A Elite - Origens
2 Capítulo 2 - DESAPARECIDO
Notas iniciais
Naquela manhã o sol de outono, ergueu-se na baia da Guanabara e atingiu o Rio de Janeiro com toda a sua intensidade no meio da manhã. A cidade Maravilhosa foi assaltada pelo calor, o frescor do amanhecer no Jardim Botânico foi esquecido, houve uma súbita parada no tempo. As bandeiras pendiam inertes, dos monumentos e museus. Na Tijuca, uma mistura pitoresca de sobrados, butiques da moda, restaurantes e prédios de apartamento bem perto de comunidades carentes davam a ilusão de refrigério e tranqüilidade. Nem parecia que horas antes uma verdadeira tempestade havia atingido aquela cidade. Tranquilamente pelas ruas do bairro uma Brasília amarela circulava. Esta parou em frente de um prédio de apartamentos. De dentro dela saíram dois homens, o primeiro era mais novo, magro, alto, cabelos bem penteados e um bigode rigorosamente bem cuidado, trajando um terno intocável. O outro, o motorista, saiu a seguir, era mais velho, era calvo, não totalmente, pois havia ainda cabelos ralos dos lados de sua cabeça, barrigudo e mais baixo, sua vestimenta esta mais desajeitada, camisa fora da calça e gravata torta. Eles a seguir adentraram no prédio, cumprimentaram o porteiro e pegaram o elevador social. O andar escolhido foi o 13º. O mais velho dos dois puxou um molho de chaves. Após parar no andar escolhido saíram do elevador e se depararam com um jovem negro de cabelos avermelhados tocando uma campainha, este era Fernando, amigo de Alex.
— O que faz aqui Fernando? –Disse o homem com as chaves na mão.
— Bom dia Sr. Gomes, vim atrás do Alex.
— Ele assim como você deveriam estar na escola neste horário, não é verdade Sr. Telles.
— O senhor tem razão, mas o Alex não foi à escola hoje e não atende ao celular, nem o telefone fixo, daí sai mais cedo para ver o que tinha acontecido.
— O Alex não foi a escola hoje?
— Sim, senhor. Acho que ele pode estar doente.
— Já faz muito tempo que esta parado ai meu jovem. –Disse o colega de Gomes.
— Não senhor. Acabei de chegar, mas até agora ninguém atendeu.
— Desculpe-me Fernando, este é meu colega e parceiro, Guedes.
— Prazer em conhecê-lo policial.
— Deixa eu abrir a porta.
Gomes abriu então o apartamento e chamou pelo sobrinho. Porém, não houve resposta. Fernando e Guedes entraram a seguir e sentaram na sala enquanto Gomes procurava Alex pelo apartamento. Após alguns instantes, Gomes volta e diz.
— Ele não esta aqui. Será que ele não passou a noite na casa de um colega de escola? Diz Guedes.
— Na sua casa ele não passou a noite Fernando. Ele poderia ter dormido na casa de outro colega. –Disse Gomes.
— Talvez na casa do Edson ou do Joca.
— Então ligue para eles para saber.
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— Onde você esta Fernando? Esqueceu que teve prova hoje? –Disse Edson.
— O pior que esqueci cara.
— Você e o Alex vão se dar mal, a prova foi puxada.
— Então o Alex não apareceu na escola hoje também.
— Sim, ele não veio. Mas porque você ta perguntando.
— Porque ele não dormiu em casa e não atende o celular. Será que alguém no colégio o viu recentemente?
— Vou perguntar a turma se alguém o viu e te dou retorno.
— A turma, boa, faça isso por favor e me retorne.
Edson desligou o telefone e foi até o professor e pediu licença para perguntar por seu amigo. Todos responderam apenas que o viram no dia anterior. Naquele dia ninguém tinha noticia sobre aquele jovem.
— Fernando. É o Edson que ta falando, a galera ta dizendo a mesma coisa que só o viram ontem na aula. Ninguém tem noticia dele.
— Valeu Edson. Vou passar isto para o tio dele, já que estou aqui com ele.
— Então, alguma noticia do meu sobrinho Fernando.
— Ninguém sabe dele senhor Gomes.
Enquanto os dois conversavam Guedes que sentado no sofá tomava uma xícara de café, disse após colocar a xícara no pires disse:
— Será que ele não ta com alguma garota?
— Ele não tem namorada, pelo menos que eu saiba. –Disse Gomes.
— É ele não namora ninguém na escola, a não ser que...
— A não ser o que meu filho?!
Fernando lembrou-se que a única pessoa que poderia saber o que aconteceu com Alex no dia anterior seria Carol. Mas preferiu não falar nada para o tio de seu amigo. E assim disse:
— A não ser que ele tenha arrumado uma por ai. A gente nunca sabe não é?
— Não quero mais saber, vou ligar para o departamento e vou acha-lo pois isto esta muito estranho.
Assim Gomes ligou para o departamento policial local e comunicou o desaparecimento de seu sobrinho. Enquanto Fernando foi ao encontro da única pessoa que poderia saber de seu amigo. Antes pegou o telefone e ligou.
— Nós precisamos conversar.
— Sobre o que. –Disse a pessoa do outro lado da linha.
— Sobre o Alex.
***
Horas antes...
Quando Carol chegou à escola, o tempo deu uma súbita mudada, foi tão rápido, quanto à ação de um batedor de carteira no centro da cidade. Estava ansiosa por saber se Alex tinha ido à escola naquele dia e como iria se comportar diante dela. Para ela o que aquele jovem sentia por ela nada mais era do que uma paixonite, e que após a conversa do dia anterior realmente ele estaria decidido a deixá-la em paz. Ela sabia da fama de galinha que ele tinha. Aquele garoto havia dado em cima de várias de suas colegas. A última tinha sido sua melhor amiga, Flávia. Antes tinha sido a Fernanda, mas ele gostava de uma um dia e no outro gostava de outra. Só que quando começou a gostar dela o cara cismou de ficar no pé dela e isso já faz dois anos, e isso a aborrecia profundamente.
— Espero que não venha puxar conversa comigo. –Pensava ela ao entrar na escola.
— Tomara que ele cumpra o que me prometeu.
Enquanto pensava suas colegas se aproximaram e começaram a puxar conversar. E assim foi para sala, mas quando entrou, não viu nem Alex nem Fernando na sala, por outro lado um rosto novo havia ali, um rosto mais simpático.
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Fernando chegou à escola após pegar uma carona com Gomes. Era o intervalo do Recreio. Todos conversavam sobre o desaparecimento de Alex. Após cumprimentar alguns colegas se dirigiu até Carol, que papeava com um aluno novo, após pedir licença puxou a colega de lado e disse-lhe:
— O que você fez com meu amigo garota?
— Você ta me machucando Fernando. Do que você ta falando?
— Do Alex é claro. Eu sei que vocês se encontraram ontem.
Quando ele disse isto ela ficou pálida. E sem palavras. Fernando disse:
— Desembucha Carol. O que houve com ele? Você humilhou o cara ao ponto de ele sumir da sua vida e da família dele?
— Eu, eu... não fiz... nada...
— Como assim, o cara saiu daqui ontem falando que ia se encontrar com você e que ia se declarar e após some, desaparece, e não dá sinal de vida.
— Eu não sei o que houve com ele Fernando. Eu juro, após conversarmos e eu deixar bem claro que eu não quero namora-lo, eu fui embora e ele ficou lá.
— Lá aonde garota?
— Na Vista Chinesa. Foi lá que nos encontramos. E conversamos, eu juro, eu não sei de nada. E agora vê se me deixa em paz.
Após Carol dar as costas e sair. Edson se aproxima e diz:
— Alguma noticia do Alex?
— Nenhuma cara. Não sabemos o que houve com ele. Mas precisamos saber se aconteceu alguma coisa séria.
— Vamos chamar o Joca e ai nós fazemos uma busca por ele.
— É vamos começar pelo último local que ele esteve.
— Onde? Na Vista Chinesa.
— Beleza vou chamar o Joca. Mas antes me diz uma coisa, o que ta rolando entre você e a Carol?
— Eu e a Carol?
— Nada. Só tava perguntando a ela se tinha visto nosso amigo.
— Sei. Vocês tão muito juntinhos esses dias.
— Sai dessa cara, ela é só uma amiga. Vamos ao que interessa atrás daquele maluco.
— Ta bom, mas você não me convenceu.
***
— Alguma informação sobre meu sobrinho Matilda.
— Nenhuma Gomes. Ninguém viu o rapaz. Mas já estou verificando se algum jovem com a descrição dele deu entrada em algum hospital da cidade.
— Continue assim. E muito obrigado.
Dizia Gomes pelo rádio em sua Brasília.
— Nada do rapaz pelo visto ainda não é Gomes.
— Já estou aflito Guedes. Não sei o que vai ser de mim se o meu sobrinho...
— Não complete a frase meu companheiro. Tudo vai ficar bem. Vamos continuar rodando por onde ele normalmente anda, talvez encontremos alguma pista.
Neste mesmo instante, o rádio da viatura, chama.
— Gomes, Matilda falando. Acabamos de receber uma ligação anônima dizendo que seu sobrinho foi visto no Alto da Boa Vista ontem à tarde. Já pedi para uma viatura ir até o local.
— Obrigado, Matilda. Estou perto do local, vou verificar com o Guedes.
— De nada, e boa sorte.
Partiram assim para o local.
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Carol acabara de fazer algo que não imaginava fazer nunca em sua vida, ligar para o disque denuncia e falar que viu Alex no Alto da Boa Vista. Seu coração estava disparado. Temia que algo de mal tivesse acontecido com seu colega, pois por mais que não nutrisse sentimentos românticos por ele, jamais desejaria o mal a ele. E assim pensava:
— Meu Deus tomara que você esteja bem. E não tenha cometido à loucura que falou para mim. Tomara meu Deus, tomara...
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Quem era aquele jovem? Era o que se perguntavam os médicos e enfermeiros do hospital estadual. Estava sem nenhuma documentação, apenas trajava um uniforme escolar que no peito tinha escrito: Colégio Europa.
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