A Vadia E O Falcão
2 Capítulo 2 - Marcos
Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=TKws7vXzukM
Ela estava atravessando o gramado concentrada no seu celular, com uma mochila preta nas costas, quando a vi.
A garota parecia promissora, o tipo de pessoa que sabe guardar seus segredos sob uma camada de normalidade. Gosto disso.
Segredos é minha especialidade. Alguns veteranos não gostam da época de abertura, onde novos calouros entram no Rosetown Institute. Eu amo. Aqui, os dias parecem meses, os meses, anos e os anos, séculos.
Então, a imagem deles adentrando pelos austeros portões de ferro é a mesma: mais peões no meu tabuleiro, mais pessoas inúteis esperando para serem usadas no meu jogo. Sorrio, ao me revigorar com a cena.
– Júlio! A bola! — Eu grito e aponto para o alvo,exatamente isso que ela é: um alvo. Ele para por um momento, mas entende o que fazer, chuta a bola tão forte que voa a centímetros do rosto da novata. Reviro os olhos, isso é que dar estar cercado de idiotas.
Corro para resgatar a bola e dar seguimento ao Plano B: esbarro violentamente com ela, derrubando o celular para metros dali e fazendo-a cair de bunda no chão.
Ela grita, com meu meu melhor sorriso estendo a mão para ajuda-la e ela recusa, fulminando-me com os olhos. Orgulhosa e escandalosa. Está aí mais um fato para me amar: decifro as pessoas em questão de segundos.
Em seguida, pego o celular. Disco o meu número e desligo assim que sinto o meu celular,no bolso esquerdo, vibrar. Vasculho rapidamente as mensagens, mas nada relevante: sms de uma garota e do pai. Pego a bola e devolvo o celular.
Ela me olha impaciente, como se aguardasse algo. Sério, que ela está esperando que eu peça desculpas? Por favor. Daqui a alguns dias, você estará andando de quatro pra mim.
– Então? — Ela pergunta.
– O uso de celulares é proibido no campus, gatinha. — Respondo, com cinismo.
A novata fica ainda mais irritada, percebe-se pelo vermelho que vai subindo pelo seu pescoço. Prendo a risada que luta para escapar por entre meus lábios, e ela solta um suspiro de desistência.
Vai embora esbarrando propositalmente no meu ombro, batendo o pé, resignada.
– Você ainda não me disse seu nome — Grito, em direção à ela.
– Quando você tiver educação irá saber! — grita em resposta, sem olhar para trás.
Rio e digo: — Consigo muito bem descobrir sozinho, acredite.
Mas, ela não ouve. Ou pelo menos, não tem o trabalho de responder ou olhar para mim. Júlio aparece ao meu lado, curioso.
– Quem era? — pergunta, intrigado.
– Não sei — respondo, com um sorriso. — Mas, irei descobrir.
Sei que irei.
Eu nunca erro.
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