A Emily do David
1 OneShot
Notas iniciais
E lá estava ela, lindo e majestoso. Tão seguro de si. Seguro da sua vida, seguro dos sentimentos. Ele só tinha sentimentos por aqueles que ele julgava merecer.
E aqui estou eu, mais uma vez suspirando por ele, suspirando por seu rosto extremamente lindo, sua voz que sempre me dava calafrios quando invadia a minha mente, não importando com quem ele estava falando e todas as vezes que ele falava... nunca era comigo.
Mesmo eu sendo totalmente consciente da sua perfeita existência, ele nem percebe que eu existo, típica historia de high school, típico drama adolescente. Eu sei que sou covarde o bastante para nunca cruzar com ele no corredor, se isso acontecesse, eu provavelmente agiria como se não existisse, confirmando a ele que eu não sou uma pessoa para se notar, eu era só mais uma no mar de adolescentes dessa escola.
- David! – alguém o chamou e ele sorriu em resposta. E eu continuei a observá-lo por cima do livro.
Quem o chamara foi uma garota, ela estava junto dele desde o recomeço das aulas, ‘garota nova que faz amizade com o garoto que você gosta’, não parece comum?
Voltei meu olhar para as letras do livro e suspirei com o que acabei lendo, uma declaração, algo que eu nunca ouvi em minha vida.
IDIOTA! IDIOTA! É isso que eu sou, uma idiota!
Suspirei e fechei o livro. O intervalo já tinha acabado, meus poucos minutos o observando tinham se passado. Joguei a cabeça para trás e fechei os olhos, mentalizando uma forma de cabular a aula de matemática do próximo período.
Assustei-me ao escutar meu livro sendo derrubado da mesa por um dos ‘populares’, eles sempre faziam isso, me cansava, mas hoje decidi deixar ele no chão e continua a mentalizar meu plano. Talvez pular pela quadra era uma boa, ou eu podia simplesmente ficar no banheiro feminino.
- esses alunos do terceiro ano são muito idiotas! – sua voz inundou minha mente e eu imaginei que ele estava passando por perto e comentando isso com sua ‘amiga’ novata na escola. Mas então eu senti uma presença perto de mim, abri os olhos e encontrei seus olhos castanho-esverdeados fitando-me.
Eu acho que cai no sono, só pode. Era a única explicação para ele está falando comigo e está segurando meu livro e ainda mais: está sorrindo!
- também acho! – a menina que sempre estava lhe fazendo companhia estava ao seu lado, claro!
- err, obrigada! – estendi a mão para pegar meu livro, ele deu uma olhada na capa antes de me entregar.
- *Twilight! – ele pareceu surpreso. – minha saga book favorita! Estou ansioso por *Midnight Sun! – coloquei o livro dentro da bolsa um pouco surpresa, ele conhece o meu livro favorito!
- eu também. – eu podia ter dado uma resposta mais composta, mas eu estava com vergonha, baixei meu rosto e ouvi um risinho fino, a amiga dele estava rindo de mim, ótimo!
- eu me chamo David! – ele ainda sorria, mas não debochando da minha cara. – e essa é Jane, minha irmã irritante! Ela é nova no High School.
Irmã? Era por isso que eles viviam grudados e pareciam que se conheciam desde sempre? Porque eles se conheciam desde sempre!
Yeah! Eu sou uma idiota!
- sou Emily! – yeah, eu não suporto meu nome, soa tão estúpido, se bem que por esse lado combina comigo.
- prazer finalmente te conhecer, Emily! – pela primeira vez meu nome não soou tão ruim, na verdade soou bem bonito, a voz dele falando meu nome fez borboletas voarem agitadamente no meu estomago.
- ‘finalmente’? – exigi. O que ele queria dizer com isso?
- sim, sempre te vejo por aí sozinha e calada, não sabia como fazer pra me apresentar... – espera! Onde estava a ‘irmã’ dele? Ou eu estava tão envolvida na conversa que eu não a vi sair? Isso deve ter sido rude. Mas... o que ele disse? Que queria se apresentar pra mim?
- ah! – como eu podia responder aquilo de forma ‘normal’? Ele sorriu. – melhor eu ir pra aula! – se bem que eu estava cogitando cabular, odeio matemática, a próxima aula.
- eu não vou! – ele se moveu lentamente e sentou ao meu lado – odeio inglês!
- vamos trocar? – sugeri. Ele sorriu e não teve como eu não sorrir também.
- qual é a sua aula? – ele parecia avaliar meu rosto, seu olhar queimava na minha pele.
- matemática!
- ok, vamos trocar! – eu ri – você sabe sorrir! – ele parecia meio inconsciente agora, preso na própria mente.
- é! Mas não faço isso com muita freqüência.
- eu percebi! Mas estou disposto a mudar isso! – baixei meu rosto me permitindo corar e sorrir para a mesa.
E então eu senti seu toque, seus dedos estavam no meu queixo o erguendo, sua pele era macia e quente, ou eu tinha gelado ao ponto do toque ‘normal’ dele fosse extremamente quente.
- não esconda o sorriso! – ele pediu fitando meus olhos, os seus estavam líquidos e intensos, suprimi um suspiro que delataria o quanto eu estava apaixonada por ele.
- não estou muito acostumada a fazer isso!
- eu vou mudar isso... – ele parecia estar planejando algo – vai cabular comigo? – me choquei com a pergunta e com a mudança repentina do assunto, o outro parecia tão triste que era estranho que aquela simples pergunta tinha feito meu coração se encher de alegria e esperança.
- deve ser melhor que aula de matemática!
- eu gosto de matemática, sabe? Mas prefiro passar um tempo com você. – ele sorriu abertamente e eu me vi em choque novamente. – eu assustei você?
- não! Só que eu não esperava por isso... não me imaginava nem falando com você, muito menos ouvindo isso de você! – pela primeira vez na vida eu fui totalmente sincera, eu acabei de disser o que eu realmente o achava inalcançável pra mim.
- você está certa! Eu vou mais devagar! – ele estava inconsciente de novo.
- isso quer dizer que não vamos cabular juntos? – é, eu estava sendo corajosa demais hoje.
- claro que vamos! – ele sorriu. – vamos para o estacionamento e escutar algumas músicas no meu carro?
- parece bom – sorri timidamente.
Mas logo congelei e desfiz o sorriso ao sentir seu dedo indicador sobre meu lábio inferior.
- não desfaça o sorriso! – ele suspirou – prometo que não vou apressar as coisas, eu só... queria saber se seu sorriso era real. – eu não o compreendia, fato! – isso soou estranho, mas eu não estou acostumado a não ter controle dos meus sentimentos.
- eu nunca os tenho sob controle. – eu desisto de tentar entender o que ele faz e fala, deixa que aconteça o que tiver que acontecer.
Caminhamos lentamente até seu carro, ele abriu a porta de passageiro pra mim, me lembrei de Edward, o vampiro de Twilight, educado e cavalheiro, que antes de David, era quem me arrancava suspiros, mas Edward além de fictício era apaixonado por Bella, um lindo amor. Nunca comparei David a Edward, mas refletindo sobre algumas coisas que ele fez e disse nesses poucos segundos, eu me pergunto se ele se guia pelo Edward na maneira de agir com as garotas.
- você prefere rock antigo ou atual? – ele estava do meu lado segurando dois cds de duas bandas distintas, uma antiga e outra atual, eu escutava a banda atual para pensar no David, fiquei curiosa ao pensar em como seria escutar com o David realmente ao meu lado.
- pode ser esse! – apontei para o cd da banda atual, ele sorriu e ele colocou o cd para tocar. A musica tomou conta do carro e eu murmurava a letra enquanto o espiava pelo canto do olho.
- eu não agüento silencio! – ele virou-se para mim, fiz o mesmo. – posso fazer perguntas?
- só se eu poder também!
- okay, eu primeiro: porque você fica tão sozinha? – ele parecia estar perguntando para eu explicar a cura da Aids, porque a minha súbita solidão o incomodava?
- não gosto das pessoas daqui e, evidente, elas não gostam de mim. – mais uma vez eu estava sendo sincera.
- eu não concordo! Nem todas as pessoas da escola não gostam de você. – ele sorriu com humor, um humor negro o qual eu não consegui decifrar.
- minha vez! – eu não queria discutir com ele sobre o gosto das pessoas da escola. – o que você quis dizer com: ‘eu não estou acostumado a não ter controle dos meus sentimentos’? – ele congelou, seu corpo travou e seus olhos ficaram opacos, sua mente estava longe.
- eu... não sei o que sinto por você... sei que é forte e que não posso evitar! Pegou-me de surpresa, eu nem me tocava que você existia... – e eu sabia disso – mas nos últimos dias... eu não sei, era como se uma luz se ligasse ao seu redor me fazendo te perceber e então eu me pegava avaliando cada ação sua.
- você sente algo por mim? – silabei, isso era uma prova muito concreta de que eu estava sonhando.
- não está obvio? – ele corou. ELE COROU! Adorável. Em que mundo distorcido eu estava?
- você não acredita, né? – ele sorriu debochando de si mesmo e se inclinou para mais perto, eu me encolhi. Eu não estava com medo, isso era apenas novo pra mim.
Ele parou a aproximação e passou por cima da marcha, agora estávamos no mesmo banco. Fisicamente impossível, e extremamente agradável ter o corpo dele tão perto, eu conseguia sentir a respiração dele batendo contra meu rosto. Ele colocou algumas mechas do meu cabelo para trás do meu ombro, seus olhos não me deixaram desviar o olhar.
- não vou pedir permissão para fazer isso – avisou -, mas se afaste se você não quiser.
Senti sua mão sobre meu pescoço e então o vi se aproximar, do mesmo jeito que ele, eu encarava seus olhos e fitava sua boca se aproximando. Seu hálito bateu contra meu rosto, fechei meus olhos e fiquei escutando nossos corações acelerar até ficarem com o batimento desregulado, mas igual.
O leve toque dos seus lábios nos meus fez-me perceber que eu estava bem acordava e que o que estava acontecendo era real. Eu me perdi nos movimentos dos nossos lábios, eu quase não conseguia lembrar de respirar e eu tinha a impressão que era assim com ele também, me deixei iludir.
- eu quero você... – não sei se imaginei isso, mas sua voz soou ofegante, mas eu sentia seus lábios nos meus, como ele podia ter falado aquilo? – Emily... – agora sua boca estava fora do meu alcance, ele esperou até eu recuperar o fôlego.
- sim? – eu ainda não o havia recuperado e meus olhos ainda estavam fechados.
- eu quero você! – ele repetiu e eu abri meus olhos, encontrei os dele me fitando intensamente.
- c-como?
- eu quero você! — ele riu. – não me entenda mal! Eu quero estar perto de você, quero te conhecer melhor! Passar cada segundo possível ao seu lado, é só o que eu quero! Quero te mostrar o quanto meu sentimento é forte!
- como você pretende fazer isso? – as borboletas do meu estomago se agitaram novamente.
- eu pretendia te pedir em casamento, mas você tem outra idéia? – eu ri nervosa.
O braço dele estava ao redor do meu pescoço e minhas pernas estavam quase totalmente sobre as dele, peguei sua mão livre e apertei entre as minhas.
- sou nova para casar! – eu sorri.
- eu também! – ele correspondeu o sorriso. – mas não quero que no futuro você se case com outro! – ergui meus olhos para fita-lo, seu rosto estava franzido em uma careta nada feliz.
- não vou!
- prometa! – eu ri.
- eu prometo!
- assim fico mais tranqüilo! Então, seja minha namorada... só para eu chamá-la de minha em algum aspecto. – ele suspirou.
- sou sua em todos os aspectos. – assegurei e me aninhei em seus braços.
- “você sente algo por mim?” – ele devolveu minha pergunta.
- o que eu sinto é quase tão intenso e verdadeiro quanto o que Edward sente por Bella! – expliquei de uma forma fácil e sincera, ele sorriu e me apertou em seus braços.
- então você é o Edward da relação? – ele riu.
- não! – sorri e me sentei de uma forma em que eu podia observar seu rosto de anjo. – eu sou a Emily da relação!
- a Emily do David! – ele acrescentou e eu sorri. – eu te disse que ia te fazer sorrir mais.
- e a Emily do David agora saber sorrir!
Fim
*Twilight é uma saga book e Midnight Sun é uma especie de volume bônus!
Notas finais
Beijos ;*
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