A Dominação De Lâminas
25 Cause heaven ain't close in a place like this
Notas iniciais
A Dominação de Lâminas
– Você não irá lembrar. – Ele riu de canto, soltando seu pulso.
– Eu irei sim! — Os olhos verdes cintilavam. – Eu irei lembrar sim, isso é importante para mim!
.:.
– Eu achei que fosse nevar... – Katarina falou enquanto andava com as mãos nos bolsos da calça.
Talon andava a seu lado. Ambos estavam indo em direção ao famoso Ciel Noire, um bar da elite noxiana. Aquele era o tão apressado compromisso. Katarina julgava desnecessária a reunião em um bar, mas mesmo assim atravessava a cidade a pé no inverno. E se havia algo que Talon admirava – e admitia – em Katarina, era aquela vontade de andar pelas ruas. Parecia um fascínio. Andava de dia, de noite, com neve, com chuva, com sol. Desprezava cavalos e até mesmos os novos meios de transporte, mas mesmo assim mantinha aquela fraca expressão de indiferença, e ele sabia que aquela era uma máscara. Ela gostava. Ele até conseguia chutar o motivo em sua cabeça, porém Katarina nunca admitiria. E isso a tornava tão graciosa.
Mas novamente aquela palavra invadiu a sua cabeça. Ele não havia nem a pronunciado em seus pensamentos, mas lá estava ela, escondida como quem não queria nada. Enquanto andava lado a lado com Katarina, ele observava aquela palavra de uma forma estranha, como se aquilo lhe enchesse o peito. Ele podia estufar muito bem. Talon podia atuar muito bem, mentir muito bem, esconder muito bem. Porém, naquele momento, se Katarina ao menos se atrevesse ao olhá-lo, ela veria algo inesperado. Um risco de dúvida transparecia sobre as pupilas castanhas. Não. Não tinha mais a liberdade de seus atos, mas podia ter liberdade de seus... desejos? Até mesmo sentimentos?
.
.
.
– Talon. – Ele ouviu seu nome ser chamado por trás da porta. Não houve batidas, apenas uma leve pronunciação. Ele conhecia aquela voz.
– General. – Respondeu estirado na cama, olhando para o lustre no teto.
– Eu sei. – Aquelas duas palavras fizeram seu coração falhar, fizeram com que ele não sentisse mais a cama de baixo de si. Suas pupilas se contraíram, seu coração acelerou. Se não houvesse nada a esconder, aquela sensação não tomaria conta de si. Ele sabia que havia cometido um erro.
– Sabe do que, general? – Ele arriscou. Não podia ser. Marcus Du Couteau não podia saber.
– De vocês. – Talon ouviu uma risada abafada. – Não se faça de tolo, Talon.
Sua respiração ficou apressada, ele agarrou o lençol da cama para seu conforto. Mas o que Marcus ouviu foi apenas a sua risada.
– Eu achei que você era mais nobre que isso. – O sorriso de Talon ficara no ar.
Imóvel, quase quebrado, ele não sabia o que fazer. O que dizer, como agir. Estava sendo um tolo, realmente. Mas e se aquilo fosse um teste? E se Marcus estivesse o provando e o provocando? Ele reprovara. Não era digno. Não era digno de tudo que Marcus havia feito com ele. Dormir com Katarina era quase como apunhalar pelas costas aquele que lhe dera tudo. Sentia-se um ladrão. Riu com seu pensamento. Nunca havia visto nada de anormal em sua moral, a moral de um assassino. Mas sentir-se um ladrão... por roubar um coração, uma filha. Não. Aquilo estava errado. Katarina apenas estava apaixonada, aquilo acabaria tão rápido como começara. Não havia motivos para se preocupar com seu erro.
– Me perdoe. – Foi a única coisa que ele conseguiu responder, não sentindo-se nem culpado nem inocente.
Talon não via as pupilas de Marcus demonstrarem, uma única vez, emoção. Mas atrás daquela porta, não era rancor, não era vitória, era apenas estranho.
.
.
.
Aquela tarde havia sido proveitosa para esclarecer algumas coisas que em sua mente começavam a se conturbar. Talon não se daria ao luxo de cair na tentação de enlouquecer. Ninguém viveria para ver aquele lado. Assassino ou não, ele seria implacável quando enlouquecesse. Ele se olhara no espelho, enfrentava partes de seu ser que ele tentava ignorar.
Ele podia. Sim, ele podia se apaixonar por Katarina. Ele podia dormir com ela o quanto ele quisesse, podia roubá-la de seu pai, fazê-la ser sua e de mais ninguém. Quando a viu com aquele homem do bar, ele sabia que podia. Mas não queria. Não queria se apaixonar, seu coração estava muito bem. Não era justo se apaixonar, nem com si mesmo, nem com Marcus. Sentia como se devesse isso a ele. Mas também não podia se enganar ao pensar que manteria frieza com Katarina. Ela achava que não, mas aquelas palavras o atingiram.
Quando chegaram ao bar, Talon não ficou impressionado com o que via, já era de se esperar. Não se surpreendia com nada, já que seu realismo conseguia deixá-lo preparado. Mas o lugar era muito bonito, não parecia nem ser Noxus. Nunca havia entrado em um lugar que nem aquele, mas sabia que havia humanos com as mesmas sedes dele ali.
Ao olhar Katarina, viu o quão entediada ela parecia estar. Não haviam trocado nenhuma palavra durante o percurso exceto aquela que ela dissera, tentando puxar assunto. Ele apenas a ignorou, como quem queria ficar apenas em seus pensamentos. E ele sabia que ela também queria ficar absorta, mas seu orgulho havia sido quebrado pela necessidade de falar pelo menos algo com ele. Ele não gostou disso.
Entraram no local, a iluminação ambiente não era escura como ele estava acostumado em bares. Na verdade, parecia ser mais um restaurante. Duas mulheres vieram ao encontro dos dois. Uma bem bonita por sinal. Talon se lembrou da puta do ultimo bordel que fora, as mechas douradas para que Katarina não fosse lembrada. Realmente, cabelos de outras cores fariam diferença para escolher uma mulher daquele momento em diante. Sentiu uma pontada. Daquele momento em diante?
– Boa noite, senhor e senhorita. Vocês têm reserva? – A loira falou com um sorriso que tentava ser gentil.
– Du Couteau. – Katarina apenas dissera sem dar importância. A mulher pareceu surpresa.
– Me acompanhem. – Ela novamente tentou ser simpática, mas a cabeça de Katarina doía. Ela estava sem paciência para qualquer ser humano que sorrisse em sua frente.
Seguiram as duas garçonetes, e em poucos segundos, estavam em um lugar afastado, com pessoas sentadas em uma grande mesa redonda. Talon conhecia apenas Riven e Darius ali, sem contar aquele maldito homem que o fizera gastar dinheiro só para saber a origem de seu nome.
– Darius? – Katarina levantou uma sobrancelha. – O que faz aqui?
– Apenas checando. – O homem de cabelos negros falou sem dar muita importância. Seu copo de whisky parecia ser mais interessante.
Katarina e Talon apenas se sentaram um ao lado do outro. Não estavam atrasados, mas só faltavam eles para começar a reunião. Lá se encontravam: Riven, Darius, Caleb, Angus, Aro, Cloud, Taynana e Daiki. Cada um em seu próprio canto. Cada um tentando esconder a personalidade que Talon tentava decifrar só com o olhar.
Durante mais que uma hora, bebidas e aperitivos foram servidos. Katarina bebia um pouco de vinho, e Talon não deixava de observá-la. Assim como ela o observava com aquela sutil distância tão bem conhecida. Seus corpos estavam lado a lado. Seus braços se tocavam, e apesar das roupas, Katarina sentia o calor vindo dele. Estava tão perto e tão longe. Os assassinos conversavam, falavam sobre seus feitos, sobre suas carnificinas, esbanjando o sadismo que cada um possuía. Matar ali não era retirar a vida de alguém. Matar era um prêmio. Uma piada. E Talon não sentiu vergonha.
Ambos ficaram quietos, Katarina parecia de mal humor, ninguém se atrevera a falar com ela exceto Riven. Ela aguentava aquela conhecida que poderia ser considerada uma amiga. Talvez a única de Katarina.
– Certo! Agora vamos começar a discutir, sim? Se não ficaremos a noite toooda aqui bebendo sem discutir nada! E aposto que Swain cortaria nossas cabeças. – Riven falou divertida, um pouco exaltada pelo efeito do álcool.
– Que bom que sabe. – Darius a respondeu seco.
– Como iremos até Piltover? – Angus perguntou. – Cavalos estão riscados da lista. Precisamos usar os novos meios.
– Motos e carros? – Taynana o respondeu em certa dúvida. Aquilo ainda era novo.
– É uma boa ideia. – Riven sorriu. – Todos aqui sabem dirigir uma moto e um carro? – Katarina olhou para Talon, esperando que ele falasse. Ele apenas levantou as duas sobrancelhas, a olhando com desdém. Ela empinou o nariz. Estou te desafiando, idiota, foi seu pensamento. – Hum, então está decidido! – Ela olhou ao redor. – Ei, espera. Daiki, você sabe?
– Não teremos motos para todos, teremos? – Ele abriu um sorriso. O único que não estava bebendo nada. — Algum carro terá lugar para mim.
– Para não levantar suspeitas na estrada, usaremos três motos e três carros. – Talon disse com sua habitual agressividade. – Agora, vocês podem decidir quem ficará no carro e quem dirigirá. Deixando claro que irei uma moto.
– Eu irei também. – Katarina disse rápido.
– Irei em um carro. – Riven falou. – Sem vento. – Sorriu amarelo.
– Anotando. – Darius pegou um papel em papel em branco e começou a anotar.
– Hehh, você acha que eu não irei lembrar, Darius? – A mulher de cabelos platinados fechou a cara, fingindo ficar brava.
– Que você não irá, é obvio. – Foi ríspido. – Só estou anotando para não haver confusão.
– Falando assim parece que você não confia em mim, mestre.
– Riven. – Ele a repreendeu. E Talon sorriu por dentro com memórias.
.
.
.
As portas brancas da mansão foram abertas. Katarina entrou primeiro com passos rápidos e agressivos, enquanto o piso de mármore ecoava o barulho de seu salto. Seus cabelos vermelhos tampavam sua expressão, sendo ela um pouco indescritível. Talon a seguia despreocupado, ignorando a irritação da mulher a sua frente. Subiram as escadas no silêncio habitual que havia sido aquela caminhada. Chegaram ao corredor principal, e Katarina andou mais apressadamente para seu quarto. Mas quando viu a porta e tocou a maçaneta, ela se virou para Talon entrando em seu quarto.
– Ei! – Ela o chamou. Ele a ignorou. – Ei! – Ela andou até ele que estava fechando a porta. Colocou o pé no vão e o encarou surpresa de seu próprio ato.
– Fala logo o que quer. – Talon olhou para o lado, fazendo pouco caso.
– Dá pra você olhar pra mim?! – Sua voz saiu mais exaltada do que ela gostaria. Talon levantou uma sobrancelha.
– Não foi você mesma quem disse para não olhar em seus olhos? – Ele disse enquanto sorria de canto.
– Nunca disse isso!
– Não com essas palavras. – Ele chutou seu pé com força e tentou bater a porta, mas algo fofo o impediu de fechá-la por completa. Escutou um palavrão e depois viu três dedos sendo prensados. Antes de abrir a porta, riu alto com aquele gesto. Ela havia virado masoquista por algum acaso?
– Você tá louco?! Por que me machucou?! – Ela disse quase berrando enquanto seus olhos arregalados olhavam sua mão branca.
– Você nem sentiu direito. – Ele tentou aliviar sua culpa lembrando-se do efeito do álcool. – E se você não fosse teimosa—
– Você gosta de me machucar, não é?! – Katarina o interrompeu, olhando dentro das pupilas castanhas e elevando mais a voz que antes.
– Fala baixo.
– Pare de fugir!
– Pare de berrar.
– Eu não tô berrando não!
– Parece uma criança fazendo birra.
– Desgraçado! – As pupilas verdes demonstravam algo além da dor física. – Eu só estou machucada! Você me machucou!
– Sem drama, Katarina.
– Dói.
– Passa pomada.
– Meu coração dói. – Ela falou miúda. Os olhos castanhos se contraíram e Talon se calou perante aquela pequena frase. – Você me machucou! – Com a mesma mão, ela entrou no quarto e, socou o peito de Talon com força. – Só me machuca, machuca, machuca!
Talon engoliu seco antes de responder.
– Você deveria saber que não deveria se envolver comigo.
– Mas como você não me envolveria? – Ela abaixou a cabeça, deixando os cabelos vermelhos caírem nos olhos. Seus socos diminuíram a frequência e a força. – Desde aquela ficha com a sua foto, desde aquele dia que derrubei o seu maldito cigarro, eu fui envolvida! Desde aquele dia foi você!
Ela continuou o socando, suas frequências se igualaram as batidas do coração pouco acelerado dele. Talon segurou-lhe o pulso e prensou contra a parede, tentando a acalmar.
– Por que me pensa assim se não quer estar perto? – Sua voz foi dolorosa. – Por que você só quer se afas—
Ele tocou seu nariz com o dela, rosando-o gentilmente enquanto olhava as belas pupilas verde água.
– Por quê? – Ela sussurrou.
Talon se afastou, driblando aquele desejo momentâneo.
– Por que você não me beijou? – Ela balançou a cabeça. – Não! Por que você quase me beijou?
– Você não irá se lembrar. – Ele riu de canto, soltando seu pulso.
.
.
.
Katarina olhava Talon. Ele parecia distante. Um sorriso nascia em seus lábios, e a dor na sua cabeça parecia ser aliviada quando tomava aquele vinho. Não ficaria bêbada duas vezes no mesmo dia. Ela mesma não se permitia. Mas ela queria. Ela queria ficar bêbada e quando chegassem em casa, ela se jogaria nos braços de Talon. Em casa. Ela riu irônica.
Havia ficado três pessoas para motos, essas seriam: Katarina, Talon e Aro. Ou seja, os capitães das três equipes que Swain pedira que fizessem. Nos carros, Riven iria com Caleb, Daiki com Angus, e Taynana com Cloud. As horas se passavam e assuntos triviais foram deixados de lado, os assassinos focaram apenas naquele trabalhado que fora dado.
Resolveram dar nome as equipes, as de defesa: Guepardo, que eram Katarina, Daiki e Angus, e Lince, sendo Aro, Cloud e Taynana. Tendo o objetivo de serem defesa, animais ágeis e flexíveis, caíram bem para aquela maioria alcoolizada. E a principal de ataque, chamaria Águia, no qual caçaria, sendo tão ágil quantos os outros grupos, esse estaria sempre voando. Daiki ria com os nomes e com as definições que Riven, Caleb e Taynana davam, mas admitia que estavam certos em fazer aquilo.
O plano era cada um ir em seu determinado veículo, tendo uma distância entre si razoavelmente de cinco quilômetros. Taynana e Cloud iriam na frente, já que quando chegassem ao porto, encontrariam rapidamente o Céus Bombardeados, subiram nele e levariam consigo cordas, fazendo os outros assassinos entrarem por essas cordas distribuídas ao longo do navio. No momento que as três equipes estivessem a bordo, Guepardo e Lince iriam para caminhos opostos, tendo Guepardo protegendo as costas de Águia, e Lince os vigiando. Guerpardo e Águia iriam até o andar inferior, onde a Lebre estaria. Os líderes de Guepardo e Águia confirmariam rapidamente se a Lebre estava de acordo com o que planejado. Se não estivesse, usariam aquela quantidade de hexplosivos para detonar o navio. Se sim, Guepardo e Águia se separariam, e Lince protegeria Águia. Iriam para a cabine do almirante, onde o matariam e Aro assumiria o controle do navio.
Darius anotara tudo, e disse que uma cópia de suas anotações apareceria na casa de cada um na manhã seguinte. Depois de muito tempo, aquelas nove pessoas e um acompanhante, entraram em um acordo e juntos tentariam dar o melhor de si para conquistar aquele navio.
Talon estava satisfeito com aquela missão, onde não envolvia apenas ele e Katarina. Agora ele tinha uma equipe, e sabia que teria que confiar sua vida nas mãos deles. Ele, que não confiava nos homens, agora teria que fazer um esforço. Mas, estaria aliviado apenas de ver o mar em rumo à Bilgewater, e depois à Ionia.
Fale com o autor