A Dor Nos Une

5 Capítulo V – Medo


Notas iniciais
Boa leitura! Peço que leiam as notas finais, por favor! (=

Capítulo V – Medo

Os olhos de Temari se arregalaram enquanto ela lentamente se toca do que Gaara tinha dito. Ela podia sentir seu corpo tremendo incontrolavelmente enquanto o medo começava a dominá-la, o cheiro de sangue em torno de Gaara repentinamente invadindo seus sentidos, servindo como um choque violento para trazê-la de volta à realidade. Talvez pela primeira vez desde que Gaara nasceu, ela começou a entender o quão facilmente ele poderia acabar com sua vida, e o quão pouco ela poderia fazer sobre isso.

– Naze? – Temari sussurrou novamente, recuando sob o olhar frio de Gaara. – Eu nunca fiz nada para te machucar. Porque você quer me machucar, ototou?

– Não me chame assim – foi a única resposta que Gaara deu enquanto ele continuou a estudar ela, calmamente observando o crescente medo em seus olhos verdes.

– Por favor, Gaara – Temari implorou, pelo que parecia ser a centésima vez nos últimos dias.

– Por que você não corre, Temari? – Gaara perguntou, aparentemente indiferente, mais uma vez ignorando o que ela havia dito.

– Você é meu irmão mais novo – ela respondeu. Os olhos de Gaara estreitaram em mais uma menção de seus laços. – Eu não vou correr de você.

– Eu posso matar você – ele simplesmente comentou.

– Eu sei, Gaara – Temari respondeu com um suspiro. – Eu sempre soube.

– Então por que você fica? – ele perguntou.

– Eu nunca tive uma escolha – a loira respondeu, praticamente em um sussurro.

Gaara olhou para ela em silêncio por um momento antes de se afastar. Ele se virou, olhando para o nada.

– Eu vejo – ele falou, finalmente, sua voz caindo plana no silêncio da sala.

Antes que Temari pudesse responder, ele se levantou, fazendo um selo e permitindo que a areia transportasse-o para longe da casa. Temari olhou para o espaço vazio, lágrimas inesperadas surgindo de seus olhos. De repente, ela desejou que ela pudesse retirar suas palavras. Ela percebeu que Gaara havia ameaçado ela. Ela sabia que ele poderia acabar com sua vida em um piscar de olhos, sem pensar duas vezes. Mas alguma coisa na maneira que ele olhou para ela quando essas palavras saíram de sua boca a fez pensar que ela o tinha machucado mais do que ele jamais poderia machucá-la.

Temari se encolheu no sofá, freneticamente enxugando o rosto e inutilmente tentando conter o fluxo persistente de lágrimas. Ela não podia evitar, mas se perguntar como será que seria ter uma família normal, ser capaz de falar uns com os outros, de compartilhar algo um com o outro — ou pelo menos de ser capaz de estar perto um do outro sem temer por sua vida. Seus soluços quebraram o silêncio solene da casa, ecoando nas paredes vazias, dando-lhe uma sensação de estar trancada em seu próprio desespero, impotente para mudar isso.

Parecia que horas se passaram antes que as lágrimas finalmente diminuíram. Por um momento, Temari queria seguir Gaara, para lhe dizer como ela realmente se sentia. Mas a realidade voltou para ela rapidamente quanto ela se lembrava de suas palavras, sabendo muito bem que, se ela se aproximasse dele sem ser convidada, ele a mataria. Ela pegou o livro que estava abandonado no braço do sofá, encontrando a página marcada e mais uma vez obrigou-se a ler, embora seu cérebro realmente não registrasse nenhuma palavra que ela lia. Ela continuou a virar as páginas, tentando atenuar a dor latejante na cabeça dela, tentando manter seus pensamentos ocupados, ignorando a imagem recorrente do rosto de seu irmão apenas a alguns centímetros longe de seu próprio rosto.

Quando escureceu, Temari decidiu que ela é quem iria fazer o jantar. Se nada mais, ela poderia pelo menos dar isto a Gaara, embora ela não tivesse certeza se ele iria aceitar isso depois do que ela disse. Ela caminhou até a cozinha, acendendo as luzes quando entrou, e começou a preparar a comida, andando de um lado para o outro na cozinha, sem realmente pensar no que estava fazendo. Ela cantarolava para si mesma em silêncio, fingindo um ambiente descontraído, como se por estar fingindo ser feliz, ela realmente poderia alcançar isso. Os ruídos da cozinha momentaneamente afastaram os pensamentos sombrios de Temari, dando-lhe um momento de paz antes que ela fosse jogada na desolação mais uma vez.

Ela tinha acabado de colocar comida em dois pratos, quando ouviu a porta da frente aberta. Temari deixou a cozinha e veio rapidamente para a sala, com os olhos caindo sobre Gaara que sequer lhe olhou enquanto ele ia em direção as escadas. Ela pensou que era estranho que ele tinha entrado pela porta. Ele geralmente utilizava a areia para se transportar diretamente para o seu quarto, evitando contato com seus irmãos, tanto quanto possível. De repente, ocorreu a Temari que, nos últimos dias, ele tinha estado perto dela mais do que o habitual, e ela se perguntava o que todas essas mudanças poderiam realmente significar.

– Gaara – ela chamou, tentando parecer alegre, mas falhando quando a sua voz claramente tremeu. – Você quer jantar?

Ele olhou para ela lentamente, seus olhos encontrando os dela enquanto ele permanecia em silêncio, sem dar resposta à sua pergunta. A voz de Temari ficou presa na garganta quando viu o olhar de ódio e dor misturados e velados por de trás dos olhos do ruivo. Ela abriu a boca para falar, mas não conseguia fazer as palavras saírem. Ela notou que os olhos de Gaara estreitaram em irritação com o gesto e então ela tentou novamente, obrigando-se a dizer o que parecia impossível na frente dele.

– Sinto muito sobre o que eu disse, Gaara – ela engasgava as palavras, tentando falá-las antes que elas morressem em sua garganta. – Eu não quis dizer aquilo. Eu... – Temari engoliu seco, sentindo-se mais vulnerável do que nunca sob o olhar frio do irmão. – Eu fico porque você é importante para mim.

Gaara observou-a em silêncio por vários segundos, a expressão em seus olhos nunca mudando. Temari estremeceu, arrepiando-se por seu escrutínio, desejando que ela pudesse compreender os pensamentos que corriam atrás daqueles olhos cheios de ódio.

– Não se incomode – Gaara finalmente falou, com a voz fria e distante. – Eu não me importo com você ou com o que você pensa sobre mim. Eu estava meramente curioso.

Ele ignorou o olhar chocado de Temari quando ele se virou, caminhando em direção a ela. Temari estremeceu quando ele se aproximou, mas ele passou por ela sem sequer olhar para ela, adentrando a cozinha e sentando-se à mesa. Lentamente Temari se virou para a cozinha, seus pensamentos extremamente lentos, até que ela finalmente percebeu que ele estava aceitando sua oferta. Ela caminhou rapidamente para a cozinha, pegando um prato e o depositando na frente de Gaara. Ele nem mesmo olhou para ela enquanto ele pegava os hashis. Temari deu um passo atrás, ela o fitou por um momento.

– Por que você tem que ser tão ríspido, Gaara? – ela perguntou em voz baixa.

Ela o viu fazer uma pausa, os hashis em suspensão no ar. Mas ele não lhe respondeu e nem fez qualquer outro movimento para indicar que ele iria dar qualquer resposta. Temari não esperou que ele falasse. Ela se virou e saiu da cozinha, caminhando rapidamente até as escadas, subiu e se dirigiu ao banheiro do corredor, deixando a própria comida para trás. Quando ela se foi, os hashis de Gaara caíram no seu prato com um som estridente.

– Eu nunca tive uma escolha – disse ele em voz baixa, sabendo que ela estava muito longe para ouvi-lo.

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Temari estava no banheiro, em frente de um espelho. Ela estava sem camiseta, com apenas bandagens brancas que serviam como um tipo de sutiã, cobrindo-lhe os seios. Ela examinou seu ombro esquerdo, lembrando como ela havia negligenciado limpar a ferida desde que ela deixou o hospital há quatro dias. Sempre que tomou banho, nem sequer tocou no ferimento. Ela começou a desembrulhar as ataduras do ombro, deixando-os desenrolar lentamente, revelando uma mancha escura no tecido. Quando ela chegou à última camada, Temari percebeu o estrago que ela fez por não cuidar da sua ferida. As bandagens estavam agarradas em sua pele, a ferida parecendo estar grudada com o tricô do tecido. Temari suspirou, começando a desenrolar a última camada do tecido, a pele recém-criada para o fechamento do ferimento, se descolou juntamente com o material, obrigando a ferida grande e profunda a se abrir novamente.

Temari estremeceu quando o sangue começou escorrer em seu braço em um fluxo lento, mas constante. Ela deixou as bandagens manchadas de sangue cair no chão, olhando para o seu reflexo no espelho enquanto o pano em torno de seu peito começou a absorver o líquido, transformando o tecido branco, em vermelho escuro. Enquanto ela examinava sua imagem no espelho, preguiçosamente se perguntando se ela deveria fazer alguma coisa para parar o sangramento, Temari de repente sentiu arrepios na parte de trás do pescoço dela, que lhe informava que ela estava sendo observada. Ela virou-se lentamente, encontrando seu irmão mais novo de pé na porta, olhando para ela com um brilho estranho em seus olhos. Antes que Temari pudesse pensar o porquê dela ter sido estúpida o suficiente para deixar a porta aberta, Gaara entrou, aproximando-se dela com uma lentidão torturante.

Ela virou-se para encará-lo, encontrando seus olhos desafiadoramente, para provar que ela poderia não ter medo dele, que ela realmente se importava com ele, até mesmo quando ele não se importava com ela. Ela viu quando Gaara parou a menos de um passo longe dela, seus olhos vagando de seu rosto para a ferida que continuava a derramar sangue lentamente. Temari teve que reprimir um arquejo quando Gaara estendeu a mão em direção a ela, parando logo acima do ferimento dela.

– O que você está fazendo, ototou? – Temari perguntou suavemente, fazendo um esforço para manter a voz calmante enquanto seus olhos revelavam seu medo.

Gaara meramente fulminou-a com os olhos, antes de voltar sua atenção para o ombro machucado. Lentamente, com cautela ele deixou seus dedos tocarem a ferida, tão leve que a carícia parecia quase como um vento suave na pele de Temari. Gaara fez uma pausa antes de aumentar a pressão um pouco, permitindo que as pontas dos dedos deslizassem ao longo do comprimento da ferida, sentindo Shukaku agitar dentro dele à visão e cheiro do sangue. Temari estremeceu ligeiramente ao toque, movendo-se para trás uma fração de um centímetro, mas parou a si mesma antes que ela pudesse se mover para fora do alcance do ruivo.

Gaara jamais a havia tocado antes. Nem mesmo o mais breve contato, nem mesmo quando eles eram crianças. Tinha certeza de que ele nunca tinha tocado ninguém desde que Yashamaru tinha morrido. Temari não podia negar-lhe isso, mesmo que isso fosse doente, mesmo que isso fosse errado, mesmo que seus joelhos tremiam de medo. Ela encontrou-se incapaz de tirar os olhos dele enquanto ele estava mais perto dela do que ele já tinha sido de qualquer pessoa em anos, a metade de seu corpo seminu exposto aos olhos verdes azulados. Ela poderia dizer que pela maneira descuidada como seus dedos deslizavam sobre sua pele que ele não sabia o que realmente significava o contato humano, que ele não entendia a intimidade da posição em que estavam e que estava se importando somente com o sangue que escorria da ferida no ombro. Ela pensou que ele provavelmente não se importava que fosse ela ali. Poderia facilmente ter sido qualquer outra pessoa com uma ferida que sangrava.

Gaara observou enquanto o sangue escorria lentamente sobre seus dedos, manchando sua pele fria. O calor parecia penetrar em seu corpo. O sangue continuava a sair do machucado, sendo bombeado pelos batimentos cardíacos constantes, forçando que líquido permanecesse sob o toque do irmão. Ele moveu os dedos para cima e para baixo ao longo da ferida, de repente frustrado pelo fluxo lento de sangue, ignorando o suave choramingo de Temari quando ele tocou a carne exposta sob a pele. Gaara pressionou o dedo indicador contra a borda da ferida, deixando a unha curta, porem afiada, escavar lentamente na carne. Com um movimento brusco, ele arrastou a unha até o outro lado da ampla ferida, abrindo as linhas irregulares do corte ainda mais, causando um fluxo renovado de sangue a fluir sobre sua mão.

Temari gritou, incapaz de conter-se, e Gaara endureceu imediatamente, com o grito o trazendo de volta à realidade, lembrando de que o que ele estava tocando era uma pessoa e não apenas um pedaço vazio de carne que sangrava. Lentamente, ele olhou-a nos olhos, vendo a dor refletida lá. O sussurro no fundo de sua mente se tornou mais forte quando Gaara olhou para sua irmã, seus próprios pensamentos se tornando quase indistinguível dos de Shukaku.

Mais, mais, mais.

Gaara manteve a mão no lugar, permitindo que o sangue se derramasse, escorrendo para baixo do antebraço e manchando sua pele pálida com filetes vermelhos. Ele estudou os olhos de Temari, tentando distinguir as muitas emoções que pareciam se misturar lá. Dor, medo, desafio, culpa. E algo a mais que ele não conseguia entender.

– Quente... – Gaara sussurrou baixinho, com a voz estranhamente animalesca. – Tão quente... Eu quero mais.

– Se você me fazer sangrar muito, eu vou morrer, Gaara – Temari disse sem fôlego, não tendo certeza se isso iria impedi-lo ou atiçá-lo.

Gaara olhou para ela com um vazio estranho por trás de seus olhos, seus dedos se contraindo ligeiramente, cavando um pouco mais na ferida, observando como Temari estremecia novamente, reclamando silenciosamente.

– Talvez se você sangrar o suficiente, eu também fique aquecido – Gaara disse calmamente, sua voz carregava nenhuma emoção para uma declaração que deveria ter sido de cortar o coração.

Temari se conteve antes que ela pudesse deixar um soluço escapar-lhe os lábios. Ela não conseguia começar a entender o que Gaara estava sentindo, a lógica que o fazia dizer tais coisas. Mas ela achava que em algum lugar lá no fundo ele deveria querer nada mais do que amor e reconhecimento. Ninguém nunca havia o tocado antes, o único conforto que ele conhecia era na dor dos outros. Talvez se alguém apenas tentasse.

Temari engoliu seu medo, levantando a mão para ele com incerteza. Gaara inclinou a cabeça para o lado, analisando suas ações, se perguntando se ela estava fazendo isso para tentar lutar contra ele. Temari podia ver sua mão trêmula quando ela a esticou em direção a ele, parecendo levar uma eternidade, antes de finalmente permitir que seus dedos escovassem cautelosamente no ombro do ruivo.

Os olhos de Gaara se estreitaram imediatamente com o toque, com sua mão chegando como um flash e empurrando o braço da garota para longe. Ele parou por um breve momento antes de seus dedos deixarem o ombro ferido dela, seus braços se movendo tão rápido que ela não pôde reagir, antes que ele a empurrasse para trás, jogando-a agressivamente contra a parede,. Os azulejos brancos atrás dela rachando com o impacto. Gaara olhou para ela enquanto Temari escorregava para o chão, a expressão dela era de algo entre choque e pânico quando ela olhou para ele.

– Nunca mais faça isso de novo – ele disse friamente, antes de se virar e sair do banheiro, batendo a porta atrás de si.

Temari agarrou seu ombro sangrando, nem mesmo fingindo lutar contra as lágrimas que mais uma vez começaram a escorrer por suas bochechas. Sentia-se estúpida, tentando entender um monstro que, obviamente, não se preocupava com ela, mesmo que ele fosse seu irmão mais novo. Perguntou-se vagamente como ele a tinha feito chorar tantas vezes nestes últimos dias, quando ela quase nunca havia chorado antes em toda sua vida. Sempre levando a sério o treinamento que tomara para ser uma kunoichi forte.

Temari estava grata por Gaara pelo menos não ter a visto chorar. Ela não queria dar a ele a satisfação de ver o quanto ele poderia machucá-la, embora em algum lugar no fundo de sua mente, ela não poderia suprimir uma voz que dizia que ela merecia tudo o que ele estava fazendo, por causa da maneira como ela o tratou quando eles ainda eram crianças.

15/03/14

Notas finais
Gostaram? (= Bem... Um agradecimento super especial para LahErly pela recomendação! Obrigada mesmo, fiquei muito contente! ^.^ Estou tão ansiosa para escrever o próximo capítulo! Tive ideias tão... Sádicas para a Temari e o Gaara. Não só no próximo, mas também no decorrer dos outros! Embora eu, ainda, esteja em temporada de prova (contando com os simulados), estou fazendo o possível para que eu consiga escrever e postar os capítulos para vocês! Mas acho que vocês sabem como é difícil, não é mesmo? Às vezes você quer escrever, mas simplesmente não consegue fazer bosta alguma e então fica mofando na cadeira ou na cama, implorando para o seu cérebro funcionar pelo menos um pouquinho que seja... Ah, bem vindos, novos leitores! Espero que vocês estejam gostando da fanfic! E para todos aqueles que perguntam sobre hentai... Sim, vai ter! Lá pelo capítulo doze. E vai ser comprido. HEHE Enfim, obrigada pelas reviews! Estou muito contente que estejam acompanhando e gostando da fanfic! Ja nee! (=