A Dominação De Lâminas

9 A melhor forma de escolher


Notas iniciais
Hi! Eu não revisei... Dormi enquanto passava pro word... Ficava com vontade de jogar... Tinha que estudar... Maaaaaaaaaaaaas, o capítulo mais 'doce' e 'romântico' que eu já escrevi até agora foi esse, tcharan! :D Eu realmente gostei bastante, espero que vocês gostem! (E simmmm, primeiro título de cap com uma música em PT!) Obrigada!

A Dominação de Lâminas

A melhor forma...

... de escolher...

... é provar o gosto.¹

Eles seguiram até o escritório de Du Couteau, nele estavam Cassiopeia com mais dois homens que Talon achou familiar. Quando todos entraram, o general passou a chave e deixou que Swain sentasse em sua poltrona.

— Eu reuni todos aqui esta noite pois creio que saibam sobre os acontecimentos de Ionia. – Falou um dos homens, o mais alto que tinha a pele morena e os cabelos negros com apenas um fiapo branco na parte superior.

— Eu trouxe a chave da mansão de Valorbe. – Cassiopeia se pôs a falar. – As chaves dos outros cômodos estão em um vaso detalhado de símbolos de Shurima. – Ao dizer isso, jogou a chave para o homem.

— Ótimo, Cass. Darius, quem está cuidando da festa neste momento? – Swain falou com um sorriso no rosto, o testando.

— Vladimir. – Darius falou olhando para Swain. Talon se lembrou de quem eles eram. Os irmãos do dia em que foi domando. Darius e Draven.

— Quem vai pegar aquela arma na casa de Valorbe? – Katarina se manifestou pela primeira vez naquela sala.

— Draven, querida, sempre Draven. Cê só tem que ir pegar os retos de Sion do acampamento demaciano. – Draven falou enquanto a olhava de baixo para cima com um sorriso no rosto, mas ela apenas o ignorou.

— Cassiopeia vai para Freljord com Norditks, certo? – Darius continuou falando e olhou para Talon. – Eu esperava que você tivesse fugido.

— Fugir? – Cassiopeia falou enquanto tocava no ombro de Talon, as pupilas castanhas olharam as dele com um tom intimidador. – Até parece, o meu pai sempre elogiava muito o trabalho dele, você sabe que ele não elogia qualquer um.

— Entrando nesse assunto, sua missão foi bem sucedida? Katarina estava te observando. – O general falou servindo o whisky para todos na sala.

— Sim, o corpo está na cabana para melhores observações. – Talon respondeu seco.

— Não vamos perder o foco. – Swain interrompeu. – Logo após a retirada daquela arma da mansão e a reativação de Sion, as tropas vão para Ionia. Bilgewater forneceu mais navios e Zaun, algumas armas biológicas.

— Zaun eu até entendo que nos apoie, mas porque diabos Bilgewater está conosco? – Katarina se pôs a falar novamente, estava em um canto isolado do escritório, terminando de beber seu whisky e voltando para o vinho.

— A pirataria de Bilgewater só é bem sucedida pelas influências noxianas. A maioria daqueles que governam a cidade tem ligações fortes com Noxus. – Explicou Swain. Alguém bateu na porta e o general a destrancou, fazendo com que a imagem de homem albino aparecesse ao abri-la.

— Esses filhos da mãe beberam todo o vinho, acho melhor encerrar a festa. – O homem pálido de cabelos brancos se pôs a falar mostrando suas presas.

— Certo, discutiremos esse assunto com calma no palácio. Marcus, obrigado por seu tempo. – Darius passou a mão pelo ombro do general, trocando um sorriso enquanto Marcus saía da sala. Talon saiu e Cassiopeia o seguiu, Draven que estava ao lado de Katarina olhava a face da mesma buscando alguma reação vinda dela.

— Tentando fazer um cão de brinquedo. – Ela disse enquanto mexia o vinho em sua taça.

— Se importando de novo? – Draven falou ao retirar a garrafa de suas mãos e a percebeu vazia. – Acabô? Caralho, essa foi a tua segunda.

— Tá... Mas eu tô bem. – Katarina ao dizer isso saiu andando em direção à sacada.

Draven bufou, irritado sem explicação lógica. Tentou ignorar o que acabara de acontecer, mas ao ver Cassiopeia rindo para Talon enquanto ela mesma se afastava e acenava com a mão, ele se contrariou.

— Tu tem uma ideia do que você vai fazer? – Andando até o subordinado de Du Couteau, ohomem dos cabelos castanhos longos falou com uma cara suspeita ao lado de Talon.

— Eu não sou burro, Draven. Sei do jogo de Cassiopeia apenas ao vê-la dançar em minha frente. – O assassino falou ao apontar a morena na sua frente dançando com outro homem, mas olhando fixamente para Talon.

— Eu duvido muito. – Draven ergueu o cenho, notando-se. Desde quando ele bancava a pessoa chata pra cima dos outros? Aquela era a função da praga do seu irmão, não dele. E tudo isso porque uma das filhas mimadas de Du Couteau estava totalmente bêbada.

— Continue duvidando. – Ao dizer isso, o assassino foi até Marcus que fazia um sinal, provavelmente para eles irem ver o corpo.

Quando se aproximou dele, Marcus sorriu em satisfação, quase arrastando-o para um armário na cabana mansão a fora. Talon observou o local, estava no arsenal da família Du Couteau. E não era a toa que Katarina parecia gostar tanto dali.

— O que achou de Cassiopeia? – O general falou ao percebê-lo brincando com uma shuriken, era bem provável que o assassino tinha o ignorado. – Você conhece as artes ionianas?

— Sim, e também tenho praticado o uso das katanas, Katarina tem me explicado algumas técnicas. – O assassino guardou a shuriken e olhou nas pupilas verdes de Marcus. – Cassiopeia... Ainda não tenho uma opinião formada por ela ainda.

— Kat anda te ensinando? – Ele ergueu as sobrancelhas. – Como alguém de meu próprio sangue pode sempre estar à frente de mim? Você é meu subordinado, não dela. – Marcus fez questão de dar ênfase ao dizer meu subordinado. Havia movido montanhas para que o Alto Comando reconhece-se o potencial de Talon como um bom assassino e uma grande ameaça.

— Ela sempre parece se perder. Mas parece também que há sempre algo em comum entre nós. Apesar de imprevisível, Katarina faz isso para lhe chamar atenção, Marcus.

— Pensei que eram as armas que lhe prendiam aqui, mas pelo visto é uma de minhas filhas.

— Até parece. E não diga isso, eu estou me abrindo com você pelo menos. Katarina só deixa a estadia mais agradável com seu temperamento sádico.

— Posso dizer que sinto ciúmes de você. Quem era para lhe ensinar as artes ionianas seria eu. Mas Katarina sempre vai ser a minha melhor aluna. Quando pequena se trancava aqui, fugindo de Venina. Acho que foi aí que começou seu gosto por sangue. Kat nunca fez parte da corte como Cassiopeia.

— Suponho que Venina seja sua esposa.

— Sim. – Ao dizer isso, saíram da cabana. O “sim” de Marcus havia saído seco e Talon não quis forçar um assunto que não parecia ser agradável.

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Katarina no salão era presa em uma dança com um diplomata de Freljord, Talon e Marcus a observavam. Marcus idolatrava a filha que tinha, nenhuma havia chegado ao ponto da perfeição máxima como Katarina havia. Nos altos de seus dezoitos anos, a ruiva era de uma beleza rara. A face pálida e serena em diversas vezes fazia com que seu pai a comparasse com um anjo. Dançava graciosamente, deixando-se ser conduzida por um homem de cabelos longos platinados. Sem protestar, apenas deixava ser levada pela sinfonia de um violino.

Marcus sabia que por dentro ela queimava. Não havia nascido para isso, apenas para ser a bela assassina que era. Mas com as pupilas verdes fechadas, Marcus não conseguia parar de admirar sua filha. Tão o oposto de Venina, e tão parecidas. Aos olhos do pai, uma filha sempre seria perfeita.

A música cessara e os orbes verdes foram abertos. O sorriso dela se abriu mostrando os dentes brancos e fitou o homem ao lado do general. Talon a observava também, notando o quão bem aquela garota podia atuar quando queria.

— General Du Couteau. Sou Sebatian Nortidks, diplomata freljordiano, prazer. – O homem pálido de alto porte estender a mão fria para Marcus. Ele a apertou enquanto olhava dentro dos orbes âmbares do diplomata.

— Então você é o Nortidks? Deveria ter me apresentado ele antes da festa acabar, Katarina. – Marcus a repreendeu, ainda não deixando de contemplá-la.

— Só o encontrei agora. – Foram as poucas palavras ditas por Katarina. Fechou os olhos, sua cabeça pesada, a dança a deixou tonta. E Marcus o percebeu.

— Talon, parece que a nossa menina andou bebendo um pouco. Leve a Kat pro seu quarto enquanto converso com Nortidks.

.:.

Ele andavam pelo gramado, Katarina havia pedido para irem até o pequeno lago que ficava perto da cabana. Andavam um do lado do outro, Talon havia retirado o terno, ficando apenas com a camisa social branca aberta nos três primeiros botões. Katarina levava seus sapatos em uma mão e na outra uma garrafa de rum. Sentaram-se na grama de frente para o lago mesmo, sem se importar com as roupas. Ela abriu a garrafa e tomou um gole grande.

— Você continua bebendo. – Talon disse com um sorriso ao retirar a garrafa das mãos brancas. – Não é bom misturar tudo.

— Acha que eu me importo? – Ela passou a mão no pouco de bebida que escorria pelo seu queixo. – Sabe, desde aquele dia, eu fiquei curiosa em saber como seria beber rum. Então pensei em como havia pensado naquele dia, e pensei comigo de novo “Não é que rum se bebe quente? Afinal, não tem geladeira nos navios piratas!” E roubei seu rum.

— Eu dei falta de um mesmo. – Talon ignorou as frases desconexas vindas dela. Katarina Du Couteau estava bêbada. A luz do luar e a face vermelha causada pela bebida haviam a deixado extremamente sensual. O assassino virou um pouco o líquido da garrafa em sua boca, e a contemplava. Ela estava linda, não se cansava de admirá-la.

— Talon, você deveria me ensinar a beber. Sempre fico assim em festas desse tipo. Ainda mais aquela dança! Eu fiquei tonta pra cacete!

— Hm... Ensino se me ensinar a dançar. – Ele virou mais um gole e a ouviu praguejar. Em um movimento espontâneo, Katarina apoiou uma de suas mãos no pequeno espaço de chão que havia entre as pernas de Talon, indo para cima dele em direção da bebida. Ele se desequilibrou e derrubou a garrafa no chão, derramando o rum pelo gramado.

— Taloooooon! Você derramou o rum! – Katarina falou próxima ao seu rosto.

— Eu? Você que subiu em cima de mim! – O assassino se defendeu e virou o rosto, fugindo da proximidade das pupilas verdes. Fechou os olhos e a empurrou sutilmente para a grama que não estava molhada. – Levanta. – Talon se levantou e a puxou com força para seus braços, a fazendo arregalar os olhos.

— Me ensine a beber, cão. – Ela disse quase tocando seus lábios aos dele. Talon engoliu seco e virou o rosto, rindo ao ser pego desprevenido.

— Vai pedir para um cão lhe ensinar, Miss Du Couteau? – Falou baixo ao canto do ouvido da ruiva. – Lhe ensinarei. Não misture as bebidas. – Talon sussurrou e Katarina se arrepiou com o hálito quente. – Não fume junto, ou tome remédios. Na hora que quiser beber tudo o que ver, é a hora que deve parar. – A voz rouca de Talon começou a corroer-la por dentro, e então quando ele passou a mão por sua cintura e colou seus corpos, Katarina quis desistir da sanidade que tinha. – Deve beber água sempre.

— Ahn... Entendi, eu acho. – Ela o respondeu desnorteada, enquanto fitava as pupilas castanhas quando seus olhos se encontraram. Queria que a vermelhidão do seu rosto fosse só por causa da bebida, tentando se recompor, ela observou os olhos do homem que a agarrava. Sempre tão negros, tão obscuro.

— Me ensine a dançar, Katarina. – Talon falou ao pegar as mãos brancas da ruiva e colocar em seu ombro, a outra ele a segurava, sentindo o quente se misturar com o frio.

— Sua mão é sempre tão fria...

— Sim... – Ele sussurrou novamente em seu ouvido enquanto dava pequenos passos que por parte de Katarina começaram lentos, mas Talon a guiou. Ele sabia dançar, dançava com várias e várias mulheres durante as noites. Mas se mentir assim a fazia estar em seus braços, continuaria. E como na dança que Talon havia visto, Katarina deixou-se levar pela melodia melancólica do violino. Mas poucos momentos depois se sentiu tonta, e a última coisa que viu foram os braços de Talon a pegando no colo.

— Ei, acorda. Chegamos. – Katarina abriu os olhos e com a mão esquerda buscou bruscamente a face de Talon, o fazendo fitá-la.

— Talooon! Por que você levou a sério quando o general disse pra me levar para o seu quarto? – Ela falou enquanto apertava com as mãos os cantos dos lábios dele.

— Estamos no seu quarto, Katarina. – Talon falou ao abrir a porta com dificuldade e jogá-la na cama.

— É mesmo! É a minha caminha fofa. – O assassino se ajoelhou para falar-lhe alguma coisa, mas esqueceu no momento que a olhou de novo. – É foda ser a única bêbada. – Houve um silêncio e Talon suspirou.

Ela rolou na cama e fitou as pupilas negras. Havia tanta intensidade naquele olhar, um choque inicial e contínuo de diversas emoções ao se olharem assim. Raiva, desconfiança, arrogância, solidão e... Desejo. Talon o percebeu ser tão forte no momento em que a observava por completo. A luz do luar refletida sobre a pele branca igual quando a viu tocar. A abertura na coxa deixava à amostra as pernas brancas, não tão grossas e nem tão finas, eram ideais. Os seios quase saindo do decote do corpete, os fios vermelhos espalhados sobre a face, e seu desejo aumentou ao fitar os lábios carnudos entre abertos, era tão sensual.

— Tchau. – Talon disse levantando e se recompondo. Repetindo diversas vezes em sua mente que autocontrole era tudo.

— Não... – Ela sussurrou e o segurou pelo punho, Talon praguejou.

Se ela pedisse para ele ficar, ele ficaria sem pensar duas vezes.

Ela o puxou pela camisa, fazendo-o cair sobre si. O pegou pela nuca e grudou seus lábios aos dele. Talon paralisou. Katarina estava o beijando. Sem conseguir raciocinar, meteu o foda-se e a pegou pela cintura, aprofundando o beijo enquanto deslizava a sua mão com necessidade pelo corpo da ruiva. Ela mordiscava seus lábios e puxava os fios castanhos, Talon largou sua boca e desceu seus lábios para a nuca de Katarina, lambeando-a. Quando ela colocou as mãos dentro de sua camisa, Talon não resistiu a apertar com força as nádegas dela. Sentiu o gemido abafado dela em seu ouvido e mordeu sua nuca em plena excitação. Mas não ouve resposta, ela dormiu.

Talon se virou na cama ao lado dela, olhando-a descrente. Suspirou em derrota, e abriu a camisa por inteiro, estava com muito calor.

Ele poderia ter se aproveitado mais de Katarina, poderia naquele momento estuprá-la. Mas algo o impediu, ele não queria fazer sexo com ela bêbada ou com ela dormindo. Ele a queria ali acordada, deliciando cada momento. Olhou para o lado e viu a face serena enquanto dormia. Aquilo que havia em comum, era esse desejo louco um pelo outro?

Não queria nem saber como ela reagiria no dia seguinte ao saber que havia trocado beijos e carícias nervosas com o subordinado de seu pai, preferia até que ela não se lembrasse. Apenas retirou sutilmente o cobertor da cama e a cobriu, saiu do quarto e foi para o seu, se afogando até dormir em pensamentos sobre o que acabara de acontecer.

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O dia amanhecera nublado e frio em Noxus, Cassiopeia já havia partido cedo para Freljord com Sebastian Nortidks. Já era mais de uma hora da tarde, e Katarina se encontrava em um campo descoberto, sentada na grama. Não era o jardim de ontem à noite, ou o campo que ficava as estacas, era um que havia logo depois da floresta.

Suas roupas não eram as de costumes, não havia nada de cor tão forte ali, vestia branco. Igual no dia em que tocava o piano, mas esse vestido era mais longo. Os fios vermelhos caiam pela face pálida, havia mais melancolia do que o normal nos orbes verdes que olhavam para o céu cinzento. A grama era de um verde desgastado, seco. Katarina o comparou a si mesma. Estava sufocada. Hoje era um dia especial. Lembrava-se de tudo da noite anterior, e ignorava por enquanto os beijos com Talon, mas estranhamente aceitava aquele desejo sem hesitar ou sem fugir.

Foi retirada de seus pensamentos ao escutar alguns passos, e se virou para a figura conhecida.

— O que você faz aqui? – Ela lhe perguntou sem desviar o olhar dos orbes negros que antes a olhavam com tanto desejo, tanta igualdade.

— Marcus disse que você estaria aqui hoje. – Talon disse enquanto tentava entender o porquê da angustia de Katarina, não deveria ser pela noite passada.

— Ah, ele se lembra então. – Ela riu enquanto falava em um tom magoado. Talon se alertou, não era sobre os beijos. Desviou o olhar e sentou próximo dela.

— Por que eu sinto que você está pior hoje? – Katarina abaixou a cabeça, se escondeu em seus fios como uma cria se escondendo de sua mãe. Ele foi ignorado, pela primeira vez Katarina fugia. – Me fale. Nós nos conhecemos há algum tempo já. – Talon apenas a ouviu suspirar. Olhou a com raiva, como se duvidasse do que estava fazendo por essa garota. – Me sinto como um peixe fora d’água aqui. E sem saber o que se passa dentro dessa casa, me sinto mais ainda. Me dá vontade de sumir, não sou igual a vocês. – Katarina levantou a cabeça e olhou fundo nos olhos de Talon. O brilho dos orbes verdes eram nada mais e nada menos do que lágrimas reprimidas.

— Faz cinco anos hoje. – Ela começou a falar com uma voz chorosa. Limpando suas lágrimas com a mão trêmula. – Minha mãe foi sacrificada, ou assassinada. Como você preferir. Há cinco anos. – O verde de seus olhos voltou a mergulhar na escuridão de Talon, eles estavam em um tom de verde acinzentado, tão sombrio. – Geralmente, quando venho aqui só tenho lembranças boas. Mas não hoje... Marcus se casou com Venina porque ela era uma maga bem habilidosa e uma ameaça para Noxus. Deveria ser sacrificada se houvesse alguma movimentação estranha, a qualquer hora, a qualquer momento. Mas minha mãe sempre foi ingênua, de certo modo. Ela acreditava no que o Alto Comando dizia “Você deve ser sacrificada para que o poder que você possui não seja de mais ninguém.” Sempre vi isso como uma linda forma de patriotismo. Morrer por Noxus. Mas não depois da verdade. Matá-la não era necessário para o Alto Comando, não depois de se misturar com a corte noxiana e esquecer-se de seus deveres, esquecer-se de quem era de verdade. Mas, Marcus o fez. E atuou bem para que ela acreditasse cegamente em cada palavra. Meu pai a matou e a criança dentro dela, Talon.

O assassino não falou nada de princípio, apenas via o brilho triste de seus olhos. Afogou-se na imensidão verde, estava imóvel. Não sabia o que fazer ou o que dizer, não sabia o que era isso. A sensação de perder uma mãe, ou um pai. Ele não possuía o calor de um lar. Havia já perdido pessoas das quais gostava muito, mas não alguém que realmente amasse. O vazio deveria ser enorme. Entendia que Katarina estava sofrendo por dentro, mas não tinha a mínima ideia de como era aquela dor, ainda mais pelo próprio pai. Katarina se levantou, apesar de triste continuava tão bela.

— Entende agora? Marcus Du Couteau não é o herói que todos pensam. – Ela falou enquanto fechava os olhos com a cabeça erguida, sentindo o vento agressivo levar seus fios vermelhos. – Eu te contei sobre o que você queria saber desde ontem e você não tem nada a dizer? Patético.

Ao dar o primeiro passo sentiu a mão fria de Talon em seu punho, estremeceu. Foi puxada por ele e caiu em seu peito. Ficaram um bom tempo se olhando, ela não sabia o que as pupilas castanhas demonstravam. Sentia o cheiro de Talon, um cheiro que ela jamais tinha prestado tanto a atenção. Voltou a se sentir como estava antes embriagada, podendo ouvir os batimentos descompassos de seu próprio coração. Sentiu se fraca, não conseguia fugir de Talon, ou das lembranças de sua mãe. Travada e imóvel, apenas sentia o calor que emanava dele quando passou as mãos pelas suas costas, lhe abraçando forte enquanto escondia os olhos com o cabelo castanho.

— Tentei te fazer forte. Mas como posso exigir de você algo que nem eu tenho? – O assassino havia desisto de se controlar, não queria ver essa garota chorando.

Notas finais
1. A melhor forma - Titãs