A Elite - Origens
1 Capítulo 1 - Vidas
Aquele dia amanheceu com cara de poucos amigos. O tempo estava chuvoso e ventava bastante, a cidade maravilhosa como é conhecida mundialmente estava debaixo de densas nuvens escuras, nem mesmo seu Redentor escapara. Observando esta paisagem nada pitoresca da janela de seu quarto estava uma jovem, seu nome é Caroline, mais conhecida apenas por Carol. A bela vista da Lagoa Rodrigo de Freitas onde mora estava escondida devido ao temporal que começara na tarde anterior. Porém, o tempo e a paisagem não eram importantes para ela naquele momento, em seus olhos podia-se notar que seus pensamentos estavam longe e seu semblante estava descaído, sim, algo a atormentava. Podia-se notar em uma de suas mãos um pedaço de papel amassado. Havia silêncio naquele cômodo, que foi subitamente quebrado por uma voz firme e autoritária.
— Carol, levante-se, já esta na hora!
— Já levantei mãe.
— Ande logo, pois, seu pai já saiu e quem vai te levar é o motorista esta manhã.
— Tudo bem mãe, já estou me arrumando.
A mãe daquela jovem tinha vindo apresá-la para não perder o horário da escola. Após isso, Carol olhou mais uma vez aquele pedaço de papel em sua mão e o guardou na gaveta de seu criado mudo e foi banhar-se e trocar-se. Logo em seguida foi tomar seu café da manhã.
A mesa estava posta já há pelo menos uma hora, pois sua mãe era muito dinâmica, quase inglesa em sua pontualidade com todos os deveres do lar, embora tivesse meia dúzia de serviçais para realizá-lo, cuidava dos mínimos detalhes de tudo que acontecia naquela casa. Postas a mesa estavam todas as iguarias de que aquela bela jovem de classe média alta mais gostava. Sem dúvida aquela jovem tinha a vida que muitas jovens de sua idade desejariam ter. No entanto, estava em silêncio a mesa, e sua estranhou e disse-lhe:
— O que houve filha? Até agora não comeu quase nada, prove esta geléia que comprei na nossa última viagem a Roma.
— Obrigada mãe, mas estou sem apetite, vou ficar apenas com este copo de suco.
— O que esta havendo, filha? Sua treinadora disse que você deve se alimentar bem, tudo que esta a mesa faz parte da sua dieta, coma pelo menos esta fatia de pão integral com esta deliciosa geléia.
— Já disse que não quero. –Disse a jovem de forma mais firme.
— Foi por acaso aquele insignificante do Alex que andou te perturbando?
— O Alex não tem nada haver com a falta de apetite. E eu não quero falar sobre isso. –Disse ela de cabeça baixa.
— Eu sei que você esteve com ele ontem Carol.
— O quê? A senhora andou me seguindo mãe?
— Desde que ele veio com aquela história de que estava apaixonado por você que eu venho observado aquele vira-lata. E eu realmente fiquei desapontada com você, o que lhe deu na cabeça de se encontrar com ele ontem à tarde?
Carol estava de cabeça baixa, levantou-a e olhou diretamente nos olhos de sua mãe, não adiantava esconder, mãe é mãe e sabe quando os filhos têm problemas, mesmo que esses tentem a enganar, e no caso da mãe de Carol esta sabia o que havia acontecido na tarde anterior.
— Sim, mãe, ontem conversamos e não houve nada de mais. Apenas pedi para ele tocar a vida dele e me esquecer.
— E agora você ta com remorso?
— Não!!! De jeito nenhum eu nunca fui com a cara dele!
— Acho bom, filha minha não deve sequer falar com vira-latas como ele.
— Eu apenas estou pensativa não gosto de dar fora em ninguém.
— Fica tranqüila filhinha, o culpado disto é ele mesmo, ele que corre atrás de você há mais de dois anos, mesmo sabendo que você não gosta dele.
— Mas é que eu fiquei com pena dele mãe!
— Pena? Você devia era ter depenado aquele galinha!
— Calma mãe. Ele não vai mais me incomodar, pelo menos foi isso que ele deixou bem claro ontem.
— Disso eu tenho certeza filha. Disso eu tenho. –Disse sua mãe de forma firme e convicta.
— Do que a senhora ta falando mãe?
— De nada filha, apenas termine o seu café, pois se não chegara atrasada.
Após esta conversa, Joana a mãe de Carol acompanhou a filha até a garagem onde o motorista já aguardava. E assim aquela jovem partiu para a escola neste dia.
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Naquela manhã Fernando acordou cedo, algo que não era o habitual, foi até a janela e observou o tempo, chuvoso e com muito vento. Embora seu corpo deseja-se a cama, pois dormira muito mal na noite anterior, sua mente estava ativa, não tinha sono. Para tentar relaxa começou a fazer flexões, porém, começou a lembrar-se de uma conversa que teve com seu amigo no dia anterior.
— É hoje Fernando!
— Hoje o quê? Alex.
— Vou me declarar para Carol, vou disser que a amo e que não posso viver sem seu amor.
— Não acredito que você ainda ta com essa idéia maluca de que a Carol te ama em segredo. Só falta você propor a ela namorar escondido?
— É isso mesmo que vou fazer cara.
— Ta doente, bateu a cabeça, perdeu um parafuso, comeu coco de cachorro?
— Que isso, Fernando? Logo você, meu amigo de fé, irmão camarada falando estas coisas para mim?
— Cara para de se iludir. A Carol não gosta de você, não pelo menos como namorado, pode ser que goste como pessoa, mas talvez não, a mãe dela não vai com a sua cara, esqueceu.
— Você ta falando isso pois não viu como ela me olhou outro dia na quadra do colégio, ela olhou profundamente dentro dos meus olhos, e eu sei que quando uma garota faz isso é porque ta apaixonada pelo cara.
— Cara tu ta vendo coisas. Pode ser que no fundo a Carol goste de você, mas vocês não são nem amigos. Você precisa primeiro ser amigo dela para tentar alguma coisa.
— Nada disso, nós somos almas gêmeas, o problema é que ela é riquinha e eu...
— Na boa amigão. Você é conhecido como o galinha da escola, já se apaixonou por meia dúzia de garotas desde o dia que te conheci. E agora ta cismado com a Carol. Vê se desencana!
— Qual é a tua velho, tu é meu brother ou não?
— Claro que sou, por isso to te dando um toque antes que você se estrepe de vez.
— Valeu pelo conselho mais eu sei o que to fazendo. A Carol ta na minha. O problema é que todo mundo quer se meter na minha vida.
— Não faça nada que vá se arrepender depois.
— Depois da minha declaração de amor hoje ela vai se derreter todinha.
— Vou te falar pela última vez. Ela não ta afim de você. Já percebeu como ele te trata? Ela não te dar a menor atenção, fala para as coleguinhas dela que você se veste mal, não tem papo, não é bonito, não tem uma motoca como o Clebean e principalmente não tem grana como o Viny, você para ela é um vira-lata!
— Você não sabe o que ta falando, parece até o JC, vocês tão é com inveja de mim.
— Inveja de que? De ser humilhado por todas as garotas que gostou? Esqueceu o que a Fernanda e a Flavia fizeram com você?
— Claro que não. Mas eu não amei aquelas garotas como amo a Carol.
— Estas minas são passado, agora tudo vai dar certo!
— Meu Deus, parece que você esta drogado.
— Pode ser amigão, mas eu to entorpecido de amor.
— Amor... Mas Alex isso não é...
— Até Fernando, vou me encontrar com meu amor.
Enquanto Fernando lembra-se deste ocorrido nem percebe mais já fez mais de mil flexões!
— Caramba! O que será que houve com aquele maluco. –Diz ele.
— Já chega de flexões, vou ligar para ele.
Após Fernando pega o telefone e liga, o telefone porém dá fora de área ou desligado.
— Vou tentar o fixo.
— Ninguém atende, deu caixa postal. O jeito é passar na casa dele. Vai ser uma bela contra-mão mais vou ter que ir até a Tijuca.
Fernando esquece até de tomar banho, troca de roupa e sai. Em sua mente teme que algo de ruim tenha acontecido com seu amigo, pois já havia presenciado muitos desapontamentos dele, que tinha tamanho de adulto mais um coração de criança.
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