A Dominação De Lâminas
1 Did you see the frightened ones?
Notas iniciais
A Dominação de Lâminas
As ruas de Noxus estavam úmidas naquela noite fria, uma chuva havia coberto a Cidade-Estado por completa, e se encontrava assim: Fria, o que combinava muito bem com o lugar.
Via-se um homem com uma garrafa na mão, tropeçando em seus próprios pés e xingando cada pessoa que o olhasse de forma diferente. Por um breve momento, pensou ter visto uma sombra se mover em sua direção mas optou por ser um truque de sua mente não tão sã. O homem de aparência não tão velha provocou mais um comerciante que já fechava sua loja, não sendo nem o primeiro nem o segundo que ouvia o mandar para o inferno.
As lamparinas eram levadas pelo vento, as luzes eram refletidas nas poças de chuva e o som dos sinos dançava pelo ar fresco de outono. Em um momento de distração, ele sentiu uma lâmina afiada em seu pescoço, vendo o próprio sangue quente escorrer em suas roupas sujas. Começou a se debater desesperadamente, tentava arrancar a todo custo os braços que estavam ao seu redor. Porém, por ter se movimentado demais seu pescoço estava todo cortado, dando assim uma brecha para aquele que o atacara.
Em um simples ato sua garganta foi cortada, e seu corpo caiu no chão. O assassino tinha um capuz preto que tampava a metade seu rosto, e antes de a garrafa colidir ao chão, ele a pegara, tomando tudo em um só gole desesperado.
– Você me poupou o trabalho de ter que procurar alguma bebida forte. – Dito isso, o rapaz começara a revistar os bolsos do homem morto, achou alguns trocados e assim foi andando calmamente em direção a sua casa.
Chegou a um casebre caindo aos pedaços, ele não havia juntado dinheiro o suficiente para comprar o terreno que desejava. Mas, em breve teria. O número de assassinatos em Noxus sempre aumentava, nunca diminuía. O ato que acabara de fazer era uma prova disso.
Era aquela simples questão de violência gerando violência.
Matar e morrer eram algo extremamente comum naquele lugar, o rapaz desejava para si próprio o mesmo destino daqueles que ele abatia. Fora nomeado de Talon quando era criança, não se lembrava muito daquela época, mas continuava adotando aquele nome. A Sombra da Lâmina havia ficado famosa pelo subterrâneo de Noxus. Como assim foi apelidado por alguns conhecidos, Talon era muito bom no que fazia. Não havia sensação melhor do que a de fazer o sangue escorrer por sua lâmina. Do que se sentir superior a muitos tendo tão pouco.
Afiou sua lâmina enquanto bebia mais uma garrafa antes de ir tomar um banho gelado. Ainda molhado pelo banho, permitiu-se descansar um pouco. Não era porque o dia o havia o deixado cansado, mas era porque estava cansado daquela vida.
Aquela vida imunda e insegura.
Uma faca de baixo do travesseiro, e mais duas ao pé da cama. Escondido nas plumas de uma almofada fofa tinha um revólver pimenteiro para sua defesa pessoal. Nunca abaixara a guarda, nunca. Por mais que fosse melhor em armas corpo-a-corpo, havia aquelas de longa a distância que ele sempre teria em seu arsenal.
Talon não confiava em alguém. Não se permitia descansar e nem ao menos conseguia. Não havia uma noite sequer que conseguia fechar os olhos e dormir bem. Ouvia e sentia aquela cidade morta durante as noites que passava lá. Noites que eram poucas. Acordava várias e várias vezes alarmado e pronto para matar qualquer um que fosse.
Preparando a sua alma pra qualquer abate.
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Despertou por completo ao sentir pequenos feixes de luz iluminando a face morena. Sentiu sua cabeça pesar, tentava levantá-la, mas desistiu no mesmo momento. Um feixe atingiu somente os olhos, clareando a pupila castanha. Seu olhar vazio era fixo em um teto escuro de madeira podre e oca. Tudo o que queria era apenas uma boa casa, nem que fosse necessário morrer por isso. Sempre achava ser um pensamento ingênuo, mas era um objetivo de vida.
O único que aquele mundo deturpado o permitia ter.
Um rapaz na faixa de vinte e um anos, sobrevivendo à base de assassinatos e roubos. Fazendo sequestros, correndo de um lado para o outro e bebendo sem parar. Talon não tinha família, amigos ou alguém vivo que o pudesse o conhecer. A memória mais antiga que tinha era de seu correr fraco e sonolento, enquanto via várias e várias moedas de ouro caírem ao chão. Coincidindo como se não fossem nada para ele.
O tintilar das quedas simultâneas ecoavam em sua mente até hoje.
Decidiu levantar de sua cama e beber água, sentia que o álcool ainda estava em seu sangue. Acendeu um cigarro e olhava para a janela entrando luz. Os feixes iluminavam o pó. Lembrando Talon a cada momento que um dia ele teria a sorte de ser aquilo.
A cada tragada sentia como se a vida voltasse a seus pulmões, soltar aquela fumaça era sua terapia. Andou alguns passos até o banheiro, e ficou encarando seu reflexo no espelho. Pegou uma navalha que estava no bolso da calça surrada e começou a cortar os fios castanhos.
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Era mais um dia nas ruas escuras do submundo noxiano, o pouco de sol que entrava iluminava não conseguia nem iluminar becos. Apesar da chuva dia anterior, a avenida principal ainda continuava um formigueiro de gente. A maioria esmagadora era pobre, isso era perceptível. As pessoas iam e vinham, cada um com sua miséria, cada um com a sua história e sua luta.
Naquele horário, o submundo não acordava, pois nunca havia dormido. Brigas, fugas, furtos, gritarias, extremamente normal. Extremamente comum para todos. A única coisa estranha naquele horário era nenhum assassinato ou nenhum suicídio.
Poças de chuvas eram mais raras do que poças de sangue.
Talon andava pelos cantos com o cigarro na boca, tão marginal quanto todos aqueles ao seu redor. As pessoas iam e vinham, cada uma sem se importar com as outras. Não reparavam no assassino à espreita como ele próprio não reparavam nelas. Não usava capuz, sabia que sua face era tão comum para aqueles homens como o pão que tentavam ganhar. Assim como as deles eram para si. Tão difíceis de serem lembradas, tão camufladas e tão comuns.
Tão facilmente esquecidas.
Foi quando viu um homem usando roupas que Talon considera caras. Não ignorou o bote, não esqueceu a face, não teve sua respiração acelerada. Apenas se perguntou como ele ainda estava vivo. Jogou o cigarrou no chão e encostou-se na parede gelada onde os feixes não iluminavam. Esperaria que o homem passasse por sua frente, no entanto, sentiu o frio aço de uma lâmina não tão afiada contra sua garganta.
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