Abriu os olhos que ainda enxergavam embaçados, porém se lembro do que aconteceu e se levantou de súbito, com medo de não estar na mansão Uchiha, assustando a pessoa sentada em uma cadeira ao lado de sua cama:

- Testuda, é a segunda vez essa noite que me dá um susto desse, parece que você está querendo me matar – falou com uma mão no peito e as costas da outra na testa e com os olhos fechados, representado alivio.

- Porca, o que aconteceu comigo? Um homem entrou aqui e,.. – e percebendo que ainda era noite – acredito que ainda esteja. Mas como eu ‘tô no meu quarto? Quem me... – foi interrompida por risadas de sua amiga, o que em sua opinião era muita falta de compreensão e respeito por parte dela, e perguntou nervosa – Do que você está rindo?

- De você, hihi – e continuou com as risadinhas, que tentava abafar inutilmente.

- COMO VOCÊ CONSEGUE RIR INO!? – a nesse momento Sakura perdeu o controle, e vendo seu erro, continuou com a voz branda – Tem um ladrão nessa casa.

- Não Sakura, não tem ladrão nenhum! – a rosada ficou atônita, como não tinha nenhum ladrão na casa se ela tinha visto? E Ino, vendo a expressão da outra não conseguiu mais se segurar e deu muitas gargalhadas até conseguir explicar o que tinha acontecido – O homem que você viu e julgou ser um bandido era o seu ‘ouutro’ chefe! – e dito isto desatou a rir mais.

- OUTRO CHEFE?! Oh meu Deus! Iino, oo que vou fazer agora? – perguntou gaguejando – Eu tinha me esquecido completamente que era hoje que o irmão do Itachi chegava! Meu Kami-sama, que eu fiz?

- Relaxa Sakura, — falou a loira, que se divertia a sua custa, e estava vermelha de tanto dar risada – ele não vai fazer nada. É lógico que ele não gostou muito da sua ‘magnifica’ recepção, mas, conhecendo o Sasuke, ele não vai te demitir, como você ‘tá pensando.

- Sério? – perguntou ainda com um pouco de dúvida, sendo respondida com um aceno afirmativo com a cabeça da Yamanaka. Soltou um longo suspiro de alívio – Espero que não.

- Bem é melhor você dormir, e eu também. Boa noite – e saiu do quarto bocejando deixando Sakura sozinha com seus pensamentos.

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O despertador tocou e assustou a rosada que dormia profundamente, e se levantou desejando ter mais algumas horas de sono, afinal tinha perdido algumas nesta noite. Sem outra opção, levantou e arrumou-se, e seguiu para a cozinha, como fazia todos os dias desde que chegara ali.

- Bom dia Sakura-sama – disseram Chyo e o Sr. Tanaka, que de vez em quando acompanhava a senhora e Sakura durante o desjejum.

- Bom dia

- Ficamos sabendo do que aconteceu essa noite. – começou Chyo – Fico imaginando a cara do Sasuke-sama, aliás, ele disse para que você fosse à biblioteca depois que cuidasse do Sr. Fugaku.

- Tudo bem – suspirou, pegou a bandeja com o café da manhã e os remédios do seu chefe, e subiu com pouca vontade para o quarto dele.

Ela acreditava (e desejava) que o Uchiha mais velho não tivesse escutado nada, afinal ele era velho, logo seus ouvidos não deviam ser muito bons, e devia estar dormindo, ou seja, ele só saberia do ocorrido dela com Sasuke se alguém contasse, e esse alguém não seria ela. Como sempre bateu na porta e esperou resposta, que veio logo em seguida.

- Me diga o porquê da gritaria dessa noite! Será que não posso nem dormir em paz! – ela estava, definitivamente, enganada quanto ás suas conclusões. O Fugaku escutava bem, muito bem– Vamos agilize esse trabalho!

- Sim senhor! Me desculpe por essa noite! – disse com a voz tremida e enquanto servia o café ao outro.

- Espero que isso não se repita! Pode sair

- Sim senhor – disse e se retirou indo até à biblioteca, onde tinha certeza que levaria outra bronca.

Parou na porta e teve aquela sensação de que isso já tinha acontecido, a porta de madeira maciça e escura bem envernizada, o medo de ser criticada e humilhada pelo homem que jazia atrás da porta. Deu um suspiro e bateu, podendo escutar uma voz fria e grossa, da mesma forma que momentos antes. “Espero que ele não seja tão assustador quanto o pai”, pensou antes de entrar.

Parou sem conseguir entender, só tinha várias prateleiras, da mesma madeira que o objeto que encarava agora á pouco, que iam até o teto, todas repletas de livros. Era um lugar maravilhoso, porém não tinha ninguém ali além dela. Não podia acreditar tinha escutado uma pessoa lhe responder, “Devo estar ficando louca, não tem ninguém aqui”, refletiu virando-se para sair, até que a pessoa que procurava apareceu. Tinha errado novamente.

- Aonde vai?

- Desculpa, eu achei que não tinha ninguém – disse já de frente para o homem mas sem olhar para ele. Sakura não estava tendo muita sorte desde a chegada dele.

- Humph, venha – após dito isso a rosada finalmente teve coragem de erguer o rosto, mas só pode ver as costas largas e os cabelos negro arrepiados dele sumindo dentre as prateleiras.

Acelerou para alcança-lo, ou então ficaria perdida, o que só pioraria sua situação. Andaram até o fim do cômodo, e durante o caminho Sakura pode perceber o quanto aquela biblioteca era rica, e admirou isso, mas quando pararam a Haruno entendeu o motivo de Sasuke ficar ali. Atrás de uma mesa espaçosa e uma grande cadeira de couro preto, tinha uma enorme janela de vidro que quase ocupava toda a parede, e proporcionava uma vista panorâmica de todo o jardim, que era maravilhoso. Passaria o dia todo ali se não tivesse sido chamada pelo homem, que ela já tinha quase esquecido.

- Haruno, correto? – olhou para ela, esperando uma resposta sem retorno, e repetiu vendo que a mulher estava atordoada – Haruno Sakura, não é? — esperou, obtendo resposta.

- Sim – e sentou-se, obedecendo um aceno que ele tinha feito, e pela primeira vez viu o rosto dele.

- Como você deve ter percebido meu pai não se encontra completamente debilitado, e já deve ter se perguntado o motivo de uma enfermeira já que o que você faz qualquer um pode fazer – realmente ela já tinha se perguntado isso, mas ele não precisava jogar na cara dela que podia ser trocada á qualquer momento – Fugaku não queria isso, mas mesmo que ele não queira admitir não é mais o mesmo após AVC, e precisa receber alguns cuidados especiais. Ele vai agir mal algumas vezes, porque nunca vai admitir que precisa de alguém. Já passaram mais enfermeiras por essa casa do que eu gostaria, então eu peço que não deixe o trabalho, mas aceitarei caso você queira se demitir.

- Posso ir senhor? – disse em voz baixa, querendo sair o mais rápido possível dali, antes que ele tocasse no assunto do suposto ‘assalto’. Porém ele a liberou, e rapidamente ela se levantou e andou em qualquer direção, esquecendo-se de que aquele lugar era um verdadeiro labirinto e sumindo do alcance do Uchiha.

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- “Kami-sama, por favor, me ajuda!”- Tinha se passado pelo menos uns trinta minutos e não tinha encontrado a porta, e já estava ficando desesperada – “Eu nuca vou sair daqui”- preocupada em encontrar uma saída bateu fortemente contra algo que não sabia o que era, e caiu no chão. Olhou para cima e teve a visão de Sasuke olhando-a sem a menor intenção de socorrê-la, ele simplesmente se virou e ela entendeu que era para segui-lo, e assim o fez.

- Obrigada – Sakura agradeceu quando chegaram à porta, mas ele já estava voltando à sua mesa de trabalho e ela acreditou que ele não tivesse escutado. Porém enquanto abria a porta escutou ele dizer ‘Não se perca de novo’, em um tom quase inaudível antes de ele sumir.

Saiu seguindo em direção ao seu quarto para descansar um pouco antes do almoço, mas teve que mudar seu rumo pelo toque da campainha do Sr. Fugaku, o que significava que ele precisava de algo. Fato que a surpreendeu, pois, apesar de trabalhar a pouco tempo para o Sr. Uchiha, ele nunca a tinha chamado em outros horários além dos marcados, e não parecia que ele mudaria isso.

“Hoje não é meu dia de sorte”

Notas finais
Continuem lendo!