A Dor Nos Une

9 Capítulo IX – Apenas Sangre


Notas iniciais
Boa leitura, minna! (=

Capítulo IX – Apenas Sangre

Temari não conseguiu dormir naquela noite, cada posição incomodando suas feridas, lembrando-a de novo das mãos de Gaara em torno de sua cintura, da boca dele em sua pele. Ela repetia para si mesma que a única razão para que esses pensamentos estivessem em sua mente era porque ela tinha medo dele, porque o que ele estava fazendo não era nada natural, era errado em muitos sentidos. E, no entanto, ela não podia negar que seu corpo ansiava por aquela proximidade de novo, que sua pele sentia falta do calor dele contra ela.

Quando o relógio sobre a cabeceira ao lado de sua cama mostrava que já era três da manha e ela ainda não tinha conseguido sequer cochilar, Temari finalmente desistiu. Ela saiu do quarto, mas logo hesitou quando ela olhou para o longo corredor. Depois de minutos, com as mãos fechadas em punhos e sua expressão definida em determinação, ela caminhou até o quarto de Gaara. Seria mais fácil simplesmente abandonar a pretensão. Ela não poderia estar mais envergonhada do que já estava por tudo o que tinha acontecido.

Um momento depois, ela estava batendo na porta de Gaara. Mas o som de seu próprio coração martelando em seu peito fez sua determinação rapidamente desmoronar e então ela virou-se, sem esperar para ver se ele iria responder a batida.

Temari rapidamente tomou os longos passos até o banheiro, praticamente correndo, e então adentrou, deixando a porta aberta. Se Gaara estivesse lá, ele iria, sem dúvida, entender o que ela queria. Ela não se incomodou em esperar, tirando sua camisa para examinar suas feridas enfaixadas, deixando nada além de seu short roxo para cobrir seu corpo. Ela havia acabado de começar a desembrulhar as bandagens em torno de seu ombro quando ela notou Gaara na porta. Temari olhou para ele com um sorriso vago enquanto ele olhava para ela interrogativamente. O ruivo deu cautelosamente um passo para frente quando ela voltou a olhar para seu reflexo no espelho, continuando a remover as ataduras.

– Achei que você... – Gaara começou lentamente.

– Feche a porta – Temari o interrompeu, com a voz estranhamente sonhadora.

Atordoado pela ousadia dela, Gaara fechou a porta atrás de si, sem nem mesmo se importar em ameaçá-la pela audácia. Temari jogou as bandagens usadas na lata de lixo, verificando o corte quase curado em seu ombro antes de prosseguir para remover o tecido em torno de seu torso que, alem de cobrir a ferida em suas costas, também cobria seus seios.

Gaara deu um passo atrás dela, observando as bandagens caírem lentamente do corpo da irmã. Temari parou quando chegou à última camada do tecido, já sentindo que ele estava, mais uma vez, colado à ferida, embora não estivesse tão ruim quanto à última vez. Ela olhou para trás, fazendo uma pausa por um momento, antes de entregar a faixa remanescente do tecido para Gaara, sem lhe dirigir uma palavra.

Ele hesitou brevemente antes de tirar a bandagem da mão dela. Temari voltou a observando seu reflexo no espelho, enquanto Gaara parecia considerar o que ele deveria fazer. Então, de repente, ele puxou o tecido grossamente, arrancando-o das costas de Temari, fazendo-a grunhir de surpresa, sentindo um leve e pequeno filete de sangue escorrer de sua pele. Gaara soltou as bandagens no chão e olhou para Temari, através do espelho, com um olhar que claramente dizia “você pediu, então terá” e a garota apenas encolheu os ombros com resignação.

– Faça o que quiser – ela disse em voz baixa. – Contanto que você não me mate.

– E se eu quiser te matar? – Gaara perguntou com arrogância e uma pitada de curiosidade.

– Bem, não é como se eu pudesse impedi-lo – Temari admitiu com outro encolher de ombros.

Gaara sorriu com escárnio ligeiramente quando ele correu os dedos ao longo do corte nas costas dela. Temari estremeceu, deixando escapar um suspiro suave e, instintivamente, inclinou-se, descansando os cotovelos sobre o balcão na frente dela, como ele havia a feito fazer no dia anterior.

– Você acha que pode me controlar com isso? – ele sussurrou, suas unhas começaram a escavar na ferida, entrando na carne e aprofundando o corte, ganhando mais um grunhido suave da loira.

–Não – ela sussurrou em resposta – Mas pelo menos, assim, você me nota.

– Apenas o seu sangue – Gaara respondeu asperamente, um sorriso cruel contorcendo suas feições.

– É melhor do que nada – Temari murmurou, fechando os olhos e estremecendo um pouco enquanto as unhas de Gaara continuavam a raspar para frente e para trás ao longo de sua ferida, cortando cada vez mais fundo em sua carne.

– Você é estranha, Temari – Gaara falou distraidamente, inclinando-se mais para cima dela.

Os lábios de Temari se espalharam em um sorriso, ela pensava que era irônico ser chamada de estranha por alguém como Gaara e ao mesmo tempo se perguntava o que isso queria dizer sobre os sentimentos dele em relação a ela. Seus pensamentos foram interrompidos quando, mais uma vez, ela sentiu a sensação familiar dos lábios de Gaara em seu machucado.

Ela não colocou nenhuma fachada desta vez, deixando escapar um gemido suave quando a língua de Gaara se arrastou ao longo de sua pele. Temari não se surpreendeu quando os braços do ruivo se fecharam em volta de sua cintura, as mãos dele manchando o estômago dela com seu próprio sangue. Ela automaticamente se inclinou para ele, pressionando seu corpo contra o dele, ouvindo-o rosnar contra suas costas.

Ela perdeu a noção do tempo enquanto ela permanecia nos braços de Gaara, descansando seu peso contra o balcão para poder relaxar os joelhos trêmulos. A mão dele, ocasionalmente, deixava seu lugar em sua barriga para poder raspar a ferida nas costas dela de novo, renovando o fluxo sanguíneo. Ela se perguntou vagamente se ele estava incentivado pelo convite dela, ou se ele estava tentando prolongar a experiência, agora que ela havia admitido que queria ele ali.

Temari considerou com uma estranha indiferença, que tudo isso poderia ser parte do plano dele, mais um passo para quebrar ela, fazendo-a ir até ele por vontade própria, transformando-a em nada alem de uma marionete controlada por ele. Estranhamente, naquele momento, ela realmente não se importava nem um pouco.

A loira só percebeu sua posição quando Gaara se afastou dela, quando ela ouviu seu próprio gemido persistente ecoar nas paredes do banheiro. Ela se endireitou com uma sacudida, encontrando os olhos dele através do reflexo no espelho, vendo seu próprio reflexo corado ao lado dele. Era tarde demais para negar a maneira como ele a fazia se sentir, tarde demais para afirmar que isso era impróprio.

Ela se perguntava se ele percebia isso, se ele, ao menos, se importava com o que aquilo poderia significar. Lentamente Temari virou-se para seu irmão, com as mãos ainda segurando no balcão atrás das costas para o apoio. Ela viu quando Gaara ergueu a mão, seu olhar deixando o rosto dela para olhar para a sua própria palma manchada com o sangue dela.

– Eu me pergunto se o meu seria o mesmo... – ele murmurou, aparentemente para si mesmo.

Temari teve que lutar contra o desejo de estender a mão e tomar a mão dele, abraçá-lo. Ela se forçou a olhar para o lado, para os azulejos rachados na parede, para se lembrar do que havia acontecido da última vez em que ela tinha tentado tocá-lo. O gesto fugaz foi pego de imediatamente por Gaara, seus olhos se estreitando instantaneamente quando a mão dele caiu para seu lado. Ele atirou um olhar venenoso e cheio de odeio para Temari antes de se virar para a porta.

– Espere! – ela chamou por ele, indo em direção a ele, hesitante.

Mas ele já estava abrindo a porta, já desaparecendo pelo corredor, deixando-a para envolver os próprios braços, tremulamente, em torno de si mesma, incapaz de recompensar a ausência do calor do corpo dele.

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Depois que ele saiu, Temari levou o seu tempo tomando banho, com as mãos descansando em sua barriga, onde as mãos de Gaara estavam antes, em uma tentativa inútil de recriar a sensação. Seus lábios se moviam pronunciando o nome dele, porem não deixando o som escapar, com medo de que ele realmente pudesse ouvi-la.

Isso era errado, tudo tão errado. Ela só estava alimentando a sede de sangue dele, apenas tornando-o mais monstruoso do que ele já era. Mas ele havia vindo atrás dele, ele estava com ela mesmo que apenas por aqueles breves momentos, e ele olhava para ela de uma maneira que ela jamais havia visto ele olhar para qualquer outra pessoa. Tão antinatural como os “encontros” dos dois eram, o fato de que ele havia permitido tal contato a fazia pensar que talvez eles dividissem, sim, alguma coisa. Talvez ele a visse como uma irmã, pelo menos em algum nível primitivo. Temari não se deixou pensar que a forma como seu corpo respondia ao toque dele, não tinha nada de inocente, ela não se permitiu ficar imaginando se ele se sentia assim também.

Quando ela finalmente saiu do chuveiro, respingando no chão, ela se perguntou se deveria ir até ele novamente para ajudar com as bandagens. Mas ela descobriu que isso seria impossível, sabendo que ela iria querer puxá-lo para um abraço, para uma aproximação e que então ele iria rejeitá-la outra vez. Em vez disso, Temari apressadamente se enxugou com uma toalha e colocou as bandagens da melhor forma que ela conseguiria em suas costas, franzindo a testa com o resultado fortuito, mas mesmo assim resolvendo ignorar e se vestir novamente, sem se preocupar em cobrir o corte em seu ombro.

Após Temari terminar de se vestir, ela desceu as escadas e tomou seu café da manha em silêncio. O sol ainda nem havia começado a nascer quando ela saiu de casa, percebendo que gastou horas, parada no banheiro, gastou horas na presença de Gaara. E ela não se arrependia.

Ela começou a buscar por Baki por toda a vila, mas só o encontrou saindo do prédio Kazekage uma hora depois dela ter percorrido quase toda Sunagakure.

– Me treine! – ela exigiu de imediato, assim que o alcançou, sem se preocupar em dizer bom dia ou olá.

– Você não deveria estar se recuperando, em sua casa? – ele perguntou, franzindo a testa, como de costume. – Na verdade, você não deveria estar dormindo à uma hora dessas?

– Eu estou bem – ela respondeu brevemente. – Mas eu estou cansada de ficar sentado e não fazer droga alguma. Não que isso seja da sua conta. – como sempre, arrogantemente, ela finalizou.

– Por que você precisa de mim então? – Baki questionou com irritação mal disfarçada.

– Porque eu preciso de um desafio – Temari respondeu, cerrando os punhos em frustração antes de acrescentar em voz baixa. – E Gaara não faz um bom parceiro de treino.

Ela viu um leve sorriso torto do lado da boca de Baki e virou-se na direção dos campos de treinamento, sem esperar por uma resposta. Baki a conhecia bem. Ele havia a visto lutar e se esforçar para provar seu valor, havia visto suas habilidades aumentarem exponencialmente ao longo dos anos e sabia que todo o esforço dela passava despercebido pelo Kazekage, que embora gostasse de seus filhos, dificilmente passava algum tempo com eles ou lhes dava atenção. Ele sabia o quão poderosa Temari realmente era, e também sabia como ela poderia ser instável. Quando ela ficava assim, Baki entendido exatamente o que ela queria e o que aconteceria se ela estivesse satisfeita.

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Temari deixou os campos de treinamento bem depois da meia-noite, coberta de sangue e sujeira. Quase todos os seus ferimentos foram causados ​​por suas próprias técnicas de vento. Erros descuidados, ela iria clamar. Os cortes deixados pela kunai de Baki não eram tão profundos, assim como as feridas que ela havia deixado nele, também não eram.

Baki sabia que era melhor não discutir com ela quando ela ficava assim, quando ela precisava ser tão violenta que só seu próprio sangue em suas mãos poderia realmente testemunhar seu poder. Ela sempre soube quando parar, e aquilo sempre a acalmava no final, mesmo que apenas por um tempo. Temari havia passado o dia todo treinando, fazendo pequenas pausas para que ambos, ela e Baki, pudessem se alimentar e se hidratar.

Bem, pelo menos ela não descontava a sua dor para fora no resto da aldeia, como Gaara, Baki racionalizou ao vê-la ir embora.

Quando ela chegou a sua casa, Temari foi imediatamente para seu quarto e para o banheiro. Ela levou apenas alguns minutos para tomar banho, e quando saiu, percebeu o sangue ainda escorrendo de seus múltiplos cortes e misturando-se com as gotas de água em sua pele. Ela ignorou, envolvendo uma toalha em torno de si mesma, ela deixou o banheiro e foi direto ao guarda roupa, colocando uma calcinha branca simples, antes de se retirar do quarto e parar na frente da porta de Gaara.

Ela não tinha certeza do que estava fazendo, mas no momento a única coisa que importava era apagar aquele sentimento de inutilidade absoluta e desespero. A memória do olhar de ódio dele ainda estava fresca em sua mente e ela não conseguia pensar em nada mais do que padecer por seus erros.

Ela bateu na porta, tão leve que o som poderia ter sido confundido com um toque acidental de dedos contra a madeira, se Gaara já não tivesse sentido-a parada ali por vários minutos.

– Entre – veio a voz baixa de trás da porta.

Isso era estranho. Normalmente, ele apenas abria a porta, nunca permitindo que qualquer pessoa adentrasse seu quarto. Temari não conseguia se lembrar de sequer, alguma vez, em que ela houvesse entrado no quarto do irmão mais novo. Sua mão tremeu ligeiramente quando ela girou a maçaneta da porta, dando um passo para dentro e rapidamente fechando a porta atrás de si mesma. O quarto estava escuro, mas ela podia ver Gaara sentado de pernas cruzadas sobre a cama.

Ela poderia dizer que ele entendia por que ela havia vindo. Era como se eles tinham algum acordo implícito agora. Temari fez uma breve pausa para firmar seu rápido batimento cardíaco antes de se aproximar dele, enquanto ele permanecia sentado, observando-a em silêncio. Ela parou na frente da cama, olhando para ele, sem saber o que fazer naquele momento.

Ela não teve que pensar sobre isso por muito tempo, quando depois de um momento Gaara rapidamente estendeu a mão, com força, agarrando-lhe o pulso e puxando-a para a cama. Apesar de ter se aproximou dele por vontade própria, Temari agora tremia enquanto ela olhava para o ruivo.

Isso era totalmente um novo nível sobre o que era errado. Eles estavam no quarto dele, na cama dele, e ele havia levado-a ao ponto de realmente ir atrás dele. Isso era bem diferente do que simplesmente deixá-lo saber o que ela estava fazendo, permitindo que ele se aproximasse dela. Ela veio até ele, ela havia se oferecido para ele. Nestes poucos dias as palavras cruéis e as “carícias” descuidadas dele haviam confundido a mente dela o suficiente para fazê-la acreditar que ela devia isso a ele, que de alguma forma, ele tinha direito a dor ela.

Gaara pôde sentir o arrepio mal reprimido de Temari quando ele a empurrou para os travesseiros, uma mão ainda prendendo em ambos os pulsos dela, como se fosse para lembrá-la de que ela não poderia escapar. Ele se ajoelhou ao lado dela, levantando os braços dela, examinando os cortes rasos em sua pele. Seus olhos continuaram a percorrer ainda mais ao longo do corpo dela, analisando as feridas em seus ombros expostos e as manchas vermelhas marcando a toalha.

Ele franziu a testa levemente, finalmente liberando os pulsos dela, deixando o braço cair de volta para a cama. A expressão imediatamente a lembrou do que ele tinha dito naquela manhã e da forma como ele olhou para ela quando ele a saiu do banheiro e ela sentiu outra onda de culpa com a lembrança.

– Gaara... Eu sinto muito sobre... – Temari parou quando ele olhou para ela, percebendo que ela não tinha ideia de como terminar a frase. – Sobre tudo – ela acrescentou quietamente depois de uma pausa.

Ele não respondeu, seus dedos se moviam em direção à toalha, prendendo-se no tecido, puxando-o da forma dela. Temari se remexeu para permitir que ele arrastasse a toalha debaixo dela e soltasse a mesma no chão. A mão de Gaara roçou seu abdômen, seus dedos traçando uma ferida particularmente profunda logo acima da linha da calcinha dela, o sangue ali escorrendo por entre suas pernas e absorvendo-se no tecido branco.

Tudo o que Gaara pôde ter pensado sobre o medo dela antes parecia não importa para ele agora, e culpa de Temari era substituída por um vago sentimento de nervosismo com relação à situação claramente inadequada, na qual eles estavam.

– Gaara – ela murmurou, sua voz tremendo ligeiramente. – É apenas pelo sangue, certo? Você tem uma leve ciência de que algo mais seria errado, não é?

Suas bochechas coraram ligeiramente quando Gaara olhou para ela com um sorriso malicioso. Como sempre, ela percebeu tarde demais que as palavras dela mostravam que era ela a pessoa a considerar algo mais. Isso claramente não passou despercebido por Gaara quando ele estendeu a mão, correndo os dedos levemente sobre as bochechas de Temari e manchando-as com o próprio sangue dela. Ela arregalou os olhos quando não podia fazer nada além de olhar para ele.

– Cala a boca, Temari – ele disse friamente. – Não fale, apenas sangre.

Temari não pôde reprimir um engasgo, mas Gaara ignorou, já se voltando para assistir o sangue cobrindo o estômago dela. Sua mão abruptamente deixou o rosto dela, arrastando-se para baixo, passando por entre os seios, traçando ao longo de todos os pequenos cortes antes de voltar para o ferimento maior. Seus dedos esfregaram para frente e para trás sobre o corte, enterrando-se na carne, descolando mais os músculos, fazendo com que um gemido suave de dor escapasse dos lábios de Temari.

Depois de mais um momento, ele se inclinou sobre ela, seus lábios habilmente colocadas sobre a ferida, sua língua deslizando para fora, arrastando-se no corte e no sangue. A sensação fez Temari se render imediatamente, esquecendo-se de sua ansiedade quando ela permitiu que seus olhos se fechassem e deixou um gemido baixo escapar-lhe os lábios.

A mão de Gaara moveu-se mais uma vez sob o fluxo de sangue, o que efetivamente posicionava a palma sobre a calcinha dela. Seu polegar esfregou suavemente sobre a pele exposta acima da borda do tecido e Temari não podia evitar se perguntar se ele estava fazendo isso só para provocá-la, para mostrar a ela que, se ele quisesse algo mais, ela não podia fazer nada para detê-lo. Sua outra mão traçou distraidamente ao longo do braço dela, procurando pelos outros cortes e raspando as unhas entre eles, provocando um gemido suave de protesto da irmã a cada vez que ele a arranhava.

Ela podia ouvir o rosnado de Gaara quando parecia que o contato não era suficiente e então os dentes, de repente, cravaram-se violentamente na pele dela, extraindo o sangue com uma força renovada e fazendo-a proferir um gemido alto de protestação enquanto seus olhos se abriram rapidamente. Ela estendeu a mão em direção a ele, instintivamente, para tentar fazê-lo parar, mas se conteve a tempo, deixando a mão suspensa no ar, antes dela fechá-la em um punho e deixá-la cair de volta para a cama.

Os lábios de Gaara se curvaram em um sorriso maligno quando ele percebeu o que ela havia feito. Ele mordeu mais forte no corte, acrescentando a pressão de suas unhas afiadas nos quadris dela, deixando cinco pequenas meias-luas na pele dela. Temari gritou e arqueou as costas em uma tentativa de escapar da dor pungente causada pelos dentes em sua pele, conseguindo apenas apertar-se mais contra Gaara. No momento em que os dentes deixaram a carne abusada, o grito dela se transformou em um gemido doce e suas mãos começaram a agarrar-se ao lençol ao seu redor.

Lentamente Gaara se afastou, seus olhos brilhavam com uma intensidade animalesca enquanto ele olhava para sua irmã. Suas mãos gradualmente arrastaram-se até o corpo dela antes de deslizarem para o lado, apoiando a palma da mão de cada lado dela, ele se moveu, subindo em cima dela, deixando suas pernas descansarem em cada lado dela, em um movimento tão sedutor que fez Temari soltar o fôlego. Ela olhou para ele, quase com expectativa, quase esperando que ele levasse tudo aquilo mais adiante. Seu coração batia cada vez mais rápido e arrepios se alastravam pelo corpo dela.

– Qual é o gosto da minha dor? – ela sussurrou quando Gaara estava a centímetros de distância de seu rosto.

Ele considerou-a por um momento antes de se mover, inclinando-se sobre ela, para colocar a boca em um corte um pouco acima da clavícula dela, fechando os lábios sobre o machucado e iniciando uma sucção forte para tirar o máximo de sangue que podia. Sua língua percorria a pele levemente, provocando-a, fazendo outro gemido rouco escapar da garganta da loira. Quando Gaara mudou-se novamente, o gesto foi tão rápido e fluido que ela não teve tempo de reagir antes dele pressionar os lábios manchados de sangue contra os lábios dela. O contato enviou um choque através do corpo de Temari, seu cérebro se esforçando para compreender o que estava acontecido.

Não era realmente um beijo. Apenas os lábios dele colocados contra os dela, abrindo levemente, línguas roçando uma contra a outra, só para passar o gosto de sangue que estava na boca dele para a dela. Era algo muito distante, muito impessoal para ser um beijo. E, ainda sim, parecia que não poderia haver nada mais íntimo do que aquilo, quase como se eles estivessem unidos. A dor dela compartilhada entre os dois, e o ódio, a desumanidade dele selando um contrato tácito.

Ele se afastou muito de repente, olhando para ela com muita indiferença para aquilo que ele tinha acabado de fazer, muita tristeza para ser o monstro que ele era. Nesse momento, ela poderia ter dito que ela o odiava ou que o amava e ambas as afirmações seriam igualmente verdadeiras.

– Você está com medo de mim agora, Temari? – ele disse baixo, a dor em sua voz quase fazendo lágrimas brotarem nos olhos dela. Sua mão deslizou sobre o seio direito dela, descansando em algum lugar onde o coração dela deveria estar. – Você está com medo, agora que você sabe como facilmente eu posso te destruir?

Ela ofegou e então acenou com a cabeça, sentindo um aperto em seu coração, incapaz de parar o tremor em seu corpo.

Gaara se afastou dela lentamente, retirando-se de cima dela e ajoelhando-se na cama de novo, os olhos ainda fixos nos dela enquanto Temari sentou-se hesitante, sem saber se ele já havia acabado com ela, por enquanto. Ela estava incerta sobre o que tudo isso deveria significar, agora. Gaara não parecia disposto a aliviar a incerteza dela, mantendo-se em silêncio, apenas olhando para ela. Era estranho, estarem tão perto, tão íntimos, mas ao mesmo tempo, tão longe, tão distintos. Ela sabia que ele não se importava, ele não conseguiria. Mas isso não a impedia de se sentir do jeito que ela sentia, isso não a impedia de tentar novamente. Sob o olhar penetrante de Gaara, Temari lentamente levantou a mão, estendendo o braço para ele em um movimento cauteloso. Só faltava a ela, pouquíssimos centímetros para que ela conseguisse tocar o ombro dele quando, de repende, ele falou.

– Vá – disse ele asperamente, quase como se ele pretendesse machucá-la.

Temari prendeu o soluço em sua garganta antes que o mesmo pudesse escapar, deixando sua mão cair fracamente para o lado dela. Ela se levantou trêmula, pegando a toalha do chão e envolvendo-a em torno de si mesma antes de caminhar até a porta. O que ele disse a seguir foi algo tão silenciosa que ela pode nem ter escutado. Ela poderia ter fingido que não ouviu, se o comando evidente nas palavras dele não a fizesse congelar por um momento, mesmo que apenas para impedir-se de correr o mais longe que ela pudesse.

– Volte amanhã.

11/04/14

Notas finais
Queria dizer que estou muito contente com vocês, leitores! Obrigada pelo apoio! Espero, de verdade, que vocês estejam gostando da fic. Espero que vocês tenham gostado do capítulo! Qualquer duvida é só perguntar... Estou aberta a criticas, sugestões e etc... Ja nee! (=