A Dor Nos Une
8 Capítulo VIII – Sangre para Mim
Notas iniciais
Capítulo VIII – Sangre para Mim
Temari não viu Gaara na manhã seguinte. Ela tomou seu café da manhã silenciosamente, e depois ainda se encontrava faminta, mas dessa vez a única diferença era que ela sentia aquela necessidade de comer doces. E então ela finalmente havia encontrado uma desculpa para sair de casa, depois de decidir que ela precisava urgentemente de glicose no sangue. Ela pegou seu leque e foi para o mercado, o desdém habitual e confiante marcava seu rosto enquanto ela caminhava pelas ruas de Suna. E os sussurros, também, seguiram como sempre.
... A irmã do monstro...
...Ouvi dizer que ela é louca também...
...Não chegue perto, ela é a filha do Kazekage...
Isso realmente nunca havia a incomodado. As pessoas da aldeia não significavam muito para ela. Ela desprezava todos por causa da ignorância e da hipocrisia deles. Eles não sabiam nada do que eles falavam, sempre querendo opinar e preconceituar sendo que não tinham moral alguma, tinham tantos defeitos quanto qualquer um.
Aqueles que haviam conhecido o que Gaara realmente era, já estavam mortos. Só ela e Kankuro poderiam realmente dizer que eles entendiam o terror de sua existência, a ameaça que ele representava para a aldeia, para o mundo. Isso a fazia sentir um estranho tipo de poder, sabendo que ela sobreviveu doze anos sendo a irmã de Gaara. Sobreviveu mesmo depois de capturar seu interesse mórbido, sobreviveu até mesmo ao seu toque.
O resultado de ser a filha do Kazekage era muito bom. Ninguém ficava no caminho dela e ela recebia, sim, um tratamento especial, embora ela soubesse que isso era apenas porque temiam de alguma forma, deixar o Kazekage insatisfeito. Ela foi capaz de conseguir tudo o que precisava rapidamente e voltar para sua casa.
Temari colocou as sacolas cheias de doces em cima dos balcões na cozinha, tentando pensar em qualquer coisa que ela pudesse fazer para se distrair, já que não podia treinar ou lutar. Mas todos os seus pensamentos e ideias eram ofuscados pelo simples desejo de que ela pudesse falar com Gaara, fazê-lo entender o quanto ela queria que eles fossem uma família, obrigá-lo a explicar para ela como ele realmente se sentia sobre ela. Mas ela sabia que isso jamais poderia acontecer.
Com um suspiro pesado Temari deixou a cozinha e subiu as escadas. Assim que ela subiu, ela ficou parada, contemplando o banheiro do corredor e a porta de seu quarto. Ela sabia bem o que estava fazendo. Ir para o banheiro de seu quarto só dificultaria a aproximação. Ela se decidiu e então seguiu para o banheiro do corredor, seus olhos observaram o rachado sobre os azulejos e ela se perguntou como é que explicaria aquilo para Kankuro, caso ele visse. Ela fez uma pausa antes de fechar a porta, deixando uma apenas fresta aberta, dizendo para si mesma que ela estava fazendo isso para que Gaara não ficasse com raiva, para que ele não achasse que ela estava tentando evitá-lo se ele percebesse o que ela estava fazendo lá dentro.
Mas no fundo ela sabia que ela estava esperando que ele viesse para ela novamente. Se a única maneira de que ela pudesse ter qualquer contato com seu irmão mais novo fosse através de sangue, ela permitiria isso. Aquilo poderia significar pouco para ele, mas pelo menos ele estava lá, pelo menos ele reconhecia a existência dela.
Temari ficou na frente do espelho, mais uma vez, deslizando para baixo a manga curta de sua camisa preta, começou a desatar as bandagens e dentro de instantes o tecido foi descartado no lixo. Ela examinou a ferida em seu ombro, notando que o corte já não estava sangrando, e as bordas da ferida pareciam estar começando a formar uma nova pele. O machucado estaria completamente curado em breve, e Temari se perguntou se Gaara iria esquecê-la, de novo, quando não houvesse mais a ferida no ombro ou até mesmo se ele se já havia se esquecido dela.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ela viu a porta do banheiro sendo aberta, revelando Gaara em pé na entrada, olhando-a em silêncio. Ela se perguntou como ele sempre sabia, se ele estava sempre a observando ou se ele simplesmente sentia até mesmo o mais leve cheiro de sangue. Ela viu quando ele se aproximou dela, com os olhos descendo para o ombro, enquanto ele parou apenas a centímetros de distância dela. Temari virou-se, vendo os seus reflexos no espelho, notando como ela também não havia prestado tanta atenção nele nestes últimos anos. Observando com atento, ela percebeu que, embora fossem apenas alguns centímetros, ele já estava maior do que ela. Ele não estava tão alto quanto Kankuro, mas ainda sim, maior do que ela.
De repente, a culpa lhe bateu. Sua mente ficou nublada com pensamentos sobre como ela pôde ter passado tanto tempo sem, realmente, observá-lo, sem lhe dar zelo ou qualquer tipo de atenção. Mas ela não poderia culpar somente a si. Nos últimos seis anos, depois do incidente com Yashamaru, Gaara simplesmente ficou mais afastado ainda, quase nunca ficando junto de seus irmãos ou de qualquer outra pessoa. É claro que assim, seria impossível perceber as mudanças físicas pelas quais ele tinha passado.
Ela continuou a observá-lo enquanto ele estendeu a mão, arrastando os dedos distraidamente ao longo de sua ferida, fazendo a irmã tremer levemente e voltar para a realidade.
– Não é o suficiente – ele disse em voz baixa.
Os olhos de Temari se arregalaram quando ela o viu pisar suavemente atrás dela, encontrando seu olhar no espelho por um breve momento antes de seus olhos viajaram lentamente sobre a forma dela. O medo tomou conta dela novamente quando ela começou a se perguntar o que ele tinha a intenção de fazer, se ele ia feri-la novamente. Ela não tinha certeza se ele era capaz de infligir algum machucado sem matar ou pelo menos aleijar sua vítima. Mas a ideia de que ele poderia querer feri-la sem matá-la ainda não era muito confortante, de qualquer forma. Temari não pôde deixar de saltar quando a mão de Gaara tocou sua cintura, deslizando em torno de sua barriga.
– O que você... – ela foi interrompida pelo olhar assassino dele refletido no espelho.
Os dedos de Gaara enrolaram no tecido da camisa da loira, puxando lentamente a roupa para cima, revelando um pouco da pele por baixo. Temari começou a tremer visivelmente, seu cérebro quase fechado com a ideia do que Gaara poderia estar tentando fazer. Ela estava com muito medo de detê-lo enquanto ele continuava a puxar sua camisa, finalmente, forçando-a a levantar os braços para lhe permitir retirar o tecido e largá-lo no chão. Assim que a peça caiu no piso, as mãos de Gaara imediatamente moveram-se para desenrolar o tecido ao redor dos seios dela.
– Espere! – Temari disse com raiva, tentando recuperar sua confiança habitual. – Mas que droga você está fazendo, Gaara?
Gaara sorriu com perversidade quando ele encontrou os olhos de sua irmã no espelho mais uma vez. Seus dedos deslizaram ao longo da parte interior das bandagens, levemente acariciando sua pele, como se fosse só para provocá-la. Em seguida, as mãos pararam nas extremidades do tecido, uma vez mais.
– Eu não estou aqui para olhar para você, Temari – ele disse asperamente.
Temari só podia assistir o ato enquanto ele começou a desenrolar as bandagens, suas mãos segurando a borda do balcão na frente dela para impedir-se de tremer. Seus olhos seguiram o tecido quando ele caiu de seu peito para o chão, revelando-a para o olhar de seu irmão. Ele parecia estar falando a verdade, no entanto, nem mesmo olhando para o reflexo da loira enquanto seus olhos pareciam viajar sobre as costas expostas dela.
Quando a mão de Gaara arrastou-se ao longo de sua coluna vertebral, Temari deixou escapar um suspiro e fez um movimento brusco para se afastar, conseguindo apenas pressionar mais seus quadris contra o balcão frio, prendendo-se entre o mármore duro e o monstro atrás dela. Gaara parecia completamente implacável por isso, continuando a deslizar os dedos ao longo das costas da irmã, como se estivesse explorando a forma de seus ossos e dos músculos.
Finalmente, a mão dele se estabeleceu em algum lugar abaixo do ombro dela. Temari ouviu o farfalhar de areia, ao mesmo tempo em que sentiu a dor aguçada nas costas. Ela gritou, agarrando-se ao balcão com força. No espelho, ela podia ver o familiar sorriso maníaco se espalhar nos lábios de Gaara, seus olhos brilhavam com a óbvia sede de sangue. Ela fez um esforço para continuar parada em pé, enquanto a areia continuava a cortar sua pele, sentindo o fluxo quente do sangue correndo por suas costas e começando a mergulhar na banda de sua saia. Ela ouviu o rosnado baixo de Gaara quando a areia finalmente parou. A mão dele imediatamente se movendo sob o fluxo de sangue, capturando o líquido quente em seus dedos.
Gaara parecia hipnotizado, enquanto observava o progresso do sangue descer pela sua mão e pelo antebraço. O corte era profundo, não o suficiente para danificar algum osso, mas ainda sim profundo, o sangramento era muito mais forte do que o que ele viu do ferimento no ombro dela. Isso quase dava a ele a sensação de que o fluxo nunca iria parar, de que ela iria continuar sangrando para sempre, para mantê-lo aquecido pela eternidade. Se ele pudesse de alguma forma manter esse sentimento, talvez isso fizesse sua dor ir embora. Ele rapidamente tirou-se de seus pensamentos, olhando para Temari através do espelho.
Os olhos dela refletiam a dor persistente do ferimento infligido por ele. Ela mordeu o lábio para evitar que o pânico em sua mente a fizesse dizer palavras que Gaara certamente não iria apreciar. E por um momento, ele parecia encantado pela a expressão no olhar de frenesi dela. Sem qualquer pensamento consciente, ele levou a mão livre até o ombro dela e empurrou-a com firmeza, fazendo-a se curvar sobre o balcão enquanto ele se inclinava sobre ela. Temari movia obedientemente sob seu toque, observando como Gaara havia quebrado o contato visual e se aproximado do corte nas costas dela.
De repente, ela sentiu o calor, agora familiar, de seus lábios próximos ao longo do fluxo de sangue, seguido pela hostilidade de sua língua deslizando ao longo do comprimento do corte, enterrando-se na carne entreaberta. Temari não pôde reprimir os arrepios que se alastravam por seu corpo, e instintivamente a mão de Gaara escorregou do ombro pelo corpo dela, seu braço serpenteando ao redor da cintura fina, segurando-a firmemente contra ele.
Temari só conseguia pedir aos céus para que nenhuma funcionária da casa fosse higienizar o banheiro naquele momento, pois se alguém os encontrasse naquela posição, só haveria uma coisa que eles poderiam presumir e, certamente, se isso chegasse aos ouvidos do Kazekage, ela não fazia ideia do que poderia acontecer com ela ou com sua família.
Ela se perguntou como Gaara poderia fazer isso com tanta facilidade, parecendo completamente imperturbável por essa intimidade. O comportamento frio dele a deixava ainda mais desconfortável com o fato de que ela se via mais uma vez relaxando nos braços do ruivo, até mesmo desejando o toque dele. Ela teve de lembrar a si mesma que este era Gaara, seu irmão mais novo, o monstro da areia, a aterrorizante arma de Suna. Ele estava lá por causa da dor dela, não porque a estranha conexão que eles compartilhavam neste abraço antinatural quase poderia ser outra coisa.
Temari permitiu que seus olhos se fechassem enquanto Gaara continuava a extrair o sangue em sua boca, sua mão ainda posicionada sob a ferida para pegar todo o líquido que escapava de seus lábios. Ela perguntou-se vagamente se aquilo já era demais, se ela iria sangrar o suficiente para desmaiar, talvez até mesmo a morrer, quem sabe.
Será que Gaara iria se arrepender se ele acidentalmente a matasse? Será que ele sentiria falta dela? Ela só conseguia pensar que, se ela morresse, ele simplesmente iria apagá-la de sua memória, nunca se lembrando destes momentos em que eles pareciam de alguma forma, unidos.
Ela sentiu a mão de Gaara apertar um pouco mais na cintura dela, os dedos cravando-se em seu estômago, pressionando-a mais contra ele. Os dentes dele se fecharam em torno da ferida, puxando um pouco a carne, como se fosse num esforço para tirar as últimas gotas possíveis de sangue. Temari choramingou um pouco, arrastando as unhas ao longo do mármore do balcão, deixando-se afogar no sentimento sensual da boca do irmão chupando sua pele e banindo de sua mente os sentimentos de vergonha e medo. Seu corpo parecia vibrar debaixo dele quando, por um momento, ela quase podia sentir o que ele sentia enquanto seu sangue derramava na boca dele.
– Gaara... – ela murmurou baixinho, inconscientemente apertando-se contra ele.
Gaara fez uma pausa ao ouvir seu nome sair dos lábios dela com uma suavidade tão estranha. Ele afrouxou o aperto de seus dentes na pele da loira, mais uma vez arrastando lentamente a língua ao longo de sua ferida.
Finalmente, ele se afastou, observando como o sangue continuava a escorrer ociosamente do corte. Seus olhos se voltaram para o reflexo da irmã no espelho. Assim que ela se permitiu recompor-se e encontrou o olhar fixo dele, ela parecia se sentir culpada. Gaara franziu um pouco a testa quando ele finalmente deixou suas mãos soltarem-na, dando um pequeno passo para trás. Temari imediatamente virou-se para encará-lo e rapidamente se arrependeu de sua decisão quando ela encontrou-se vários centímetros de distância do rosto dele.
Gaara, no entanto, parecia completamente não afetado por isso, seus olhos nunca deixando os olhos dela, enquanto ele considerava-a em silêncio. Temari quase estendeu a mão para ele, quase querendo pedir-lhe para ficar, mas se conteve rapidamente, lembrando-se da última vez que ela tentou isso, lembrando-se das palavras dele, de suas intenções. Depois de mais um momento, Gaara se virou e saiu do banheiro, deixando Temari sozinha com sua culpa e seu desejo, nem um pouco natural, pedindo por mais.
Temari fechou a porta silenciosamente e rapidamente removeu os restos de suas roupas antes de entrar no chuveiro, resolvendo que não queria arriscar correr pelo corredor, naquele estado, até chegar a seu quarto. Ela estremeceu quando a água quente bateu na ferida aberta em suas costas, observando o fluxo de cor escarlate descer em espiral pelo ralo. Depois que ela terminou de se limpar, ela ainda ficou sob a água forte do chuveiro até que não houvesse um traço sequer de sangue misturado com água.
Finalmente, depois de uma hora, ela saiu do chuveiro, mais uma vez, verificando-se no espelho, sentindo-se um pouco fraca depois da perda de sangue. Ela abriu uma das portas do balcão e retirou um pequeno pote de álcool e o abriu. Sem fazer cerimônias, ela simplesmente virou um pouco do líquido no ombro, estremecendo quando sentiu sua pele queimar, mordendo os lábios para segurar o gemido que ameaçava escapar. Temari respirou fundo e pegou o potinho novamente, levando-o de forma desajeitada até suas costas e repetiu o mesmo procedimento que fez no ombro. Ela gemeu novamente e apertou as mãos em punhos, lutando com a sensação de ardimento exacerbado.
A kunoichi fechou o pote e guardou-o novamente no balcão, pegando outro rolo de bandagens, cobrindo o ombro para garantir que não a ferida não fosse abrir novamente. Em seguida, ela se virou para inspecionar a ferida nas costas. O corte inclinado passava quase todo o caminho através da metade de suas costas. Não estava mais sangrando, mas Temari sabia que o machucado precisava ser coberto para evitar infecção.
Ela pegou um novo rolo de ataduras e desembrulhou-o antes de começar a vinculá-lo em torno de si mesma. Mas a posição da ferida nas costas dela tornava impossível para ela manter o pano de escorregar enquanto tentava mantê-lo no lugar. Após várias tentativas falhadas, Temari gemeu de frustração, ao perceber que era inútil ficar ali tentando.
Ela considerou suas opções. Ir para o hospital por causa de algo tão trivial seria estúpido, sem mencionar as perguntas indesejadas que surgiriam e que ela teria que responder. Kankuro poderia ainda não estar de volta depois de dias, e mesmo assim, as perguntas dele também não seriam melhores. Isso deixou apenas uma opção sobrando. E ela não tinha certeza se Gaara iria matá-la por pedir a ele algo como isso, mas ela achava que ele, pelo menos, lhe devia isso. E isso seria uma maneira de aproximar-se dele e, talvez, descobrir um pouco mais sobre como ele realmente sentia sobre ela.
Temari cobriu-se com uma toalha e foi para seu quarto, sem se incomodar em recolher a saia manchada de sangue ou as bandagens que estavam largadas no chão. Ela vestiu uma calcinha somente e foi sair do quarto, quando de repente ela fez uma pausa para retornar e pegar a toalha, enrolando-a envolta de si mesma antes de sair do quarto. Ela iria, pelo menos, fingir que tinha um pouco de vergonha.
Temari hesitou na frente da porta de Gaara, segurando o rolo de ataduras na mão, de repente, começando a duvidar de sua decisão. Mas antes que ela pudesse escolher se queria ou não voltar a trás, a porta se abriu de repente, revelando Gaara, que olhava para ela com um misto de irritação e curiosidade.
– Nani? – ele perguntou friamente, fazendo Temari perceber imediatamente que ele não achava que devia nada a ela.
– Eu... Eu estava pensando... – ela engasgou, sem saber como expressar seu pedido, mas resolveu continuar por causa da óbvia impaciência de Gaara. – Você poderia me ajudar a cobrir o corte?
Gaara fez uma pausa, parecendo levemente surpreso com essa pergunta.
– Naze? – ele perguntou.
– Eu não consigo fazer isso sozinha – Temari respondeu, remexendo desconfortavelmente sob os olhos perscrutadores do irmão. – Pode ficar infeccionado se eu deixar assim e não cobri-lo.
– E daí? – Gaara perguntou com indiferença.
– E daí que... Eu poderia morrer? – as palavras dela saíram como uma pergunta, incerta se sua declaração teria qualquer efeito sobre ele.
Gaara olhou para ela por um longo tempo, seu olhar impassível, como sempre, apenas deixando-a mais nervosa.
– Tudo bem – ele respondeu sério.
Temari se iluminou imediatamente, o sorriso em seu rosto fazendo Gaara franzir o cenho enquanto ele deu um passo para o corredor, não permitindo que ela entrasse em seu quarto. Ela desembrulhou um pedaço das bandagens, entregando a ele o resto do rolo.
– Só segure isto – ela falou, fingindo confiança quando ela deixou a toalha cair no chão. Mas mentalmente ela continuava com as preces de que ninguém os visse.
Gaara observava em silêncio enquanto ela colocava o fim do tecido contra o peito antes de começar a girar lentamente, deixando as bandagens se envolverem em torno de seu corpo. Ele foi forçado a desenrolar o rolo enquanto Temari puxava o tecido, usando sua mão livre para finalmente colocar a bandagem corretamente.
– Está coberto? – Temari perguntou depois de um minuto, virando as costas para Gaara e olhando para ele por cima do ombro.
Ele balançou a cabeça lentamente. Temari virou novamente e cuidadosamente tirou o resto das ataduras da mão dele, usando os dentes para rasgar o tecido antes de colocá-lo por dentro da bandagem para mantê-lo seguro e não deixar que se abrisse.
– Arigatou – ela disse, olhando para Gaara com um leve sorriso.
– Hn – foi a única resposta que ele deu quando ele se virou para voltar para seu quarto.
– Gaara? – Temari chamou por ele, fazendo-o parar e olhar para ela. – Não conte para o Kankuro.
Gaara franziu o cenho em confusão, olhando para ela interrogativamente.
– Ele não iria entender – Temari acrescentou com um ligeiro encolher de ombros.
– Você entende? – Gaara perguntou em voz baixa.
– Eu estou tentando... – ela respondeu suavemente.
– Hn – ele murmurou de novo quando ele se virou e entrou em seu quarto, fechando a porta atrás dele.
Temari pegou a toalha do chão e se cobriu novamente, foi até o banheiro pegou suas roupas descartadas antes de ir para seu quarto, encontrando-se apenas mais confusa sobre Gaara e a estranha relação entre eles.
04/04/14
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