A Dominação De Lâminas

7 Think I've heard your voice before


Notas iniciais
Ok, demorei um pouquinho. Me desculpem! Mas minhas aulinhas vão voltar e a inspiração parece que brota! Aproveitem! Obrigada! :D

A Dominação de Lâminas

Era uma manhã razoavelmente quente para o outono, uma ventania levava as folhas das árvores causando uma sensação confortante.

Depois do imenso jardim da mansão Du Couteau havia uma floresta densa onde era possível infiltrar-se na fronteira com Demacia. Em consequência disso, os assassinos que escoltavam os arredores da mansão eram os melhores de toda Noxus. O portal que sepava o domínio os Du Couteau da floresta era apenas uma corda com fitas brancas entre duas árvores, e um pouco a frente era possível ver um assassino encarando uma estaca de madeira, segurando com as duas mãos algo que não era comum para ele: uma katana, e forjada especialmente por um ferreiro Ioniano.

Marcus disse que era um presente. Mas Talon não ficou muito satisfeito ao saber que teria de aprender uma arte estrangeira, ainda mais como Ionia. O assassino conseguia sentir o cheiro de guerra. Não que ele já estivesse em uma, mas Marcus parecia ter sido claro em suas poucas palavras ao dizer para dominar as katanas. E o general não havia discutido esse assunto com ele ou até mesmo com Katarina. Mas não negava sua curiosidade. A glória de estar em uma guerra era única, em morrer com honra. Era toda a libertação que sua alma ansiava.

Ele observou a espada, a base era de um vermelho sangue, a lâmina ligeiramente curvada era bem afiada, refletindo o rosto de Talon. Perguntava-se se seria usado para isso. Matar com espadas enquanto havia revolveres? Para aprender sobre a cultura de outras cidades? Não que não fosse necessário, só não era... Interessante. Queria sim visitar Freljord, Zaun, até mesmo Ionia. Mas queria sangue. Qual era a graça de bater em uma estaca de madeira? Nenhuma.

Mas no fundo, a repulsa que ele sentia era só preguiça de ter que manusear aquela espada estranha. Suspirou em derrota, e observou novamente a estaca de madeira. Havia um rosto macabro desenhado com o que parecia ser feito com adagas. E ao olhar de volta a lâmina viu refletido a dona dos longos fios vermelhos sentada em uma das árvores do portal, o observando.

— Achou fofo? Eu fiz há uns dez anos no meu primeiro dia de treinamento. – Katarina falou ainda sentada, sua face demonstrava uma tranquilidade que Talon começaria a odiar depois daquela visão.

— Achei infantil. – Disse Talon enquanto abaixava a espada.

— Pensei que acharia mesmo. Mas, se você acha infantil uma criança de oito anos sedenta por sangue, o que será maduro para você? – Talon a ignorou. Ela pulou da árvore e veio ao seu encontro, e aproximando-se dele, tocou com o dedo indicador o ‘x’ que era um dos olhos da estaca. – Eu achava aqui bem monótono, sabe? – Um sorriso fraco surgiu em seus lábios e Talon não deixou de notá-lo. – Não era tão bonito para mim, então eu fiz uma carinha em todas as estacas para me fazer companhia. Tá vendo esse ‘N’ aqui? É de Noah, e o ‘J’ daquela outra ali, é de James, e também tem...

— Cala a boca. – Talon passou a mão pelo dedo indicador dela e o abaixou, a interrompendo. – Eu também fui uma criança sedenta por sangue. Com dez anos houve um episódio no lugar onde eu morava que mudou tudo.

— O que aconteceu? – Katarina arrancou seu dedo da mão fria do assassino, e encarou os olhos negros observando o movimento das árvores.

— Eu estava brincando com uma menina da minha mesma idade e ela me mostrou um colar, acho que havia sido da avó dela. – Talon buscou as pupilas verdes e as encontrou o observando. Não que devesse sentir vergonha de sua própria história, mas sentia um desconforto de falar aquilo para Katarina. – Eu nem estava com fome, foi pura... Ganância. Dias antes eu havia presenciado um assassinato, e aquilo havia ficado na minha cabeça. Então – Talon engoliu seco – eu a esperei virar, e com uma pedra grande que havia perto, bati na cabeça dela algumas vezes até que estivesse inconsciente.

— É assim que nasce um assassino? – A ruiva encostou seu braço na estaca, e levantou a sobrancelha direita.

— Eu que deveria perguntar para você.

— Meu instinto assassino sempre esteve comigo, Talon. Não me faça perguntas das quais não irei te responder. – Katarina ao dizer isso saiu andando em direção a uma cabana que ficava perpendicular com a mansão e voltou com uma katana parecida com a do assassino, só mudava a cor da base: amarelo ouro.

— O que faz com isso, Miss Du Couteau? – Talon falava enquanto a via ficar ao seu lado, arrancando a espada da bainha.

— Não é obvio que vou te ensinar? Coloque a espada na bainha. – O assassino praguejou baixo e a obedeceu. Katarina andava de um lado para o outro o observando enquanto o mesmo enrolava as faixas nas mãos. – O suporte é ao lado da cintura. Qual é o por quê disso?

— Como assim? – A face de Talon pareceu confusa com os gestos de Katarina.

— Como assim o quê, anta? – Katarina cruzou os braços e ergueu a outra sobrancelha.

— Como assim “o por quê?” – Foi a vez de Talon erguer a sobrancelha.

— Preste atenção, verme. Ensinarei apenas uma vez. – A ruiva suspirou e olhou fundo nas pupilas negras. – Usaremos em primeiro plano as katanas com o apoio ao lado da cintura, com a técnica dos samurais. Ao retirar a lâmina certifique-se que acertará o alvo, afinal de contas o apoio serve como base da iniciação dos ataques: de baixo para cima.

— Então, você quer que eu tire a katana, e a lâmina acerte o infeliz com a parte mais afiada?

— Até que você não é tão burro. – Katarina deu de costas e andou em direção novamente ao cabana. – Treine em James até que eu pegue as outras katanas.

— Isso era óbvio! – Ele gritou em resposta, mas ela o ignorou.

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Talon arrancava a espada da bainha e atacava a estaca repetidas vezes até perceber a aproximação do que ele julgou ser uma empregada. Ele a achou até atraente, os cabelos eram castanhos claros presos em um coque para trás, vestia-se como uma empregada comum: um vestido preto de mangas até os joelhos com um avental branco. Mas, de baixo daqueles panos ele apostaria que haveria umas belas de umas curvas. Com a mesma velocidade que um sorriso brotou, ele desapareceu ao avistar Katarina atrás dela.

— Senhorita Katarina. Senhor Talon. – A empregada fez uma reverência quando chegou perto dos dois, e se virou para a ruiva que voltava da cabana. – O General pediu pra lhe avisar que aquela pessoa chegará essa noite.

— Tudo bem. – Talon observou atentamente as expressões de Katarina ao receber a notícia.

Primeiro a assassina franziu o cenho, olhando para baixo, logo após isso, seus olhos não pareciam olhar para um local fixo, correram o gramado todo até ver seus pés novamente. Talon estranhou. Katarina... Estava insegura? Ela olhou de volta a face do assassino, e disse que entraria na mansão. Ele observava as duas voltando lado a lado, mas Katarina estava longe. Longe emocionalmente. Riu quando pensou em emoções e Katarina. De fato, a ruiva não conseguia controlá-las bem. Havia algo que a afligia. Não era algo, e sim alguém. E esse alguém chegaria naquela noite.

Perguntas brotavam na cabeça do assassino, mas a mais importante era: Quem poderia deixar a melhor assassina de Noxus insegura?

Notas finais
Ihhhhhhhhhhhhhh, quem será essa pessoa? Vou torturá-los um pouquinho!