A Ditadura Stradivarius

8 Um conto do Oriente II


Notas iniciais
parte 2 de 4

Dimitry Yutrev estava parado observando a paisagem com a pequena pasta na mão, este a segurava com força, mas ordens eram ordens, apesar de detestar a ideia de sequer ter recebido aquilo, era algo que o enojava, mas mesmo assim ordens eram ordens, isso ressoava em sua mente como se as palavras diminuíssem a atrocidade que estava prestes a fazer, era como se não conseguisse aceitar a si mesmo... Mesmo antes de fazê-lo.

Olhava para a pequena cidade logo a frente e logo vira sua atenção ao pequeno campo de refugiados que se formou, 1000 pessoas apenas conseguiram sair dali, se perguntava quanto tempo levaria para a imprensa internacional estar em cima daquele lugar com tudo o que podiam, as coisas realmente estavam complicando muito o que o levava a se questionar sobre o por que deste ataque e de onde vieram tantas armas, eles não estavam portando simples AKs, estavam com lança mísseis e ate canhões, podia jurar ter visto baterias anti aéreas ali, com certeza algo maior estava acontecendo do outro lado também.

Yutrev abre a pasta preta mais uma vez, observa atentamente as fotos ali colocadas e as informações, sua missão era capturar os objetos necessários e eliminar a cidade, já tinham uma justificativa pronta, um vazamento de gás metano incendiou a cidade o que causaria uma catástrofe enorme, ninguém poderia sair vivo dali além dos militares, olhava para o pequeno campo de refugiados com um olhar frio, o que era aquilo para ele, por que estava se sentido daquele jeito? Já tinha executado inocentes antes embora não se recordasse de ter gostado do ato, qual a diferença daquilo ali afinal? Era a mesma coisa que puxar o gatilho, só que era para matar mais de vinte mil pessoas... De alguma forma não conseguia se conformar com a situação, sua consciência lhe dizia para sair dali, para correr e recusar a missão mas seu coração dizia que era seu dever, que era sua honra e seu juramento, a missão não seria obrigatória, mas eles o mandariam para alguma investida suicida caso recusasse, os desgraçados não eram de deixar pontas soltas, não tinha escolha, levantou-se olhou bem a suas armas e começou a andar rumo aos pátios improvisados nos arredores da cidade. Mas mesmo ele sabia que, mesmo que tudo saísse de acordo com o plano, aquilo era algo muito grande para encobrir... Aquilo era algo tão monstruoso que não conseguiriam nem sequer tirar seus rabos da linha da opinião publica, era algo muito grande mesmo para Moscow, não cabia a ele questionar, não cabia a ele pensar, cabia a ele executar, e foi o que fez.

...

O objetivo era chegar no laboratório, eram 6 milhas de ruas, prédios e barricadas do ponto de partida ate o laboratório, não seria fácil, estavam em maior numero e tinham mais recursos mas isso não queria dizer que seria fácil, os inimigos estavam bem preparados, bem preparados até demais, Dimitry teve a oportunidade de analisar as fotos que foram tiradas por satélites e aviões, eles haviam feito uma bela barricada na cidade, tinham armas pesadas, lança mísseis, armas de uso militar como .50 e fuzis de combate também tinham baterias anti aéreas improvisadas em caminhonetes, mas aquilo era diferente de um simples ataque terrorista, eles normalmente entravam, explodiam as coisas e iam embora, no máximo fazendo reféns, mas aquilo era algo maior, o coronel sabia, mas não era a primeira vez que não lhe contavam tudo e não seria a ultima.

A preparação para a incursão estava sendo feita , tanques de guerra estavam posicionados enquanto os soldados se preparavam, seria uma invasão massiva feita por dois lados, mesmo que quisessem seria impossível perderem aquela batalha, helicópteros dariam apoio aéreo e haveria um caça com mísseis a poucas milhas dali caso a incursão por terra falhasse, estavam prontos para praticamente qualquer coisa.

Motores são ativados, armas engatilhadas, helicópteros levantam voo, era o inicio da incursão, os caminhões partiam carregados de soldados e equipamentos enquanto dois tanques de guerra começavam a se deslocar, o coronel entra em um dos caminhões e algo ainda não cheirava bem ali... Ele engatilhou a arma e deu a ordem:

– Vamos partir! Quero voltar para casa antes do jantar! – olha para os homens que o acompanhavam lentamente, logo se senta ao lado de um deles no caminhão – nome soldado...

– Senhor! Andriev Nikolay senhor, soldado do 3º regimento de combate!

– em quantas batalhas já esteve soldado? – apenas olha para os outros 8 homens que os acompanhavam lentamente, olhava os rostos de cada um deles, estavam tensos, homens de primeiro combate provavelmente da maioria ali, era tudo o que precisava... Soldados inexperientes...

– Lutei na guerra da Geórgia senh...

Apenas interrompeu ao homem – aquilo não foi uma guerra, foi um massacre, vou deduzir que nunca lutou em um combate verdadeiro, bom esta prestes a enfrentar um dos bons... Esses não são terroristas comuns, terroristas comuns não fariam isso, não dessa maneira, eles estão muito bem equipados para isto e sem falar naquele equipamento ali, vamos enfrentar baterias anti aéreas móveis, lança mísseis, .50, fuzis de combate e Rifles de longo alcance e não espere que eles vão aliviar... Eles não tem nada a perder

O caminhão começa a acelerar, tiros já podiam ser ouvidos ao longe enquanto a leve vibração do caminhão fazia com que os soldados fossem de um lado para o outro levemente, todos em silêncio e olhando uns para os outros, estavam tensos, era visível em seus rostos, as armas chacoalhavam descarregadas nas mãos destes, seriam o grupo de assalto, era deles a missão de achar o tal cientista enquanto as demais equipes abriam caminho, e era o que estavam fazendo, avançavam agressivamente enquanto os grupos de assalto entravam. Eram cinco grupos, todos com a missão de chegar ate ao laboratório do doutor, mas apenas o Coronel tinha as ordens corretas...

O caminhão começa a acelerar, podiam sentir que estavam entrando na cidade, na zona de conflito, os tiros ficam cada vez mais perto enquanto o caminhão acelera e os soldados carregam e engatilham suas armas, estavam chegando ao ponto de encontro, não havia maneira de avançar toda a cidade com veículos, haviam muitas barricadas e os terroristas estavam muito bem armados e os caminhões dariam apoio técnico aos soldados conforme avançavam. Após alguns minutos o caminhão para.

Dentro da cidade as coisas pareciam muito ruins mesmo, Dimitry olhava em volta já engatilhando sua arma e preparando seus revolveres, usava uma AK-47 e duas 9mm, uma em cada coltre, carregava quatro pentes para cada uma delas e cinco para a AK, o coronel arruma sua boina lentamente e se coloca em direção a tropa. Uma tropa não muito grande 38 homens ao todo que iriam se dividir em dois esquadrões, os tigres e os corvos, os tigres iriam se infiltrar por terra, avançar rumo ao laboratório, liderados por Dimitry enquanto os corvos dariam suporte, iriam por ruas paralelas e posicionariam snipers e formariam flancos e barreiras, lideradas pelo Coronel Yuri.

Dimitry anda em direção a Yuri e ambos se abraçam, um longo abraço de amigos de longa data.

– Yuri! Seu filho da puta! Você sumiu depois daquele jantar há seis anos! Malditos burocratas, sabia que você não ia suportar os desgraçados, sabia que aquele emprego não era pra você, tentei te contatar mas ninguém tinha seu telefone, nem na maldita internet você aparecia!

– Ah Dimitry, longa história, o governo não é pra mim, posso não ser o melhor homem do mundo mas não sou corrupto, não vou vender minha alma por alguns milhares de dólares... Era muita sujeira pro meu gosto, tive alguns problemas e tive de sumir por algum tempo, peguei minhas filhas e fomos para Varsóvia, fiquei lá por dois anos quando o exercito me encontrou e me ofereceram um salvo conduto caso eu fizesse algumas coisas para eles e foi o que fiz, nada muito grande, esse seria o ultimo trabalho e então poderia me aposentar com honras em São Petersburgo e dar um lugar seguro para as minhas filhas...

Dimitry suspira com um pouco de pena e dor – não te contaram não foi? O objetivo da nossa missão? – ao ver a expressão no rosto de Yuri este explicou a situação, a cada palavra do que lhe fora dito e do que tinha lido o homem a sua frente, já um homem maduro, em seus 40 anos tinha uma barba nascente no rosto, olhos negros e cansados, sobrancelhas grossas e cabelo raso. Este ficava cada vez mais serio a ponto de cruzar os braços, o que era um sinal muito ruim. E não disse mais nada, apenas entregou um rádio para o amigo e lhe deu mais um longo abraço.

– use o rádio se quiser falar comigo, a linha é segura, eles não vão ouvir mesmo se quiserem, além do mais só há um único canal, não da pra interceptar – este deu dois tapas no ombro do amigo novamente – foi muito bom lhe rever meu irmão! Nos vemos assim que essa merda acabar

– Não ouse sumir novamente Yuri ou eu mesmo vou te caçar! – solta um leve riso – Eu espero que não precise acabar deste jeito... Porém ordens são ordens de qualquer forma...

E ali dois irmãos de combate, dois amigos se separam, coronéis que dês de sua infância compartilharam os mesmos gostos e seguiram os mesmos caminhos, mais que amigos, irmãos, estes olham um para o outro, cada um voltando a sua tropa, um ultimo cumprimento antes do combate, ambos passaram muitos anos lutando juntos, se conheciam Yuri casou-se com a irmã de Dimitry, que veio a falecer de câncer há 6 anos, foi quando Yuri saiu do exercito para cuidar de suas filhas, não podia mais se arriscar tanto, antes não havia visto isso, mas elas eram tudo o que ele tinha, elas eram a única família dele depois de Dimitry, e o coronel que ficaria encarregado daquele combate, bom, não tinha mais nada a perder, exceto o próprio orgulho...

– NIKOLAI! – disse ao jovem soldado – Você vem comigo! Cubra minhas costas e as costas do esquadrão! – aponta a outros três soldados dizendo – você, você e você venham sigam pelo flanco esquerdo, nunca pelo meio da rua! Os demais se dividam em dois grupos e quero dois batedores agora! Dois homens rápidos e corajosos! Vamos acabar com isso agora!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.