A Eleita
2 Josh Karurosu
Notas iniciais
E pensar que uma simples pergunta me faria enxergar o futuro do meu país, e ao mesmo tempo me fazer preocupar tanto com a minha vida...
O sol nascente iluminava aos poucos a cidade de Tóquio, fazendo algumas pessoas despertaram junto com ele, aquela imensa cidade com seu alto nível tecnológico parecia ‘’ ligar’’ aos poucos. Josh acordou cedo, assim como o sol.
Na varanda de sua casa ele tinha uma plena visão do centro da cidade, com seus inúmeros cidadãos movendo-se apressadamente e o limite dela, estabelecida por um grande muro, na qual ninguém parecia de costume notar ele...
– Acordou cedo filho? O pai de Josh chegou.
Ele era o modelo perfeito de pai, Chamava-se Ryota, um homem jovem, cabelos pretos, penteados para trás, olhos castanhos, e uma característica no rosto típico do local, seus olhos puxados, na qual seu filho não adquiriu.
– Sim pai, escuta, posso fazer uma pergunta? Josh perguntou, não tirando os olhos daquela incrível construção.
– Você já fez! Brincou Ryota. – Pode sim.
– O que tem atrás daquele muro? Por que não podemos ultrapassa-lo? Josh manteve sua firmeza na voz, quase nem percebendo a brincadeira do pai.
– Filho sente-se aqui! Sabia que um dia teria que te contar mesmo.
– Aquele muro é a razão por estarmos na lista de ser uma grande economia mundial, ela nos isola do mundo lá fora, habitando as paredes daquele muro estão pessoas que são bastante diferentes de nós, fora de nossa cultura...
– mas são somente pessoas que querem tentar uma vida aqui... Interrompeu Josh.
– Deixe-me continuar! O homem criou a tecnologia, nós somente a desenvolvemos melhor, criamos novas máquinas, slogans e marcas próprias do Japão que aos poucos foi se espalhando pelo o mundo, Tanto que ainda precisávamos de mais, e ai percebemos que existiam marcas do nosso capitalismo fora de nosso país, e ai vimos que poderíamos cobrar a eles para manter nossa ‘’ contribuição’’ lá e aconteceu: O governo destes lugares se recusou a pagar e o povo protestou, pois adoraram nosso traço cultural lá, e fez com que eles fossem obrigados a pagar para nós.
– E quanto ao muro? Lembrou Josh.
– Parte dessas pessoas de outros países resolveram tentar garantir uma vida melhor aqui, porém a presença deles fez bagunçar a nossa economia, então foi mandado construir esse muro para evitar isso. Alguns deles não conseguiram voltar para seus lugares de origem, e até hoje se mantem do lado de fora dos muros, parte deles são do Brasil, o país que mais possui traços de cada pedaço da terra. Explicou Ryota.
– Gostaria de poder ajuda-los, pai, quero conhecer esse muro. Josh se mostrou interessado.
– Jamais! Nunca pense nisso! Irei bota-lo de castigo se for! Toque naquele muro e o governo irá esmaga-lo assim como fez com aquelas pessoas. Ryota mudou de repente e saiu da varanda.
Josh não se deixaria levar por uma ameaça, ele só era curioso. Ele iria lá e voltava, simples assim.
Ele saiu de sua casa sem falar com o pai e pegou sua bicicleta, enquanto pedalava ele estava na cabeça que ele tinha 16 anos e logo faria 18, estava na hora de se preocupar mais com o ambiente em que vivia.
Ao chegar de frente para o muro ele notou o quanto era velha aquela construção, deveria estar ali a muitos anos em pé, ele tocou a pedra fria coberta de poeira e plantas e colocou seus ouvidos, na tentativa de escutar algo. Surpreendentemente ele ouviu, pessoas gritando aos guardas para que os deixassem entrar, que garantissem os direitos deles.
– Ei garoto! O que pensa que está fazendo? Vá direto para casa, não queremos mais trabalho do que temos aqui. Um guarda gritava de cima do muro, estava quase identificável com a luz que o céu emitia.
Josh pegou sua bicicleta e voltou para casa...
– espero que não tenha ido onde pensei que foi! Falou o pai indiferente. – Arrumes suas coisas, de manhã nos mudamos para o Brasil, Dê adeus aos seus amigos, pois vamos ao país que mais comprou a nossa marca.
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