A Dominação De Lâminas
4 Don't give in, without a fight
Notas iniciais
A Dominação de Lâminas
Ser ou não ser... Eis a questão.
Que é mais nobre pra alma: suportar os dardos
e arremessos do fado sempre adverso,
ou armar-se contra um mar de desventuras e
dar-lhes fim tentando resistir-lhes?
Sempre haveria o primeiro suicida, esse era qual mais dava vontade de matar, mas esse parecia diferente.
Os olhos verdes lembravam os daquela garota, Talon sentia uma energia diferente emanando dele. O assassino admirou a espada que ele usava, parecia um canino, entortando para o lado esquerdo como uma foice, os detalhes do punho eram banhados a ouro e os desenhos lembravam dragões. Queria matá-lo, invejava sua espada, e a queria para si.
Talon se preparou para o combate e começara a tentativa de socos, mas ele era ágil e desviava fácil. E quando conseguiu o atingir no braço esquerdo, ele se esquivou e quatro homens vieram ao seu encontro. Arrancou o punhal da calça, os atacando com as duas armas, chutou um, fazendo com que os outros caíssem. Colocou a cabeça dele na lâmina de sua espada, arrancando-a, e logo em seguida fazendo o mesmo com os outros três.
Aquela lâmina estava deliciosamente afiada.
Mais quatro homens, Talon jogou o punhal no chão, e pegou o facão na perna. Puxou um pelo braço, fazendo-o vir ao seu encontro, e enfiando a faca em seu olho esquerdo, retirou-a rapidamente, usando os mesmos movimentos nos outros homens, apenas trocando os olhos, fincando cada vez mais fundo o facão. Jogou-o também no chão, e pegou o revólver, saindo atirando na cabeça dos quais apareciam em sua frente. Correu em direção a um, derrubando-o, e sentando sobre seu peito, virando seu pescoço para o lado. Sentiu uma ardência em suas costas, e percebeu seu sangue escorrer.
— Que modo covarde de atacar alguém. – Dizia isso enquanto levantava-se e virava para ver aquele que o atacava.
Talon o reconhecera imediatamente, o homem da espada banhada a ouro. Havia ele e mais dois, que nem sequer haviam se movido, pareciam estar ali apenas o observar. Perceber isso fez seu sangue queimar, mas estando ferido não conseguiria ser ágil o suficiente para matá-los. Pegou apenas sua espada e saiu mancando em direção ao rio que havia ali perto.
Um dos homens fez menção de ir atrás dele, mas o mesmo homem que fincara a espada em seu abdômen foi seguindo calmamente os vestígios de sangue que Talon deixava no chão. As feridas dele não eram profundas, mas mesmo assim não conseguiria lutar contra três. Chegando perto da margem do rio, ele sentiu novamente a lâmina, mas dessa vez foi o frio aço que tocava sua garganta, fechou os olhos esperando uma morte que não vinha. O homem o chutou, fazendo-o cair sentado, e apontou a espada em forma de foice pra ele. Talon tentou atacá-lo com a sua arma, mas o homem o bloqueou com o braço.
— Eu sou o General Marcus Du Couteau. – Falou pausadamente. – Servirá a Noxus ou morrerá por minha espada?
— Foi necessário um general para matar um rato? Patético. – Se ele pudesse, Talon teria cuspido na cara dele. Mas o general o pegou pelos fios castanhos, encarando-o. Ele não sabia o que as pupilas verdes refletiam, parecia uma mistura de orgulho com sabedoria. Houve novamente o flashback onde um homem lhe dava pão e água. Eram os mesmos olhos.
— Você cresceu. Tornou-se exatamente aquilo que eu esperava. – O toque em seus cabelos acabou virando quase um cafuné. O general tinha um sorriso triste nos lábios, Talon não soube o que aquilo quis dizer. O soltou e virou-se em direção ao rio, observando o sol brilhar. – Admiro sua misericórdia, Talon. Servirá a nós?
— Servirei somente aquele que foi capaz de me derrotar.
— Sendo assim, temos um acordo. – O general virou-se novamente, e viu aqueles dois homens que o assassino não matara. – Esses são os irmãos Darius e Draven. Levem-no até a mansão para cuidar dessas feridas, e depois iremos falar com Swain. – Ao terminar de dizer, olhou para Talon que estava desmaiado no chão, o sorriso ainda continuava em seus lábios.
.
.
.
Talon acordou com o sol refletindo seus olhos, os abrira lentamente e tentava descobrir onde estava. Uma cama de casal grande e bem confortável, um quarto com belos quadros que ele apostava que se vendesse ia dar um bom dinheiro. E pelo o que parecia, estava em uma casa bem grande e bem rica. Nem em seus sonhos havia visto alguma coisa daquele jeito.
Mas esperaria que alguém fosse até ele enquanto olhava pra o teto e pensava em quão infortunado era. Chegara tão perto de conseguir comprar o terreno, e foi capturado. Maldito seria Marcus Du Couteau. Agora seria um cão do Estado, um fantoche nas mãos tolas. Ouviu passos, e por instinto fechou os olhos, fingindo que dormia, porém escutava tudo.
— Seu pai disse que deveria cuidar dele? – Era uma voz normal para um homem, mas parecia preocupado com quem falava.
— Não. Irei vigiá-lo por conta própria. – Foi a vez de uma mulher falar, e pelo o que parecia, era uma garota, não uma mulher.
— Então deixo você passar, gracinha. – Logo após isso, foi ouvido um corpo ir de encontro ao chão, e alguém abrir a porta. Uma garota ruiva pareceu por ela, e Talon lembrou-se de seu cigarro no chão, finalmente conseguiria fazê-la pagar.
— Vejo que o rato está acordado. – Ela se aproximou do pé da cama, sentando ali. Vestia roupas diferentes, uma calça marrom, com uma bota preta pequena. A blusa regata branca era contrastada com um cinto preto. Viu brinquedos bem interessantes ali. – Diga-me teu nome, cão.
— Talon, diga-me o seu agora.
— Katarina Du Couteau, eu sou a filha mais velha do general.
— A filha mais velha, é? – Talon não controlou seu riso, fazendo com que ela cerrasse os olhos verdes. – Se uma garota assim é a mais velha, imagina a mais nova. – A mulher rapidamente jogou uma adaga em sua direção, fincando-a uma na madeira da cama próximo ao rosto de Talon. – Não pode me matar, Katarina Du Couteau.
— Ainda posso te aleijar.
— Seu pai não vai querer um subordinado aleijado, criança. – Os olhos verdes se arregalaram, ele a viu ficar vermelha por completo. Ela se levantou e sentou-se ao seu lado, retirando a adaga da madeira da cama e encostando-a na garganta do assassino.
— Repita!
— Então a criança não gosta de ser chamada assim? – Dessa vez foi ouvido uma gargalhada vindo dele, e ele podia jurar que a ruiva estava a ponto de cortar-lhe a garganta quando seu pai pigarreou atrás de si.
— Vejo que estão se dando bem. – O general aparecera com um sobretudo preto.
Ele era um homem grande, com cabelos pretos curtos, presos perfeitamente em um rabo de cavalo na nuca. Os olhos verdes refletiam certa experiência inigualável, pareciam indecifráveis, diferente da garota ao seu lado. Facilmente previsível. – Eu vim ver se já estava acordado. Kat, espere ele se arrumar e leve-o até a minha sala. – Dito isso, saiu silenciosamente assim como chegara.
— Não é tão infortunado assim, inútil.
— Chama aquele que seu pai escolhera de inútil? Quanto valor põe nas decisões de Marcus.
— Se troca logo. – Ela procurou as roupas dele, e tentou jogá-las em sua face. Talon pegou-as no ar, e observou um pouco de vermelhidão na face bonita. Ergueu uma sobrancelha e se levantou. – Ei! – Ele virou-se para ela, e havia pensando que ela não poderia ficar mais vermelha, mas assim ela estava. Então percebeu que só estava de cueca, rolou os olhos castanhas e andou até o banheiro.
Talon aproveitou e tomou um banho naquela água quente relaxante. Os cabelos úmidos caiam pela face, estava novamente só de cueca, pois duvidava muito que Katarina estivesse no quarto. Mas, ao sair do banheiro, lá estava ela, adormecida em sua cama. Ele se aproximou dela, e a observava, a face era tão serena não transmitia a arrogância de quando acordada. Os cabelos eram a cor de sangue puro, a pele branca parecia macia, uma respiração calma.
Talon geralmente nunca observava mulheres, elas serviam apenas para satisfazer seu apetite, mas havia algo que o instigava, algo que ele não conseguiria compreender. Foi tão bom provocá-la daquela forma, ele não a conhecia, não sabia nada sobre ela, apenas tinha o pressentimento que ela era igual a ele, sozinha. Ela suspirou, ele parou de observá-la, ficou de costas para ela e trocava sua roupa calmamente, olhando-a pelo reflexo do espelho.
Fale com o autor