A Droga da Minha Vida
5 5. Bianca e seus predicativos
Notas iniciais
A gente já tava na rua da minha casa.
O caminho foi só da Bianca me explicando os prós e contras de estudar em casa. Pra mim, existiam muitos mais prós, mas a Robbie insistia do contrário.
— Existe coisa pior do que a solidão escolar? — indagou ela. — Qual é a graça de viver sem bons amigos?
Soltei um resmungo. Pisei no caminho de pedra que dividia o jardim da Maya, pegando a chave do bolso da calça.
— Solidão é o maior luxo de se estudar em casa! — defendi. — Você não precisa ouvir asneiras de idiotas, nem tolerar metidos a valentões.
Bianca observava os flancos floridos enquanto eu encaixava a chave na fechadura.
— Quantos anos a Maya tem mesmo? — ela mudou de assunto.
— Sete. — falei, lutando pra virar a chave.
Tiago precisava trocar aquela fechadura.
— Puxa. — ela assobiou. — Até que ela fez um bom trabalho. Talvez com alguns ajustes...
Uma risada alta saiu de dentro de casa.
Maya, certeza. Aquela garota é doida, só podia estar aprontando algo.
Bianca se inclinou pro lado, tentando espiar pela janela. Mais risadas, e consegui abrir a porta. Deixei a mochila cair no chão assim que passei pelo vão da porta.
A primeira que vi foi Mirela, jogada no sofá com uniforme, com uma toalha tapando a cara.
— Cadê as meninas? — perguntei, cutucando o ombro dela.
— Na cozinha. — Meri gemeu.
Foi só ela pronunciar as palavras que Maya surgiu de uma porta, fugindo da Azul. Maya rodeou Robbie enquanto Milena a perseguia, rindo.
Ela riu depois de quase cair e elas sumiram de novo.
— Aqui é sempre assim? — Bianca perguntou, sorrindo.
Fiz que sim.
— Fica mais calmo quando minha mãe e Tiago estão aqui.
Ela observou as meninas passarem novamente pelo cômodo. Tava... admirada?
— É nesses momentos que eu desejaria ter irmãos!
Mirela tava respirando pesado, dormindo com certeza.
— Rá! — debochei. — Diz isso agora.
As meninas ressurgiram.
Milena tava próxima de agarrar a garota quando pulou que nem uma gata e pegou Toco de Gente num bote certeiro. Quase pensei que Milena tivesse esmagado a Maya, mas as duas rolaram no chão, sorrindo e rindo.
— Perdeu, pestinha. — anunciou Azul. — Chega de brincadeira!
Maya protestou mas saiu de cima da Milena. As duas levantaram e se recompuseram.
Olharam desconfiadas pra mim e pra Bianca.
— Hã, olá... — Azul murmurou.
— Espere. Você é a... — fazendo careta, Bianca ofereceu a mão para cumprimentá-la, Azul aceitou com uma cara de riso. — Milena?
A gêmea sorriu e me olhou.
— Olha sóóó, ela acertou!
A cabeça da Maya entortou pro lado.
— Puxa, você é bastante alta. — ela soltou um dos seus típicos comentários fora de hora.
Robbie me olhou e sorriu. Ela abaixou de joelhos pra ficar do tamanho dela.
— Não tanto quanto seu irmão.
Maya concordou. Robbie se apresentou e depois foi com o assunto pro jardim.
— Fiquei sabendo que você que fez aquele jardim. Verdade?
Maya assentiu.
— Ele é lindo, Maya. Tava pensando... — Mentira. Pensou nada! Quem pensou foi eu. — que nós poderíamos trabalhar juntas para deixá-lo ainda mais legal. O que acha?
Toco de Gente deu a louca. Começou a dar pulinhos frenéticos e a bater palma com um sorrisinho com alguma falta de dentes.
— Por mim, a gente começa agora! — Maya gritou.
Tratei logo de cortar. Primeiro comida, depois brincadeira.
— Só depois do almoço, Maya. — adverti.
As bilocas castanhas passaram diretamente pra Bianca, com a pergunta estampada: "Obedeço?".
Dei sorte de Bianca ajudar.
— Ele tem razão.
Bianca voltou a ficar ereta, bagunçando o cabelo da Maya.
— Vou dar uma olhada no que quem tem pra comer, meninas. — sai andando pra cozinha. — Quando tiver pronto, eu chamo.
Só percebi que Bianca tinha me seguido quando me deparei com ela sentada na nossa mesa de vidro.
— O que temos para o almoço hoje, ruivo? Estou com fome.
Abri a geladeira sem dar muita atenção.
— O que Tiago tiver deixado pra preparar.
Já tinha uma panela de arroz pronta. Era só colocar no fogo, botar um bocado de água e esperar o arroz ficar solto. Era essa a parte fácil.
Olhei o congelador enquanto ouvia Robbie bater as unhas no vidro. Tirei um saco de carne congelada e coloquei no microondas.
Enquanto procurava o tempero no armário, Bianca Robbie se materializou do meu lado, com o saco de carne descongelada em mãos.
— Quer ajuda? Você é muito lento e quero ser útil.
Ah, mas era muito convencida mesmo! Ia comer na minha casa e ainda reclamava do meu ritmo, e depois eu sou o folgado...
Eu sorri sem mostrar os dentes e me inclinei em sua direção só pra murmurar:
— Tá achando ruim? Então faz melhor. — cheguei beeem perto do seu ouvido. — Fofinha.
Ela soltou um sorriso de escárnio.
— Com prazer.
Ok, ela era boa. Mas ainda podia ter me virado sozinho, apesar de ser legal ter uma ajuda que não me fosse das minhas meninas.
Dava pra ouvir o barulho da TV na sala quando a Bianca falou, batendo na carne com o martelo de cozinha:
— O que a sua irmã tem?
— Qual delas? — eu a olhei e sorri. — Não leio mentes, Bianca.
Ela revirou os olhos antes de pronunciar:
— A do cabelo roxo, aquela com a tolha no rosto!
Meu bom humor me abandonou rapidinho quando lembrei do último sábado.
— Se recuperando da ressaca do sábado. — disse, carrancudo, enquanto despejava um copo com água na panela de arroz no fogão.
Robbie me encarou, sem acreditar.
— Ela bebe? Deus, parece tão nova.
— E ela é! — exclamei, ouvindo minha voz ficar com mais raiva e mais alta. — Mas teimosa e rebelde como só ela.
Bufei.
Meri imbecil.
— Sua família é daqui? — perguntei o mais despreocupado possível, enquanto conferia se a água do arroz já tinha secado.
Bianca tava espalhando o tempero na carne amassada quando eu decidi puxar assunto.
Ela girou pra mim, pra responder.
— Só minha mãe é de Brasília. — ela colocou um pouco de óleo na frigideira. — Pai nordestino.
— Irmãos...?
— Filha única, Nick.
Assobiei, mexendo no arroz com a colher de pau.
— Deve estar me achando sortuda, — ela leu meus pensamentos. — mas eu queria muito irmãos.
Olhei pra ela como se fosse uma louca. Fiquei indignado.
— Mano do céu!— agarrei a fofinha pelos ombros e a sacudi. — Pare, Bianca. Pare agora com essa palhaçada. ESSA PIADA NÃO TEM GRAÇA, GAROTA!
Ela deu de ombros, rindo sem entender nada.
— Qual o problema? Vida de filho único é bastante solitária, sabia?
Me apoiei na pia e soltei o ar. Girei pra ela de uma vez.
— Meu Deus, Bianca, ter irmãos é péssimo! É como se você fosse pai aos 17 anos, cara! — argumentei com vontade.
Eu me recuso, ME RECUSO a escutar dizerem isso sendo que eu sei a chatice que é ser irmão mais velho. Esta pobre alma precisa de uma purificação.
— Você iria ter que trocar fralda e ter que ouvir choro de bebê de madrugada! — joguei mais essa. Bianca só me encarava com boca de rir, sem dizer uma palavra. — Acredite em mim, Bianca, é um inferno. A Maya berrava tanto que parecia estar pra morrer, e tudo que ela queria era uma chupeta.
Robbie gargalhou e jogou os bifes temperados na frigideira, o óleo papocou.
— É óbvio que tem partes chatas, mas pensa comigo: que coisa maravilhosa é ter seu sangue nos braços. — ela fez um gesto com os braços, como se acolhesse um bebê invisível. — Vê-lo crescer e se transformar... — suas mãos foram de encontro as coxas quando os braços relaxaram. Ela me olhou em seguida, encolhendo os ombros. — É maravilhoso. Eu se fosse você, faria suas irmãs minhas eternas cobaias...
Fiz careta.
Mas era diferente... Eram todas as quatro garotas. Homens não costumam ter isso de ficar testando coisas uns nos outros e os que faziam, provável que eram chamados de maricas, mas eu até tinha minhas experiências com as meninas.
Quando as gêmeas botaram na cabeça que iriam porque iriam pintar o cabelo de cor fantasia, eu fui cúmplice, por livre e espontânea pressão.Passei duas semanas com as mãos manchadas de azul e roxo por causa da tinta.
Quando elas me avisaram ( sim, avisaram. Não pediram.) do que estavam pra fazer, eu fui contra, como um exemplar chatonildo irmão mais velho.
Na minha cabeça, ficou bizarro mas, hoje em dia... Não consigo mais imaginar as duas sem aqueles cabeleiras coloridas chamativas. As gêmeas estariam incompletas...
— Aquilo que você disse lá no Unicórnio, — começou Robbie, mudando de assunto. — sobre a do cabelo roxo...
Aquilo era hilário.
— Mirela! — eu corriji dando um risinho.
— Isso. — Robbie concordou, sem paciência pra mim. — Sobre ela se fazer de durona só parar esconder aquela fragilidade dentro. — nossa, ela lembrava disso. Bianca me olhou no fundos dos olhos, toda observadora. — Também se aplica a você?
Prendi a respiração sem nem perceber.
Mas como diabos...
Eu congelei de boca apertada, como um retardado pego de surpresa. Bem... Foi uma reação que combinou direitinho comigo.
— Isso realmente importa? — as palavras saíram tristes pela minha garganta.
Essa garota... Mal chegou aqui e já vem se metendo nas coisas, indo aonde não deve.
A encarei, sentindo raiva por ela ser tão... Sem papa na língua. Enxerida de uma figa...
Um sorri cínico saiu da minha cara instantaneamente.
— E mesmo que fosse... — continuei, sentindo raiva. — Eu acho que isso é algo que diz respeito só a mim.
Olhei dentro da panela no fogão, o arroz parecia bom já. Desliguei o fogo, e quando virei pra ver se os bifes já estavam bons também, Bianca tava me encarando, com o rosto triste, o cotovelo apoiado na pia.
Aquilo me pegou de surpresa. Ela não tava puta, muito menos indignada. Bianca estava triste, com pena de mim, como se soubesse de algo que nem eu sei.
Eu devia ter ficado com raiva, como sempre fico quando percebo qualquer sinal mínimo de pena, mas... eu só consegui pensar que aqueles olhos castanhos podiam ver minha alma enquanto eu pensava no que ela tinha visto dentro de mim que eu não vi em dezessete anos.
A garota expirou, voltando o rosto pra baixo.
— Chama as meninas. — Bianca girou pra pilha de pratos limpos.
O clima tenso pareceu nunca ter existido pra Bianca enquanto ela conversava com as meninas. Ela ria, apertava a bochecha da Maya, dava umas colheradas no meu arroz, falava de maquiagem com a Milena. Tudo na mais pura paz...
Bem, só pra ela mesmo. Eu permaneci encucado e mudo, só vendo os vultos delas comendo e rindo, sem conseguir parar de pensar no que diabos ela tinha visto, no maldito porquê dela ter feito aquela cara.
Acabei sendo o primeiro a terminar de comer. Minhas irmãs estavam envolvidas demais numa conversa com a garota recém descoberta, tanto por mim quanto por elas.
Tava lavando meu prato na pia quando me perguntei pela primeira vez se tinha sido realmente bom chamar Bianca aqui pra casa.
Eu to tão entediado ao ponto de chamar uma estranha pra vir na minha casa e conhecer as meninas? É, parece que sim, seu grande imbecil.
Eu só podia ter perdido o juízo mesmo.
Um berro fino veio por de trás de mim. Dei um pulo e quase quebrei meu prato batendo na torneira. Girei de uma vez, voltando do transe.
— Mas que porr...
— VOCÊ É DEMAIS, BIANCAAAAAAAA! — Maya berrou, levantando os braços fininhos.
Bianca ficou vermelha, Maya saltou da cadeira pro chão, lágrimas de riso escorriam pelas bochechas rosas de Milena e até Mirela deu um sorriso fraco entre uma colherada e outra.
Maya começou a fazer biquinho pra Robbie enquanto puxava seu braço.
— Vamos, vamos, vamos! Por favor, vamos...
Milena limpou as lágrimas do rosto quando pronunciou:
— Pode ir, — e acenou na minha direção. — eu ajudo ele a lavar os pratos.
Aquela foi a deixa pra saída de todo mundo, com exceção da Azul. Ela juntou todos os pratos e talheres e os colocou na pia. Comecei a esfregar os pratos. Era sempre assim: eu levava, Azul secava.
— Você devia ter visto como pulou... — murmurou Milena, toda engraçadinha.
Não dei muita atenção, não pela raiva da Bianca mas por não ter respostas pras minhas perguntas sobre o que tinha acontecido.
— É, deve ter sido.
— Ei, — Milena bateu o quadril ossudo em mim. — o que foi?
Passei um prato, ela começou a secar.
— Nada, ué.
Azul me olhou desconfiada, mas só... Pela graça de Deus. Mas também só por um tempo. Milena era uma pessoa essencialmente conversadora.
— Ela é legal. — não era uma pergunta.
Concordei com a cabeça.
Acho que quando ela entendeu que não rolaria papo, continuou calada até que todos os pratos estivessem secos e depois saiu da cozinha, me deixando sozinho.
Decidi esquecer aquele momento, já que me perguntar não dava em nada mesmo. Então a tarde acabou sendo tranquila.
Dever de biologia, que eu me dei até bem; as risadas gostosas da Maya e da Bianca do lado de fora da casa; e o clima fresquinho.
Fui dar uma espiada pela janela da cozinha quando terminei o dever. Achei o jardim de Maya devastado de lama, com buracos de areia onde deviam estar as flores laranjas murchas. Mas acabei achando elas (as que ainda estavam vivas) em uns sacos que seguravam as raízes.
Toco de Gente tava num buraco do seu tamanho no flanco esquerdo, com lama seca no corpo todo, tirando o cabelo, enquanto Bianca tava sentada na grama, com o rosto servindo de quadro pra ela. A tinta era areia molhada.
Robbie tinha redemoinhos na testa e bochechas quando fui buscar Maya pra tomar banho. Bianca insistiu pra dar um banho na pestinha antes de irmos assistir um filme, como Milena tinha sugerido maia cedo.
O filme era tão ridículo, mais tão ridículo, que era engraçado. Meri dormiu o filme inteiro, devia estar mal mesmo. Fiquei preocupado, mas consegui me distrair com o besteirol.
No fim, tive que arrastar Mirela até a cama e ouvir elogios secretos de Milena sobre Bianca. Maya e Milena já amavam Bianca, aquilo era nítido.
— Você vai vir aqui outros dias, né? — Maya perguntou.
— Claro que sim, amor. — Bianca respondeu toda manhosa no escuro do quarto da Maya e Mirela. — Eu prometi, não foi? É nosso dever deixar aquele jardim lindo, chuchu!
Toco de Gente começou a gaguejar, esfregando os dedos das mãos.
— Mas... Mas, Bianca, você podia dormir aqui. — ela mendigava. Aposto como tava com sono mas não queria dormir pra não deixar a garota. — Eu durmo no chão, você fica na minha cama!— Maya insistiu.
Soltei um pigarro. Aquela sabia ser persuasiva.
Peguei ela pela cintura e a depositei na cama. Bianca tocou o interruptor, meus olhos estranharam a luz.
Sentei na cama, do lado da Toco de Gente insistente. Vi de longe os dedos de Bianca passearem pelo violão empoeirado antigo do Tiago.
— Meu pai já tá vindo me buscar, Maya. Mesmo que eu quisesse, não poderia ficar.
Bianca se voltou pra mim.
— Quem é o artista do família?— pegou o violão, se sentou de frente pra mim e Maya antes deu sequer responder.
— Tiago costuma cantar pras meninas. — eu disse.
Ou costumava.
Maya cruzou os braços enquanto Bianca dedilhou pelas cordas.
— Papai canta Elvis.
— Podemos ver que seu pai tem bom gosto. — e riu.
Os olhos da garota focalizaram em baixo de nós.
— Você gosta de a Bela e a Fera, amor?
Olhei pra baixo também. Ah, era a colcha de cama do Toco de Gente: a Bela sorrindo com a rosa nas mãos.
Maya assentiu, mas eu disse em voz alta:
— Princesa preferida dela.
Bianca sorriu e seus olhos brilharam, como quem tivesse descoberto a cura do câncer.
Ela se posicionou de uma maneira que eu conhecia: violão apoiado na perna e os braços enlaçando. E olhou pra gente.
— Estou enferrujada, então, por favor, sejam bomzinhos comigo.
Ui, isso seria interessante. Eu dei um sorriso, pra encorajá-la.
Veremos se ela é boa nisso...
Sentimentos são... fáceis de mudar
Mesmo entre quem, não vê que alguém
Pode ser seu par...
Ela era afinada, muito boa. Calma que nem água rasa, e tocava bem até para quem estava "enferrujada".
Modesta do caramba.
Maya pulou pro meu colo, se alinhando no meu peito. Olhei pro Toco de Gente com uma expressão de: "O QUE DIABOS ESTÁ FAZENDO?", e o que ela fez foi me ignorar, dando total atenção ao nosso "show" particular.
Quando Bianca desgrudou os olhos das cordas do violão, eu dei batidinhas no Toco de Gente e estampei o sorriso mais forçado do mundo na cara.
Basta um olhar que o outro não espera
Para assustar, e até perturbar
Mesmo a Bela e a Fera
Bianca estava totalmente envolta, imersa... intensa.
Sentimento assim
Sempre é uma surpresa
Quando ele vem... nada o detêm
É uma chama acesa
Os olhinhos de Maya brilhavam de excitação, sorri.
Eu me desliguei de tudo quando Bianca cantou a estrofe me observando, e sorrindo...
Sentimentos vem... para nos trazer
Novas sensações, doces emoções
E um novo prazer
Não conseguia mais encontrar o desconforto dentro de mim pela proximidade da Maya, não encontrava mais nada... Tudo o que eu via, sentia e ouvia era aquele mar de paz no castanho dos olhos da garota.
E numa estação
Como a primavera
Sentimentos são... como uma canção
Para a Bela e a Fera
Sentimentos são... como uma canção
Para a Bela e a Fera.
Ela encerrou com tudo com uma passada por todas as cordas e uma pergunta estampada na cara: "E aí? O que acharam?"
Uma salva de palmas me tirou do transe. Abaixei os olhos e vi Maya quase chorando. Ri um pouquinho e virei pra Bianca.
Transpareci uma cara de: "Nossa, arrasou!" e bati palma feito loco. Toco de Gente estava encantada com Bianca Robbie, que nem eu.
Que Deus queira que eu não tenha babado enquanto a via cantar daquele jeito.
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