A Dor Nos Une
3 Capítulo III – O que eu quero
Notas iniciais
Capítulo III – O que eu quero
Quando Kankuro chegou em casa naquela noite, ele encontrou Temari sentada no sofá da sala de estar, olhando para o espaço. As luzes da sala estavam apagadas e Kankuro se perguntou imediatamente se algo estava errado.
– Temari? – ele perguntou timidamente. – O que está acontecendo?
Lentamente, ela se virou para ele, parecendo precisar de um momento para registrar o que ele estava perguntando. Então, de repente, ela se levantou, fazendo uma careta quando a dor atingiu seu ombro novamente.
– Não é nada – ela respondeu, tentando sorrir. – Eu só estava pensando.
– Esta escuro aqui faz horas – Kankuro falou suspeito, caminhando em sua direção. – Você estava aqui sentada no escuro esse tempo todo?
– Nani? – ela perguntou, conseguindo descolar um de seus habituais sorrisos confiantes. – Por que está tão preocupado? Eu posso cuidar de mim mesma.
– Eu sei – Kankuro respondeu com um encolher de ombros. – Eu só pensei que talvez algo tivesse acontecido.
– Por que você acha isso? – Temari disse com um sorriso de escárnio, tentando esconder o leve tremor em suas pernas.
– Não importa – disse Kankuro, afastando-se dela e começando subir as escadas. – Eu não deveria ter me importado em perguntar.
Temari observou o irmão enquanto ele subia as escadas, de repente sentindo-se culpada por ter agido tão friamente, mas encontrando-se incapaz de falar sobre o que aconteceu. Ela olhou para o espaço que estava ocupado por seu irmão há pouco, incapaz de tirar de sua mente o que aconteceu mais cedo naquele dia. Finalmente ela suspirou com resignação e foi subir as escadas, indo em direção ao seu quarto. Temari fechou a porta, se lavou e colocou um shorts e blusa comuns em silêncio antes de cair na cama. Seu medo havia diminuído para uma consciência sem graça da possível ameaça e ela se viu imaginando que se Gaara realmente fosse matá-la, como será que ele o faria. Quando ela adormeceu, imagens das vítimas mutiladas de Gaara surgiram em sua mente, com seus rostos substituídos por o dela mesmo.
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Temari acordou na manhã seguinte com uma sacudida quando a lembrança de seu sonho voltou para ela. Ela tentou empurrar os pensamentos perturbadores para longe de sua mente enquanto ela se trocava e descia para o café da manhã. Assim que desceu as escadas e passou pelo corredor, ela se viu diante de Gaara, que estava parado em pé, olhando para ela enquanto ela se aproximava. Ela parou por um momento, tentando recuperar a compostura, antes de prosseguir para a cozinha.
– Você quer café da manhã, Gaara? – Temari perguntou, tentando parecer casual enquanto suprimia o corpo para não tremer.
– Hn – foi a única resposta que ela recebeu, e ela assumiu que ele quis dizer que iria comer se ela lhe desse alguma coisa.
Temari prosseguiu para fazer o café da manha, evitando olhar para Gaara, enquanto ela se movimentava em torno da grande cozinha. Depois de algum tempo ela ouviu os passos pesados de Kankuro na escada, e sabia que ele estava indo para a cozinha. E a garota não podia evitar se não agradecer aos Deuses por não ter que ficar a sós com Gaara. Ela olhou para trás para vê-lo entrar na cozinha e vir em direção a ela, e sorriu.
– Sente-se melhor? – perguntou ele.
– O que? Eu estou bem – Temari respondeu rapidamente, não querendo que Gaara saiba a condição que ele a deixou no dia anterior.
Com o canto do olho, ela podia ver Gaara observá-los em silêncio. Kankuro apenas deu de ombros antes de se sentar à mesa. Temari revirou os olhos quando ela se virou e voltou a cozinhar, sabendo que Kankuro sempre espera que ela faça a comida para ele. Depois de algum tempo, ela colocou três prato em cima da mesa. Kankuro imediatamente começou a comer sua comida. Temari sentou-se e brincou com sua comida, enquanto observava Gaara vir e se sentar na cadeira à sua frente. Quando ambos começaram a comer, os olhos de Gaara se moveram de sua comida para Temari. Kankuro olhou entre os dois, se perguntando se Temari estava escondendo alguma coisa sobre o que aconteceu no dia anterior. Mas ele sabia que não devia dizer nada na frente de Gaara.
Quando todos eles terminaram de comer, Gaara se levantou e foi embora, sem se preocupar em colocar seu prato sob a pia. Temari pegou seus pratos, levando-os para a cozinha e os colocando na pia, decidindo que ela iria deixar o serviço para algum funcionário. Quando ela se virou, ela viu que Gaara havia voltado e tomando um assento em uma das cadeiras novamente. Kankuro olhou desconfortavelmente enquanto ele ainda estava parado ao lado da mesa antes de se virar para Temari.
– Quer vir treinar comigo? – ele perguntou, tentando soar alegre. Mas Temari percebeu imediatamente que ele estava apenas tentando afastá-la de Gaara para que ele pudesse voltar a perguntar sobre o que aconteceu.
– Eu não posso treinar pelas próximas duas semanas – ela respondeu com desdém, tentando mostrar que ela estava completamente descontente com esse pronunciamento.
– Bem, você pode vir me fazer companhia – disse Kankuro com um encolher de ombros.
– Você só me mataria de tédio falando sobre seus fantoches – Temari respondeu, revirando os olhos.
– Tudo bem – ele respondeu com paciência. – Vejo você mais tarde, então.
Com outro olhar para Gaara, Kankuro posicionou sua marionete em suas costas e saiu da casa. Temari permaneceu de pé na cozinha, de repente, começando a se arrepender de sua decisão quando ela percebeu que estava praticamente sozinha com Gaara, pois duvidava que qualquer pessoa na casa se atreveria a se opor a Gaara. Ele parecia entender seus pensamentos e sorriu com malicia levemente. Quando Temari saiu da cozinha, Gaara levantou-se lentamente. Ela parou a poucos passos longe dele, se virando e observando-o com cautela. Gaara permaneceu em silêncio, apenas olhando para ela. A sensação fez Temari estremecer interiormente. Gaara raramente permanecia na presença de seus irmãos mais do que o estritamente necessário, muito menos ficava olhando para qualquer um deles do jeito que ele estava olhando para ela agora.
– O que você quer de mim? – ela perguntou, finalmente, incapaz de suportar a tensão, ou seja, apenas para perguntar suas intenções e percebendo tarde demais o quão rude a pergunta soou.
– Eu ainda não decidi – Gaara respondeu, parecendo completamente não se incomodar com a frieza da irmã.
Temari olhou para ele, tentando manter-se firme, mas não conseguiu encontrar nada para dizer. Gaara cruzou os braços sobre o peito de forma passiva como se para mostrar que não havia nada que pudesse fazer contra ele.
– Tudo bem – Temari disse depois de uma pausa, gerindo o seu melhor sorriso de irrisão, apesar de sua voz trêmula. – Deixe-me saber quando você decidir.
Ela passou por Gaara e foi em direção às escadas, sentindo os olhos do ruivo a seguir cada movimento seu. Ele não disse nada para detê-la, enquanto ela subia as escadas e ia para seu quarto, fechando a porta atrás dela.
Quando Temari estava finalmente sozinha, ela inclinou-se contra a porta, ouvindo seu coração martelando no peito. Ela teve que suprimir a vontade de correr atrás de Kankuro, e dizer a ele tudo o que aconteceu e pedir-lhe para protegê-la de alguma forma, embora ela soubesse que não havia nada que eles pudessem fazer. O que quer que Gaara decida fazer, não havia ninguém que pudesse detê-lo.
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Temari ficou no quarto o dia todo. Ela não sabia se Gaara ainda estava na casa, mas o que quer que ele esteja fazendo, ele não a perturbou novamente. Ela começou a se perguntar se ela havia sido muito dura com ele. Talvez ela tivesse entendido mal o que ele disse. Talvez ele só estivesse tentando falar com ela e não sabia como fazer isto. E ela o havia rejeitado tão friamente. Não é à toa que ele odiava a todos, quando a única reação que ele já viu nas pessoas era a de medo e ódio.
Quando começou a escurecer, Temari voltou lá embaixo. Ela encontrou os corredores da casa desertos e ela entrou na cozinha, sentando-se à mesa e se preparando para comer a refeição que a cozinheira havia feito, antes de rapidamente deixar o local temendo se deparar com o filho mais novo do Kazekage. Temari estava começando a comer quando Kankuro entrou.
– Que cheiro bom – ele comentou da porta quando entrou e retirou sua marionete de suas costas, deixando em um canto qualquer da cozinha.
Ele se aproximou, sentando-se à mesa com expectativa.
– Ele está aqui? – Kankuro perguntou de repente.
– Não sei – Temari respondeu distraidamente. – Eu fiquei lá em cima a maior parte do dia.
– Então, você quer me dizer o que aconteceu? – Kankuro perguntou, olhando para ela.
– Nada aconteceu, Kankuro – Temari respondeu com um suspiro.
– Então por que você está agindo de forma tão estranha? – ele questionou novamente, olhando para ela com ceticismo.
– Eu acho que apenas que ainda estou chateada por ter ser ferida – respondeu com um encolher de ombros.
– Você já foi ferida outras vezes – disse Kankuro, balançando a cabeça. – Só que nunca em torno do Gaara.
– Bem, foi estranho – Temari admitiu assim que ela começou a colocar a comida em seu prato, não deixando de preparar o prato de Gaara.
– Então, você está preocupada com isso? – ele perguntou, tentando soar confiante e reconfortante.
– Eu não tenho certeza – ela respondeu calmamente, pegando o prato e o colocando em uma bandeja junto com hashis e um copo de água. – Mas como você disse, não há por que falar sobre isso. O que tiver que acontecer vai acontecer. Não podemos fazer nada.
Kankuro suspirou, sabendo que ele não tinha resposta para isso. Ele observou Temari enquanto ela colocava seu prato sob a mesa antes de pegar a bandeja. Ele continuou obsevando o nada por mais alguns segundo até que ele arrumou o próprio prato e começou a comer.
Temari subiu as escadas e quando ela estava indo em direção ao quarto de Gaara, a porta se abriu de repente. Ela arfou, vendo Gaara sair do quarto e olhar para ela com o mesmo olhar intenso, que a olhou quando ela foi machucada. Temari permitiu que seu corpo se movesse, dando um passo em direção a ele e segurando a bandeja para ele.
– Eu não tinha certeza se você iria descer – ela disse em voz baixa.
– Você não quer que eu desça – Gaara afirmou com indiferença.
– Não, não é isso – Temari respondeu rapidamente, forçando um sorriso fraco.
Gaara não respondeu, apenas pegou a bandeja dela, vendo as mãos começam a tremer assim que elas ficaram livres do que carregavam, e então se virou para voltar para seu quarto.
– Gaara... – ela chamou suavemente.
Ele olhou para ela por cima do ombro, esperando que ela falasse.
– Não... Não é nada – disse com um suspiro.
Gaara virou silenciosamente, caminhando em seu quarto escuro, fechando a porta atrás de si. Temari olhou para a porta por alguns instantes antes de voltar a descer novamente para comer seu jantar.
Kankuro deu-lhe um olhar interrogativo, quando ela voltou, mas ela não disse nada sobre o seu breve encontro com Gaara. Eles terminaram de comer em silêncio antes de ambos deixarem os pratos na pia, subirem as escadas e irem para seus quartos.
Temari assim que entrou em seu quarto, foi para o banheiro e se lavou, pegou a toalha e foi até seu guarda-roupa, tirando suas roupas comuns de lá, derrubando o tecido que estava sobre seu corpo, no chão e lentamente deslizou sobre as roupas. Ela fechou a porta do armário, ficando parada por um momento. De repente, ela ouviu um farfalhar suave atrás dela e um suspiro tranquilo escapou de seus lábios quando ela percebeu o que era a fonte do ruído. Antes que ela pudesse se virar, duas mãos pálidas descansaram contra o guarda-roupa, em cada lado dela. Ela sentiu o calor da pessoa que estava a menos de um centímetro atrás dela, a presença chakra familiar afundando sua mente em completo terror.
– O que você quer, ototou? – Temari perguntou baixinho, esperando que, ao utilizar esse termo, talvez, ela pudesse ser capaz de acalmá-lo.
– Eu deveria perguntar o que você quer, Temari – Gaara disse friamente, sua voz baixa em seu ouvido. – Você quer ser capaz de fugir de mim? Você gostaria de nunca mais poder me ver novamente? Você quer que eu morra, assim como todos os outros?
– Não, claro que não, Gaara – ela respondeu calmante, apesar dos joelhos trêmulos. – Eu nunca iria querer que você se machucasse.
– Até mesmo quando eu quero te machucar? – ele perguntou, e ela quase podia sentir o sorriso maníaco através de suas palavras.
– Por que você quer me machucar, Gaara? – Temari perguntou, lutando para manter um tom confiante, mesmo quando lágrimas ameaçavam transbordar de seus olhos. – Eu nunca fiz nada de ruim para você.
– Não é por isso – ele responde, sem dar mais detalhes.
– Por favor, ototou – ela sussurrou. – Não...
– Não me chame assim – Gaara sussurrou em seu ouvido, fazendo arrepios percorrer-lhe a espinha.
– Gomenasai, Gaara – respondeu ainda mais silenciosa.
Temari tremeu enquanto areia envolvia em torno de sua cintura. Mas ao invés de esmagá-la, a areia girou em torno dela, a virando e forçando-a contra o guarda-roupa. Ela agora estava cara a cara com Gaara, tão perto que ela podia sentir sua respiração em sua pele. Ela viu um pequeno sorriso sórdido enquanto ele olhava para ela.
– Tal medo em seus olhos – ele disse cruelmente – Eu te dou tanto medo assim?
– Gaara – ela sussurrou, incapaz de dizer qualquer outra coisa. Uma lágrima escorregou pelo seu rosto impecável. Os olhos de Gaara seguiram o progresso antes dele se inclinar mais sobre sua irmã.
– Eu acho que eu sei o que eu quero de você, Temari – ele disse calmamente.
– Nani? – ela perguntou com a voz trêmula.
Mas a sua única resposta foi o farfalhar de areia, assim que ela foi em torno dele, o levando para longe do quarto da irmã. Temari deslizou para o chão, encostada na cômoda, seu corpo tremia e com soluços em silêncio, lágrimas tomavam conta de sua visão. Ela não tinha ideia do que Gaara realmente queria, mas agora ele tinha admitido abertamente que queria machucá-la. A única coisa que ela poderia pensar agora era o porquê dele ainda não ter matado ela.
01/03/14
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