A Vadia E O Falcão

1 Capítulo 1 - Giulia


Notas iniciais
Now, Now - Magnet
http://www.youtube.com/watch?v=8130RLLOiq4

Rosetown Institute. Minha nova residência por quatro anos a partir de hoje. O Lugar parece ser mal assombrado.

Há um grande portão com as iniciais RI traçados dentro de uma rosa no centro e várias rosas menores e ramificações ligando umas as outras, a partir da rosa principal. Caminho até a portaria do prédio principal, observando sua arquitetura antiga, gótico ou vitoriano, todo sombrio e cinzento, tão deslocado do resto. Atrás do prédio, há duas quadras de esportes, uma capela, a direita, quatro prédios de aulas, a esquerda, três dormitórios. Todos novos e pintados de branco e azul, uma estufa e um jardim, mais abaixo no terreno.

Há calouros por toda a parte, com suas grandes malas de viagem e seus olhares assustados, pousando diretamente no inferno. Acendo um cigarro e me sento nas escadas, alheia á todos.

As portas se abrem e um garoto com uma camisa branca com as iniciais RI, desce e se apresenta como Daniel, o Guia. E rouba o meu cigarro, pois aparentemente é proibido. Merda.

Ele distribui folhetos e mapas dos prédios e dormitórios, enquanto explica todas as regras estúpidas do local. Meu celular vibra no meu bolso, uma mensagem de Natália, minha amiga.

*Natália: Amiga, você já chegou? Como é aí? Manda notícias, beijos. *

Eu respondo. *Cheguei. Aqui é o maldito castelo rá-ti-bum, tô até com saudades de casa*

*Natália responde, novamente. *Sua mentirosa, haha. Me manda uma foto do primeiro gato que você ver*

*É, aqui é melhor que estar em casa. vou te mandar a foto do Sr. Jones, meu professor banguela.*

*Eca.*

Sorrio e começo a digitar uma resposta, mas ouço o meu nome.

– Giulia? Giulia?

É Daniel, o Guia. Meu sorriso some.

– Sim? – Respondo, irritada.

– Você ouviu alguma coisa do que eu disse?

– Sim.

Ele cerra os olhos, desconfiado. – Então você escutou que vai haver uma reunião de abertura no auditório do prédio principal?

Oh. Eu não sabia, mas não daria o braço a torcer. – Sim.

Ele dá um meio-sorriso, duvidando. — Tem certeza que não precisa de ajuda?

– Eu consigo achar o maldito auditório sozinha!

Ele levanta as mãos, se rendendo. – Tudo bem, vocês podem ir arrumar as suas coisas nos dormitórios.

Eu aceno e começo a caminhar em direção ao dormitório II, sou caloura mas irei cursar o segundo ano. O dormitório I são para calouros do primeiro ano e o III, para veteranos.

Recebo outra mensagem.

*Espero que esteja tudo bem com o seu primeiro dia no colégio, Saudades, Pai*

Espero que esteja tudo bem! O que ele está pensando? Que eu tocaria fogo no colégio no primeiro dia ou que seria expulsa novamente? – Continuo caminhando irritada, tentando descobrir o meu jeito de responder a sua mensagem, uma mensagem, ele nem sequer teve a coragem de ligar.

Eu vejo o reflexo de alguém correndo e nós nos batemos com tudo. E eu caio de bunda no chão e meu celular voa para longe.

– Ai! – grito. Meu dia não podia ficar melhor.

Ele estende a mão para me ajudar, mas eu recuso. Eu posso me levantar sozinha! Eu levanto os olhos para ver quem foi que derrubou quando eu tento uma ideia fantástica.