A Dominação De Lâminas

8 Have you no idea that you’re in deep?


Notas iniciais
Ok. Acho que torturei demais, me desculpem. O capítulo tava pronto, mas como ele é escrito a caneta, passar pro word realmente dá uma preguiça danada... Bem, espero que vocês se deliciem com esses lindjos! ♥Obrigada

A Dominação de Lâminas

Talon ficou treinando até o último raio solar desaparecer, o suor em sua testa refletia o quanto o assassino estava se esforçando. Não havia comido nada o dia inteiro, porém já havia se acostumado com essa pequena mordomia, sendo alimentado sempre com muita comida. Para ele, que já quase morreu milhares de vezes de fome, era um grande e bem importante passo. E nesta noite aconteceria a primeira festa que ele participava. Para quem era a festa era sua dúvida. Quem era a pessoa que deixara Katarina Du Couteau insegura?

Ao subir as escadas para o salão principal, viu várias empregadas arrumando uma enorme mesa. E viu a empregada gostosinha de mais cedo, ela corou ao perceber a presença de Talon. Ele abriu um sorriso mostrando seus dentes, ao dar de costas ouviu o som do aço da bandeja ir de encontro ao chão e várias desculpas no ar. O assassino riu de uma maneira gostosa e continuou rumando ao seu quarto.

Tomou seu banho, e logo após deitou-se na cama com a toalha branca enrolada na cintura, observando o terno preto que deveria colocar. Fazer parte de uma determinada classe social requeria seus males, visto que Talon não se sentia tão confiável perto de pessoas na qual só estariam ali por status. Seu dilema era apenas estar ali para que quando o sangue escorra, seja apreciado.

Tocou o terno, acariciando o tecido fino. Mas viu dentro do bolso interno do casaco uma navalha bem afiada de revestimento prateado, havia um papel entre ela, e ele o pegou. Não era um simples papel, era a propaganda de um comerciante bem conhecido na área de venenos. A lâmina estava envenenada, essa noite haveria matança. Talon suspirou aliviado, necessitava sangue.

Velas e lamparinas iluminavam o grande salão para manter o ambiente sofisticado, e Talon se sentia sufocado com a maldita gravata borboleta preta. Mas estava bonito. Sentia-se bonito, apesar de não ser sua preferência de roupa. E ao descer as escadas, a primeira coisa que viu foi os longos fios vermelhos.

Katarina que estava de costas se virou e Talon pode observá-la por inteiro. Salto alto preto aberto na frente, um vestido preto longo com aberturas na coxa esquerda, sem mangas e sem alças. Apenas um corpete com poucos detalhes de renda vermelha no pequeno decote V. Um pequeno decote, mas aquilo já era mais que necessário para se deliciar com a visão dos seios pressionados contra o tecido da ruiva.

Sorriu em satisfação ao percebê-la o olhar. Marcus estava ao seu lado, vestido o mesmo terno que ele mas com uma gravata diferente, enquanto conversando com o general estava um homem magro, branco de cabelos castanhos claros enrolados até o pescoço, Talon o julgou estar na casa dos trinta anos.

— Talon! – O general o chamara e o assassino andou até eles, como um bom cão abanando seu rabo para o dono. – Esse é Louis Valorbe, membro do Alto Comando. Louis, esse é Talon. Meu novo subordinado.

— Prazer. – Louis estendeu a mão para ele e o mesmo apertou-a, não deixando de perceber o olhar focado de Katarina. Marcus passou o braço em torno do pescoço de Talon e o fez virar novamente para escada.

— Quero que conheça alguém. – Em seguida, da escada descia uma jovem com cabelos lisos até o ombro em um tom de castanho escuro. A face era familiar da de Katarina, apenas com a diferença dos olhos: castanhos. Seu vestido, uma cor creme meio rosado, com vários detalhes brilhosos, contrastava com a sua pele. Ela caminhou até o general e lhe deu um abraço forte. – Talon, essa é Cassiopeia Du Couteau, minha outra filha. – O assassino não conseguiu evitar de não olhar de canto para Katarina com uma taça de vinho na mão, sua face não era agradável.

Xeque-mate.

— Prazer, Talon. – Cassiopeia estendeu a mão e Talon a beijou. Sorriu e observou as pupilas castanhas melhor. Ela era linda. E pelo olhar de Katarina, aquela era sua insegurança.

— Cass, algum problema com a eliminação de Valorbe? – O general falou baixo, mas Talon conseguiu escutar.

— Não, a chave já está aqui comigo. – Ao dizer isso, a morena arrancou uma pequena chave que estava entre seus seios, mostrando-a para Marcus com um sorriso nos lábios. Colocou-a de volta, e com uma voz sínica prosseguiu falando. – Vou dar oi para minha irmãzinha.

— Talon, deixarei para você essa parte.

— Entendido. Só irei esperar o seu sinal.

— Espere até ele estar sozinho, vai ser um escândalo o envenenamento com tanta gente no salão. – Ao dizer isso, Marcus dirigiu-se ao encontro de um casal que estava perto da grande mesa. Pensou em procurar aquela empregada, mas ao olhar a face de Katarina, viu refletido nos orbes verdes a insatisfação de estar ali, a pouparia.

— Continua agindo como um homem, Katty? – Talon sentia o veneno nas palavras de Cassiopeia enganchada em Louis.

— E você continua dando seu rabo pra qualquer um pelo visto.

— Sempre malcriada! Sua mãe não te deu educação, querida?

— Deu, e deu até de sobra. Mas eu estava ocupada servindo a minha nação de um jeito bem produtivo em vez de ter aulas de como ser uma vadia. – A face de Cassiopeia se fechou e ela instantaneamente arrancou-lhe a taça após ouvir aquelas palavras, jogando o vinho nos fios vermelhos de Katarina. A morena sorriu e andou até seu pai.

— Quer que eu te ajude, Katarina? – Louis se pôs a falar. Katarina ainda estava imóvel olhando para o peitoral de Talon ao seu lado. As pupilas verdes fitaram Louis e tomaram um tom sinistro.

— Não. – Louis sorriu fraco e foi em direção da sacada, querendo deixá-la sozinha. Não havia ninguém ali, Talon aproveitou para segui-lo. Era hora de caçar.

Louis estava na sacada, a mesma era grande em um formato de meia circunferência. Ele que estava encostado nas pilastras brancas fumando um charuto, percebeu a movimentação das cortinas vermelhas ao se fecharem. Viu de canto a sombra de Talon, e retirou o charuto da boca, jogando a fumaça para cima.

— É você quem irá me executar? – Louis falou com um sorriso no rosto, os cabelos enrolados castanhos caiam sobre os olhos azuis.

— Deve ao menos saber o nome daquele que lhe poupa a vida, Valorbe. – Talon o respondeu enquanto também sorria.

— Poupa a vida, Talon? O que um verme como você sabe sobre a grande honra de viver? – Louis se virou para ele, com seu sorriso amargo ainda em seus lábios.

— Sei que não existe honra nenhuma em uma morte covarde. – O assassino retirou o cigarro do bolso do terno e o acendeu.

— Acha minha morte covarde? Quem foi que fechou a cortina, Talon? – Ele soltou a fumaça na cara de Louis, e gargalhou.

— Quem está esperando a morte? Sei que todos nós, a cada passo, é apenas mais um passo para um inferno inexistente. Porém, quando você percebeu um erro que cometeu, procurou de um modo covarde a morte mais rápida e está aqui, esperando que eu rasgue sua garganta e lhe poupe a tristeza de viver. Sentindo o cheiro do sangue de um suicídio que não vem, você é apenas um fraco não suportando a vida. – Louis engoliu seco com a declaração de Talon. – Quem fechou a cortina? Eu. O covarde? Você.

— Ao vencedor, as batatas. – Ele sorriu rápido e seco. – Como se sente drenando todo o orgulho de um homem prestes a morrer? – Louis se desencostou e abriu os braços, esperando o abraço da morte.

— Normal, sua vida é indiferente perante a mim. – Ao dizer isso, Talon arrancou a navalha do terno e em um movimento rápido apenas cortou a parte esquerda da garganta dele, enquanto o mesmo sofria com o sangue sendo jorrado. Quando se encostou novamente na pilastra, Talon o chutou, fazendo-o cair na grama, morto. – Porque eu sempre ganho.

O corpo de Louis caiu na grama exatamente como ele havia previsto, de bruços com a cabeça virada para a esquerda. O veneno que estava na navalha já havia feito efeito, Talon viu até mesmo que não havia ninguém no andar de baixo, mostrando que não deixaria mais vestígios. A mansão havia três andares, o salão principal se localizava no segundo. O assassino desceu as escadas laterais da sacada e foi até o corpo, o arrastando até a cabana. Revistou-o e achou algumas joias e bastante dinheiro. Mas ao apalpar um dos bolsos do terno, achou um relógio de bolso prata. Havia uma caricatura de Cassiopeia, Talon a rasgou e jogou sobre o corpo. Tolos que morrem por uma mulher. Checou seu próprio terno, arrumou a gravata borboleta e ao se virar viu Katarina na sacada, o observando.

—Miss Du Couteau, o que te aflige? – Talon falou enquanto cruzava o gramado.

— Você estava demorando demais, cão. – O assassino parou de andar no sexto degrau e fitou as pupilas verdes, ela ainda estava molhada. Talon continuou andando até ela e retirou um lenço vermelho do bolso.

— Preocupada comigo, Katarina? – Ele sorriu e passou o lenço na testa dela, a viu ficar vermelha e gargalhar nervosa, se entregando.

— Por que eu estaria? – Ela arrancou o lenço da mão dele e secou as pontas do cabelo vermelho. – O general está te procurando. – Dito isso, virou-se para o salão, mas foi impedida de andar até lá por Talon que segurou seu punho.

— Ei, você tá agindo estanho desde que soube que sua irmã chegaria.

— E isso te importa, verme? – Katarina olhou as pupilas negras com uma expressão que misturava ódio e magoa. Talon abriu a boca para falar, mas foi impedido por Marcus e Swain que apareciam.

— Talon. Katarina. – Swain falou enquanto olhava para a mão de Talon no punho dela. – Me sigam.

Talon a soltou e ela seguiu Swain, passando em sua frente. Katarina estava escapando, havia bem mais do que ódio nas pupilas esverdeadas, a mágoa estava presente ali. O assassino sempre havia tido a habilidade de olhar nos olhos de alguém e dizer o que ele sente. E Katarina não era diferente, havia bem mais, e ele iria cada vez mais fundo.