Os membros do conselho discutiram entre eles e o professor lançou um olhar na direção de Martha, avaliando-a, ela sentiu sua respiração ficar pesada com o peso de seus olhos sobre ela. Até a voz de seu pai parecia alienígena a ela, ele havia envelhecido bem, parecia novo nos seus 55 anos, era um homem ativo, um turista inato, tudo que Martha não era, mas mesmo assim aquela aventura tinha um apelo a professora, um que ela ligava a vontade de conhecer seu pai.

— Muito bem, professor M. T. Lewis, o conselho tem decidido que reconheceremos suas descobertas nesse ‘’platô perdido’’ e tudo que descobrir nessa expedição ao fim do mundo que conhecemos estará atrelado ao seu nome e de sua equipe — Martha viu um sorriso aliviado brotar nos lábios de seu pai — Porém mandaremos um membro do conselho para lhe acompanhar, precisamos de nossos próprios olhos nessa expedição.

O professor Lewis manteve-se sorrindo, abaixando a cabeça somente para acenar positivamente, concordando com o outro. Abrindo as mãos em um dramático sinal de derrota, disse.

— O que o conselho achar melhor. E quem será meu parceiro nessa viajem?

Os membros do conselho se entre olharam pensativos, até que um homem de idade marcada e cabelos brancos se levantou, ele e Lewis se entre olharam, um avaliando o outro.

— Eu mesmo me encarregarei de averiguar essa pesquisa — disse o homem com longos bigodes brancos e óculos circular — Sou o doutor e PHD em botânica P. F. Müller.

Lewis observou as faces do homem com curiosidade e voltou a sorrir por fim.

— Peter? É você mesmo velho amigo?

O botânico apoiou sua mão em seu suspensório, sorrindo ao outro.

— Eu mesmo, Lewis meu caro, e pronto para embarcar nessa sua expedição.

— Sempre bom ter um amigo por perto — devolveu Lewis — Com isso...encerro minha apresentação, senhores. Boa tarde.

Os alunos e membros do conselho começaram a se levantar de suas cadeiras na direção da saída e Martha também se levantou, caminhando na direção de seu pai que estava a arrumar suas coisas sobre o palco. Quando a professora pisou na madeira macia do mesmo fez Lewis olhar por cima de seu ombro, olhando-a.

— Professor Lewis — disse ela, parando ao lado da mesa.

Seu pai continuou arrumando suas coisas dentro de sua pasta.

— Professora Lewis — devolveu sem humor — Como tem estado?

Ela deixou seus olhos caírem pelo crânio de dinossauro sobre a mesa.

— Ocupada, assim como você, suponho.

Lewis se virou, com sua pasta em mão e casaco na outra. Ele deixou seus olhos deslizarem pelas feições de sua filha, olhando o que o tempo havia feito com ela, do mesmo modo que ela o olhava, um avaliando o outro de modo criterioso, como se julgassem um ao outro dignos de algo.

— Tenho tempo para uma xicara de chá em um dos meus cafés favoritos aqui no campus, a senhorita estaria interessada?

Ela sorriu levemente, quase de forma educada.

— Sim, professor, dispensei meus alunos pelo dia. Uma xicara de chá cairia bem.

Lewis deu sua pasta a sua filha enquanto vestia seu casaco e os dois caminharam na direção da saída do auditório. Foi uma caminhada em silencio e quando Martha pensou em dizer algo, seu pai cruzou a sua frente para dar atenção a outra pessoa, que ela observou ser o botânico de mais cedo, o qual era amigo de seu pai.

— Peter, meu amigo — abraçou o homem carinhosamente.

Martha pode ver que ele tinha traços germânicos e seu sotaque era bem típico de um falante de alemão. Ele devia de estar nos seus 60 e ela não conseguia se impedir de pensar o que o levava a querer fazer tal viagem tão perigosa nessa idade. Mas seus pensamentos morreram assim que ele lhe lançou um olhar.

— E essa deve ser Martha, é tão estranho que trabalhemos no mesmo prédio e eu nunca a havia visto — comentou estendendo uma mão a professora.

Ela lhe sorriu educada e apertou sua mão.

— Não costumo interagir muito com os demais professores, professor Müller — respondeu gentilmente — Nem eles comigo.

— Ah, penso que sim, ser a única mulher no prédio de ciências naturais deve de ser um desafio constante — falou consolador — Você me lembra muito sua mãe, ela era pioneira assim como você...e também bonita como você, senhorita Martha.

Martha sentiu seu coração bater mais forte com a menção de sua mãe.

— O senhor é muito gentil — ela olhou na direção de seu pai — Estamos indo tomar chá, professor Müller, o senhor gostaria de nos acompanhar?

Ele riu e negou com um aceno.

— Seria um prazer minha cara, mas tenho aula agora — ele olhou para Lewis — Nos discutiremos mais amanhã sobre essa expedição, meu amigo. Não sei se acredito inteiramente nessa sua sandice, porém uma última chance de eu rever a Amazônia não será jogada fora. Bem...é isso, até mais.

O botânico acenou ao amigo e se dirigiu a sair. Lewis devolveu o aceno e logo indicou Martha para que eles continuassem seu caminho até o armário de casacos em sua viagem ao café. Era outono em Oxford e o ambiente do café era estranhamente acolhedor. Martha pegou um lugar perto do aquecedor e retirou o pesado casaco rosa que usava, assim como seu chapéu.

Lewis retirou seu casaco, fazendo os pedidos enquanto sua filha o observava atentamente. Quando a garçonete saiu, Martha sentiu-se confortável para comentar o que eu estava martelando em sua mente.

— Aquele fóssil, que você expos — começou ela puxando a atenção do outro — O de tiranossauro.

— O que tem ele?

Martha arqueou uma sobrancelha.

— Não estava petrificado ou mesmo fossilizado...eram ossos recentes, mais recentes do que a era do gelo — comentou ela — Não preciso fazer uma datação com carbono 14 para ter certeza, os ossos estavam branquinhos.

Lewis sorriu perante a fascinação de sua filha.

— Eu disse.

Martha franziu o cenho.

— Tem certeza que aqueles ossos são verdadeiros?

— Conseguir uma cabeça intacta de tiranossauro, ou de qualquer outro grande lagarto é quase impossível. Necessitaria de anos de escavação, e nunca encontraria uma em tão bom estado, Martha! — exclamou ele rindo — Eu digo, esse ‘’mundo perdido’’ existe mesmo e eu vou achar ele.

A garçonete voltou servindo os chás, Lewis levou o chá puro aos lábios, porém Martha tomou seu tempo colocando mel no mesmo e mexendo o mesmo.

— Eu quero ir junto a você — falou firme, o mais firme que conseguia ser com seu pai.

Lewis abaixou seu chá, olhando-a de forma surpresa.

— A selva, esse platô não é lugar para uma mulher, muito menos uma flor de Londres que nunca saiu da Inglaterra — devolveu.

— E que lugar é o lugar para uma mulher, Lewis? Oxford não era e fiz dela a minha casa, nem uma mulher entrou no meu curso, eu fui a primeira e agora sou a única mulher no prédio de ciências da natureza...e eu tenho só trinta anos — ela olhou firmemente seu pai.

Lewis suspirou cansado.

— Martha...

— Quando eu tinha acabado minha faculdade ...e mamãe morreu...eu pedi para ir para a África com você, e você disse que não era lugar para uma menininha — abaixou seu olhar, sentindo as lágrimas se formar, mas ela não deixou ele sentir isso — E agora não é o lugar para uma mulher, mas eu não sou uma menininha ou simplesmente uma mulher — levantou seu olhar — Eu sou uma professora de Oxford, mestranda em toxicologia, sou uma cientista tão capaz de embarcar nessa viagem como qualquer outra. Queira você aceitar isso ou não.

Lewis olhou a mulher por um longo tempo, refletindo, Martha levou o chá aos lábios tentando controlar seus nervos. Ela não era o tipo de mulher que gostava de deixar sua inteligência emocional escapar do controle.

— Muito bem — disse Lewis por fim, atraindo a atenção da moça — Vou colocar seu nome na licitação, irá como pesquisadora na expedição.

Os olhos esverdeados de Martha se expandiram em pura surpresa, e ela pensou em agradecer, mas simplesmente abaixou seu olhar, bebericando seu chá, com um sorriso espontâneo demais para esconder do professor.

Lewis não sabia se tinha sido uma boa ideia, e naquele momento ele se arrependia do que tinha dito, mas não podia voltar atrás, era tarde demais e ele não era um homem de palavras ao vento, infelizmente para ele, teria de levar sua filha em sua aventura, mesmo que ela fosse uma estranha a ele.

Notas finais
Eai? O que acharam da Martha? Um mulherão né?